quarta-feira, janeiro 07, 2009

O Silêncio dos Covardes



Rodrigo Constantino

“Quem poupa o lobo, mata a ovelha.” (Victor Hugo)

A guerra em Gaza despertou novamente o mundo para o “eterno” problema do Oriente Médio. À exceção dos psicopatas, é realmente impossível não se sensibilizar com as terríveis imagens de crianças palestinas mortas nos ataques israelenses. Emoções como a raiva e a revolta logo tomam conta das pessoas, que partem para uma dura crítica unilateral a Israel. Até mesmo o direito de existência da nação é negado por muitos. Mas uma análise mais calma e racional se faz necessária em nome da justiça.

Em primeiro lugar, deve-se lembrar que a imprensa explora bastante as perdas palestinas, mas pouco se fala sobre o terror imposto aos israelenses. Os terroristas islâmicos partem para a ofensiva, lançando centenas de foguetes e explodindo bombas dentro de Israel. Como negar o direito básico de autodefesa aos israelenses? Debater se essa reação é excessiva ou não faz sentido, mas negar o próprio direito de autodefesa israelense é absurdo! E acreditar que na conversa é possível acabar com o terrorismo é de uma ingenuidade infantil. A diplomacia jamais foi capaz de conter os loucos, e o exemplo nazista está ai como prova disso. O Hamas não vai sumir do mapa através do diálogo, mas sim da força. George Orwell disse que o jeito mais rápido de acabar com uma guerra é perdê-la. Infelizmente, existem algumas guerras que devem ser lutadas, até mesmo para preservar a paz.

Como levar a sério a idéia de que é possível dialogar com terroristas que usam suas próprias crianças como escudos humanos? Quem atribui equivalência moral aos dois lados da guerra – o governo de Israel e os terroristas palestinos – está ignorando um ponto básico: um lado procura proteger suas crianças e acertar alvos bélicos do inimigo, tentando minimizar as perdas civis; o outro lado procura deliberadamente matar o maior número possível de civis inocentes, inclusive crianças. Há um abismo intransponível aqui. No entanto, vemos grupos de esquerda, como o PT e Hugo Chávez, chamando a reação de Israel de “terrorismo de Estado”, enquanto não emitem uma única palavra condenando os atos terroristas do Hamas. Ao contrário, defendem abertamente a “causa palestina”, deixando claro que os fins justificam quaisquer meios.

Enquanto o mundo não acordar para a ameaça islâmica, o inimigo será apenas fortalecido. É evidente que não são todos os muçulmanos que representam uma ameaça. Mas o fundamentalismo religioso no Islã é inegavelmente um perigo para a paz mundial. É preciso lembrar que o próprio profeta Maomé foi um guerreiro, comandou diretamente quase 30 expedições militares, incluindo a batalha contra o clã Bani Qurayzah, de judeus árabes, que exterminou cerca de setecentos homens.* Vários seguidores fanáticos do Islã desejam, desde então, nada menos que o extermínio de todos os “infiéis”. Nos últimos 20 anos, a lista de atentados terroristas executados por muçulmanos é bastante extensa. Grupos como o Hesbollah, Al Jihad, Al Qaeda, Fatah e Hamas, entre outros, vêm espalhando o terror no mundo há décadas. O objetivo deles é bem claro: destruir o estilo de vida ocidental. Trata-se de um “choque de civilizações”, como disse Samuel Huntington. São os valores ocidentais como a liberdade individual, o Estado laico e a democracia que eles não aceitam. E por isso encontram apoio em tantos grupos fascistas, que odeiam esses mesmos valores liberais.

O medo excessivo leva à paralisia, e pode ser mortal. Aqueles que prezam a liberdade individual não podem se calar diante desta ameaça, não devem sucumbir à hipocrisia covarde do “relativismo cultural”. No fundo, a agenda “politicamente correta” apenas fornece mais espaço para que os inimigos da liberdade cresçam e coloquem em risco a própria liberdade. Ninguém teme pela sua segurança atualmente se escrever uma dura crítica ao Vaticano ou a Israel. Mas todos morrem de medo de expor qualquer crítica tímida ao Islã. O motivo é evidente demais e não pode ser ocultado pelo “relativismo cultural”: o Islã ainda não passou pelo seu Iluminismo! Os tempos da Inquisição pertencem ao passado do catolicismo, e não sem muita luta corajosa por parte de seus combatentes. Os muçulmanos moderados, que respeitam os valores ocidentais, terão que enfrentar o fanatismo em sua religião também. Os ocidentais devem apoiar esses muçulmanos que pregam a liberdade individual. Ambos lutam contra o mesmo inimigo: o terrorismo islâmico, apoiado pelos fascistas ocidentais. O silêncio dos amigos da liberdade será uma arma nas mãos de seus inimigos.

No poema “Caminhando com Maiakóvski”, de Eduardo Alves Costa, esse perigo é ilustrado de forma interessante:

“Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles entra
sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz,
e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.”


Na mesma linha, o texto de Martin Niemöller representa um ícone da resistência ao nazismo:

“Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar.”


A mensagem é muito clara: o silêncio dos covardes um dia se volta contra eles mesmos! Podemos – e devemos – criticar os erros e excessos na reação de Israel. Mas precisamos ter em mente que Israel luta contra um inimigo perigoso e que deseja eliminar todos os “infiéis” do mapa. O mundo deve se unir, sem medo, contra esses fanáticos religiosos e seus aliados fascistas.

