quarta-feira, dezembro 12, 2007

A Estupidez é Infinita!



Rodrigo Constantino

"Ignorância é não saber de algo; estupidez é não admitir sua ignorância." (Daniel Turov)

O presidente do IPEA, Márcio Pochmann, tenta provar que Einstein estava certo quando disse que a estupidez humana é infinita (e ele estava mais certo disso do que do universo ser infinito). Pochmann defendeu a adoção de uma jornada semanal de trabalho de três dias com expediente de quatro horas. Não satisfeito, disse ainda que o Brasil deveria preparar seus cidadãos para começar a trabalhar depois dos 25 anos de idade. A esquerda parece nunca aprender: só consegue pensar em riqueza como um bolo fixo que precisa ser distribuído pelos burocratas "iluminados". É a ideologia dos parasitas!

Essas estultices não são novidade. No passado, representantes de seis centrais sindicais lançaram uma campanha conjunta pela redução da jornada de trabalho, obviamente sem a redução dos salários, assim como pediram o fim das horas extras. Governos socialistas, como o do francês Jospin, já se aventuraram nestas águas turvas, apenas para verem resultados catastróficos, perda de competitividade e aumento da informalidade. Se as leis naturais de oferta e demanda pudessem ser "consertadas" com papel e caneta estatal, não haveria povo miserável nesse mundo. Bastava decretar a riqueza geral.

Os sindicalistas afirmam que tal medida iria gerar quase três milhões de empregos no país, mas como todo socialista, suas aparentes nobres intenções são inversamente proporcionais à lógica e realidade. Além disso, partem da rudimentar visão de riqueza estática, sendo necessário portanto apenas repartir de forma mais "eqüitativa" o que já existe. Toma-se a força o rendimento dos que estão empregados e gerando riqueza, e de forma compulsória distribuem para os demais. Nada mais arbitrário, injusto, e ineficiente. Tirar os bilhões de Bill Gates e Warren Buffett e distribuir, além de não ser justo, não cria riqueza, mas apenas dois novos miseráveis. Esquerdistas nunca souberam como se cria riqueza. A vida toda eles pensam apenas em tirar riqueza dos outros. É a ideologia da extorsão!

Com uma lei dessas, ficaria praticamente vetado ser ambicioso, almejar crescer profissionalmente, subir na vida. O empregado dedicado, que acredita no seu esforço pessoal e pretende se sacrificar no curto prazo para colher os frutos no futuro, sairia fortemente prejudicado. Não mais poderia trabalhar horas extras, objetivando ganhos extras também. Teria que se contentar, por determinação de burocratas, com o número de horas arbitrariamente escolhidas pelo governo. E o empregador então, teria que não só empregar mais pessoas contra sua vontade e lógica econômica, como ficaria obrigado a manter os mesmos salários por menos horas trabalhadas. Por decreto, o governo tentaria alterar toda a lei econômica, gerando resultados absurdos, e colocando a nação em evidente desvantagem competitiva frente aos outros países mais liberais. Ataca-se o problema do desemprego e desigualdade penalizando o bem sucedido, tornando todos igualmente fracassados. É a idealização da inveja!

O "argumento" usado por Pochman – aquele que afastou Fábio Giambiagi do IPEA por motivos ideológicos – é o acúmulo de capital pelo sistema financeiro internacional, que ele chama de "produtividade imaterial". Para ele, essa produtividade justifica a razão pela qual não há, do ponto de vista técnico, motivo para alguém trabalhar mais do que essas quatro horas diárias, três dias na semana. E atenção: isso veio daquele que deveria pensar no longo prazo da nossa economia! Talvez ele tenha em mente a máxima de Keynes, de que "no longo prazo estaremos todos mortos". Ele deve estar apenas tentando antecipar este longo prazo, para matar todos logo de uma vez, na completa miséria.

