segunda-feira, maio 15, 2006

Chega de Impunidade!



Rodrigo Constantino

“Quem poupa o lobo, mata as ovelhas.” (Victor Hugo)

O povo brasileiro ficou estarrecido com a afronta dos criminosos no último fim de semana, quando ataques orquestrados mataram vários policiais e feriram inocentes em São Paulo. A sensação de insegurança é total - com razão. O Estado é grande demais onde não deveria e falha naquela que é sua função primordial. Os cidadãos de bem viraram reféns dos bandidos. Há uma completa inversão de valores, onde as pessoas honestas vivem aprisionadas e os malfeitores assumem o controle da situação. É chegada a hora de uma reação mais enérgica sobre a questão da segurança.

A principal causa da violência está na impunidade. Quando o crime compensa, e os riscos de punição são baixos, temos um convite ao crime. Há um fator cultural por trás disso, que permite esse clima de baderna generalizada. A mentalidade “humanitária”, pregando a igualdade de todos os homens, independente de seus valores e atitudes, chuta a estátua da Justiça, cuja balança deveria servir para emitir um julgamento objetivo dos fatos. O altruísmo, ao pedir que a vítima ofereça a outra face, contribui para a injustiça. Justiça, afinal, é a virtude de julgar objetivamente o caráter e a conduta dos homens e agir de acordo, garantindo a cada homem aquilo que ele merece. Quando alçam a compaixão acima da justiça, quando pedem para não julgarmos de forma a não sermos julgados, estão acabando com qualquer chance de justiça. A recompensa e a punição devem fazer parte do código de ética que pretende ser justo.

A crença em um determinismo qualquer, seja genético ou social, como se o indivíduo não tivesse o poder da escolha, o livre-arbítrio, retira a responsabilidade das pessoas e inviabiliza qualquer julgamento. Se não há escolha não há ação moral ou imoral. A neutralidade moral condena o bom e enaltece o mau. Abster-se de condenar um torturador é o mesmo que tornar-se cúmplice na tortura de suas vítimas. Um homem merece de outros aquilo e tão-somente aquilo que ele faz por merecer. O homem inocente não clama por misericórdia ou compaixão, mas por justiça. Ele quer aquilo que lhe é devido. Enquanto a reação das pessoas ao malfeitor for amolecer, dar a outra face ou culpar fatores exógenos por sua atitude, seu crime jamais irá cessar.

Muitos colocam a culpa da criminalidade na miséria. Esse materialismo é uma afronta a todas as pessoas pobres de bem, ou seja, a grande maioria. A honestidade não depende da conta bancária. Vemos muitos políticos ricos que roubam cada vez mais, enquanto pobres trabalhadores dão duro de forma honesta. Se a miséria fosse a principal causa da violência, a maior ameaça à paz mundial viria da Etiópia, não do rico Irã. Os ataques terroristas, por exemplo, não são financiados por um mutirão de famintos, mas por ricos como Bin Laden, que usam inclusive muitos jovens de classe média. Todos que aproveitam o caos da violência para logo sacar o termo vago “justiça social” deveriam lembrar que seus eleitores humildes não saem por aí matando policiais do nada. Os eleitores deveriam lembrar disso também, para não serem vítimas de um golpe populista. Quando alguém falar que a pobreza é que causa a criminalidade, o leitor humilde deve se perguntar se seria capaz de matar um policial ou uma criança.

Vários desses defensores da tal “justiça social” são, na verdade, defensores do crime. São aqueles que pregam soluções milagrosas e “igualdade social” ao mesmo tempo que sempre tomam o partido dos culpados. São os políticos que defendem os “direitos humanos” sempre objetivando eximir de culpa os criminosos. São os que preocupam-se apenas com os “coitados” dos assassinos, ignorando a dor das vítimas inocentes.

Devemos lembrar que para o triunfo do mal, basta que as pessoas de bem nada façam. A complacência com os algozes é paga com o sangue das vítimas. Se o Brasil pretende ser um país mais justo, devemos dar um basta à impunidade. Direitos humanos sim, mas para os humanos direitos. Para os bandidos, a punição.

6 comentários:

Fábio V. Barreto disse...

Muito bem, Rodrigo! Essa cultura do coitadinho envenena o Brasil!

Anônimo disse...

Tu é a favor da pena de morte em alguma situação?

Rodrigo Constantino disse...

A princípio, sim. Certos casos perdidos, de assassinos reincidentes, praticantes de crimes hediondos, melhor matar logo. Mas estou aberto aos argumentos contrários.

Sérgio Gomes disse...

Muito bom seu artigo, Rodrigo. Acompanho seus artigos no site do jornalista Diego Casagrande e também no Mídia sem Máscara, parabenizo-lhe pelo excelente trabalho.
Quanto aos acontecimentos recentes, corroborando o que você já colocou no artigo, estamos colhendo o que plantamos, e não devia ser surpresa.
Para o Estado continua tudo "sob controle", fico pensando no que é preciso acontecer para que atitudes enérgicas sejam definitivamente tomadas, é preocupante. Sou favorável à pena de morte, sim; mesmo porque ela já existe para nós, cidadãos de bem. Como você bem disse, a impunidade é o que fomenta a criminalidade, e enquanto ela imperar o derramamento de sangue inocente continuará.


Deus te abençoe, Rodrigo.

caio delgado disse...

Muito Bom o artigo.É por causa desses bandidos dos Direitos Humanos e as politicas a favor dos bandidos que a segurança publica no Brasil está assim.

Anônimo disse...

Caro Rodrigo, excelente artigo sobre a impunidade. Sou promotor de justiça e também sofro com este sistema que tanto protege o criminoso, em detrimento de toda a sociedade. Parece que quem luta pelo que é certo e justo está lutando pelo lado errado. É difícil, mas é esta a sensação que sinto... Coitado dos assassinos, estupradores e traficantes... cadeia não é a solução, dizem os defensores... Com certeza não é a solução, mas é uma forma de punição e garantir a sociedade a possibilidade de viver segura em nossas casas. E agora, vem a nova lei de tóxicos, sancionada esta semana pelo nosso nobre presidente. Agora traficante primário e de bons antecedentes terá uma pena mínima de 5 anos (diz o ministro da justiça). Só que ele esqueceu de comentar o § 4º, do mesmo artigo que estabelece que o traficante primário e de bons antecedentes, terá a pena reduzida até 2/3 (5anos - 3 anos e 4 meses), ou seja, será condenado a 1 ano e 8 meses. Não para por aí. A lei não fixou o regime inicial. Logo pode ser aberto. Se for fechado terá que cumprir 1/6 da pena (o Supremo Tribunal Federal entende inconstitucional a lei que proibe a progressão). Concluindo - O TRAFICANTE PRIMÁRIO E DE BONS ANTECEDENTES FICARÁ PRESO SÓ POR 3 MESES E 15 DIAS (NO MÁXIMO). ESTE LULA ESTÁ MALUCO... ESTA É A VERDADEIRA LEI DA IMPUNIDADE... A POPULAÇÃO PRECISA SABER DISTO... ALEXANDRE MAGNO (e-mail - amblacerda@hotmail.com)