segunda-feira, julho 07, 2008

A Falácia do Polilogismo



Rodrigo Constantino

“A humanidade precisa, antes de tudo, se libertar da submissão a slogans absurdos e voltar a confiar na sensatez da razão.” (Mises)

Em 1944, o economista Ludwig von Mises escreveu Omnipotent Government, onde explica o crescimento da idolatria ao Estado que levou ao nazismo na Alemanha, fomentando um ambiente de guerras ininterruptas. Em uma parte do livro, Mises explica uma das coisas que os nazistas pegaram emprestado do marxismo: o polilogismo. Até a metade do século XIX, ninguém contestava o fato de que a estrutura lógica da mente é comum a todos os seres humanos. “Todas as inter-relações humanas são baseadas na premissa de uma estrutura lógica uniforme”, diz Mises. Podemos nos comunicar justamente porque apelamos a algo comum a todos, a estrutura lógica da razão.

Claro que alguns homens podem pensar de forma mais profunda e refinada que outros, assim como algumas pessoas não conseguem compreender um processo de inferência em longas cadeias de pensamento dedutivo. Mas isso não nega a estrutura lógica uniforme. Mises cita como exemplo alguém que pode contar apenas até três, lembrando que mesmo assim sua contagem, até seu limite, não difere daquela feita por Gauss ou Laplace. É justamente porque todos consideram este fato inquestionável que os homens entram em discussões, trocam idéias ou escrevem livros. Seria simplesmente impossível uma cooperação intelectual entre os indivíduos sem isso. Os homens tentam provar ou refutar argumentos porque compreendem que as pessoas utilizam a mesma estrutura lógica. Qualquer povo existente reconhece a diferença entre afirmação e negação, pode entender que A não pode ser, ao mesmo tempo, o contrário de A.

No entanto, apesar desse fato ser bastante evidente, ele foi contestado por Marx e pelos marxistas, entre eles o “filósofo proletário” Dietzgen. Para eles, o pensamento é determinado pela classe social da pessoa, e o pensamento não produz verdades, mas ideologias. Para os marxistas, os pensamentos não passam de um disfarce para os interesses egoístas da classe social a qual esse pensador pertence. Nesse contexto, seria inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social. O que se segue disso é que as “ideologias não precisam ser refutadas por meio do raciocínio discursivo; elas devem ser desmascaradas através da denúncia da posição da classe, a origem social de seus autores”. Se uma teoria científica é revelada por um burguês, o marxista não precisa atacar seus méritos. Basta ele denunciar a origem burguesa do cientista.

O motivo pelo qual os marxistas buscaram refúgio no polilogismo pode ser encontrado na incapacidade de refutação por métodos lógicos das teorias econômicas “burguesas”. Quando o próprio Mises demonstrou que o socialismo seria impraticável pela impossibilidade de cálculo econômico racional, os marxistas não apontaram qualquer erro em sua análise lógica. Preferiram apelar para o estratagema do polilogismo, fugindo do debate com a desculpa de que sua teoria era uma defesa dos interesses de classe. O sucesso dessa tática marxista foi incrível, sem precedentes. Foi usado como “prova” contra qualquer crítica racional feita ao marxismo e sua pseudo-economia. Isso permitiu um crescimento assustador do estatismo moderno.

Conforme Mises lembra, “o polilogismo é tão intrinsecamente sem sentido que ele não pode ser levado consistentemente à suas últimas conseqüências lógicas”. Nenhum marxista foi corajoso o suficiente para tentar fazer isso. Afinal, o princípio do polilogismo levaria à inferência de que os ensinamentos marxistas não são objetivamente verdadeiros, mas apenas afirmações “ideológicas”. Os marxistas negam essa conclusão lógica de sua própria postura epistemológica. Para eles, sua doutrina é a verdade absoluta. São completamente inconsistentes. O próprio Marx não era da classe dos proletários. Mas para os marxistas, alguns intelectuais conseguem se colocar acima desse paradoxo. Os marxistas, claro. Não é possível refutar isso, pois se alguém discorda, apenas prova que não faz parte dessa elite especial, capaz de superar os interesses de classe e enxergar além.

