quinta-feira, outubro 25, 2007

Reagan Segundo Greenspan


Rodrigo Constantino

Em A Era da Turbulência, o livro de memórias de Alan Greenspan, o ex-presidente do Federal Reserve dedica uma boa parte de um capítulo ao tempo em que conviveu com o então presidente americano Ronald Reagan. A seguir, pode-se ter uma idéia do que Greenspan pensa a respeito de Reagan:

"O que me atraía em Reagan era a clareza de seu conservadorismo. Ele também costumava explorar outra frase em sua oratória política: ‘Os governos existem para nos proteger uns contra os outros. O governo vai além de seus limites quando decide proteger-nos de nós mesmos.’ Um homem que se expressa nesses termos não deixa dúvidas quanto às suas crenças."

"Mas Reagan parecia bem disposto e, quando o avião decolou, ele estava fazendo perguntas amistosas sobre Milton Friedman e sobre outras pessoas que ambos conhecíamos. A partir daí, a conversa foi fácil. Acho que ouvi mais histórias inteligentes durante aquele vôo do que em qualquer outro período de cinco horas, em toda a minha vida."

"O temperamento dele me fascinava. A resplandecência e a benevolência que ele trouxe para a presidência nunca perderam a intensidade, mesmo quando teve de enfrentar uma economia disfuncional e o perigo global de guerra nuclear. Armazenadas em sua cabeça talvez houvesse quatrocentas histórias e frases. (...) Sob o governo Reagan, os americanos deixaram de achar que os Estados Unidos eram uma ex-grande potência e reconquistaram a autoconfiança."

"Por trás do humor, transparecia a antiga desconfiança de Reagan em relação aos economistas, que promoviam o que ele considerava interferência destrutiva do governo nos mercados. Ele era, evidentemente, adepto do laissez-faire. Ele queria abrir a economia. Embora sua percepção da economia não fosse profunda nem sofisticada, ele compreendia a tendência de autocorreção dos mercados abertos e a grande capacidade de criação de riqueza do capitalismo. Confiava no poder da mão invisível de Adam Smith, para não só encorajar a inovação, mas também para produzir resultados que ele, em geral, considerava justos."

"Reagan comparava a redução do tamanho do governo à aplicação da disciplina paterna: ‘Sabe, podemos fazer sermões aos filhos sobre suas extravagâncias, até perder o fôlego, ou podemos combater esses abusos simplesmente reduzindo a mesada deles.’"

"A pedra angular dos cortes de impostos de Reagan foi um projeto de lei que havia sido proposto pelo congressista Jack Kemp e pelo senador William Roth. Ele exigia a redução de 30% na carga tributária sobre pessoas jurídicas e pessoas físicas, com o objetivo de arrancar a economia daquele estado de letargia, que agora entrava em seu segundo ano. (...) Em breve, a reunião terminava e Reagan se retirava, fortalecido na determinação de pressionar pelo corte de impostos. Como se sabe, o Congresso acabou aprovando sua própria versão do plano econômico. No entanto, como a contenção de gastos foi tímida demais, o déficit continuou sendo um problema aflitivo e crescente."

Em resumo, a visão de Greenspan sobre Reagan é a de um homem simples mas com clareza moral, fiel às suas convicções, focado nos seus poucos princípios essenciais, que acreditava na liberdade dos indivíduos, no funcionamento do livre mercado e num governo bastante limitado em seu escopo. Humildemente, eu concordo plenamente com esta imagem que Greenspan guardou do ex-presidente, que conheceu bem de perto.

PS: Em 2003, Greenspan, ainda presidente do Fed, fez um discurso sobre o legado de Reagan. Eis o link para o discurso:
http://www.federalreserve.gov/BOARDDOCS/SPEECHES/2003/200304092/default.htm

4 comentários:

Cupim disse...

Dê uma olhada nos vencedores do Nobel de economia deste ano. Afirmam categoricamente que não há nenhuma "mão invisível" regulando o mercado.

paulo roberto disse...

Enquanto isso,Reagan era incessantemente demonizado pelos idiotas esquerdistas latino-americanos.

antonio Larrosa Diaz disse...

Pues yo digo que un pueblo sin raices profundas no puede sostenerse.
el peor escritor del mundo....www.antoniolarrosa.com

Renato Laguna disse...

‘Os governos existem para nos proteger uns contra os outros. O governo vai além de seus limites quando decide proteger-nos de nós mesmos.’

O autor dessa frase é o pai da "War On Drugs". Pra mim não passa de um hipócrita.