quarta-feira, maio 07, 2008

A Lei Natural


Rodrigo Constantino

“O libertário deve possuir uma paixão pela justiça, uma emoção derivada do e guiada pelo seu insight racional do que a justiça natural requer.” (Murray Rothbard)

Em seu livro The Ethics of Liberty, Murray Rothbard procura resgatar a teoria da lei natural e derivar dela uma filosofia política. A primeira parte do livro é dedicada a esse resgate, estabelecendo o que significa uma lei natural. Será o foco desse artigo. Rothbard discorda tanto dos que tentaram defender uma lei natural calcada na revelação divina como dos céticos que rejeitam qualquer possibilidade de obtermos esta lei da natureza humana. Logo no começo, Rothbard deixa claro que não é preciso uma fé teológica para sustentar o direito natural. Ele ainda afirma que esses defensores da lei natural com base na fé enfraqueceram gravemente a causa, ao alegar que métodos racionais apenas não poderiam descobrir e elaborar tal lei.

Aquele que acredita em uma lei natural comprovada racionalmente precisa enfrentar, portanto, a hostilidade de dois campos distintos: o grupo que enxerga esta postura como antagônica à sua religião; e o outro grupo que rejeita a possibilidade da razão descobrir uma lei da natureza humana. Para Rothbard, entretanto, a asserção de uma ordem de leis naturais descoberta pela razão humana não seria, por si só, nem religiosa, nem anti-religiosa. O crente poderia manter sua fé de que Deus criou tudo, inclusive a natureza humana e sua capacidade de, através da razão, descobri-la. Rothbard afirma inclusive que esta postura está de acordo com o pensamento de Tomás de Aquino, de que o instrumento pelo qual o homem é capaz de apreender a lei natural é sua razão, e não a fé, a intuição, a revelação ou qualquer outra coisa.

Uma crítica comum que surge dos oponentes da lei natural é a seguinte questão: quem irá estabelecer estas alegadas verdades sobre os homens? Para Rothbard, há um erro já na questão, pois não é quem, mas o que, e a resposta é: a razão humana. Esta é objetiva, não subjetiva. Não existe uma razão para cada indivíduo. A razão que permite um avião se manter no ar, por exemplo, é a mesma em cada canto do planeta. Cada entidade tem uma natureza, e ela é específica, não-contraditória, limitada. Tal entidade deve agir de acordo com sua natureza. Cabe a cada ser responsável utilizar a razão para examinar as diversas teorias e formar sua própria mente, partindo de axiomas e respeitando a lei do não-contraditório. Pensar é um ato individual, que exige foco, esforço e volição. Isso não quer dizer que o homem é infalível. Mesmo nas ciências naturais como física e química existem vários erros e disputas. Mas nossa ignorância parcial não anula a existência de nossa natureza, nem rejeita a razão como único instrumento capaz de descobri-la. Nenhum ser humano é onisciente. Eis, por sinal, uma lei da natureza humana.

A doutrina da lei natural seria a visão de que uma ética objetiva pode ser estabelecida através da razão, e afirma que a bondade ou a maldade podem ser determinadas por aquilo que atende melhor a natureza humana. Os dois poderosos grupos de inimigos desta doutrina, que tentam enfraquecer a razão, são os místicos, que crêem numa ética dada por uma revelação sobrenatural, e os céticos, que sustentam uma ética extraída arbitrariamente de emoções e desejos. A existência de uma lei natural que pode ser descoberta pela razão é uma potencial ameaça ao status quo, e também uma rejeição ao reino cego dos costumes tradicionais ou vontade arbitrária do aparato estatal.

