quinta-feira, junho 19, 2008

Sede de Poder



Rodrigo Constantino

“Eu fui agora ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição.” (Presidente Lula, flagrado em conversa com o presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, na República Dominicana)

Em Camaguey, Fidel Castro prometeu, poucos dias após a vitória de sua revolução, implantar um “sistema civilizado, democrático”. Insistiu que restabeleceria a Constituição de 1940 e prometeu realizar eleições dentro de “quinze meses mais ou menos”. No dia 14 de janeiro de 1959, após a sua chegada à capital cubana, disse que a “Revolução é genuinamente cubana, genuinamente democrática”. Quando colocado contra a parede, Fidel descrevia sua filosofia pessoal como sendo “humanista”. Não é preciso dizer que o pobre povo cubano espera essas eleições até hoje, meio século depois da promessa do líder da Revolução. Foram quinze longos meses! Sem falar, naturalmente, que o “humanismo” de Fidel é aquele que executou milhares de inocentes, mantém a população inteira como escrava e espalhou a total miséria pela nação prisioneira.

Fidel Castro, desde muito cedo em sua vida, demonstrou uma insaciável sede por poder. Pessoas com essa característica costumam fazer qualquer coisa para obter o que desejam. Todos os grandes ditadores comunistas apresentavam esse traço macabro, essa vontade indômita de ter poder. E tal fim, em suas mentes, justificava quaisquer meios, inclusive os mais desumanos e cruéis que se pode imaginar. Assim foram Lênin, Stalin, Mao Tse Tung, Pol-Pot, Ceausescu, Kim Jong-il etc. Stalin chegou a afirmar que a morte de uma pessoa é uma tragédia, mas a morte de milhões é apenas estatística. Esses revolucionários comunistas foram os responsáveis pelas páginas mais sangrentas da história da humanidade. O motivo principal foi a sede inesgotável por poder. Lord Acton cunhou a célebre frase de que “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Se o poder corrompe até mesmo uma pessoa normal, o que dizer daqueles que já eram sedentos pelo poder, de forma patológica?

Com essa introdução, não quero afirmar que o presidente brasileiro é necessariamente como esses ditadores comunistas. Quero apenas lembrar que a possibilidade do desejo de seguir uma trilha parecida não pode ser descartada. Afinal, são vários os indícios que apontam nessa direção. Apenas para refrescar a memória com alguns deles, devemos lembrar que os aliados mais próximos de Lula são ex-guerrilheiros que lutavam justamente pela revolução vitoriosa em Cuba, ou que o seu PT foi um dos fundadores do Foro de São Paulo ao lado do mesmo ditador cubano. Podemos lembrar também das tentativas autoritárias do governo, como o CNJ e a Ancinav, que objetivavam controlar os meios de comunicação, prioridade total nas ditaduras comunistas. O DNA autoritário está presente em boa parcela dos petistas. Isso é um fato comprovado pelo próprio partido, que em seu Terceiro Congresso deixou suas ambições em evidência.

A lista poderia continuar com muitos outros exemplos, como o financiamento ao MST e várias outras provas de que o PT não abandonou suas raízes do passado. Mas creio que isso já está claro para todos aqueles que ainda não perderam o juízo nesse país, ou que não se venderam por migalhas. Afinal, o PT vem adotando essa estratégia de poder também, comprando todos. O “mensalão”, as esmolas para os mais pobres, os subsídios polpudos para os empresários, as indenizações milionárias para “intelectuais”, o aparelhamento do governo, os privilégios aos sindicalistas e vários outros destinos dos recursos dos pagadores de impostos beneficiando algum grupo específico qualquer. Até mesmo no âmbito internacional o governo Lula adotou essa postura, perdoando dívida de países africanos com o Brasil e mandando tropas para o Haiti, enquanto a violência crescia no próprio Brasil, tudo com o objetivo de conquistar o assento no Conselho de Segurança da ONU. Sede de poder, local e internacional. O presidente parece um megalomaníaco, explorando o sacrifício alheio para melhorar sua imagem no mundo e conquistar mais poder. Até mesmo os aplausos ao presidente da ONU o PT “roubou” para usar como propaganda em seu culto à personalidade, como se fossem direcionadas ao presidente Lula.

