sexta-feira, dezembro 07, 2007

A Máscara da Inveja


Rodrigo Constantino

"A inveja é a paixão que vê com maligno desgosto a superioridade dos que realmente têm direito a toda a superioridade que possuem." (Adam Smith)

O escritor argentino Gonzalo Otálora causou polêmica ao defender a cobrança de impostos das pessoas consideradas mais belas para compensar o “sofrimento” daqueles que supostamente foram menos favorecidos pela natureza. O escritor disse que sua iniciativa tem o objetivo de provocar um debate sobre o culto à beleza. Com um megafone, ele foi à frente da Casa Rosada reclamar os “direitos” dos feios. Esperava contar com o apoio do então presidente Kirchner, a quem classifica como “pouco atraente”. Otálora alega que os deboches sofridos na infância prejudicaram sua auto-estima e atrapalharam na conquista de melhores empregos. Em sua opinião, um dos assuntos que deveriam ser debatidos é a representação de “todos os tipos de constituição física” nos desfiles de moda. A inveja é alçada ao patamar de justiça, e a mediocridade é enaltecida enquanto o superior é condenado por suas virtudes, e não vícios.

Ainda que as demandas do argentino feioso pareçam absurdas – e são, elas no fundo representam apenas os ideais igualitários levados ao extremo de sua coerência. No fundo, um igualitário deveria pregar a igualdade plena, abolindo qualquer tipo de diferença entre os indivíduos. Aquele igualitário que prega uma distribuição de riqueza igual entre os indivíduos precisa aplaudir o apelo do argentino sob pena de ser acusado de materialista, caso não o faça. Ora, ficaria evidente demais que ele só pensa em dinheiro! Por que todos deveriam ter uma renda igual, mas rostos diferentes, podendo se destacar pela beleza num desfile? Onde estaria a igualdade? Na verdade, os igualitários, ou socialistas, pregam a igualdade das contas bancárias, assumindo involuntariamente que focam apenas nos bens materiais. Normalmente, são os primeiros a acusar os capitalistas de materialistas, mas só querem saber de dinheiro. Talvez porque demandar igualdade em outros campos tornaria o verdadeiro motivador de suas idéias aparente demais. E este motivador é conhecido: a inveja.

Na década de 1960, os igualitários ganharam força, levando George Orwell a escrever 1984, uma distopia que explorava a inveja na política. O Partido Trabalhista inglês, de esquerda, demandava uma sociedade de iguais “absolutos”. Uma novela satírica iria explorar esta “paixão anti-social”, como dizia Mill, no campo do cotidiano. O escritor inglês L. P. Hartley era o autor, e a obra chamava-se Facial Justice, comentada no excelente livro de Helmut Schoeck sobre o tema, intitulado Envy: a Theory of Social Behaviour. Na sátira, Hartley chega à conclusão lógica através das tendências do século passado, e expressada por Schoeck no seu livro, sobre a estranha tentativa de legitimar o invejoso e sua inveja, de forma que qualquer um capaz de despertar inveja é tratado como anti-social ou criminoso. Em vez de o invejoso ter vergonha de sua inveja, é o invejado que deve desculpas por ser melhor. Há uma total inversão dos valores, explicada apenas por uma completa aniquilação do indivíduo em nome da igualdade coletivista. Os seres humanos passam a ser tratados como insetos gregários, e o indivíduo que ousa se destacar passa a ser tratado como um inimigo da “sociedade”. O rico, ainda que tenha criado sua riqueza de forma honesta através de trocas voluntárias, é execrado pelos invejosos. O sucesso individual é um pecado!