Rothbard lembra que Lord Acton compreendia isso muito bem, afirmando que o liberalismo deseja aquilo que deve ser, independente daquilo que é. Um código de princípios morais objetivos, enraizados na natureza humana, inevitavelmente entrará em conflito com certos costumes e com a lei positiva. Rothbard questiona então por que os defensores da lei natural foram chamados de “conservadores”, já que a própria idéia de lei natural é essencialmente radical e profundamente crítica em relação às instituições políticas existentes. O fato dos princípios serem universais, fixos e imutáveis pode explicar parcialmente a confusão, já que um defensor da lei natural pretende conservar obviamente os princípios éticos derivados desta lei. Mas, por outro lado, se os teóricos da lei natural derivam da natureza humana uma estrutura fixa de lei independente do tempo ou local, ou do hábito, autoridade e normas do grupo, esta lei será uma força na direção de mudanças radicais. Somente quando ocorresse um caso absolutamente raro da lei positiva coincidir com a lei natural, o defensor da última seria um conservador. Na esmagadora maioria dos casos, ele seria um revolucionário.

A simples idéia da possibilidade de existência de uma lei natural obtida pela razão assusta muita gente no mundo moderno, já dominado pelo relativismo ético. As pessoas crescem escutando que não devem julgar os outros, que existem “apenas diferenças” entre comportamentos, que cabe à maioria ou às autoridades decidir o que é correto etc. Num mundo desses, falar de lei natural é realmente falar outra língua. No entanto, há um limite o qual até mesmo os relativistas não estão dispostos a cruzar. Matar, estuprar ou roubar um ser inocente, por exemplo, agride a natureza humana e é simplesmente errado, independente do que a maioria pode pensar ou do que a lei positiva diz. Para aqueles que entendem isso, eis um bom ponto de partida para refletir sobre a lei natural e de onde ela vem.

O filósofo John Locke foi um dos que contribuiu para a compreensão destes princípios individualistas, e exerceu bastante influência nos “pais fundadores” dos Estados Unidos, revolucionários que lutaram para garantir justamente o direito à liberdade individual. O próprio texto da Declaração de Independência americana, escrito por Thomas Jefferson, é um resumo brilhante da lei natural:

“Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.”

Em suma, a partir de axiomas – verdades evidentes por si mesmas – chegamos a esta lei natural, através da razão. O indivíduo pode fazer com si próprio aquilo que quiser, contanto que não invada a liberdade alheia. É um direito natural seu, assim como é seu direito natural ser dono do fruto de seu trabalho. Todo homem nasce livre, e falar em liberdade concedida é ignorar este fato. Podemos repudiar as escolhas dos outros, mas nem tudo que é imoral deve ser ilegal. As leis devem ter caráter negativo, ou seja, impedir a agressão aos direitos naturais dos indivíduos. Isso é totalmente diferente daquilo que o mundo moderno chama de “direitos civis”, que são na verdade garantias positivas, possíveis justamente através da agressão aos direitos individuais. Quando o governo fala em direito de moradia para todos, por exemplo, está ignorando que casas não caem do céu, mas precisam ser feitas por indivíduos. Logo, garantir o “direito” de moradia para um implica necessariamente em obrigar outro a pagar por isso. Esta vítima de sacrifício forçado teve seus direitos naturais ignorados.

Mas isso já é assunto para outros artigos sobre o livro de Rothbard. O foco aqui está restrito à primeira parte do livro, onde o autor resgata a noção de lei natural, tão abandonada atualmente, no mundo moderno onde liberdade quer dizer, no fundo, escravidão.

22 comentários:

arakenbatista disse...

Se há uma coisa pela qual sou apaixonado é pela compreensão dessa máquina conhecida por MUNDO.

Este e outros artigos seus são muito eficazes para elucidar-me. Tenho quase certeza de que na primeira oportunidade em que me deparar com um(s) livro(s) desses autores citados por você, não irei desperdiçá-la e vou tanger uns livrinhos novos para minha estante.

Leonardo Bernardes disse...

"o outro grupo que rejeita a possibilidade da razão descobrir uma lei da natureza humana"

Convenhamos, é uma rejeição válida, aliás, válida há quase 300 anos. Desde que Hume assinalou a contingência do conhecimento humano. Fácil, é claro, contornar o problema atribuindo um estatuto axiomático ao fundamento. O que é quase uma piada!

