sexta-feira, julho 25, 2008

Mentalidade Mercantilista



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Durante o reinado de Luís XIV, as finanças francesas ficaram sob o comando de Jean-Baptiste Colbert, um dos grandes defensores da doutrina mercantilista. Colbert acreditava que a chave para o sucesso era o superávit da balança comercial, com mais exportações que importações. Suas políticas incluíram o direcionamento de capital para empresas exportadoras, assim como medidas de substituição de importações, como tarifas protecionistas. O mercantilismo encara o comércio como um jogo de soma zero, onde para um ganhar o outro deve perder. É a lógica de guerra aplicada à economia. Adam Smith refutou a doutrina mercantilista em 1776, com seu livro clássico sobre a riqueza das nações. Infelizmente, vemos nas negociações em Doha que a mentalidade mercantilista ainda é predominante, prejudicando os consumidores do mundo todo.

Sempre tive dificuldade para entender porque chamam de “acordo de livre comércio” a negociação entre exércitos de burocratas e políticos de cada lado, assinando contratos com milhares de cláusulas. Não seria infinitamente mais simples retirar o governo da jogada e deixar o comércio realmente livre? A presença do governo nessas negociações politiza algo que deve ser apenas econômico. Acaba estimulando a organização de grupos de interesse, produtores que conseguem pressionar o governo para proteger seus mercados à custa dos consumidores. Se o governo de outro país cria barreiras para o comércio, prejudica seus consumidores e nossos produtores. Não há muito o que podemos fazer quanto a isto. Mas se o nosso próprio governo resolve “retaliar”, criando barreiras também, acaba prejudicando todos os consumidores brasileiros. A lógica parece ser a seguinte: se o outro resolve dar um tiro no próprio pé, então vamos dar um tiro no nosso próprio pé também!

Aqueles que acham saudável “proteger nossas indústrias” porque outros protegem sua agricultura, estão ignorando toda a lógica econômica. Exportamos para poder pagar pelas importações. Se, no limite, não tivéssemos mais capacidade de exportar nada, não poderíamos importar também. São dois lados da mesma moeda. Quem condena os subsídios agrícolas americanos e europeus, entende que protecionismo é ruim. Não faz sentido achar que protecionismo é ruim para os outros mas não para nós. Todos são consumidores, e o protecionismo beneficia apenas alguns produtores. Está na hora de proteger os consumidores.

Montaigne escreveu em seus Ensaios: "Os príncipes muito me dão quando nada me tiram, e fazem-me bem quando não me fazem mal; é tudo o que deles espero". Seria ótimo se o governo deixasse o comércio em paz, em vez de tentar “proteger” os brasileiros. Com as críticas de que as negociações em Doha não servirão para nada, um diplomata brasileiro teria questionado: “Então a gente está aqui para quê?” Boa pergunta. Aconselho o turismo. Os consumidores brasileiros agradecem. Já passou da hora de aposentar esta mentalidade mercantilista, que delega ao governo os cuidados do comércio.

11 comentários:

C. Mouro disse...

O problema é que (des)raciocinam com o dinheiro, como se esse fosse algo em si desejado.
Estranhamente acreditam que o dinheiro é um valor e não apenas um meio de se trocar valores.

O dinheiro funciona como uma mercadoria. Assim, em vez de se memorizar milhões de valores relativos, basta referenciar tudo a uma unica mercadoria e então fazer as conversões: se 1kg de carne = 5kg de feijão e 1kg de feijão = 2 kg de arroz => 1kg de carne = 10kg de arroz.
Se 1kg de arroz = 2kg de milho => 1kg de carne = 20kg de milho.

Se considerarmos o milho como referência universal, poderiamos trocar tudo por milho e através do milho adquirido na troca por nosso produto, poderiamos adquiri os demais dando parcelas do milho. Assim teríamos conseguido fracionar ao máximo os nossos produtos ao troca-los por milho.

Ocorre que como ninguém irá consumir esse milho todo, não há nem mesmo a necessidade dele existir fisicamente. Ou seja, se poderia fazer títulos ou cheques de milho. Tipo 0,1kg de milho, 1kg, 5kg e etc.. Contudo, se todos pudessem emitir tais cheques ou títulos sem ter milho algum, estaria de fato consumindo os bens e serviços alheios sem produzir qualquer bem ou serviço consumível.
Surge a idéia do lastro. Quem tem um produto qualquer emite uma quantidade de "cheques-milho" contra si correspondente ao valor de seu produto em milho. Assim, quando obtiver cheques-milho alheios poderá resgatar seus cheques-milho e zerar sua dívida.

