quarta-feira, janeiro 23, 2008

O Socialista Cristão


Rodrigo Constantino

"A utopia não tem obrigação de apresentar resultados; sua única função é permitir aos seus adeptos a condenação do que existe em nome daquilo que não existe." (Jean-François Revel)

Algumas pessoas alegam que o cristianismo é totalmente contrário ao socialismo, enquanto outras alegam o oposto. Creio que isso se deve, em parte, justamente ao caráter ambíguo da mensagem atribuída a Cristo. Dependendo do interesse em questão, é possível extrair da Bíblia, por exemplo, trechos claramente em linha com a ideologia socialista ou trechos mais liberais e individualistas. Um socialista, o procurador Luiz Francisco de Souza, chegou a escrever um livro chamado Socialismo: Uma Utopia Cristã, com mais de mil páginas. Confesso não ter lido o livro, mas parto da premissa de que, para se escrever tanto sobre os elos entre socialismo e cristianismo, é porque deve ser possível pescar muita coisa em comum mesmo. O fato é que muitos socialistas usam o cristianismo para sustentar seus fins, como a turma da "Teologia da Libertação". E não custa lembrar que um fervoroso católico, transformado em santo depois, realmente escreveu um livro que exala socialismo do começo ao fim. Trata-se de Tomás Morus e seu livro clássico Utopia, editado em latim no ano de 1516.

A obra descreve um Estado imaginário considerado ideal pelo autor, tendo como modelo A República, de Platão. Desde o começo do livro, fica clara a idéia de que, para o autor, um mundo ideal seria um mundo sem propriedade privada e com a felicidade coletiva colocada acima dos indivíduos. O ataque aos ricos é freqüente, como nesse trecho: "Ponham um limite às compras em massa dos poderosos e a seu direito de exercer uma espécie de monopólio. Que diminua o número dos que vivem sem fazer nada. Que se retome o trabalho da lã, a fim de que uma indústria honesta possa ocupar utilmente essa massa ociosa, aqueles que a miséria já transformou em ladrões...". Ou seja, Morus cai na falácia de que os ricos detentores dos meios de produção exploram os pobres, e que a miséria transforma necessariamente as pessoas em ladrões. São bandeiras claramente esquerdistas. Mas para quem acha que o contexto da época justifica essa postura e que ainda não é possível afirmar que Morus era um defensor de idéias socialistas, segue um trecho bem mais direto:

"Com efeito, esse grande sábio (Platão) já havia percebido que um único caminho conduz à salvação pública, a saber, a igual repartição dos recursos. E como realizá-la onde os bens pertencem a particulares? Quando cada um exige o máximo para si, não importa o título que alegue, e por mais abundantes que sejam os recursos, uma minoria irá açambarcá-los e deixará a indigência ao maior número. [...] Estou portanto convencido de que os recursos só podem ser repartidos com igualdade e justiça, que os negócios dos homens só podem ser bem administrados, se for suprimida a propriedade privada." (meus grifos)

Não é possível restar mais dúvida. Tomás Morus, o católico fanático, é um dos precursores do socialismo, calcado em Platão. Sua contribuição para o avanço das idéias socialistas é reconhecida pelos próprios, e o autor foi cultuado pela Revolução Russa, que lhe erigiu uma estátua em homenagem às idéias contidas em Utopia. Quando Morus começa a descrever a ilha ideal, vemos claramente o caráter autoritário presente na ideologia socialista. Ele diz, por exemplo, que "uma única atividade é comum a todos, homens e mulheres: a agricultura, que ninguém pode ignorar". Além disso, "cada família confecciona ela própria suas roupas, cuja forma é a mesma para toda a ilha". É justamente o igualitarismo pregado pelos socialistas depois. O modelo de subsistência agrícola típico dos kibbutzim socialistas. Na mesma linha de ideal, Tommaso Campanella escreveria mais tarde A Cidade do Sol, também influenciado por Platão e ainda mais radical no autoritarismo dos "sábios governantes".