Todo problema ético consiste exatamente na dificuldade de assentar o fundamento em solo firme. Se não bastasse a controvérsia de imaginar que algo pode ser auto-evidente, essa argumentação arranja de modo degenerativo o conceito de axioma. Ignora-se que os axiomas cumprem um papel lógico numa teoria (tá bem, em algumas eles cumprem também um papel não lógico), mas o que importa é que o caráter definitivo necessário para que a lei natural pudesse servir ao propósito de fundamento exige que ela tenha um estatuto epistemológico. Ou seja, ela teria que ser uma lei no sentido em que entendem os positivistas. Algo irrevogável! É claro, nesse caso, retornaremos a velha contingência sublinhada por Hume. É preciso lembrar que o axioma, embora cumpra uma função de auto-evidência numa construção teórica, são passíveis de alterações (vide axiomas de Euclides). E se eles estão expostos a contingência, não servem como guias seguros na elaboração ética. Ou seja, todo esforço para se livrar da contingência do relativismo foi por água abaixo!

Eric disse...

Excelente artigo Constantino!!! Recomendo a todos o "Ethics of Liberty"!

Rodrigo Constantino disse...

Leonardo, Rothbard rebateu a posição de Hume no livro.

Até o filósofo necessita colocar a razão acima das paixões em determinados pontos importantes de sua obra.

Um axioma não pode ser refutado sem que se caia em contradição. Ex: todos buscam manter suas vidas. Caso contrário, quem nega isso não estaria debatendo, e poderia simplesmente tirar a própria vida. Ex: a existência existe! É impossível rejeitar isso, pois a rejeição prova a asserção. E por aí vai.

Erros vão ocorrer, como em QUALQUER ciência. Isso não anula a capacidade racional de descobrir verdades.

Rodrigo

Leonardo Bernardes disse...

"Leonardo, Rothbard rebateu a posição de Hume no livro."

Isso é imprescindível. O que eu quero saber é COMO ele rebate. O esforço de Kant malogrou e toda filosofia da ciência trabalha com a premissa, óbvia, de que o falibilismo é incontornável.

"Até o filósofo necessita colocar a razão acima das paixões em determinados pontos importantes de sua obra."

Não entendi como isso se encaixa no caso.

"Um axioma não pode ser refutado sem que se caia em contradição. Ex: todos buscam manter suas vidas. Caso contrário, quem nega isso não estaria debatendo, e poderia simplesmente tirar a própria vida. Ex: a existência existe! É impossível rejeitar isso, pois a rejeição prova a asserção. E por aí vai."

Primeiro, os axiomas podem ser modificados, como acontece com frequência na matemática. Como aconteceu com os axiomas euclidianos. Se os axiomas podem ser modificados, eles não cumprem a função necessária que se exige para fundamentação de uma lei natural -- aliás, como eu já havia dito -- porque comportam um certo "relativismo". Segundo, "todos buscam manter suas vidas" é um enunciado universal. Como se chegou a esse enunciado? Ora, através da universalização de enunciados particulares: José busca manter sua vida, João busca manter sua vida, etc. Mesmo que tenha sido verdade até agora que todos buscam manter suas vidas, mesmo que possamos ignorar os casos de suicídio ou as pessoas que patentemente ignoram esse imperativo, o problema epistemológico (humeano) permanece. Como é possível justificar um conhecimento? Como é possível justificar a transição de enunciados singulares para enunciados universais, tais como "todos buscam manter suas vidas", já que mesmo que todos os homens até hoje tenham seguido esse princípio, isso não torna esse enunciado lógico, nem lhe confere justificação epistemológica. Terceiro, o axioma é indemonstrável. Querer derivá-lo do fato ingenuamente aceito como universal só prova que o que a teoria da lei natural exige mesmo é um princípio epistemológico de cunho positivista. Se a verdade de que "todos os homens buscam manter suas vidas" fundamenta o axioma, ora, o próprio conceito de axioma enquanto proposição indemonstrável se degenera. Esse é o preço de tentar adaptar ferramentas egressas de disciplinar formais a um conteúdo empírico.

Repito, a fundamentação permanece extremante nebulosa. De todos os problemas filosóficos relevantes, o pobre Rothbard escolheu confrontar logo a problema da indução! É como botar o XV de Piracicaba pra enfrentar o Manchester

Flávio disse...