Os nacionalistas alemães tiveram que enfrentar o mesmo tipo de problema dos marxistas. Eles não eram capazes de demonstrar suas declarações ou refutar as teorias econômicas contrárias. “Logo”, explica Mises, “eles buscaram abrigo sob o telhado do polilogismo, preparado para eles pelos marxistas”. Algumas mudanças foram necessárias para a adaptação, mas a essência é a mesma. Basta trocar classe por nação ou raça, e pronto. Cada nação ou raça possui uma estrutura lógica própria e, portanto, sua própria economia, matemática ou física. Pela ótica marxista, pensadores como Ricardo, Freud, Bergson e Einstein estavam errados porque eram burgueses; pela ótica nazista, eles estavam errados porque eram judeus. O coletivismo, seja de classe ou raça, anula o indivíduo e sua lógica universal.

Tanto o polilogismo marxista como o nacional-socialista se limitaram à afirmação de que a estrutura lógica da mente é diferente para as várias classes ou raças. Nenhum deles tentou elaborar melhor isso, tampouco demonstrar como exatamente ocorria tal diferença. Nunca entraram nos detalhes, preferindo, ao contrário, concentrar o foco na conclusão. No fundo, o polilogismo tem todas as características de um dogma. Se há divergência de opinião dentro da própria classe ou raça, ele adota um mecanismo peculiar para resolver a questão: os oponentes são simplesmente tratados como traidores. Para os marxistas e nazistas, existem apenas dois grupos de adversários: aqueles errados porque não pertencem à mesma classe ou raça, e aqueles oponentes da mesma classe ou raça que são traidores. Com isso, eles ignoram o incômodo fato de que há dissensão entre os membros da sua própria classe ou raça.

Deixo os comentários finais com o próprio Mises: “O polilogismo não é uma filosofia ou uma teoria epistemológica. Ele é uma atitude de fanáticos limitados, que não conseguem imaginar que alguém pode ser mais razoável ou inteligente que eles mesmos. O polilogismo também não é científico. Ele é a substituição da razão e da ciência por superstições. Ele é a mentalidade característica de uma era do caos”.

14 comentários:

Francisco Brito disse...

Caro Rodrigo Constantino,

Parabéns pelo blog e pelas brilhantes postagens. Sempre o leio e quando acho que ví um texto brilhante, você sempre aparece depois com outro mais brilhante ainda.

Espero que mais e mais pessoas tenham acesso ao seu blog e o leiam sem preconceito. Pois as pessoas só tem a ganhar abrindo a mente para o liberalismo.

Parabéns,

Francisco Brito.

Marcel Selhorst disse...

Brilhante!

Jeová disse...

A primeira vez que tive contato com Mises, que me lembro, foi em um artigo do Mídia Sem Máscara que era um trecho do livro "Omnipotent Goverment: The Rise of Total State and Total War". Muito interessante. Ei-lo:

O que os nazistas tomaram emprestado de Marx

Nota Editorial: O texto a seguir é um trecho do livro Omnipotent Government: The Rise of Total State and Total War, originalmente publicado em 1944 pela Yale University. A obra mostra com clareza que o nazismo não passa de um tipo de socialismo.

Os nazistas não inventaram o polilogismo. Eles apenas desenvolveram sua própria marca de polilogismo. Até a metade do século XIX, ninguém se atrevia a questionar o fato de a estrutura lógica da mente ser imutável e comum a todos os seres humanos. Todas as inter-relações humanas são baseadas na premissa de uma estrutura lógica uniforme. comunicamos-nos apenas porque podemos apelar a algo em comum a todos nós, isto é, à estrutura lógica da razão.

