terça-feira, janeiro 06, 2009

O Ódio a Israel



Rodrigo Constantino

“Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos.” (Karl Popper)

O anti-semitismo é praticamente tão antigo quanto o próprio judaísmo. Os motivos variaram com o tempo. A arrogância presente na idéia de “povo escolhido” pode ser parte da explicação, mas não basta, pois todas as religiões acabam se vendo como a única detentora da Verdade e das chaves para o paraíso. O fator econômico pode ser parte da origem desse sentimento também. A prática da usura era condenada enquanto os judeus desfrutavam de sua evidente lógica: o tempo tem valor. Shakespeare retratou de forma intensa o anti-semitismo de seu tempo, na sua clássica obra O Mercador de Veneza. Shylock é o ícone do financista insensível e explorador, visão até hoje alimentada por muitos. O Holocausto, com apoio dos principais líderes muçulmanos, foi o ponto alto do preconceito contra judeus. Atualmente, o ódio irracional aos judeus está novamente em alta.

O anti-semitismo acaba levando ao anti-sionismo, e o próprio direito de existência de Israel é negado por muitos. Vários países existem por causa de decisões arbitrárias de governos, principalmente após guerras. São inúmeros exemplos, e Israel é apenas mais um. Só que, curiosamente, somente Israel não tem o direito de existir. O que Israel faz de tão terrível para que mereça ser “varrido do mapa”, como fanáticos islâmicos defendem? Vou arriscar uma possível resposta nesse artigo, com base no foco econômico.

Israel é um país pequeno, criado apenas em 1948, contando com pouco mais de sete milhões de habitantes. Entretanto, o telefone celular foi desenvolvido lá, pela filial da Motorola, que possui seu maior centro de desenvolvimento em Israel. A maior parte do sistema operacional do Windows NT e XP foi desenvolvida pela Microsoft-Israel. A tecnologia do chip do Pentium MMX foi projetada na Intel em Israel. O microprocessador Pentium 4 e o processador Centrino foram totalmente projetados, desenvolvidos e produzidos em Israel. A tecnologia da “caixa postal” foi desenvolvida em Israel. A Microsoft e a Cisco construíram suas únicas unidades de pesquisa e desenvolvimento fora dos Estados Unidos em Israel. Cientistas israelenses desenvolveram o primeiro aparelho para diagnóstico de câncer de mama totalmente computadorizado e não radioativo. Em resumo, Israel possui uma das indústrias de tecnologia mais avançadas do mundo.

A economia de Israel tem um PIB acima de US$ 180 bilhões por ano. A penetração de computador é uma das maiores do mundo. Quase um terço dos habitantes tem acesso a Internet. Lá são produzidos mais artigos científicos per capita que qualquer outro país do mundo. Israel possui o maior Índice de Desenvolvimento Humano do Oriente, ostentando o 23º lugar no ranking geral. A renda per capita chegou a US$ 25 mil, bem acima da média da vizinhança. A taxa de mortalidade infantil está em 4,3 mortes para cada mil nascimentos, um padrão de país rico. O Irã, por outro lado, tem 37 mortes por cada mil nascimentos, enquanto o Egito tem 28, a Síria tem 27 e o Líbano tem 23. A expectativa de vida ao nascimento está acima de 80 anos em Israel, comparado aos 71 anos no Irã, 72 no Egito, 71 na Síria e 73 do Líbano. Praticamente não existe analfabetismo em Israel. E por aí vai.

Não custa lembrar que tudo isso foi conseguido sob constante ameaça terrorista por parte dos vizinhos muçulmanos, demandando um pesado gasto militar por parte do governo israelense. Em relação ao PIB, Israel possui um dos mais elevados gastos militares do mundo. Ainda assim, o país foi capaz de gerar um quadro sócio-econômico bastante razoável, mesmo para os padrões desenvolvidos. Quando comparamos esta realidade com a situação caótica da maioria dos países com predominância islâmica na região, fica mais fácil entender uma parte do ódio que é alimentado contra os judeus. O sucesso incomoda, acaba despertando inveja. A romântica postura de Davi contra Golias, de tomar sempre o partido dos mais fracos, ajuda a explicar o ódio a Israel.

Claro que os fatores religiosos pesam muito. A lavagem cerebral feita nas crianças muçulmanas desde cedo, retratando o judeu como o grande demônio culpado por todos os males locais, contribui muito para o quadro também. Mas as gritantes diferenças econômicas e sociais adicionam muita lenha na fogueira, não resta dúvida. Fora isso, os israelenses podem escolher seus governantes democraticamente, enquanto os muçulmanos vivem sob ditaduras. Isso para não falar das diferenças na liberdade feminina. Há um abismo moral que separa Israel do restante no que diz respeito aos direitos das mulheres.