"Quando o governo fala em direito de moradia para todos, por exemplo, está ignorando que casas não caem do céu, mas precisam ser feitas por indivíduos."

E quando vc fala em direito de propriedade, não estaria ignorando que polícia (para garantir esse direito) também não cai do céu?

Abraço

Juliano disse...

"E quando vc fala em direito de propriedade, não estaria ignorando que polícia (para garantir esse direito) também não cai do céu?"

Bem, o Rodrigo não é ancap, então ele acredita em pelo menos uma lei positiva, i.e., que é legítimo usar a força para fazer as pessoas pagarem por segurança. Mas qual o seu propósito em falar nisso? Ou você é ancap, caso no qual eu estaria debatendo inutilmente (pois eu sou ancap); ou você realmente tem uma trava mental contra outras possibilidades de financiamento que não envolvam a coerção.

C. Mouro disse...

O que é o direito?

É algo arbitrado por quem tem o Poder no momento?

É arbitrado pelo maior consenso?

Estabelece principios ou arbitra caso a caso?

Seria o direito um "absoluto lógico"?

Vejamos:

1) Aquilo que João cria com o seu trabalho é por direito de João.

2) É justo que aquilo que João cria através de seu trabalho seja de João.

Há quem possa relativisar isso logicamente?

Se João não o criar, aquilo que por joão foi criado não existiria na sua especificidade.

João e José foram envenenados, existe apenas uma dose de antidoto. João achou o antidoto. Quem merece usufruir do antidoto? Porquê?
Que lógica pode negar o evidente direito de João?

...Ou João conseguiu fazer uma única dose de antídoto.

Claro que há objetividade, há verdade e justiça objetiva, logo o direito.
Aliás, se tudo é relativo essa afirmação é também relativa, logo é falsa. Logo nem tudo é relativo. Afinal uma afirmação não pode contradizer-se em si mesma, é um contra senso.

Abraços
C. Mouro

Leonardo Bernardes disse...

Mouro, afinal, do que você está falando?

Seu argumento está tão confuso que eu não sei se você responde a minha posição ou ao aspecto de que flávio e juliano se ocupam.

Anônimo disse...

A única lei verdadeiramente natural é a lei darwinista da sobrevivência dos mais fortes (lê-se: mais aptos). A lei de Ouro(não tratar os outros como você não gostaria de ser tratado), na qual foram baseadas as leis da civilização moderna, não é uma lei natural, ela surgiu da filosofia racional que só os seres humanos tem (mas nem todos).
Quando você diz:
"No entanto, há um limite o qual até mesmo os relativistas não estão dispostos a cruzar. Matar, estuprar ou roubar um ser inocente, por exemplo, agride a natureza humana e é simplesmente errado, independente do que a maioria pode pensar ou do que a lei positiva diz."

Esse limite, que nem todos cumprem, vem de uma herança cultural religiosa da civilização que está sendo enfraquecida pelo relativismo ético, mas ainda não a ponto de legalizar tais coisas para seres humanos que já sairam do útero. Lembre-se que antes de consolidados os princípios legais modernos, sacrifício humano era considerado legal, só foi proibido no império romano quando o cristianismo ganhou força suficiente para contestá-lo.

Por isso o liberalismo econômico é tão assustador, porque o liberalismo puro se baseia somente na lei natural, a lei de Darwin. Uma economia darwinista como o liberalismo puro significa que nós viveremos como animais em uma selva econômica onde os poucos que tem emprego terão que trabalhar dobrado para não perderem o emprego para os milhões de desempregados (ainda mais com a economia cada vez mais automatizada) e ainda de proteger de roubos e assassinatos com grande quantidade de equipamentos de segurança e carros blindados.
Como o próprio Constantino disse:
"Liberalismo sem falências é como cristianismo sem inferno."
Ou seja, empresas falindo e deixando seus ex-empregados passando necessidades faz parte do liberalismo. Agora, quando o desempregado passando fome vai assaltar os que tem emprego, eles dizem que é contra a lei. Mas isso é hipocrisia porque quem defende o liberalismo econômico defende a lei natural, um pobre roubando está seguindo a lei natural, darwinismo. É legal deixar o cara desempregado passando fome, mas é ilegal ele tentar sobreviver roubando, ele deveria morrer de fome sem contestar. "Ah mas o cara não consegue emprego porque não tem capacidade." Mas se ele tem capacidade de roubar, ele está seguindo a lei natural de darwin. É hipocrisia defender darwinismo econômico mas condenar roubos baseado em leis racionais.
Assim como são necessárias leis racionais para se evitar que pessoas roubem ou matem, são necessárias leis racionais para evitar que as pessoas não tenham oportunidade de emprego e passem fome. Se nos basearmos só na lei natural, viveremos em um mundo sombrio, violento onde metade das pessoas não terá paz porque tem fome e a outra metade não terá paz porque tem medo dos que tem fome, e apenas uns poucos terão qualidade de vida.