Recentemente o presidente Lula tem negado o desejo de permanecer no poder, através de um terceiro mandato golpista. Mas alguém realmente ainda confia na palavra de Lula? Nem o ser mais ingênuo da nação poderia. Foram os próprios aliados de Lula que trouxeram o tema de um terceiro mandato à tona. Faz parte do teatro do presidente negar este desejo, mas parece óbvio que ele aceitaria este “fardo” pelo “bem-geral da nação”, se esta fosse a demanda do povo. Isso sem falar do desespero de tantos parasitas receosos de perder as tetas estatais fornecidas pelo governo. “Nunca antes na história desse país” se privatizou tanto o Estado como agora. Alguém acredita que essas bocas todas vão aceitar tranquilamente abandonar as tetas estatais? Parasitas profissionais não costumam virar hospedeiros pacificamente.

Portanto, povo brasileiro: Atentai! Fidel Castro, que, aliás, é bastante admirado pelo presidente Lula, também garantiu que era um “democrata”, e ficou meio século no poder, liderando a mais perversa ditadura da região. Quando estava sem condições físicas de continuar no comando, simplesmente entregou o poder para seu irmão mais novo, como se a ilha fosse sua própria propriedade e o povo não passasse de um bando de escravos. A palavra de comunistas não vale nada! As promessas daqueles que morrem de sede pelo poder são vazias. O que realmente impede a tomada de poder por essa corja são as instituições sólidas de um país, como a independência dos poderes, mídia livre e Forças Armadas respeitáveis, sem falar da mentalidade do povo.

No Brasil, até agora, essas instituições têm se mostrado uma barreira incômoda aos anseios dos que querem concentrar mais poder. Mas todas elas, sem exceção, pioraram durante a gestão Lula. Os poderes parecem menos independentes, com crescente influência do Executivo e uma chuva de Medidas Provisórias dignas de uma ditadura. A mídia é dependente, em grande parte, das verbas governamentais, e o cão não morde a mão que o alimenta. Os militares sofrem constante tentativa de desmoralização, e a mais recente foi o uso do Exército para assistencialismo em favela carioca, objetivando angariar votos para um aliado do governo federal. O abuso populista acabou em desgraça, ferindo gravemente a imagem do Exército. Por fim, a mentalidade do povo não ajuda muito, e o trabalho de banalização da imoralidade tem sido feito com sucesso pelo governo. Os infindáveis escândalos de corrupção são tratados como algo normal, que “todos fazem” e que, portanto, não merecem muita atenção. Talvez isso seja o mais grave de tudo no longo prazo. Um país não pode progredir em liberdade se a imoralidade é vista com naturalidade.

O filósofo escocês David Hume já havia notado que raramente se perde toda a liberdade de uma só vez. Normalmente, ela vai sendo perdida gradualmente. Os homens, como sapos colocados em panelas com água fria que vai aquecendo aos poucos, não notam claramente a mudança e podem acabar escaldados. O brasileiro vai vivendo em um ambiente cada vez mais controlado pelo governo, com carga tributária sempre crescente, mas vai se acostumando à situação de forma passiva. Essa passividade, somada à mentalidade predominante que deposita no governo um papel de messias salvador, é extremamente perigosa para a liberdade. É nesse contexto que os sedentos por poder prosperam. E cada vez que essa sede de poder é parcialmente saciada, mais poder é necessário para os sedentos. O governo Lula não vai, por conta própria, abrir mão facilmente do poder e respeitar as instituições democráticas se seus pilares forem de areia. Contar com a boa vontade dessa gente é pedir para se dar mal. O que é preciso fazer é fortalecer as instituições para garantir que, mesmo a despeito da sede pelo poder, o PT tenha que abandonar o osso. Caso contrário, estaremos diante de uma servidão voluntária, onde a estupidez e a miopia do povo poderão parir uma nova ditadura, ainda que velada, como a da Venezuela de Chávez, camarada de Lula. Se Lula não é uma espécie de Chávez ou Fidel, não parece ser por falta de vontade própria. Que isso fique claro!

2 comentários:

Steve disse...

É Rodrigo,

O Cara é Um Líder Carismático.

Um perigo!

Anônimo disse...

A imoralidade realmente tomou conta do país e a cada dia é ratificada como algo normal. Essa é a herança maldita do governo Lula. Banalizou a bandidagem, a falta de ética e a corrupção como coisa do dia-a-dia. Mas o que mais causa perplexidade é a complacência dos honestos com tal quadro. Quando e se abrirmos os olhos, poderá ser tarde demais.