A heroína da novela de Hartley chama-se Jael, uma mulher que, desde o começo, não se conforma com a visão igualitária, recusando-se a aceitar porque pessoas mais bonitas ou inteligentes deveriam se anular como indivíduos por causa da inveja alheia. A novela se passa no futuro, depois de uma Terceira Guerra Mundial, e as pessoas eram divididas de acordo com o grau de aparência. A meta era obter uma igualdade facial, pois a igualdade material não era suficiente para acabar com a inveja: alguns sempre terão algo que os outros não têm e invejam.* Havia um Ministério da Igualdade Facial, e a extirpação dos rostos tipo Alfa, os mais belos, não bastava, pois os rostos tipo Beta ainda estavam em patamar superior aos do tipo Gama. Enquanto todos não tivessem a mesma aparência, não haveria justiça. Ninguém poderia ser desprivilegiado facialmente. Hartley combate a utopia dos igualitários, mostrando que a igualdade financeira jamais iria abolir a inveja na sociedade. Durante sua vida, ele demonstrou aversão a todas as formas de coerção estatal.

No livro Teoria da Personalidade, o psiquiatra G. J. Ballone diz: “Todas as tendências ideológicas que enfatizam a igualdade dos seres humanos, num total descaso para com as diferenças funcionais, ecoam aos ouvidos despreparados com eloqüente beleza retórica, romântica, ética e moral. Transportando tais ideais do papel para a prática, sucumbem diante de incontáveis evidências em contrário: não resistem à constatação das flagrantes e involuntárias diferenças entre os indivíduos, bem como não explicam a indomável característica humana que é a perene vocação das pessoas em querer destacar-se dos demais”. O sonho com um mundo de iguais, como se homens fossem cupins, denota um escancarado complexo de inferioridade. As diferenças agridem este indivíduo, pois ele é incapaz de aceitá-las, provavelmente por detestar ver no espelho aquilo que o diferencia dos demais. A inveja toma conta de seus sentimentos, e a destruição dessas diferenças passa a ser sua meta. Como ele não suporta as conquistas alheias, ele demanda a mediocridade geral. Os coletivistas odeiam admitir que indivíduos possam fazer a diferença. A riqueza precisa ser explicada como um fatalismo coletivista, os méritos individuais precisam ser derrubados, as escolhas individuais cedem lugar ao determinismo, tudo para anular o indivíduo enquanto indivíduo, substituindo-o pelo coletivo.

Em resumo, o que está por trás do igualitarismo é apenas a inveja mesquinha. O socialismo não passa da idealização da inveja. O foco desses igualitários costuma ser somente o material por dois aspectos: é inviável pregar de fato a igualdade facial, por exemplo; e fazê-lo iria rasgar de vez a máscara da hipocrisia que cobre seus apelos invejosos do mais “nobre” altruísmo. Mas a lamentável verdade é que igualitários não suportam as diferenças. E como os indivíduos, felizmente, são diferentes, parece evidente que existirão vários graus distintos de beleza, inteligência, altura, velocidade, talento musical e sim, também renda. Para Bill Gates ficar bilionário, ele não teve que tirar nada de ninguém. Foram os consumidores que, voluntariamente, julgaram os produtos de sua empresa valiosos, pois criavam valor para eles. Logo, não há motivo algum para que o governo meta suas garras na fortuna de Gates de forma compulsória, em nome da “igualdade”. Ele tem o direito de ser bem mais rico que os outros. Aqueles que não aceitam isso, desejando um imposto extorsivo sobre sua fortuna, podem tentar mascarar seu motivador com a desculpa que quiserem, mas isso não mudará o fato de que, por trás dessa máscara, reside somente a abominável inveja daqueles que não são capazes de admirar o sucesso alheio.

* No filme Círculo de Fogo, que conta a história de um soldado russo que precisa enfrentar um sniper enviado pelos nazistas especialmente para matá-lo, isso fica bem evidente quando um companheiro político, interpretado por Joseph Fiennes, acaba traindo Vasily Zaitsev, o soldado russo interpretado por Jude Law. Sua constatação, quando realiza sua traição, expressa a essência da mensagem. Ele descobre que sempre haverá algo no vizinho que desejamos, mas não possuímos, independente da igualdade material. No caso do filme, trata-se do amor de uma mulher, disputada por ambos. A inveja é uma característica da pessoa, não fruto das desigualdades em si, que sempre existirão.