O famoso slogan marxista, "de cada um de acordo com sua capacidade, para cada um de acordo com sua necessidade", também está presente nos ideais de Morus: "Cada pai de família vai até lá solicitar tudo de que precisa para si e para os seus, e leva sem pagamento, sem compensação de nenhuma espécie". A escassez é um conceito ignorado pelos idealistas. Morus então pergunta: "Pois, por que recusar alguma coisa a alguém quando há abundância de todos os bens e ninguém receia que seu vizinho peça mais que o necessário? E por que solicitariam em excesso quando se sabe não haver risco de faltar nada?" Roberto Campos vai direto ao ponto: "Segundo Marx, para acabar com os males do mundo, bastava distribuir; foi fatal; os socialistas nunca mais entenderam a escassez". Esse mal não é monopólio dos marxistas, pelo que podemos ver...

O coletivismo é total na obra de Morus, transformando os indivíduos em simples meios sacrificáveis para o "bem-comum". Ele explica: "Aqui nada é privado, e o que conta é o bem público. [...] Entre os utopianos, [...], onde tudo é de todos, um homem está seguro de ter o necessário contanto que os celeiros públicos estejam repletos". Ora, qualquer um sabe que aquilo que é de "todos", na verdade não é de ninguém. Alguns defensores de Morus podem alegar que tanto ele como Platão escreveram sobre uma sociedade ideal, mas inexeqüível na prática. O próprio Morus disse que não esperava ver tal sociedade, por causa da soberba humana. Mas isso não muda o fato de que tal era a sociedade ideal almejada pelos pensadores. Morus deixa isso mais que evidente quando afirma: "[...] reconheço de bom grado que há na república utopiana muitas coisas que eu desejaria ver em nossas cidades. Que desejo, mais do que espero ver". Os socialistas também não acham que todo o ideal socialista será concretizado. Mas não deixam de sonhar e, com isso, lutar por este mundo idealizado. O resultado é sempre a miséria, o terror e a escravidão.

Mas se o livro de Tomás Morus vai tão ao encontro do ideal socialista, como é possível que tantos conservadores de direita admirem o autor? A explicação para este estranho fenômeno, em minha opinião, reside na mentalidade tribalista. Os membros de tribos pensam sempre com o fator binário "eu" e "eles". Existem os membros do grupo e existem os "de fora", que precisam ser combatidos. Dito isso, basta lembrar que muitos conservadores são crentes religiosos, normalmente cristãos. Ora, Tomás Morus pode ter defendido idéias claramente socialistas, mas era um cristão devoto, não resta dúvida. Os demais crentes, portanto, não conseguem condenar o pensador, pois estariam criticando um "irmão", e dos mais fiéis à tribo. Quando Morus fala das diferentes crenças na ilha fundada por Utopus, os cristãos enxergam alguém admirável, como na passagem: "A maioria, porém, e sobretudo os mais sábios, rejeitam essas crenças, mas reconhecem um deus único, desconhecido, eterno, incomensurável, impenetrável, inacessível à razão humana" (meus grifos). Falou em Deus único e criticou a razão humana, já é o suficiente para cair no gosto de muitos crentes. A tribo dos que colocam a fé acima da razão logo se regozija com os escritos de Morus.

Mas ocorre que o próprio Morus misturou o cristianismo com o socialismo, que ainda não tinha este nome, mas já existia como idéia: "O que particularmente os tocou foi saber que o Cristo havia aconselhado a seus seguidores colocar todos os bens em comum, e que esse costume é ainda praticado nas congregações mais verdadeiramente cristãs". É o próprio Tomás Morus usando a mensagem de Cristo para sustentar o coletivismo socialista. Diante disso, os conservadores anti-socialistas deveriam repudiar as idéias de Morus. Mas eles não conseguem. A fé religiosa está acima de tudo. E neste quesito Morus tira a nota máxima por fanatismo. Acabou decapitado por ordens do Rei Henrique VIII por não reconhecer o rei, que havia se divorciado, como chefe supremo da igreja. Acabou canonizado pela Igreja Católica em 1935, como exemplo de fidelidade aos princípios católicos. E todos sabem como os crentes adoram mártires. Nietzsche já havia explicado: "A morte dos mártires, seja dito de passagem, foi uma grande desgraça na história; seduziu..." E continua: "Os mártires prejudicaram a verdade... Ainda hoje não se necessita senão de certa crueza na perseguição para proporcionar a quaisquer sectários uma honrosa reputação". Por fim, ele diz: "Mas o sangue é a pior testemunha da verdade; o sangue envenena a mais pura doutrina e transforma-a em loucura e em ódio nos corações".