Alguns homens conseguem pensar de forma mais profunda e refinada do que outros. Há homens que infelizmente não conseguem compreender um processo de inferência em cadeias lógicas de pensamento dedutivo. Mas na medida em que um homem seja capaz de pensar e trilhar um processo de pensamento discursivo, ele sempre aderirá aos mesmos princípios fundamentais de raciocínio aplicáveis a todos os outros homens. Há pessoas que não conseguem contar além de três; mas sua contagem, até onde for, não difere da contagem de Gauss ou Laplace. Nenhum historiador ou viajante jamais nos trouxe informações sobre povos para quem a e não-a fossem idênticos, ou que não conseguissem perceber a diferença entre afirmação e negação. Diariamente, é verdade, as pessoas violam os princípios lógicos do raciocínio. Mas quem quer que examine suas inferência de forma competente poderá descobrir seus erros.

Como todos consideram tais fatos inquestionáveis, então os homens entram em discussão; conversam entre si; escrevem cartas e livros; tentam provar ou refutar. A cooperação social e intelectual entre os homens seria impossível se não fosse assim. Nossas mentes simplesmente não conseguem imaginar um mundo povoado de homens de estruturas lógicas diferentes ou de estruturas lógicas diferentes da nossa.

Mesmo assim, durante o século XIX, este fato inquestionável foi contestado. Marx e os marxistas, entre eles o "filósofo proletário" Dietzgen, ensinaram que o pensamento é determinado pela classe do pensador. O que o pensamento produz não é a verdade mas "ideologias". Esta palavra significa, no contexto da filosofia marxista, um disfarce dos interesses egoístas da classe social à qual pertence o pensador. Portanto, é inútil discutir qualquer coisa com pessoas de outra classe social. Ideologias não precisam ser refutadas por meio do raciocínio discursivo; elas devem ser desmascaradas, denunciando a classe e a origem social de seus autores. Assim, os marxistas não discutem os méritos das teorias científicas; eles simplesmente revelam a origem "burguesa" dos cientistas.

Os marxistas se refugiam no polilogismo porque não conseguem refutar com métodos lógicos as teorias desenvolvidas pela economia "burguesa", ou as inferências delas derivadas, demonstrando a impraticabilidade do socialismo. Já que não conseguiram demonstrar racionalmente a validade de suas idéias ou a invalidade das idéias de seus adversários, eles condenaram os métodos lógicos. O sucesso deste estratagema marxista foi inédito, sem precedentes. Ele serviu de prova a qualquer crítica racional contra a pseudo-economia e a pseudo-sociologia marxistas. Foi apenas por meio dos truques do polilogismo que o estatismo consegiu ganhar força no pensamento moderno.

O polilogismo é tão intrinsecamente ridículo que é impossível levá-lo às suas últimas conseqüências lógicas. Nenhum marxista foi corajoso o suficiente para derivar todas as conclusões que seu ponto-de-vista epistemológico exigiria. O princípio do polilogismo levaria à inferência de que os ensinamentos marxistas também não são objetivamente verdadeiros mas apenas afirmações "ideológicas". Mas os marxistas negam. Eles alegam que suas próprias doutrinas são a verdade absoluta. Dietzgen ensina que "as idéias da lógica proletária não são idéias partidárias mas o resultado da lógica pura e simples". A lógica proletária não é "ideologia" mas a lógica absoluta. Os atuais marxistas, que rotulam seus ensinamentos de sociologia do conhecimento, dão testemunho da mesma inconsistência. Um de seus defensores, Professor Mannheim, procura demonstrar que há certos homens, os "intelectuais não-engajados", que possuem o dom de apreender a verdade sem serem vítimas de erros ideológicos. Claro, o Professor Mannheim está convencido que ele mesmo é o maior dos "intelectuais não-engajados". Você simplesmente não pode refutá-lo. Caso discorde dele, você apenas provará que você mesmo não pertence à elite dos "intelectuais não-engajados" e que portanto seus pensamentos são tolices ideológicas.