Com tanta miséria e ignorância, ausência das liberdades mais básicas, mulheres submissas com o corpo todo coberto, e uma religião que enaltece o sacrifício por Alá, a tentação de morrer como mártir e ser recebido por dezenas de virgens no paraíso parece irresistível. O ideal seria mostrar para os muçulmanos que isso não é necessário. Israel não é um paraíso – longe disso. Mas perto da realidade dos vizinhos islâmicos, acaba parecendo um oásis no meio do deserto. Ao invés de cometerem suicídio em ataques terroristas na tentativa de destruir Israel, os muçulmanos fariam melhor se pressionassem seus líderes para que Israel fosse um exemplo a ser seguido, não “varrido do mapa”. Todos, à exceção dos seguidores do profeta que usam a existência de Israel como escusa para todo tipo de atrocidade doméstica, sairiam ganhando. Principalmente os pobres palestinos. Afinal, não custa lembrar que os maiores responsáveis pelas mortes e pela miséria na Palestina e demais países islâmicos são os próprios líderes muçulmanos, que usam a religião para manter o poder.

7 comentários:

Rodrigo Constantino disse...

Deu no Globo.com

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2009/01/06/a-guerra-em-gaza-o-odio-israel-587900364.asp

Joana disse...

Deu na internet.

http://bp1.blogger.com/_pXEqRUq7v1w/RshwQbzCpXI/AAAAAAAAAmY/ijDutNtH1kQ/s400/anti_semitism_latuff.jpg

As vítimas ganharam liberade para matar. Essa é a justiça haha

AC disse...

Um exemplo que não pode ser esquecido: o ICQ - o primeiro programa de mensagem instântanea. Ele ainda existe, mas foi relegado a segundo plano pelo MSN. Puxa, só de lembrar me deu saudade. Era um programa genial, simples e cheio de ferramentas, algumas que só agora estão sendo incorporadas às versões recentes do MSN. Enfim, o ICQ foi desenvolvido em Israel. Alías, arrisco dizer qe o ICQ é o avô de toda a comunicação P2P - alog a se investigar.

tiagojk disse...

O que a Cruz Vermelha diz:

http://br.noticias.yahoo.com/s/08012009/40/mundo-cruz-vermelha-acusa-israel-faltar.html

Milton von Mises disse...

Caramba, esse povo é engraçado, se agarram a determinadas frases de efeito e nem ao menos procuram saber se fazem sentido. "A Palestina é livre" é uma delas. Alguma vez algum dirigente de Israel já declarou que a Palestina não deveria existir? Poder militar para varrer a Palestina do mapa eles tem. Outro aspecto interessante é dizer que Israel expulsou os palestinos de suas terras. Palestina é uma denominação romana para aquele pedaço de terra que já era habitado por judeus e muçulmanos. O pedaço de terra em questão foi disputado por inúmeros povos e tribos até chegar ao período do Império Otomano, que perdeu a 1a Guerra Mundial ao apoiar a Alemanha e o Império Austro-Hunguaro. A Inglaterra, como vencedora da guerra, ficou com a parte correspondente àquele território e resolveu dividi-lo em um estado judeu e outro árabe. E aí, quer dizer que, como disse o Rodrigo, o estado árabe pode existir, o judeu não? Por favor, leiam mais sobre a palestina antes de ficar queimando bandeirinha americana na porta do McDonald´s (e depois entrando para comer um hamburguer, pois ninguém é de ferro)

Eunice Haake disse...

O foco econômico é uma explicação para o antissemitismo, mas não é a verdadeira. Ao ler o Antigo Testamento, vemos que o antissemitismo já existia muito antes de qualquer coisa. Apesar disso, Deus sempre deixou claro que Israel é a menina de seus olhos, ou seja, a sua nação. É realmente impressionante que Israel exista com a força que tem depois de tudo o que sofreu ao longo de toda a História. Só pode haver explicação divina mesmo.

thomasbisinger disse...

Caro Rodrigo, é muito facil se dar bem economicamente com os EUA por tras bancando todo o poder belico e assim desapropriar terras e plantacoes do povo palestino e usufruindo dos lucros - como é o caso de muitas plantacoes de tamaras que foram de palestinos por geracoes e hoje dao lucro ao estado de israel - nao porque compraram, mas por força bélica.
já viu a quantidade de campos de refugiados na cisjordania, muitos desde 1948 - que foram criados quando vilas inteiras foram destruidas pelo exercito de israel para tomar posse da terra? e hoje dizem que nunca existiu nada nesses locais, alguns dos quais hoje em dia se ve ruinas?
Mais um detalhe: já viu a diferença de salario entre o que recebem os palestinos e os israelenses em israel?
assim fica facil se dar bem economicamente...
sao tantas outras coisas que nao vou ficar citando aqui - mas sugiro que voce se situe um pouco antes se colocar numa posicao dessas.
so pra deixar claro, nao sou contra o povo de israel, mas sim a sua politica e os crimes contra o povo palestino que comecaram desde a criacao do estado de israel ate hoje. isso nao tem desculpa.