sexta-feira, dezembro 17, 2010

A importância do medo

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

“O medo é uma coisa boa. Se você não tiver medo, pode acabar pulando pela janela.” (Keith Richards)

Um estudo de pesquisadores da Universidade de Iowa mostrou como a emoção de medo depende da região do cérebro denominada amígdala. A paciente estudada teve uma rara condição que destruiu essa parte do cérebro. Os pesquisadores então observaram a resposta dela a estímulos assustadores, como casas assombradas, cobras, aranhas, filmes de terror e perguntaram sobre experiências traumáticas no passado. A conclusão foi que a paciente não estava apta a vivenciar o medo. E isso torna sua vida infinitamente mais perigosa.

Coragem, dizia Mark Twain, significa resistência ao medo, controle do medo, e não ausência de medo. O medo pode ser uma emoção crucial para nossa sobrevivência, pois nos mantêm mais alertas e desconfiados. Claro que se ele ultrapassar certo limite será prejudicial. O medo que paralisa não faz bem algum ao indivíduo. O interessante é encontrar um equilíbrio em que o medo existe e funciona como constante alerta, ao mesmo tempo em que pode ser dominado pela coragem. O mérito está justamente nisso, até porque enfrentar enormes perigos sem consciência deles, sem medo, não é um ato corajoso, e sim inconseqüente.

E o que isso tem a ver com liberalismo? Tudo! Afinal, o liberal é justamente aquele sujeito que desconfia sempre do poder, do governo, e mais ainda, ele costuma ter muito medo da concentração de poder no Estado. “O preço da liberdade é a eterna vigilância”, reza o credo liberal. Ceticismo e desconfiança geram uma postura mais alerta, impedindo abusos de poder por parte dos governantes. Por outro lado, os românticos ingênuos costumam demandar mais e mais governo, pois deixam a esperança falar mais alto que o medo. Mas, como dizia Baltazar Gracián, “a esperança é a grande falsária da verdade”. Os esperançosos em demasia são utópicos e, por isso, vítimas fáceis dos oportunistas de plantão.

Tenhamos medo do Leviatã estatal sim, pois, em primeiro lugar, ele é legítimo, devido à enorme capacidade de estrago dos governos; e, em segundo lugar, ele pode contribuir para uma maior vigilância aos governantes no poder.

13 comentários:

Bruno S disse...

E os rompantes interpretados (não sei se corretamente ou não) como libertários do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral?

Em um curto espaço de tempo ele defendeu a regulamentação de drogas leves (aka maconha), discussão sobre aborto e legalização do jogo no Brasil.

Anônimo disse...

O problema é quando o próprio governo parece mais eficiente no uso do medo para aumentar o controle sobre nossas vidas. Em nome da "segurança", abrimos mão da privacidade, aceitamos uma polícia mais violenta, nunca percebendo que o que une os indivíduos em sociedade é a mesma coisa que os separa: a luta por privilégios, prestígio, poder.

Fábio Ostermann disse...

A construção frasal do último parágrafo ficou um pouco confusa.

Do jeito que está, parece que tu afirmas que o Leviatã, e não o medo, "é legítimo" e "pode contribuir para uma maior vigilância aos governantes no poder".

Rodrigo Constantino disse...

Fábio, cheguei a pensar se poderia gerar dúvidas, mas veja novamente, que está bem claro:

Tenhamos medo do Leviatã estatal sim, pois, em primeiro lugar, ele (o medo!) é legítimo, devido à enorme capacidade de estrago dos governos; e, em segundo lugar, ele (o medo!) pode contribuir para uma maior vigilância aos governantes no poder.

Burocratoparasita da União disse...

Achei perfeita. Se há algum problema me parece de interpretação, e não gramatical. Emprego de Elipse como figura de linguagem muito bom, ou melhor, está mais para Zeugma, que é uma elipse especial - omissão de termo já expresso anteriormente. No caso, do começo ao fim do texto, o "medo".

Tiago Leitão disse...

Eu sei que nao é bem esse o foco, mas farei um comentário marginal.

Nao só o medo mas todos os sentimentos que somos capazes de ter são importantes, mesmo aqueles (como o medo) que a princípio parecem ruins.

Milhares de anos de evolução nao nos deixaram com nenhum sentimento inútil. Todos têm sua função.

E existe a questão de um equilíbrio no momento e na dosagem de cada um deles, como vc colocou.

Pablo disse...

Conheço seu blog há pouco tempo. É muito bom e olha que sou servidor público! É uma pena que escreva tão pouco nele, mas o que escreve é excelente.

paulo disse...

Constantino, na próxima, fala sobre esse recente aumento de 10.000 reais numa só tacada dos salários dos deputados.

ntsr disse...

'Tenhamos medo do Leviatã estatal sim, pois, em primeiro lugar, ele (o medo!) é legítimo'

Assim fica claro; antes não dava pra saber se o 'ele' se referia ao medo ou ao leviatã

PalhaciTa disse...

Pq o PT não protestou contra os salários dos deputados?

Marc disse...

O povo tem esperança no Governo e sempre se decepciona. Como mudar a cabeça desta gente ignorante? Vamos fundar um canal de TV aberta para lavar a mente deste povo medíocre que é o nosso.

Anônimo disse...

""Alvitra-se um federalismo fiscal que acabe com a concentração de 69,4% da receita tributária em mãos da União -- percentual claramente incompatível com o volume de tarefas assinaladas aos Estados e Municípios. Além do mais, informa AFONSO que desde 1991 a participação federal na arrecadação tributária que já era enorme aumentou 3,9 pontos percentuais, e a municipal se manteve no mesmo patamar enquanto a estadual retrocedeu 4,4 pontos. O que se deseja é um federalismo fiscal que garanta recursos próprios aos entes federados encarregados de prover segurança, saúde, educação e transporte ao cidadão que não se desloca de seu Estado, para não dizer de sua cidade, e que depende desses bens para viver com dignidade. E um federalismo fiscal que não mais aceite contingenciamentos verticais de recursos e muito menos a derrogação do pacto federativo por emendas constitucionais às Disposições Transitórias."" José Marcos Domingues
Professor Titular de Direito Financeiro
Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Fusca disse...

Além da citação da múmia dos Stones que já passou dos limites da morte algumas vezes, cabe lembrar que Mao, o maior genocida da História, usou o medo em todas as etapas de sua demoníaca trajetória, levando-o ao pódio de todos os genocídios: 50 a 65 milhões de mortos por sua culpa: luta de classes, Grande Marcha, luta de classes, fome, luta de classes, guerras, luta de classes, revolução, luta de classes, Revolução Cultural, luta de classes, e finalmente, Luta de Classes, até que o desgraçado morreu muito tarde para o mundo... E deixou viúvas, algumas delas dirigindo o Brasil hoje.