Claro que tal controle com todos emitindo cheques-milho sem efetivamente ter trocado seu produto por milho(fisico) a fim de dar o milho na troca dos cheques contra si, seria demasiado dificil. Assim, um só emite os cheques-milho devendo ter lastro para restituir em milho ou bens outros oa cheques que emitiu contra si.

Enfim, o fato é que o milho, no caso, sendo uma mercadoria não totalmente consumível e sim apenas circulante, não precisa nem mesmo existir fisicamente em sua totalidade para o caso em questão. Ou seja, é uma mercadoria que apenas circula através de promessas de fornecimento e portanto sem necessidade de existir fisicamente, pois as "promesssas de fornecimento" ou "cheques-milho" jamais seriam cobrados ou descontados fisicamente. (Se todos passassem emitir cheques sem que estes fossem depositados ou descontados, estes circulariam indefinidamente sem a necessidade de fundos = criar dinheiro).

A conclusão é que dinheiro é uma mercadoria inexistente. Assim, em vez de milho, que é uma mercadoria existente, se inventa a mercadoria Dolar, Cruzeiro, Real, Peseta, Rublos e mais lá o nome que se desejar dar para um produto que não existe e ninguém jamais o verá fisicamente, mas apenas seu nome e as quantidades expressas nos titulos ou "cheques".

Ora, a grande merda é a confusão que se faz com isso.
Ou seja, uma mercadoria que não existe e por tal nada vale, é confundida como algo de valor intriseco, como se fosse riqueza. Mas não é. Um sujeito com estoque de mercadoria, qualquer uma, possui riqueza. Mas um sujeito com um grande estoque de titulos ou cheques pensa que possui riqueza, mas só possui o valor da materia fisica, o papel que possuir. Se apenas um numero num banco, não possui nada. Apenas vive da presunção de que todos aceitarão a mercadoria que não existe para apenas circula-la com base em presunção também da aceitação alheia.

É idiota um país vender muito, exportando, para meramente obter "cheques" alheios que não pretende descontar, mas entesourar. Quem faz isso é um perfeito imbecil. Mas há aqueles que ara vender emprestam seus próprios "cheques" apeans para "vender" em troca do que emprestou... Também idiota no úrtimo.

Contudo, essa imbecilidade nãotão imbecilidade quando se percebe que alguns pagam o consumo alheio que dará bom lucro os vendedores.
Assim acontece com os paises nesse jogo idiota que as massas caem.
Alguém do pais exportador que não quer importar estará pagando para outros consumirem. Na verdade isso é uma TRANSFERÊNCIA DE RENDA DE UNS PARA OUTROS DENTRO DO MESMO PAÍS.

Burro são apenas os que acreditam nessa falácia sem perceberem que são eles que pagam a conta. Como se tivessem fazendo doações para outros e estes comprando de seus vizinhos e dando a estes lucro através das doações. Assim, alguns deixam de consumir algo porque outros que produzem algo por eles não desejado por estes irão vender para outros que recebem dos primeiros para comprar dos segundos e dar-lhes lucro.

Não étão complicado de perceber. basta pensar e se descobrirá a canalhice desta falácia das mais estúpidas e de falha lógica mais dificil de perceber.

Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Melhorando a compreensão:

"Assim, alguns deixam de consumir algo porque outros que produzem algo por eles não desejado por estes irão vender para outros que recebem dos primeiros para comprar dos segundos e dar-lhes lucro."

Leia-se
Assim, alguns deixam de consumir algo porque outros que produzem muito de algo que os prmeiros não querem consumir na totalidade, irão vão vender para terceiros que foram subsidiados pelos primeiros, obtendo seus lucros indiretamente. Pois os primeiros sem perceber, através dos complexos mecanismos do mercado, deixaram de consumir ou de consumir mais porque "doaram" seus recursos para que terceiros comprassem dos segundo.

O lucro dos que produzem mais que o necessário internamente conseguem vender e lucrar através de subsidios ou acordos de cúpula para exportação.
Se tal lucro foi obtido artificalmente pela ingerência do Poder político no mercado, é certo que alguém deixou de lucrar e/ou alguém está pagando mais por aquilo que consome do que pagaria se o mecado fosse livre. SE PELO MENOS IMPORTAÇÕES - EXPORTAÇÕES FOSSEM LIVRES da ação corrupta dos políticose burrocratas salafrários e comissionados.