Por falar em loucura, Erasmo de Roterdã dedicou sua obra clássica, Elogio da Loucura, justamente ao amigo Morus, em 1508. Nela, falando como se fosse a própria loucura, Erasmo diz que "a religião cristã se adapta perfeitamente à loucura e não tem qualquer espécie de relação com a sabedoria". Para ele, "os criadores da religião cristã, fazendo demasiado alarde de uma maravilhosa simplicidade, eram os inimigos mais confessos do estudo das ciências". Por fim, "não é possível que se encontrem loucos mais extravagantes do que aqueles que se abandonam por completo ao ardor da piedade cristã". Seriam loucos que "odeiam a vida e vivem clamando pela morte, ao ponto de parecer totalmente privados de senso comum". Ao que parece, Erasmo escrevia com conhecimento de causa. Era amigo de Tomás Morus, o socialista cristão, louco o suficiente para morrer por causa do divórcio de um rei.

20 comentários:

Bruno disse...

Eu acredito nos que vencem na vida por mérito e os vagabundos que são frustrados com o sucesso alheio e querem tomar a grana deles de qquer jeito...
O resto é baléla...

C. Mouro disse...

Estupendo artigo, grande Rodrigo!

Morus foi ainda um precursor do "estado de sitio", como bom maníaco ideológico um tirano receoso das reuniões e conversas alheias sobre política.

Curiosamente o Santo Thomas More, não dava lá muita importancia à vida. Era favorável a pena de morte por simples desobediência até. Eu que não sou santo sou favorável apenas como justa retribuição/revide aos facínoras que matam inocentes e arruinam famílias. Já o santo cristão, que defende mutilações e... ...oh! "que horror meu deus!" o santo era um maníaco pelo Poder. Tão lunático que concebia o SEU mundo ideal, onde ele seria uma autoridade evidentemente, e desprezando a subjetividade alheia considera que o SEU mundo ideal, subjetivo, seria objetivamente um mundo ideal. Um louco de morder cachorro na rua.

Excelente sua referência ao delicioso livro "O elogio da loucura" de Erasmo Desidério.

Magnífico artigo, brilhante no úrtimo.

Abração
C. Mouro

C. Mouro disse...

Magnífico:

"A utopia não tem obrigação de apresentar resultados; sua única função é permitir aos seus adeptos a condenação do que existe em nome daquilo que não existe."

Perfeito, afinal a preconização de fins inatingíveis serve também para perpetuar os meios para atingi-los.

O próprio cristianismo tem objetivos absurdos para incutir culpa nos "reles humanos pecadores", sempre devedores, sempre apenas humanos dependentes do perdão divino. E sempre todos igualmente pecadores que não devem julgar para não serem julgados.
Tal ideologia é de uma perversidade, de uma astúcia estarrecedora. Concebida para indignificar os súditos, para faze-los vacilantes, fracos, rastejantes diante do Poder político.
A súcia que concebeu tal ideologia não queria mais bandos de guerreiros insandecidos - já tinha seus exércitos remunerados - queria mesmo era uma população subserviente, vacilante, resignada, rastejante, pedinte, sem dignidade. Para apenas obedecer ao Poder político e servi-lo voluntáriamente. Pois tais súditos doutrinados nem mesmo perceberiam as contradições, tão corrompidas estariam suas "almas", a razão completamente arruinada pelos dogmas do catecismo imbecilizante. ...Marx copiou a fórmula.

C. Mouro

Marisa disse...

Caro Rodrigo

Quando você se refere ao socialismo católico, não posso deixar de lembrar da República dos Guaranis.

Justamente aqui no Brasil, que foi criada pelos jesuítas da Companhia de Jesus, nos inícios do século XVII, a República Guarani, que representou uma prematura experiência comunista, muito antes da revolução russa e do próprio Marx. Os jesuítas chegaram ao Brasil, em 1609, com a missão de converter os índios guaranis à fé cristã, porém fundaram o mais revolucionário estado teocrático dos tempos modernos. Na República Guarani foram edificadas as reduções, que levaram para as selvas do Cone-Sul, o esplendor da arte européia e um grande desenvolvimento urbano que deu início à industrialização da América Latina. As reduções eram verdadeiras cidades em meio às selvas, com toda a infra-estrutura: além da igreja, havia hospital, asilo, escolas, casa e comida para todos e em abundância, oficinas e até pequenas indústrias. Sob o comando dos jesuítas, essas comunidades alcançaram notável desenvolvimento econômico e cultural para a época.