* Segundo consta na biografia de Maomé escrita pelo historiador Barnaby Rogerson, essa batalha foi o ato mais cruel dos muçulmanos liderados por Maomé. Derrotados, os judeus foram condenados à morte, e valas estreitas foram cavadas, sendo então um por um, dos cerca de setecentos homens, deitados e decapitados com um golpe de espada, com os corpos jogados nas valas. A carnificina durou o dia todo, tendo sido o último grupo executado à luz de tochas. A brutalidade desse ato espalhou ondas de choque por toda a Arábia. Uma estranha maneira, para dizer o mínimo, de se pregar a palavra de Deus.

5 comentários:

bebeto_maya disse...

Esse trecho de seu artigo é bastante interessante:
"liberdade individual, o Estado laico e a democracia[...]"...A omissão da expressão judaico-cristã parece denotar o desapego a essa cultura e religião que, dentre outras coisas, é uma das mães dos direitos humanos.

Não se pode negar que muitos dos valores humanísticos e morais ocidentais, queira você ou não, estão atrelados na atual democracia do ocidente devido ao cristianismo. Assim como o oriente tem o confucionismo, xintoísmo, budismo etc...Ou preciso falar de Moisés e seus 10 mandamentos?

Quando você falou que o ocidente passou pelo "iluminismo", a impressão que se tem é que o mesmo, ao lado do renascimento, "passou a faca" no cristianismo, quando na verdade o destilou, de modo que a salvação passou a ser um bem pessoal e individual, e não mais coletivo, atrelado a uma Igreja. Não esqueça da reforma protestante!

Enfim, nem o próprio Voltaire era ateu, num artigo, o filósofo Carlos Valverde afirma que o iluminista converteu-se ao catolicismo no final da vida.

Finalizando, o fato do islã ter que passar pelo seu próprio iluminismo é de fundamental importância, embora todos saibam que estado laico, como querem os secularistas, é um piada, porque sempre exisitirão crenças que moldarão pessoas, e essas crenças influenciam decisões, de modo que o estado laico democrático, não exclui a crença, porém considera todos os fatores humanísticos, dos quais não se pode excluir a religião.

Eric Branden disse...

Cheguei neste blog meio que por acaso (por sugestão do meu Google Reader). Li este artigo e fiquei impressionado com a clareza e simplicidade do autor ao explicar coisas nem tão simples.
No fundo, concordo totalmente com Rodrigo.
Isto me levou a ler mais artigos do blog. Li uma meia duzia, e isto fez com que eu tenha que ler todos os outros!
Parabenizo o Rodrigo por suas ideias e talento.
Cada artigo que li me parece merecer ser publicado na Veja e/ou ser ensinado na escola!
Será que não tem um livro que agrega todos eles ?
Parabéns!
Eric Branden
Manaus

tiagojk disse...

Apenas citando (pode ser conferido em http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/mundo_ormed_israel_casa):

"JERUSALÉM (Reuters) - Trinta palestinos foram mortos nesta semana, segundo a Organização das Nações Unidas, depois de serem abrigados pelo Exército israelense em uma casa posteriormente atacada com um tanque.
Um relatório do Escritório do Coordenador de Assuntos Humanitários da ONU (Ocha) disse que, no dia 4 de janeiro, soldados israelenses levaram 110 palestinos para uma casa na área de Zeitoun, no centro de Gaza, dizendo a eles para não saírem dali.
Citando testemunhas, o relatório disse que, depois, a casa foi atingida por bombas, que mataram 30 pessoas.
O Exército israelense disse que está investigando o incidente.
Médicos palestinos disseram que, no dia 5 de janeiro, receberam 12 corpos de uma mesma família numa casa atingida pela artilharia israelense. Segundo eles, o número total de mortos subiu para 30, já que mais corpos foram retirados dos escombros.
Eles identificaram a maioria dos mortos como membros de uma família de sobrenome Samouni.
A Ocha disse que, entre os mortos, há três crianças feridas que não resistiram.
(Por Joseph Nasr)"

Citando o Rodrigo:
"Quem atribui equivalência moral aos dois lados da guerra – o governo de Israel e os terroristas palestinos – está ignorando um ponto básico: um lado procura proteger suas crianças e acertar alvos bélicos do inimigo, tentando minimizar as perdas civis; o outro lado procura deliberadamente matar o maior número possível de civis inocentes, inclusive crianças."

Rodrigo, em minha opinião, você está errado ao não atribuir equivalência moral aos terrorristas e ao exército de Israel. Podemos notar isso claramente nesta guerra desproporcional e uma prova são as notícias que nos chegam a cada dia. O que estamos presenciando é um genocídio do povo palestino...afinal quantos israelenses e quantos palestinos morreram neste conflito?? E isso não seria um terrorrismo?? Israel não tem interesse num estado palestino e prova disso são seus vários assentamentos em territórios palestinos e os milhares de refugiados deslocados. A minha opinião é que a paz deveria ser imposta aos dois povos, isto é, a ONU deveria criar o estado palestino, demarcá-lo e manter tropas de paz pelo tempo que fosse necessário. Mas quando acontecerá isso? Nunca...a ONU não tem poder algum e com o imenso lobby israelense sobre o pais mais poderoso do mundo isso nunca será alcançado. Afinal Rodrigo, na sua opinião, o que deveria ser após este conflito se o Hamas e todos os terrorristas palestinos fossem mortos? Se não existissem terrorristas tu acha que realmente existiria um estado palestino? Eu acho que Israel não permitiria mesmo assim...

bebeto_maya disse...

tiagojk

O yahoo, assim como a BBC, não são fontes confiáveis, visto que sempre estiveram contra Israel. Veja essa matéria do Bruno Pontes:

http://brunopontes.blogspot.com/

Carlos Roberto disse...

Os textos que tenho encontrado nos blogs (excelentes, como este) indicam um futuro para lá de sombrio! Acabar com o terrorismo islâmico? Pela destruição dos terroristas? Parece como apagar fogo com gasolina. Então o futuro será o da guerra total, sem fronteiras e distinções.