11 comentários:

Miriane disse...

Muito bom este texto. O tema "inveja" merece ser focalizado. Talvez ele seja o principal motivador da sociedade decadente que hoje compõe este país.

Anônimo disse...

1. O tema é mais antigo. Antes da segunda guerra o lamarkismo era doutrina oficial nas ciências biológicas soviéticas. Segundo os soviéticos, a igualdade de condições levaria à inteira igualdade física e mental entre os homens...
2. O movimento feminista, tendo se tornado uma vertente do socialismo, também defende há muito tempo a igualdade de funcionamento mental entre homens e mulheres, obrigando todos a aceitar que as diferenças observadas eram por motivos puramente sociais. Hoje sabe-se que seus cérebros funcionam de formas diferentes, e que a edução de meninos e meninas deve atender a essas diferenças. Mas o feminismo tem impedido a aplicação prática deste conhecimento, sendo grande parte da atual educação de meninos, excessivamente feminina.

C. Mouro disse...

Clap clap clap!
Excelente artigo.

Parafraseando ..."todos querem ser amados e admirados, e justamente por isso se odeiam" ou é comum ter piedade dos desgraçados, eles não são concorrentes "nossos", mas os virtuosos, estes são odiados porquer embassam o destaque que se deseja para si.
A inveja é maior entre os que se sentem iguais, pois sendo iguais são responsáveis pelo próprio fracasso.
Não é comum odiar-se ídolos, celebridades ou autoridades cujo o destaque não se deve a virtudes reais, ou que assim se entende.

Uma celebridade é vista como alguém diferente, meio mito, logo não desperta muita inveja sua fortuna. Já um empresário sem fama alguma, sem a "aura diferenciardora", ao fazer sucesso economico está ostentando seus méritos. E é do mérito que se tem inveja. temos muitos artistas milionários e "comunistas", militantes do socialismo e defensores da igualdade, mas apenas da igualdade entre os iguais, pois eles são diferentes e por tal "fazem jus" (um mérito transcendente) a enriquecer através dos favores e privilégios que os governos lhes garante: éum absurdo aberrante que remédios, comida e habitação paguem pesados impostos, enquanto produção teatral e cinematografica não paguem NADA e AINDA recebam verbas diretas e renúncia fiscal. É UMA ABERRAÇÃO MONSTRUOSA! ...também TVs que pagam cachês milionários (michês, talvez) sejam isentas e subsidiadas em inúmeros impostos e contrribuições, que agencias de propaganda também recebam umas migalhas incentivadoras e os joranis também se privilegiem de isenções e subsidios ...o que é mais importante, peça de teatro, filme, TV, jornal ou Remédios, comida e habitação???????? ...mas o Estado privilegia os formadores de opinião que glorificam a inveja entre os que eles estipulam iguais.

Funesto que seja, a massa invejosa jamais sentirá inveja da riqueza daqueles que a conseguem sem méritos invejáveis, a inveja é direcionada aos de méritos reais que poderiam estar em quaisquer "iguais".
O ataque à riqueza alheia é na verdade um ataque ao mérito alheio, àos virtuosos, a riqueza obtida sem grandes méritos ou por "diferentes de mim" não causa grande inveja, quando atacada não tem a mesma carga de emoção.
............

Ponto disse...

Ótimo !!! Show!!!! Muito bom!!!

Parabéns Rodrigo !!!

Abraços,

William Xavier

MARCO ANTONIO disse...

Caro Rodrigo,

A continuar assim, além da secretária da igualdade racial, vão criar outra, da igualdade de aparência. E, com certeza, a primeira medida será a implantação de cotas para "FEIOS".

Um abraço.

Fabrício disse...

Rodrigo

O texto da a entender que o livro 1984 foi escrito na década de 60, mas na verdade foi escrito no ano de 1948. No mais o texto está muito bom!