A estupidez não é monopólio tupiniquim, ainda que por estas bandas a doença assuma ares de epidemia. O filósofo Bertrand Russell, em sua pior fase, defendeu idéia parecida em O Elogio ao Ócio. Ao longo da exposição de suas idéias no livro, Russell não consegue mais esconder seu viés autoritário, e reitera a necessidade da jornada de trabalho de quatro horas como forma de fazer com que o ócio possa ser desfrutado por todos. As pessoas trabalhariam apenas o suficiente para as necessidades básicas, seja lá quem define isso, e depois estariam "livres" para aproveitar o "real" valor da vida, definido pelo próprio filósofo. Um sujeito que trabalha mais de dez horas diárias pois assim optou, objetivando a recompensa desse esforço, estaria abolido do mundo de Russell. Ele estaria ameaçando o emprego de outros. Um egoísta! É a morte da meritocracia, em nome da igualdade na mediocridade compulsória. É o fim da escolha livre individual. É a escravidão pura e simples, resultado inevitável do comunismo, que o autor defende abertamente na obra: "No conjunto, estou de acordo com o propósito dos comunistas; meus desacordos se dão mais com relação aos meios do que com os fins". Parece que o ócio, que Russell tanto elogia, não lhe fez muito bem. Ele abraçou os ideais comunistas. É a ideologia dos vagabundos!

Como fica claro, a estupidez não é uma exclusividade de Pochmann. Pessoas com renome internacional já foram acometidas por este mal. Mas creio que devemos dar o benefício da dúvida a Pochmann. Talvez ele não seja estúpido, e esteja defendendo uma idéia estúpida apenas por interesses particulares. Nesse caso, ele seria pérfido, mas não estúpido. Vai ver ele quer apenas que todos "trabalhem" tanto quanto ele e outros burocratas ligados ao PT. Assim, ele não ficaria tão mal na "foto". Num país onde todos são igualmente vagabundos, por imposição estatal, os vagabundos passam a ser vistos como sujeitos normais. Basta destruir todo o sucesso para que a mediocridade seja alçada ao pódio. Não sei qual o caso de Pochmann, se é a estupidez ou a safadeza. Mas eis a minha sugestão: reduzir para zero a carga horária de Pochmann e demais burocratas aliados do PT. Mesmo bancando os parasitas, sai mais barato mantê-los na praia do que "trabalhando". Vai que Pochmann apareça com uma idéia ainda mais brilhante que esta! Não vale a pena o risco...

12 comentários:

Diderot disse...

Pochmann só pode estar brincando né? Não deve pertencer a este mundo. Belo artigo.

Diderot Valente

Miguel disse...

Vejam a maneira como Pochmann foi colocado no IPEA. O governo expurgou a antiga direção (pela primeira vez em mais de 40 anos):

http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0907/negocios/m0144529.html

Badger disse...

Se funcionários públicos picaretas exemplificados pelo próprio Márcio Pokemon trabalhassem *de fato* quatro horas por dia, três dias por semana, então estariam trabalhando muito mais do que trabalham hoje! O problema é que, como eles com seu "trabalho" atrapalham mais que ajudam, isto seria péssimo para o país...

Emerson disse...

Chega logo, 2010!!!!

Anônimo disse...

Não são todos os funcionarios públicos que são picaretas...profissionais de sauúde e policiais ganham muito pouco pelo que produzem. Mas o que tem de parasita, que fica o dia inteiro em repartiçoes fazendo fofoca, tomando cafezinho, navegando na internet, não é brincadeira não.

Diderot Valente disse...

Não vejo baixo salário como álibi pra funcionário público boicotar o trabalho. Uma coisa é certa, ninguém ganha o que deseja, anonymous.

diderotb@gmail.com

Morena Flor disse...

Rodrigo,

Pode ser absurdo sugerir q se trabalhe 4h por dia, e 3 vz na semana.

Mas, trabalhando diariamente durante 8 horas, tb não acho lá uma jornada de trabalho muito saudável tb não.

Seria bom q se estabelecesse um equilíbrio, uma jornada de trabalho q beneficiasse tanto as empresas qto os empregados - já q, um precisa do outro p/ a sua própria sobrevivência.