Leonardo Bernardes disse...

Puxa, isso aqui está uma bagunça. Anônimo, não existem leis naturais no sentido exigido pela teoria da lei natural que o Rodrigo expõe a partir do livro do Rothbard. A lei de Darwin tampouco é uma delas.

Por uma impossibilidade epistemológica. Não adianta dar um passo sequer antes que isso esteja esclarecido: como é possível conhecer uma lei natural e o que assegura que ela seja irrevogável, de tal sorte que possa servir de fundamento ético?

C. Mouro disse...

Wow!
"Ou seja, empresas falindo e deixando seus ex-empregados passando necessidades faz parte do liberalismo."

No fim das contas o nobre cidadão está defendendo que:

Os mais fracos tem direito sobre os mais fortes. Ou mais precisamente ele está defendendo que os incapazes têm direito de escravizar os capazes. Temos um escravocrata declarado. Que propõe o uso da força não apenas como defesa, mas como meio de obter benesses. Ou seja, o necessitado tem direito de atacar um inocente para roubar-lhe o que necessita. ...Uaaaaalll!

Ocorre que quando se cria governos, grupos organiozados e hierarquizados para oprimir, coagir e estorquir populações, este governo toma para si uma gorda comissão, distribuindo migalhas para comprar os que sentem-se incapazes.

Assim, como tudo se troca através do dinheiro, digamos que A produziu 10 camisas, B produziu 5 calças, C produziu 10 laranjas ...e etc..
Naturalmente eles trocariam entre si parcelas de sua produção. Contudo, em nome dos incapazes concebe-se um governo com a função de roubar de todos para distribuir por todos, sem nada produzir em tal "nobre tarefa".

Fim das contas: digamos que cada um ficasse com a metade de sua produção. Isso significa que há um custo para produzir. Assim, se a parte que fica para os produtores não cobrir os custos da produção total, significa que os produtores não conseguirão produzir, tendo que cada um aumentar o valor relativo de seu produto em relação aos demais, mas logo descobrem que todos fazendo isso não resolve. É algo como a inflação de preços através do aumento de custos. Ou seja, no fim, a produção é desetimulada e mesmo em certos casos proibitiva.

Os governos vêm aumentando seu assalto na medida dos ganhos de produtividade, tivessemos ainda na forma de produção de 50 anos atrás e o governo não conseguiria roubar 40% do produzido (em tese, pois é uma conta um tanto imprecisa, na verdade os que produzem pagam muito mais se computados toda a rabiola de impostos, "taxas" e etc.).

O grande responsável pelo desemprego é exatamente aqueles que não precisam trocar nada para consumir, pois que vivem do Poder e não do trabalho. Assim, o consumo destes parasitas É CUSTO para a produção, ou seja apenas encarece a produção prejudicando as trocas.

Quanto mais consumidores que nada produzem de util para trocar - vivem de assaltar: obtendo ganho através da ameaça de CAUSAR COM SUA AÇÃO um mal ainda maior que aquele que exigem sem nada oferecer em troca se não aquilo que o outro já possui por direito - maior ser~ão os custos de produção.


Imagine-se que para 5 sujeitos terem a permissão para fazerem uma casa, tenham que fazer outra para os governantes, gratuitamente.