Um abraço.

dl disse...

Vivo dizendo que os esquerdistas não passam de psicopatas invejosos.

Pesquisei e está provado aqui, pode verificar:

A PSIQUIATRIA EXPLICA A ESQUERDOPATIA:

http://virtualpsy.locaweb.com.br...?art=149& sec=91

Os traços da personalidade moral do psicopata (anti-social ou sociopática) seriam:

Amoralidade. São insensíveis moralmente, faltando-lhes o juízo e o sentimento morais e a mínima noção de ética.

O psicopata é, sobretudo, uma pessoa c aversão, descaso e oposição aos valores éticos e às normas de convívio gregário.

O psicopata, por sua vez, superdimensiona suas prerrogativas, possibilidades e imunidades; "esta vez não vão me pegar".

O psicopata não apenas transgride as normas mas as ignora, considera-as obstáculo q devem ser superados na conquista de suas ambições.

P o psicopata, a mentira é uma ferramenta de trabalho. Ele desvirtua a verdade c objetivo de conseguir algo p si, p evitar um castigo, p conseguir uma recompensa, p enganar o outro.

A particular relação do psicopata c outros seres humanos se dá sempre dentro das alterações da ética. P o psicopata, o outro é “uma coisa”, mais uma ferramenta de trabalho, um objeto de manipulação.

A personalidade psicopática faz c q os indivíduos atuem sociopaticamente p satisfazer suas necessidades. P tal, eles podem se valer da extrema sedução, de especial sensibilidade p captar as necessidades e sensibilidades do outro e manipulá-los como melhor aprouver, de mentiras e todo tipo de recursos independentemente do aspecto ético.

As crises dos psicopatas são produzidos p frustrações e fracassos e eles colocam sempre a responsabilidade de seu fracasso no outro ou em elementos externos e alheios à sua responsabilidade.

Conduta normal. É sua parte teatralmente adaptada ao padrão de comportamento normal e desejável. Assim agindo o sistema não o percebe e pode até atribuir-lhe adjetivos elogiosos. Como diz o ditado, “o maior mérito do demônio é convencer a todos q ele não existe”.

Conduta psicopática - É a inevitável manifestação de suas condutas psicopáticas, as quais, mais cedo ou mais tarde, obrigatoriamente se farão sentir. Entretanto, c o psicopata costuma ser intelectualmente privilegiado, ele não exerce sua psicopatia indistintamente c todos e todo o tempo. Ele elege sabiamente determinadas pessoas, vítimas ou circunstâncias.

Personalidade Anti-Social - O quadro mais grave onde a mentira aparece c sintoma importante é o Transtorno Anti-Social da Personalidade, ou Personalidade Psicopática. O psicopata utiliza a mentira como sua ferramenta de trabalho. Normalmente está tão treinado e habilitado a mentir q é difícil captar qdo mente. Ele mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.

O psicopata sabe q está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento.

Normalmente o psicopata diz o q convém e o q se espera p aquela circunstância. Ele pode mentir c a palavra ou c o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas p ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado.

Morena Flor disse...

Anônimo de 4:35,

"2. O movimento feminista, tendo se tornado uma vertente do socialismo, também defende há muito tempo a igualdade de funcionamento mental entre homens e mulheres, obrigando todos a aceitar que as diferenças observadas eram por motivos puramente sociais. Hoje sabe-se que seus cérebros funcionam de formas diferentes, e que a edução de meninos e meninas deve atender a essas diferenças. Mas o feminismo tem impedido a aplicação prática deste conhecimento, sendo grande parte da atual educação de meninos, excessivamente feminina."

2.1. O feminismo não é necessariamente "socialista" - Feministas podem não apreciar o socialismo. Vejo o feminismo como mais antigo ainda, uma luta das mulheres ao longo de séculos e séculos p/ se afirmarem como gente. Como qualquer vertente de pensamento e movimento social, tem sua ala mais equilibrada e a mais radical.