Os nacionalistas alemães tiveram de enfrentar o mesmo problema dos marxistas. Eles também não puderam nem demonstrar a veracidade de suas próprias declarações nem refutar as teorias da economia e da praxeologia. Logo, eles se refugiaram no abrigo do polilogismo, preparado para eles pelos marxistas. Claro, eles fabricaram sua própria marca de polilogismo. A estrutura lógica da mente, dizem, é diferente entre as nações e as raças. Cada raça ou nação possui sua própria lógica e, portanto, sua própria economia, matemática, física etc. Mas, não menos inconsistente que o Professor Mannheim, o Professor Tirala, seu congênere como defensor da epistemologia ariana, declara que a única lógica e ciência verdadeiras, corretas e perenes são as arianas. Aos olhos dos marxistas, Ricardo, Freud, Bergson e Einstein estão errados porque são burgueses; aos olhos dos nazistas, estão errados porque são judeus. Um dos maiores objetivos dos nazistas é libertar a alma ariana da poluição das filosofias ocidentais de Descartes, Hume e John Stuart Mill. Eles estão em busca da ciência alemã arteigen, ou seja, da ciência adequada às características raciais alemãs.

Como hipótese, podemos supor que as habilidades mentais de um homem sejam resultado de suas características corporais. Claro, não podemos demonstrar a veracidade desta hipótese, mas também não é possível demonstar a veracidade da hipótese oposta, conforme expressa pela hipótese teológica. Somos forçados a admitir que não sabemos como os pensamentos surgem dos processos fisiológicos. Temos vagas noções dos danos causados por traumatismos ou outras lesões infligidas em certos órgãos do copo; sabemos que tais danos podem restringir ou destruir por completo as habilidades e funções mentais dos homens. Mas isso é tudo. Seria uma grande insolência afirmar que as ciências naturais nos fornecem informações a respeito de uma suposta diversidade de estruturas lógicas da mente. O polilogismo não deriva da fisiologia ou da anatomia, nem de nenhuma outra ciência natural.

Nem o polilogismo marxista nem o nazista foram além de declarar que a estrutura lógica da mente é diferente entre as classes ou raças. Eles nunca se atreveram a demonstrar precisamente no quê a lógica proletária difere da lógica burguesa, ou no quê a lógica ariana difere da lógica dos judeus ou dos ingleses. Não basta rejeitar a teoria dos custos comparados de Ricardo ou a teoria da relatividade de Einstein por meio de um suposto desmascaramento das origens raciais de seus autores. Primeiro, seria preciso desenvolver um sistema de lógica ariana diferente da lógica não-ariana. Depois seria necessário examinar, ponto por ponto, estas duas teorias concorrentes, e mostrar onde em seus raciocínios são feitas inferências que são inválidas do ponto de vista da lógica ariana - embora corretas do ponto de vista não-ariano. E, finalmente, deveria ser explicado a que tipo de conclusões deve chegar a substituição de inferências não-arianas pelas corretas inferências arianas. Mas isso jamais foi e jamais será tentado por ninguém. O tagarela defensor do racismo e do polilogismo arianos, Professor Tirala, não diz uma palavra sobre a diferença entre a lógica ariana e a lógica não-ariana. O polilogismo, seja marxista ou nazista, ou seja lá qual for, jamais entrou em detalhes.

O polilogismo possui um método peculiar para lidar com opiniões divergentes. Se seus defensores falharem ao desmascarar as origens de um oponente, eles simplesmente taxam-no de traidor. Tanto marxistas quanto nazistas conhecem apenas duas categorias de adversários. Os alienados - sejam eles membros de uma classe não-proletária ou de uma raça não-ariana - estão errados porque são alienados; os oponentes de origem proletária ou ariana estão errados porque são traidores. Assim, eles levianamente descartam o incômodo fato de que há dissenção entre os membros do que dizem ser sua classe ou sua raça.

