sexta-feira, junho 03, 2011

E agora, Bernanke?


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Saíram hoje novos dados ruins da economia americana. A criação de empregos fora do setor rural foi de míseros 54 mil vagas em maio, enquanto o esperado era 165 mil. Abril foi revisado para baixo em 12 mil vagas. A taxa de desemprego foi para 9,1%, e o mercado esperava 8,9% na média. Nos últimos dois meses, os dados da economia americana vêm se deteriorando sensivelmente, o que gera tensão nos mercados. Será que há o risco de um “duplo mergulho”?

Muitos economistas alertaram sobre os riscos destas medidas expansionistas. Enquanto Paul Krugman, ícone dos keynesianos, reclamava que o problema era o pouco estímulo, outros economistas mais céticos argumentavam que não se produz crescimento sustentável desta forma. A analogia utilizada era a do cavalo que pode ser levado até o rio, mas não pode ser forçado a beber a água. O governo pode inundar o rio com mais liquidez, mas isso não necessariamente se transforma em mais consumo de água pelo cavalo. O mercado demonstra enorme receio com o futuro, pois sabe que a conta terá de ser paga um dia. As incertezas com tanta hiperatividade do governo produzem reação negativa nos consumidores, que passam por fase de desalavancagem.

Outra metáfora que poderia ser usada é a de um ciclista que recebe um forte empurrão artificial. Sua velocidade pode aumentar no primeiro momento, mas se ele não melhorou sua condição física, se não ocorreu nenhuma mudança estrutural, então a bicicleta começa a perder velocidade e pode até cambalear. Talvez a economia americana tenha chegado neste momento delicado. O que fazer para crescer novamente e gerar empregos? O ideal seria justamente o contrário do que Obama e Bernanke acreditam: retirar estímulos, cortar gastos públicos, sinalizar reformas estruturais, principalmente desarmando a bomba-relógio previdenciária e do Medicare, e reduzir burocracia e impostos, assim como intervenções arbitrárias do governo. Mas sabemos que isso não passa de uma ilusão.

Portanto, fica a questão: e agora, Bernanke? Se a economia americana realmente embicar, e o presidente Obama continuar com seu populismo, qual será a alternativa? Um novo programa de estímulo, o terceiro? Não vamos esquecer que o primeiro programa de estímulo, logo depois da crise de 2008, foi feito com o argumento de que, sem ele, o desemprego poderia chegar em 10%. Estamos quase lá, dois anos e meio e muitos trilhões de dólares depois. Quanto será suficiente para o Fed jogar a toalha e reconhecer que estímulos artificiais podem não ser a cura, e sim o veneno?

4 comentários:

Anônimo disse...

Quem sabe assim esse povo burro deixe de acreditar em salvadores
Mas aí vai ser tarde demais, porque o salvador já vai ter escancarado as portas pros burros de outros paises

Cesar disse...

não é um problema de burrice, até porque tem gente, como o Bernanke, bastante estudada e que acredita no que o Obama está fazendo.

é um problema moral, de valores, e das consequências não intencionais decorrentes da persecução de ideais nobres, mas inaceitáveis, inatingíveis e indesejáveis.

Anônimo disse...

Inteligência não é conhecimento, as duas coisas são importantes mas essa definição só serve pra agradar a auto estima dos burros.
ISSO é inteligência:'lendo aos oito meses e foi só o começo'
http://www.aliasabur.com/media/index.html

Kleber S. disse...

A ultima preocupacao de Bernanke e' a economia americana. O Fed foi criado para privatizar os lucros financeiros e socializar as eventuais perdas. Ele e' apenas mais um peao nesse tabuleiro.

Neste sentido ele fara' tudo o que for possivel para a salvacao imediata de seus patroes da banca. Mesmo que eventualmente o pais mergulhe no caos.