2.2. Claro q homens e mulheres são diferentes. Mas historicamente, as "diferenças" masculinas foram melhor tratadas do q as femininas - e o melhor(ou não seria, pior?)exemplo disso é o próprio machismo/patriarcalismo, q usou as diferenças entre homens e mulheres p/ afirmar a superioridade dos primeiros em detrimento das segundas. Daí o "ódio" das feministas mais radicais ao termo "diferenças entre homem e mulher". Vêem isso por "desigualdade" devido à essa sequela do patriarcalismo.

2.3. Dito isso, penso q as diferenças entre homens e mulheres devem ser examinadas com muito apuro e cuidado, para q não se incorra em preconceitos e visões altamente arcaicas sobre ambos os sexos. Uma coisa são as diferenças biológicas, sensoriais, fisiológicas entre os sexos. Outra coisa, são as geradas pelo preconceito, ignorância, tabus, etc. Q tenhamos cuidado ao separar as 2.

2.4. O q seria uma "educação excessivamente feminina" p/ rapazes mesmo? Q se tenha cuidado com esse tipo de termo aí. Cuidado p/ separar o q é natural e o q é cultural. As criações devem atender as diferenças entre meninos e meninas, não servir aos preconceitos sobre como se educa cada um deles. Essa de educar meninos p/ serem mais "agressivos" e meninas p/ serem mais "dóceis" gerou muitos olhares enviesados p/ quem se comportava diferentemente do q se exigia de seu sexo.(meninas mais agressivas eram criticadas por não se comportarem como "mocinhas" e rapazes eram tidos como "gays" por serem mais dóceis) Penso q ideal é observar cada criança com suas particularidades, cada criança é diferente, independente de sexo. Existem as meninas mais dóceis, mas existem tb as mais agitadas, vivazes, e mesmo mais agressivas, assim como existem meninos mais agressivos e os mais dóceis e gentis. Cada criança deve ser respeitada em suas particularidades independente de ser menino ou menina - tanto de sexo como de temperamento.

2.5. Entendo tb q diferença não é desigualdade(nem deve ser). Homens podem lavar pratos e mulheres trabalhar fora e se sustentar, penso q isso aí não tem nada com os hormônios. Possa ser, por exemplo, q ambos os sexos lidem de formas diferentes com o trabalho fora de casa, mas isso não quer dizer q mulher é menos capaz q o homem e vice-versa, muito pelo contrário, ambos podem fazê-lo.

Morena flor disse...

Sobre a "inveja da beleza" descrita no texto: É preciso lembrar q, como qualquer atributo externo humano, beleza é relativa. O problema é q a mídia em geral -a sociedade tb - acaba padronizando o "belo" e o "feio", q deixam de ser uma questão de livre escolha do "belo" e "feio" segundo a concepção particular de cada pessoa - e uma questão tb de harmonia entre os elementos de um corpo, rosto, etc - e passa a ser privilégio de quem tem um certo formato e tamanho de seios, bumbuns e afins, certas cores de olhos e cabelos são mais valorizadas socialmente do q outras, assim como traços de rosto, tipo de cabelo, tipos físicos, etc, ferindo o princípio maravilhoso da diversidade da raça humana e da consequente variedade da beleza humana. Se todos os tipos físicos humanos forem valorizados como são, talvez a tal "inveja da aparência" seja debelada.

Anônimo disse...

Bom dia Rodrigo. Excelente o seu artigo sobre o "Niemeyer Castro". Definição perfeita dos típicos comunistas brasileiros(e olha que são muitos os Niemeyers Castro). Vou recomendar para um amigo que adora o personagem secular, que além de comunista canalha é também ateu.

Anônimo disse...

Caros senhores:

Por muitos anos, devido a problemas familiares, renunciei aos meus sentimentos pois acreditava assim me imunizar da dor moral.

Fixei-me então na construção de uma vida profissional através do trabalho e do estudo, o que me garantiu um padrão financeiro muito melhor do que aquele que eu tinha com minha família nuclear.