Os nazistas comparam a economia alemã com a economia judaica ou anglo-saxônica. Mas o que chamam de economia alemã definitivamente não difere de algumas tendências da economia estrangeira. Ela se desenvolveu dos ensinamentos do genovês Sismondi e dos socialistas franceses e ingleses. Alguns dos mais antigos representates da dita economia alemã apenas importaram idéias estrangeiras para a Alemanha. Frederick List trouxe as idéias de Alexander Hamilton à Alemanha, Hildebrand e Brentano trouxeram as idéas dos primeiros socialistas ingleses. A economia alemã arteigen é praticamente igual às tendências econômicas de outros países, como por exemplo o institucionalismo americano.
Por outro lado, o que os nazistas chamam de economia ocidental e, portanto, artfremd [estranho à raça], é de proporções tão grandes que mesmo os nazistas não a negam o termo alemão. Os economistas nazistas gastam muito tempo desenhando a árvore genealógica de Carl Menger à procura de antepassados judeus; não conseguiram. É ridículo explicar o conflito entre a teoria econômica de um lado e o institucionalismo e o empiricismo histórico de outro, como um conflito racial ou nacional.

O polilogismo não é uma filosofia ou uma teoria epistemológica. É uma postura de fanáticos tapados que não conseguem imaginar alguém mais razoável ou inteligente que eles mesmos. O polilogismo nem é científico. Trata-se da substituição da razão e da ciência pela superstição. É a mentalidade característica de uma era caótica.

Tradução: Edward Wolff

http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=1952

Rodrigo Constantino disse...

Jeová, esse é justamente o capítulo do livro que usei!

C. Mouro disse...

Mais um artigo F A N T Á S T I C O !

Magnífico no úrtimo.

Essa questão da "lógica" marxista é a prova cabal da safadeza.

Ou seja, não podendo refutar logicamente, o sujeito inventa a lógica sem lógica.

Ocorre que a lógica pertence a natureza. As coisas se existem segundo principios e se desenrolam numa sequência previsível. Esta sequencia previsível é a lógica. Por exemplo dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo, tão pouco um corpo pode estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo. São principios da natureza.

Assim, a lógica - a sequencia com que as coisas se realizam - pode ser percebida, mais por uns que por outros, permitindo aos indivíduos (seres) reproduzirem mentalmente aquilo que se realizará. Ou seja, a previsão é um exercicio de lógica.

A lógica é tão fantástica que aquilo que não tem lógica se contradiz. Ou seja, viola o principio, tipo "A é não-A" - mais precisamente A é não é A - que é um completo absurdo afirmar que algo é e não é ao mesmo tempo.

A lógica incomoda porque é a ferramenta para se descobrir a verdade. Daí que as ideologias a combatem com os "fins supremos" que prometem ou profetizam com base em nada além dos próprios delirios.

Veja só: quando alguém exige a tolerancia incondicional, estará defendendo tolerancia aos intolerantes. Isso é uma contradição, pois que combatendo intolerantes que não toleram a intolerancia. Ou seja, háque se ter cuidado com a palavras não transformando-a em um valor a ser defendido, pois não é.

Da mesma forma a esperteza dogmática marxista faz o mesmo. Ao afirmar que a lógica é particular a cada classe, em si mesmo já se desmoraliza. pois tal afirmativa não contém verdade alguma se analisada segundo si mesma (e a questão do relativismo, que afirma não existir verdade).