Se levam 6 meses para fazer uma para si, terão que trabalhar 12 meses. Pois terão que fazer uma outra para os governantes. Contudo, terão que se sustentar por 12 meses com o produto de 6 meses.
...Há situações onde não compensa fazer casa alguma, pois a renda seria negativa ou os custos maiores que o possivel de obter com o produto ...daí o desemprego.

...Ou seja, contrário ao que diz o nobre defensor da escravidão, apenas os mais eficientes conseguem a eficiencia necessária para produzir e cobrir os custos inflados pela "mão grande" dos governantes. Aqueles que não conseguem tanta eficiencia não podem nem permanecer no mercado. E ainda, um aumento na produção CUSTOSA faz cair o preço relativo que pode não ser suficiente para cobrir os custos ou mesmo bancar os investimentos. (BNDES passa a financiar o investimento dos amigos a juros menores).

Enfim, é uma lambança que, incrivel que pareça, tem ainda defensores escravocratas.

É desanimador, deveras!
...quem poderá explicar ao tipo se ele faz questão de não entender??
Ele quer que as idéias que defende sejam verdadeiras, então desfiará uma infinidade de asserções pifias como simulacro e aí dá um trabalhão danado ficar tendo que explicar longamente para demonstra que a simples afirmação do sujeito está errada, e mesmo assim ele não aceitará tão logo esqueça o que lhe foi oposto ...e aí vai fazer o mesmo questionamento outra vez e ou e outra. Ou seja, não vai adiantar, pois que a memória é seletiva e tão pouco fará qualquer esforço para relacionar fatos. Ou seja, logo vai esquecer e continuar a lançar asserções velhas e novas indefinidamente. Mesmo que se consiga encurrala-lo e demosntrar incontestávelmente, passado uns dias ele já esqueceu tudo - assim quer - e não se contrangerá de reproduzir toda a arenga outra vez. ...não terá fim. è como a relighião.

veja só os não abortistas que vivem citando seus teologos abortistas ...hehehe! tidos como perfeição teologica, fingem que não sabem e continuam obstinados.
Derruba-se seus argumentos num dia e no outro eles os ressuscitam... e assim a coisa vai.

Tem jeito não.
Melhor é não pensar.
Será preciso muita desgraça para que alguns comecem a querer entender. Enquanto não vazar o fundo do poço, não tem a menor chance. Querem líderes para guia-los e cuidar deles, é mais fácil. E não desistirão disso facilmente não.

Um abração
C. Mouro

Rodrigo Constantino disse...

"Por uma impossibilidade epistemológica. Não adianta dar um passo sequer antes que isso esteja esclarecido: como é possível conhecer uma lei natural e o que assegura que ela seja irrevogável, de tal sorte que possa servir de fundamento ético?"

Ou seja: porque não somos INFALÍVEIS, nada é verdade?

Vc diria que, epistemologicamente falando, não existe uma verdade ABSOLUTA?

Pense antes... afirmar isso SERIA constatar uma verdade absoluta!

Rodrigo

Anônimo disse...

"Os mais fracos tem direito sobre os mais fortes. Ou mais precisamente ele está defendendo que os incapazes têm direito de escravizar os capazes. Temos um escravocrata declarado."

Eu não estou dizendo que tem direitos. Eu estou dizendo que a sociedade como um todo tem a opção de ficar lutando entre si ou chegar a um consenso racional onde ó maior número possível de pessoas tenho necessidades básicas. Se vocês escolherem pela lei do cada um por si, tudo bem. Mas tenham consciência de que haverão conflitos, não por que é direito, mas porque é inevitável.

Anônimo disse...

Errata: "o maior número possível de pessoas tenham necessidades básicas asseguradas."

Anônimo disse...

É bom também lembrar que nem todo mundo que não tem emprego é incapaz, assim como nem todo mundo que tem é um exemplo de competência. Muita gente não tem emprego simplesmente porque não tem oportunidade, porque quase todos os meios de produção já estão apropriados. Não depende só da capacidade individual porque um filho de fazendeiro, mesmo que seja incrivelmente incompetente, não passará fome, ele pode viver só com o rendimento de renda fixa da fortuna do pai.

Leonardo Bernardes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonardo Bernardes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leonardo Bernardes disse...