A República Guarani, também conhecida como os Sete Povos das Missões, foi submetida, em 1750, ao Tratado de Madri, assinado por Portugal e Espanha, que delimitava as áreas colonizadas. Pelo Tratado de Madrid, ficava estabelecida a transferência dos nativos para margem ocidental do rio Uruguai, o que representaria para os guaranis a destruição do trabalho de muitas gerações e a deportação de mais de 30 mil pessoas. Houve resistência dos indígenas, liderados por alguns jesuítas, e apesar da enorme inferioridade militar, conseguiram resistir até 1767, quando foram massacrados pelos soldados de Portugal e Espanha. No final do século XVIII, os índios já tinham sido dispersados, escravizados, ou ainda estavam refugiados, na tentativa de restabelecer a vida tribal, que os caracterizava antes das missões.

Caro Rodrigo, o que você teria a comentar sobre a República dos Guaranis?

C. Mouro disse...

Uaaaallll!

"As reduções eram verdadeiras cidades em meio às selvas, com toda a infra-estrutura: além da igreja, havia hospital, asilo, escolas, casa e comida para todos e em abundância, oficinas e até pequenas indústrias. Sob o comando dos jesuítas, essas comunidades alcançaram notável desenvolvimento econômico e cultural para a época."

Isso no sec XVII / XVIII...

Vou até pesquisar essa "Utopia" que desconhecia escassez ...era o próprio paraíso aqui na terra...

Será que a Marisa está defendendo tal modelo ideal? ...hehehe!

Fazendo uma interpretação com os resto... ...hummmmmm!

Philippe Nader disse...