Ou seja, a afirmação é exatamente ideológica. Afinal, clama por ser tomada como verdade apenas porque é o meio capaz de conduzir ao fim oferecido pelo marxismo. Desta forma se acredita nas verdades marxistas porque se deseja que seu besteirol seja verdadeiro. De forma que se apela para a uniformização do pensamento como recurso para tentar forjar a realidade através do consenso. Tipo: se ninguém jamais afirma que "o rei está nu" todos se convencem das "belas roupas invisiveis aos maus" confiando que está erado já que todos manifestam vê-las. Com isso o próprio indivíduo afirma ve-las para não ser visto como alguém inferior. ...hehehe! é a vaidade dos inseguros que os faz manipulaveis.

As ideologias prometem "fins supremos" que conquistam muitos que se encantam de tal maneira com a fantasia que nela se viciam e dela se alimentam, PRECISANDO CRER para sentirem-se melhores. Com base nesse objetivo fantasioso passam a defender todos os meios ditos que o realizarão. Afinal, tem que haver meios de alcançar tal "fim supremo", e tal finalidade justifica todos os meios em seu nome empregados. Sob a idéia de que as "maravilhas" que se alcançará compensa as desgraças causadas para atingi-las.

Se todfos os loucos tiverem a mesma loucura, nãose frustrarão. Não ouvirão de outros a verdade que incomoda, podendo fortalecer sua fé. Vai daí a a obstinação dos seguidoresde ideologia para tentar formar um consenso uniforme a sua volta. Com isso parecem loucos falando aberrações absurdas. Falam coisas contraditórias, aberrantes com a mais desavergonhada cara de pau. Mas as contradiçõessão inerentes ás ideologias. Assim são porque as ideologias visam seduzir e não informar ou esclarecer. Então, nesta ansia de servir ao maior número de interessados e fazer de seu "fim supremo" a justificaçãode tudo, se envolvem em contradições e idiotices tentando cobrir o maior número de interessados. Afinal, se valer-se da coerência não conseguirá fazer de sua promessa um "fim supremo" e nem mesmo agradará a um maior número de interessados - cada adepto de uma ideologia a interpreta segundo sua conveniencia.

Vemos governos socialistas pregando igualdade ao mesmo tempo que taisgovernantes vivem em palácios em gigantesca desigualdade ante o restante. Quem já questionou isso?
Bem, eles são tão bondosos que merecem ser excluidos da igualdade material que desejam impor a todos.

Um pais é colonizado por seu própriogoverno. Ou seja, o governo usurpa as riquezas para seu grupo de interesse.
O governo como proprietário de tudo é exatamente o que Marx descreveu (nãodefiniu) como o tal capitalismo (capitalismo de estado). Afinal, SOMENTE NESTE CASO uma classe organizada (classe governante hieraruizada) consegue a plena hegemonia sobre os meios de produção. CONSEGUE ISSO PORQUE PROIBE A PROPRIEDADE DESTES A TODOS OS DEMAIS. Ou seja, faz da classe governante um clube fechado com sócios hierarquizado.

Ou seja, o tal "capitalismo" com que Marx acusava a realidade, NÃO ERA O QUE OCORRIA NA REALIDADEE, MAS EXATAMENTE O QUE SUA PROPOSTA CONSTRUIRIA. ...Talvez isso seja a grande verdade dialética ...hehehe!

O único meio de Marx combater a lógica era inventar uma lógica sem lógica. Porra! mas isso não tem lógica nenhuma! ...tem sim! ...hehehe!

É a lógica dos safados embusteiros e maníacos ideológicos, que viciados pelas sensações que as fantasias e delirios lhes causam, desejam o conforto do consenso (asinum asinos fricat), daí que disparam dogmas os mais idiotas, proferem aberrações que admitem sem explicação lógica e desfiam uma rabiola de contradições com a mais desavergonhada cara de pau. São os fanáticos; não possuem argumento mas verborragia desconexa que mais visa aliciar adeptos com suas contradições convenientes ...precisam delas e não coram, pois os fins lhes justificam os meios. ...hehehe! ....CUISP! cuisp1 cuisp!