Tentei comentar mas por duas vezes o Blogspot me sabotou. Depois posto a réplica no meu blog -- com o trackback pra seu post -- daí você confere por lá se tiver interesse.

Abraços

C. Mouro disse...

Ahhh! bom!
Então o nobre anonimo já não reclama o direito dos mais fracos ou menos capazes de escravizarem os mais capazes. Mas se eles não possuem tal direito, não se deve exigir que sejam atendidos em suas necessidades. Ou seja, nenhum governo tem direito de continuamente roubar de uns para atender a outros.
Assim, não cabe a idéia de exigir que um governo (grupo de individuos privilegiados pelo Poder que controlam) use seu Poder para submeter uns a outros. Logo ficou no vazio os protestos do nobre comentarista. Afinal deveria apenas fazer apelos aos "corações caridosos".

Enfim, a humanidade sempre contou com o bom senso. É a idéia do direito a caridade e consequente caridade obrigatória que faz com que haja revolta e discórdia por individuos perceberem-se violados em seu direito natural a liberdade, que faz diminuir a cooperação.

Conversar com avós ou mesmo pais é instrutivo. Afinal, nos velhos tempos pelos meados do sec XIX era bastanet comum os patrões ajudarem os empregados, eram amigos, e bastanete comum patrões darem sociedade a empregados como reconhecimento. Como também era comum os emprestimos só garantidos pela palavra (o fio de barba implicito). havia vergonha na cara. Era o ambiente que pressionava os individuos para honestidade. Essa cooperação baseava-se na confiança e respeito mútuo.
Foi, e são, estes politicos safados, que alnmejam o Poder é que ofereceram o Poder estatal para garantir os safados e assim incentiva-lo, também se dedicaram às fofocas, inventando inimigos para conquistarem amigos (estrátégia milenar de dominio). Com isso desfez-se a cooperação e atée a amizade que eram muito comuns entre patrões e empregados, vizinhos, amigos e etc.. Tudo isso porque politicos na ansia de alcançarem o Poder semearam, e semeiam, a discórdia, o conflito, a canalhice etc..

Velhos tempos aqueles de meu pai e meu avô. Pois já Sun Tzu deixava claro que o ideal é semear a cizânia dentre os inimigos e faze-los lutarem contra si mesmos, para assim enfraquece-los e domina-los. Enfim, o ideal é não lutar contra o inimigo mas faze-lo lutar entre si para derrotar-se, minorando baixas. É exatamente isso que fazem os politicos (o Estado como grupo dominante, organizado e hierarquizado) que almejam o Poder para dele usufruir. ...nada além de semear a cizânoia dentre a população, para que que esta se enfraqueça, nada além de inventar inimigos para fazer amigos. Assim eles têm dominado e se locupletado, é preto x branco, empregado x patrão, pobre x rico, nacional x estrangeiro, indio x não-indio, campo x urbano, bons x maus e por aí vão tantas inimizades fomentadas por disputas despidas de direito, quantas estes PULHAS conseguem fomentar ..cuisp! cuisp! cuisp!

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! concordo há incapazes que se dão bem por diversos fatores que não a capacidade ou mérito. Também que haja capazes que não se dão bem por outras razões que não o merito ou capacidade. Enfim, isso é uma verdade, mas não influi no que eu comentei.

Abraços
C. Mouro

Anônimo disse...

A lei natural é passível de falibilidade, mas se aceita, deverá ser composta pelo mínimo possível de axiomas, assim como busca-se na matemática. E é isto que os liberais defendem (ou pelo menos deveriam). Querer mascarar a falibilidade existente, é ingenuidade e soa como algo dogmático.

Ao críticos: é fácil criticá-la, sendo ela por si só passível de falibilidade, mas seu entendimento é um empreendimento 100% humano, assim como a ciência que pode, se necessária, ser constatemente aprimorada. É perfeita? Não e talvez nunca seja, mas é o que temos de melhor.

Aos amantes do relativismo: apelar para o relativismo em qualquer discussão é algo que não me agrada, não é um bom começo para um debate salutar. Richard Dawkins é bem crítico em relação ao relativismo radical.