terça-feira, agosto 01, 2006

O Canto da Sereia



Rodrigo Constantino

Na mitologia grega, habitavam uma ilha do Mediterrâneo diversas sereias, cujos cantos atraíam os navegantes de forma irresistível. Ao aproximarem-se da ilha, seus barcos batiam nos recifes e naufragavam. As sereias, em seguida, devoravam suas vítimas. O herói homérico de Odisséia, Ulisses, desenvolveu uma solução simples porém eficaz: ordenou que sua tripulação tampasse os ouvidos com cera e amarrassem-no ao mastro, não podendo soltá-lo de forma alguma, ainda que ele gritasse para tanto. Sobreviveram. A idéia de Ulisses partiu do reconhecimento de sua própria fraqueza. Ele sabia que no impulso do momento, qualquer reflexão mais sóbria ponderando o longo prazo seria inócua. Sua racionalidade foi capaz de pesar isso antes na balança das preferências temporais, e isso salvou sua tripulação do fatal canto da sereia.

Heloísa Helena não é uma sereia. Nem de perto! E sua voz estridente está longe de parecer um canto divino e irresistível. Ao menos àqueles cuja audição funciona bem. Mas por algum motivo bizarro, seu canto ainda conquista milhões de seguidores hipnotizados, encantados com promessas messiânicas. Suas vítimas são as mesmas que outrora caíram no canto do sapo, que era bastante similar – se não idêntico – ao da “sereia”. Muitos dos que aderiram ao canto do sapo estão indignados hoje. Conseguiram sobreviver, é verdade. Mas viram que aquela melodia bela não passava de um embuste, uma trapaça para que os aliados do sapo pudessem devorar suas presas inocentes.

A história pode nunca se repetir, mas com freqüência rima. Troca-se sapo por sereia, mas o canto permanecesse o mesmo: promessas sedutoras pelo foco no curtíssimo prazo, sem responsabilidade alguma com o futuro. Os juros serão reduzidos num passe de mágica, milhões de empregos serão criados pelo Estado, a miséria irá sumir num piscar de olhos, a economia irá crescer por “vontade política” e a corrupção vai desaparecer com maior fiscalização estatal. Tudo isso, claro, com menores impostos. O governo será o motor da economia, e o desenvolvimento da nação se dará por decreto estatal. Debater os meios, em vez dos fins, não interessa. Explicar logicamente como isso tudo é possível, não vem ao caso. Falar das experiências alheias, nem pensar! É tudo uma questão de fé ideológica. Um “novo mundo” será possível. Basta aproximar o barco da ilha paradisíaca habitada por lindas sereias...

Para quem ainda não perdeu o juízo, tanto o canto do sapo como o canto da sereia não passam de uma música chata, uma cacofonia de sons sem sentido. Tais indivíduos irão votar de forma consciente no candidato que mais aproximaria o país do modelo das nações desenvolvidas, com maior liberdade econômica e menos intervenção estatal. Irão votar naquele candidato que realmente prega algumas reformas estruturais importantes. Está certo que não existe o candidato ideal para tal modelo. Os liberais não são representados nas eleições faz tempo por aqui. Mas temos o “menos pior”, aquele que, pelo menos, deixa de aproximar mais e mais o barco da ilha das sereias. Para os outros, que ainda acham irresistível o canto da sereia, que consideram a tentação das promessas fantasiosas mais forte que a razão, sugiro que façam como Ulisses. Tampem os ouvidos e amarrem as mãos nos mastros! Troquem o número da senadora de 50 para 45 mentalmente, desde já, e digitem-no na urna eletrônica em outubro. Seus filhos irão agradecer...

3 comentários:

Marian disse...

Mil vezes o "aquilo roxo" do que o "achille lollo"!

Aquela imagem do rapazinho queimado e morto pelo "companheiro fundador do Psol" nunca mais me saiu da cabeça. Poderá ser meu filho amanhã, se os alienados ouvirem essa sereia cínica e hipócrita!

Como diz o Mainardi, é melhor tapar o nariz e votar no 45 do que se suicidar. Isso para quem não puder mudar do Brasil !

Leandro M. Deon disse...

Essa quedinha pela mulher barbada comprova, ao final, a certeza da análise de Olavo de Carvalho sobre a realidade do Brasil.

Lula e PT podem ter apenas um acidente de percurso. Talvez até mesmo um acidente fatal de percurso, e afundarem-se de vez, se não agora, no máximo em 2010.
Ou sobreviver.

É como motoboy. Quando um morre, em 20 minutos, já tem outro na vaga dele.

Marian disse...

Uma imagem fala mais do que 1000 palavras.

É muito "providencial" para a esquerda o lançamento do filme "Zuzu Angel" há 2 meses das eleições.

Que tal uma simples reportagem com as fotos do apartamento e do menino queimado e morto pelo "militante" Achille Lollo?