Abraços
C. Mouro

Aécio Prado disse...

parabéns! muito interessante mesmo este artigo xD.


um aprofundamento neste tema, pra uma pesquisa, artigo, etc. seria bastante interessante !

Abraços!

Bom Trabalho e Felicidades

FIX disse...

Mises elabora bastante sobre esse tema na primeira parte do "Ação Humana" e deixa claro que o polilogismo tem dois filhotes feiósos: o nacionalismo e o racismo.

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Off Topic: Ler na Folha de S. Paulo um artigo sobre Hayek é algo inusitado. Na Ilustrada de hoje, Coutinho fez um artigo interessante sobre Hayek, recomendo. Tem lá seus defeitos, Coutinho tentou uma "sacação" sobre A Questão do Socialismo dos Meios de Produção X Socialismo dos Frutos da produção que já havia sido abordado por Hayek no prefácio da edição da Universidade de Chicago, do: Caminho da Servidão.
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Off Topic 2
Quem puder, assita ao documentário Commanding Heights. Muito interessante.

http://www.pbs.org/wgbh/commandingheights/lo/index.html

Gerson B disse...

Excelente post. Muito bom texto!

Jeová disse...

"Quem puder, assita ao documentário Commanding Heights. Muito interessante."

Tem realmente umas imagens muito interessantes. A Thatcher dizendo "You turn if you want to. The lady is not for turning!", pra mostrar que não cederia a pressões, Reagan em campanha (pelo governo da Califórnia, eu acho) dizendo "Vote for me if you believe in yourself!", além de imagens de uma entrevista do Hayek nos anos 70. Foi o primeiro vídeo que eu vi do Hayek.

jonas disse...

Excelente!

Anônimo disse...

Concordo com todo o texto.

Murilo Medeiros disse...

Sr. Rodrigo Constantino, por incrível que pareça, sou um estudante de 17 anos e liberal convicto, mas nunca ouvi falar do seu Blog!! É a primeira vez que visito!
Achei simplesmente fantástico seus textos, sempre lúcidos e bem escritos. Acho que vou aprender muito com você.

A respeito do texto, devo lhe dizer que existem muitos polilogistas em salas de aula!!!
Querem nos fazer acreditar em um socialismo do século XXI! ABSURDO! Depois lhe contarei mais....

Sr. Rodrigo Constantino gostaria que vc me desse uma dica de um Projeto de Lei para que eu apresente na Câmara dos Deputados, pois estou participando do Parlamento Jovem e tenho que apresentar um projeto até o final de agosto!!
Eu estava querendo propor um projeto Liberal, aliás, diga-se de passagem, muito raro discutido no Congresso Nacional, infelizmente!
Como o Sr. é um grande escritor gostaria que me fornecesse idéias de algum projeto para que eu apresente!! Espero contar com a sua ajuda!!

Contato:murilo.medeiros25@gmail.com

jonas disse...

A coisa mais inacreditavel que eu ja ouvi de um militante, é que "oferta e demanda" é algo limitado ao mundo capitalista burgues.. que no socialismo essa ideia burguesa nao existiria..rs

FORA OFERTA E DEMANDA!!

Augusto Araújo disse...

É por isso q petistas e esquerdinhas usam essa porra

quando mandei uns textos do Constantino pr um colega meio vermelho ele disse "é lógico, o cara é economista de mercado finaceiro, ele vai é só defender o capitalismo, etc"

quando mando textos do Xico Graziano, uns falam "mas o Xico é agronomo, representante do agronegócio"

se sou contra algo da petralhada é pq sou burgues, classe média, sei lá o q

Lembro-me do aristocrata Churchill em contraposiçao à Hitler, q teve origem humilde. De certo por suas origens deveríamos (se vivessemos na época) dar crédito as palavra de Hitler e nunca aos avisos de Churchill, antes das invasoes alemãs

a estratégia de desqualificar o adversário e não os argumentos então estão neste polilogismo

muito elucidativo, ótimo texto