Os poucos milhões de Niemeyer e os muitos milhões de Bill Gates ( doados e abatidos do imposto de renda ) não podem acabar com a miséria que o capitalismo lançou na humanidade. O que queremos para o nosso povo é mais Estado, mais políticas sociais, mais regulamentação, mais direitos trabalhistas, mais empregos formais, mais esfera pública, mais educação pública, mais cultura pública. Os ditos " milhões " de Niemayer não são nada comparado à dilapidação do País nestes 500 anos de dominação capitalista, que cassou o direito dos trabalhadores, cassou o direito dos aposentados, cassou o direito dos trabalhadores sem terra, cassou o direito das universidades públicas, cassou o direito da saúde pública, criando a maior desigualdade social do mundo. Não precisamos do dinheiro de Niemayer, mas de solidariedade com a grande maioria dos brasileiros, pobres, miseráveis, excluídos, discriminados, humilhados e ofendidos secularmente. Os cubanos da ilha de Fidel têm orgfulho de serem cubanos, têm orgulho de sua pobreza digna. Vocês têm que deixar de observar a ilha ( de Fidel ) através de um prisma ideológico. Nenhuma organização séria nunca acusou Cuba de levar a cabo desaparições, execuções extra-judiciais, nem torturas físicas aos detidos. Não se pode dizer o mesmo dos EUA em seus 5 anos de querra contra o terror, no patrocínio das ditaduras latino-americanas, nas atrocidades de Guatánamo, de abu-grhaib, e um milhão de mortos no Iraque, outros milhares no Afegannistão, as invasões da República Dominicana, Panamá, o genocídio indígina na Guatemala, os massacres na Etiópia, etc, etc, etc. Quem esquece isto, ou é desinformado, ou está de acordo com com os crimes do império. Não existe um único caso desse tipo em Cuba. Ao contrário, o regime representa vida. Conseguiu aumentar a esperança de vida e reduzir a mortalidade infantil. Como escreveu o colunista do The New York Times, Nicholas Kristol, " se os EU tivessem um índice de mortalidade infantil tão baixo como o de Cuba, se salvariam 2.212 crianças da morte por ano". O apartheid Sul-Africano não começou a desmoronar até que sua tropas de elite caíram, derrotadas em dezembro de 1986 , não pelas tropas dos EUA, mas pelos soldados cubanos. Foi isto que levou Nelson Mandela, um ícone do nosso tempo, a dizer que a revolução de Fidel Castro havia sido " uma fonte de inspiração para todos os amantes da liberdade". Não acho certo criticar o regime cubano. Na verdade já não sabemos qual o melhor regime de governo. Não existe um modelo de governo que pode ser copiado; se o comunismo de Fidel não é exemplo para o mundo, o capitalismo imperialista do governo Bush também não nos oferece nada de bom. Eu tenho esperança num mundo socialista que respeite os direitos do homem e do cidadão, que distribua rendas, que diminua a pobreza e a miséria sem extremismos. Espero que o povo cubano lindo, forte, saudável, encontre seu caminho com serenidade, isto é que todos nós povos latinos americanos, de bom senso queremos...A quem nunca esteve em Cuba saibam que os cubanos criticam seu governo em conversas normais. O que os cubanos não costumam admitir, voluntariamente, são críticas à Fidel. Não Há cultos, não há estátuas, não há posters. Apenas respeito pelo home que lhes devolveu a dignidade. Os cubanos são cultos. Eles sabem que a liberdade que os EUA tentam vender a eles é a liberdade capitalistade de cobiçar o supérfluo. Fidel não governa há mais de um ano. Onde estão os levantes? Onde estão as turbulências? Onde está a insatisfação nas ruas? Só nos corredores de Wasington e nos círculos anticastristas de Miami. Ou seja, em nenhum lugar que interesse. O povo cubano quer melhorar de vida sem perder as enormes conquistas educacionais e sanitárias do regime socialista. Gostaria que o Brasil pudesse oferecer aos seus filhos o mínimo que o governo de Cuba faz pelos seus. Graças ao presidente da Venezuela, o sonho de desenvolvimento econômico som seguridade social ampla está se tornando realidade na América Latina, especialmente em Cuba. O Brasil é uma democarcia, mas tem uma população inculta e sob péssimas condições humanas. Peço que tentem procurar o sentido das palavra SOBERANIA. Vibramos com a vitória da esquerda em quase todos os países da América do Sul, evitando muitos anos de novos retrocessos na América Latina e seguimos nos somando aos processos de integração. Temos orgulho de pertencer à América Latina. Não temos "complexo de vira latas" ( Nelson Rodrigues : jornalista, escritor, dramaturgo ). A relação do Brasil, hoje,´com a Venezuela, a Bolívia, Cuba , a Argentina, o Uruguai é de irmandade, e não de preconceitos de quem olha para o norte e para fora, e que trabalha pela construção de uma democracia com alma social... Muito me assusta estes tipos de email. Falam do Comunismo e do Socialismo como coisas falidas e antiquadas, como se o Capitalismo fosse as mil maravilhas.Os dados apresentados pelos institutos da própria burguesia apontam para os índices alarmantes de desemprego e subemprego, pobreza e fome. " Enquanto houver neste país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto, sem letras, toda prosperidade será falsa " ( Tancredo Neves ). Se o socialismo não agradou vamos faze-lo diferente, construindo uma sociedade justa, sem exploração. O caminho não é fácil, todos sabemos, mas deixo uma pista que me passaram e que agora repasso : Quebre a direita, vire à esquerda e siga em frente
# posted by Tania Pitanga : 6:01 PM

