quinta-feira, julho 24, 2008

O aumento dos juros

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O Comitê de Política Monetária (Copom) aumentou em 0,75 ponto percentual a taxa básica Selic, que chegou a 13% ao ano. O fantasma da volta da inflação tem assustado muita gente, e com razão. Representantes do setor produtivo condenam o aumento dos juros, mas erram o alvo: estão atacando o termômetro que marca a febre, em vez das causas da doença. A inflação é uma política de governo, que detém o monopólio da moeda. Na história econômica, os governos quase sempre abusaram deste enorme poder, emitindo moeda sem controle e derrubando seu valor. A inflação é o imposto mais perverso que existe, pois toma o dinheiro do povo muitas vezes sem seu conhecimento. O governo, para gastar, precisa aumentar impostos, emitir dívida, ou apelar para a inflação. O último método é o mais indireto, e por isso tão utilizado.

Por ignorância econômica, os consumidores acabam voltando sua revolta contra os empresários que aumentam preços, em vez de focar no verdadeiro culpado, o governo. O aumento dos juros é o resultado natural de uma política de inflação, lembrando que o juro é um preço de mercado, dependente da oferta e demanda. Mas novamente, a raiva é toda direcionada contra o órgão que reconhece esse aumento nos juros de mercado, como se a taxa de juros fosse um preço totalmente arbitrário, que pudesse ser definido pelo governo sem graves conseqüências econômicas. Dessa forma, poucos atacam as verdadeiras causas da inflação e a conseqüente elevação dos juros. O governo incha cada vez mais a máquina estatal, os gastos públicos batem recorde atrás de recorde, e a carga tributária já se encontra em patamar absurdo. Atacar o dragão da inflação somente com a política monetária, ignorando a política fiscal frouxa, é como usar uma bazuca para matar um mosquito. Não tem como evitar um grande estrago.

PS: O presidente americano George W. Bush disse, sem saber que era filmado, que Wall Street "ficou bêbado e agora está de ressaca", se referindo aos excessos cometidos no mercado financeiro americano. O presidente está certo. Ele apenas ignorou que foi justamente o governo, através do FED, que ofereceu bebida grátis para todos, através de um excesso de liquidez gerado por uma política monetária frouxa, que jogou a taxa de juros para 1% ao ano na era Greenspan. A ressaca será maior por conta disso, e caso o FED resolva garantir mais liquidez para evitar os ajustes necessários, o perigo é o resultado final ser uma cirrose!

3 comentários:

Bernardo Waechter Dayrell disse...

"... o juro é um preço de mercado, dependente da oferta e demanda. Mas novamente, a raiva é toda direcionada contra o órgão que reconhece esse aumento nos juros de mercado, como se a taxa de juros fosse um preço totalmente arbitrário, que pudesse ser definido pelo governo sem graves conseqüências econômicas".

Dúvida: Há a possibilidade de uma taxa de juros ser simplesmente definida pelo mercado num mecanismo semelhante ao que existe no câmbio livre?

André Barros Leal disse...

Bernardo,

Em um sistema de livre mercado, baseado no padrão ouro, como era antes da invenção do FED, as taxas de juros eram definidas por cada banco, seguindo as leis de mercado. Teoricamente isso seria possivel nos dias de hoje, porem os governos deveriam abrir mão de muitos controles e associações com a economia que existem.

ou seja: respondendo a sua pergunta, com base no descrito acima... é simplesmente impossível que as taxas de juros sejam definidas por leis de mercado, pois para isso os governos teriam que gastar apenas o que arrecadam, sem inflar a moeda de forma alguma.

Rodrigo,

Voce nao se sente mal qando vê esse governo aumentando gastos o tempo todo e sem se preocupar com a qualidade deles? Acho incrível que, com a fortuna gasta, nenhum serviço puplico fica mlhor nesse pais.

Edmilson disse...

É triste ver estas altas da taxa básica de juros. Eu era comerciante quando o governo Lula colocou a Selic em 26,5%, provocando uma crise de consumo para conter a inflação. Foi desesperador para nós pequenos comerciantes. Vi na época muitos "quebrarem". Um ano depois eu fechava as portas de minha loja.