Abraços e tudo de bom!

Epicuro disse...

A jornada no início do século XX era de dez/doze horas. A jornada de oito horas começou na Rússia com o comunismo em 1917. Depois se espalhou pelo mundo. Que tal voltar para as jornadas anteriores de dez, doze, até 14 horas? Seria uma proposta razoável? Seria mais estímulo para a meritocracia, segundo a lógica do artigo.
Entendo que a jornada de trabalho estabelecida é um piso, não um teto. As empresas não podem exigir mais, entretanto quem quiser trabalhar mais por conta própria, é livre. A luta pela jornada menor é justa, sem dúvida. E a tecnologia existente permite a diminuição. Significa apenas que as pessoas terão mais liberdade para fazer o que lhes apetece. Pode até ser um serviço voluntário. Pode ser o ócio criativo dos escritores e intelectuais. Não é necessáriamente a dissipação do tempo e a preguiça. Porque pensar que, necessariamnte, quem não trabalha vai para a vagabundagem? Há muitas maneiras boas de empregar o tempo.

josécruz disse...

Epicuro, na inglaterra em 1890 a jornada média era 8 horas. E nos eua se pagava por hora, ou seja, se vc preferir trabalhar 8 horas, poderia. Se trabalhava 12 horas porque rendia 50% a mais.

Anônimo disse...

Conheço o Márcio Pochmann da época da graduação em economia da UFRGS -Foi presidente do diretório acadêmico e já era ativista do PT em 1982, formou-se e foi direto para o DIEESE. Agora foi guindado para o IPEA. Foi sempre um apêndice intelectual ideologicamente comprometido. Não conhece o que é compromisso com resultados, produtividade e viabilidades econômicas na prática. Empreendedorismo e iniciativa privada não integram o seu universo.

Anônimo disse...

Ufaa, fiquei sem fôlego com este post...
Mas vamos lá, existem pessoas que em três horas de trabalho rendem mais dq outras "trabalhando" doze horas.
É uma questão de pró-atividade, alguns não vão para frente nem se alguém os carregar nas costas.
E neste contexto fico pensando: Pq não surge uma pessoa para falar sobre como seria maravilhoso aprendermos assuntos relevantes na escola??
Sim, pq desta forma as pessoas saberiam que um imbecíl deste não poderia nunca ser um funcionário pago por nós.
Mas não, só aparecem discursos vázios, fúteis e sem propósito como o deste peso morto.

igor_edelstein disse...

Belo Post ...
A filosofia da ESQUERDA é a FILOSOFIA da SOBREVIVÊNCIA, da IGNORÂNCIA COLETIVA, de garantir sempre um pouquinho a POPULAÇÃO, seja através dos FAMIGERADOS BOLSAS FAMÍLIAS, seja através de POLÍTICAS POPULISTAS INÓCUAS como a REDUÇÃO DA CARGA HORÁRIA no TRABALHO. O SER HUMANO é e deve sempre ser livre, inclusive para escolher o emprego para seu PRESENTE e FUTURO. VEJAMOS UM EXEMPLO dessa LIVRE-ESCOLHA: um funcionário de uma MULTINACIONAL tem "N" vantagens e condições salariais que um EMPREGADO de uma empresa INFORMAL não tem, ou mesmo um MICRO ou PEQUENO empresário, uma coisa ambos oferecem (tanto o MEGA como o MICRO EMPRESÁRIO): LIBERDADE de ESCOLHA. Se você é empregado numa firma que não se paga HORAS EXTRAS, NÃO ASSINA CARTEIRA e etc ... deve-se saber que a escolha sua, e você não está obrigado, mas por falta de oportunidade de arrumar um serviço numa empresa MULTINACIONAL, ou numa minimamente organizada. Isso por falta de CAPACIDADE, de EDUCAÇÃO e muita das vezes até de HIGIENE.
PARABÉNS PELO POST MAIS UMA VEZ ...
ATT.
igor_edelstein@hotmail.com