Nao sou um defensor com unhas e dentes do regime de Fidel Castro, mas todos devemos admitir e saber que desde a revoluçao cubana e nas décadas que se seguiram, Cuba foi um exemplo para a América Latina em educação, saúde, e esportes. Considerando que antes disso aquilo lá era um parque de diversoes dos EUA, prostituiçao infantil, miseria imensa, corrupçao no governo de fulgencio batista etc... Talvez isso nao encontremos na Veja ou no Globo, mas já li em diversos meios de comunicação. E isso pra mim é o que interessa. Chegou a ser o segundo país com o índice social mais elevado da Am Latina. Na área da medicina eles exportam tecnologia. Minha tia rica nao foi tentar se tratar em Cuba à toa, simplesmente pq gosta do barbudo. Mas sim pq lá a medicina é muito desenvolvida. Cuba não é o segundo país mais desenvolvido em termos de esportes de toda a America à toa. Os cubanos que fugiram de lá foram seduzidos pela possibilidade de ganhar milhoes, tudo bem, por serem exímios atletas. Mas pense uma coisa: Lá em cuba, eles nasceram, foram bem alimentados, tiveram educaçao, treino intensivo para esportes de graça e se tornaram grandes atletas, como inúmeros outros em Cuba. Sera que no Brasil esses tres teriam a mesma sorte? Nascendo aqui, eles teriam 90% de chances de terem nascido na favela, esquecidos por todos, pelo governo e morreriam de fome ou estariam no sinal fazendo malabarismo. Assim é facil, recebem toda a assistencia do governo e depois de adulto, já bem sucedidos se vendem pelo consumismo, pela ambição do homem que o capitalismo incentiva.
Ah e outra, fala-se mt que Fidel matou mt sequestrador, estuprador e assassino no paredao, mas só pra dar um exemplo, Bush como governador lá nos EUa matou tres vezes mais gente com a pena de morte do que Fidel Castro no paredao. Nao sou a favor da pena de morte, mas falam de Fidel Castro como se fosse o demonio e esquecem de falar dos outros. A começar por guantanamo que fica em Cuba, mas é territorio americano ( esse pequeno detalhe os jornais nunca citam, mt curioso) e ocorrem as maiores atrocidades possiveis por lá, e só agora a Suprema Corte dos Eua declarou a inconstitucionalidade daquilo.

quanto aos tres intelectuais brasileiros, acho que sao interpretados equivocadamente. O socialista tem um ideal de vida, uma doutrina que prega simplesmente a primazia dos interesses coletivos sobre os individuais, substituindo a livre iniciativa exacerbada pela redistribuição de renda. é um sistema um pouco utopico, mas é um ideal de vida.Nao se deseja propriamente um sistema socialista no brasil mas uma aproximaçao dele, com a reforma agraria, com a contençao dos lucros exorbitantes, com a distribuição de renda e de oportunidades iguais para todos. Nao é pq meu pai tem uma condiçao boa de vida e me da um carro importado que eu nao posso discordar do sistema em que vivo. Me faz mt mal ter um carro e parar em todo o sinal vendo gente dormindo na rua. Por mim eu nao teria carro algum, desde que nao houvesse ngm mais dormindo na rua ou me assaltando no sinal. Nao tem como ser feliz num pais como o nosso, ainda que tendo todas as regalias possiveis. E me parece que aqueles que tem mais dinheiro sao os que menos se incomodam com o que esta ai. Eu lembro de uma frase do confucio, antes de Cristo: "Num pais bem governado, deve-se ter vergonha de ser pobre. Num pais mal governado, deve-se ter vergonha de ser rico" Nao deixa de ser meu caso. O problema todo é que todos os recursos existentes no nosso planeta dao conta mt bem de satisfazer as necessidades de todos e ainda propiciar felicidade. Porem nunca darao conta de satisfazer todas as nossas ambiçoes.

Obs. Chico Buarque fez show aqui no Rio durante dois meses todos os dias lotados, que eu fui em um deles e foi sensacional. E tinham milhares de ingressos reservados com preços infimos para a populaçao pobre. Isso ngm fala.
# posted by Philippe Nader : 6:12 PM

Rodrigo Constantino disse...

"não podem acabar com a miséria que o capitalismo lançou na humanidade."

Prezado demente, em quantos tópicos vc pretende postar essa poluição? Vou começar a apagar se continuar a fazer isso. Estou ignorando por enquanto, pois a melhor arma contra um cupim é deixar ele falar. Mas tem limite!

Rodrigo

C. Mouro disse...

...hehehe! esse aí é do tipo que morde cachorro na rua. ...hehehe!

O tipo deve estar de gozação, só pode ser. ...hehehe!

Marisa disse...

C. Mouro

Não estou defendendo nada, apenas estou expondo um acontecimento de nossa história, ignorado e desconhecido por muitos de nós brasileiros. Um ótimo tema para debate. Pena que o Rodrigo não respondeu à minha pergunta. Por que será?