Com tudo isso alcançado em minha vida, sentia-me vazio por dentro e com uma saudade imensa do tempo em que eu era feliz e não sabia por que.

Quando eu via algum amigo com um carro eu percebia em mim um certo sentimento de inveja para com ele.

Comprava então um carro e esse sentimento não me abandonava e eu, na minha ignorância, passei a conviver socialmente com pessoas infelizes pois elas eram sinceras e as demais eram hipócritas, pois fingiam sentir aquilo que não sentiam e que eu não conseguia sentir por mais que me esforçasse e me desse as mesmas coisas que elas se davam.

Levei, é claro, uma vida miserável de pobre mesmo ganhando o suficiente para me dar uma vida de classe média.

Meus amigos não me entendiam por que eu preferia a companhia de pessoas pobres para tomar cerveja e desprezava a companhia deles.

Na verdade, era que eu tinha meus sentimentos bloqueados e não tinha consciência disso.

Quando minha mãe faleceu, já desiludido com o rumo que minha vida havia tomado, procurei em desespero de causa a ajuda de um psicólogo.

Foi a melhor coisa que eu fiz e, após 3 anos de psicoterapia, já infantilizado em muito de meu comportamento, pois minhas emoções remontavam à minha infância, dei-me uma nova chance de crescer, levando a sério minhas emoções e aprendendo a satisfazê-las.

Com isso, graças ao meu trabalho e àquilo que construi como profissão, aprendi a satisfazer minhas invejas comprando aquilo que eu invejava nos outros e até mesmo nas crianças.

Com isso, lembranças e vontades infantis frustradas foram voltando à minha lembrança e fui satisfazendo-as todas.

Hoje, nem mais temo minhas invejas pois sei como lidar com elas e até me sinto feliz por senti-las pois significa que estou vivo e querendo viver.

A inveja é um sentimento universal no homem e como todo sentimento pode ser bom ou mau tudo depende da maneira que reagimos a ele.

Se a inveja nos faz cometermos um ato de violência contra nosso próximo ou faz com que nos exponhamos ao ridículo, reivindicando coisas absurdas, então ela não está sendo usada por nós de uma maneira positiva.

Por outro lado, se ela, como um espinho na alma, nos faz ir atrás de nossos interesses, lutando pela concretização dos mesmos através dos meios considerados legítimos dentro da óptica capitalista então ela se torna um sentimento nobre e louvável para quem o sente.

A inveja é como uma faca que pode ser usada para cortar pão ou para matar uma pessoa.

Retornado ao exemplo do carro, eu percebi que não tinha inveja da posse material de meus amigos e sim, das emoções que eles demonstravam quando estavam dirigindo pois eu não conseguia senti-las mesmo fazendo as mesmas coisas que eles faziam.

Também pudera, não consegui desenvolver esse gosto na vida pelo simples fato de eu nunca ter brincado de carrinho na infância.

Pior, não brinquei de quase nada a não ser de professor Pardal como eu lia no gibi.

Isso me fez pegar um gosto tremendo por matemática e ciências na infância que se transformou numa profissão de programador de computadores.

Por tudo isso que exponho como experiência pessoal quem não se dá conta de sua inveja é porque não valoriza o seu jeito de ser por causa de traumas sofridos na infância.

O que posso garantir para vocês é que tudo isso tem cura e muita gente pode procurar os recursos de uma psicoterapia para se curar mas enquanto houver gente no poder justificando essas condutas invejosas o fundo do poço que nos faz procurar a ajuda médica ficará cada vez mais distante.

Ainda bem que meu fundo do poço chegou logo, pois com a morte de minha mãe, aquela conduta que eu havia tomado perdeu a única motivação que a patrocinava e a justificava, ou seja, minha mãe que era fria e distante em seus sentimentos. O resto, meu complexo de Édipo se encarregou de justificar.

Abraços.