C. Mouro disse...

...hehehe!
esse Philippe, com essa propensão para "vitrola de asserções estapafúrdias" a lá moda "científico" ...tá me parecendo coisa da escolinha do MST. ...hummmmm ...sei não, estou com a pulga atrás da orelha.
Tá me parecendo alguém meio desnorteado e inconformado que resolveu "soltar a franga" desfiando uma longa rabiola de asserções estapafurdias, inventadas ou papagueadas de escolinhas tipo MST. ...Um desbafo de um doutrinado debilóide. ...hehehe!

Abraços
C. Mouro

leo disse...

philippe,nem um critão que procura ser piedoso suporta tanta besteira."poque no te callas?".

leo disse...

CRISTÃO

Jeová disse...

"Quando você se refere ao socialismo católico, não posso deixar de lembrar da República dos Guaranis."

Tem um caso mais recente: Canudos.

O Frei que chefiava Canudos, cujo nome me esqueci, era um analfabeto (ou semi-analfabeto) que não sabia o que era socialismo nem nada disso. Sua influência era apenas o Cristianismo. E foi influenciado pelo cristianismo que ele fez o arraial de Canudos, que era, com certeza, um Estado socialista cristão.

Só lembrando: tal frei foi contra a Proclamação da República e era contra a separação da Igreja do Estado (que aconteceu na república).

leo disse...

Antonio Conselheiro,Jeová.Aquele maluco.

Blogildo disse...

Creio que isso se deve, em parte, justamente ao caráter ambíguo da mensagem atribuída a Cristo. Dependendo do interesse em questão, é possível extrair da Bíblia, por exemplo, trechos claramente em linha com a ideologia socialista ou trechos mais liberais e individualistas.

Rodrigo, dependendo do interesse, pode-se extrair trecho em linha com idologia socialista até do seu blog.

ATOJR disse...

Do ponto de vista da lógica é uma incoerência o"socialismo cristão".De acordo com as teorias marxistas, o socialismo é apenas uma etapa para o comunismo. Ora, se o marxismo afirma que Deus não existe e que a religião é o ópio do povo , então há uma incompatibilidade filosófica NO TERMO "SOCIALISTA CRISTÃO". Más o pessoal da Teologia da libertação conseguiu dá dimensão ao termo, com base em uma extensa propaganda e dentro de uma visão puramente materialista, na qual o "reino de Deus" seria aqui na terra, com o advento do comunismo.

bruno maia disse...

Venerável Rodrigo,

Você pecou por um detalhe catastrófico, caro Rodrigo. Basicamente, você mescla socialismo com cristianismo, e como odeia os dois, jogou ambos no lixo. Porém, a diferença entre cristianismo e socialismo é o livre arbítrio. Em suas viagens, Paulo, o mais fiel apóstolo, nunca impôs o cristianismo como valor. Antes como opção de redenção única e espontânea. Desconsiderar esse detalhe fatalista, é incorrer nas mesmas gafes dos detratores da igreja. Ou seja, seu texto cai por terra, por não conhecer profundamente a doutrina cristã.

atenciosamente,
bruno maia

bruno maia disse...

Em tempo...Outros argumentos que demolem sua tese, é o concílio vaticano II, que condena o comunismo e A ética protestante e o espírito do capitalismo de Max Weber. Ou seja, para mim, você apenas selecionou literatura. Muito infantil seu texto, ignoraste teoremas básicos.

Srta Castro disse...

Boa tarde,

Já vi que alguns argumentos coerentes não são devidamente respondidos. É sério que vocês levam em conta comentários em um debate que dizem que o outro deve calar-se?

Anônimo disse...

É incrível como o discurso apesar de sua evidente falência( o liberal ) na prática consegue se manter vivo. É óbvil que não se existe, nem existiu um Jesus com os conceitos da sociedade liberal, que de liberal na verdade não tem nada. O socialismo procura a libertação, na coletividade encontra seu ápice, tendo em vista que jamais será possível paz social através se a individualidade estiver acima do que é coletivo. Permaneceremos na boçalidade de termos que ser vigiados por outros homens para não nos matarmos pelos inevitáveis conflitos da desigualdade social.A idéia de Estado liberal que dá nojo- estado que necessita de ladões (viva a Lassale) faliu, posto sua inevitável falta de sentido. Não existimos fora do corpo social, assim sendo, o social, o coletivo privilegiado, é a única forma de paz. A paz de Cristo. Lucas.