É bom lembrar:

"NA NATUREZA NADA SE PERDE E NADA SE CRIA, TUDO SE TRANSFORMA"

A econnomia é um "Cubo mágico" e burocratas imbecis mexendo nela se prendem a imediatismo que impossibilitam as devidas acomodações. É um "cubo magico" com milhares de quadriculos a serem acertados, caso se mexa nela. Se não mexe, ela é umabalançaque oscila mas se acerta naturalmente. Essas oscilações por vezes são dolorosas, mas mexer é diminuir a dor prolongando-a indefinidamente. Não mexer é dor maior por algum tempo apenas. Ou seja, melhor o remédio dolorido que cura do que a ferida que nunca cicatriza e pode ir para a gngrena.

C. Mouro

C. Mouro disse...

"irão vão vender" >>> irão vender.

"O lucro dos que produzem mais que o necessário internamente conseguem vender e lucrar através de subsidios ou acordos de cúpula para exportação."

>>> O lucro dos que produzem mais que o necessário internamente é conseguido através dos subsidios ou acordos de cúpula para exportação.

-Aliás, é realmente curioso chamarem estes acordos de "tratados de livre comércio" ...hehehe!
Nada há de livre nestes acordos. São conchavos. pô! Livre comercio tem que ser livre, quando açlguém está determinando o que pode e o que não pode, e as condições de tal, não há liberdade.
A palavra livre é mera safadeza, empulhação cretina. Depois um salafrário diz: "tá vendo no que dá o livre comércio?"

Abs
C. Mouro

bernardodayrell13 disse...

A despeito de um ex-professor meu de Mercado de capitais dizer sempre que para um país de terceiro mundo muito vale a balança favorável, vejo que não é bem assim. Das poucas coisas que conhecia de economia há tempos atrás, um paradigma se sobressaía: Venda mais e compre menos.
Hoje, depois de ler muitas coisas, entendo que a balança comercial não tem, necessariamente, nada a ver com a riqueza de um país. Vide os EUA que, apesar de ter uma das balanças mais desfavoráveis do mundo, mantém um padrão de riqueza nunca visto.

bernardodayrell13 disse...

Entretanto, resta uma questão: Os EUA possuem um déficit na balança comercial, este déficit é de certa forma suprido pelo efervescente mercado interno, e ainda temos um mercado mundial que cresce constantemente apesar de uns abalos de vez em quando, o que justifica a não "soma 0".
Por outro lado o que acontece com um país que importa mais do que exporta, tem um mercado interno, digamos, pouco efervescente, e o mercado internacional está se retraindo? Nesse caso hipotético, o que aconteceria com esse país hipotético?

C. Mouro disse...

Os EUA dão dolares em troca dos bens e serviços que consomem daqueles que querem apenas dolares que nunca ...hehehe!

Comprar mais do que vender só é possível dando a própria moeda para os outros entesourarem (cruzes!), obter emprestimo em moeda alheia para comprar ou através de crédito, o famoso "pindura".

Imaginemos o agricultor que adora vender sem nada comprar para consumo próprio. Assim, ele terá que entesourar os cheques e o dinheiro (mesma merda, só a diferença e que o dinheiro todos aceitam e cheques de terceiros raramente) acumulando créditos contra os outros que consomem as riquezas/valores reais que ele produz.

Ora, tal agricultor estúpido poderia ir vendendo fiado pelo resto de sua vida sem nunca cobrar dos fregueses. Isso seria a mesma coisa que receber sem gastar (entesourar). Pois apenas estaria acumulando créditos contra outros sem jamais realiza-los. ...hehehe!

Enquanto os outros usufruem dos produtos do tal agricultor, este não usufruiria de nada de ninguém.

Entre países apenas a exportação maior que a importação permite que alguns lucrem o que não lucrariam internamente, mantendo certos empregos, de fato. Mas tais empregos dividirão o produto existente pois o que produziram não resultou numa contrapartida externa (não acrescentou nada, apenas crédito entesourado no pais).

É como um "boa vida" cheio de dividas e um faminto com uma mala cheia de cheques sem fundos do tal "boa vida".
O faminto trabalha e não consome ou "boa vida" assina cheques e consome de tudo.

Dificil é saber num pais quem está bancando a parcela do lucro dos protegidos exportadores. O maior lucro dos produtores internos é o preço da menor concorrência, preço que o consumidor paga.
Muito melhor trocar bens e serviços sem acumular créitos: equilibrio na balança.

A coisa é complexa e vai até a questão da vantagem comparativa.

Blog do Adolfo disse...

Caro Rodrigo,

Muito bom post, compartilho do mesmo pensamento. Apenas um detalhe tecnico: DESDE que a taxa de cambio seja flexivel voce esta correto. O problema eh que varios governos querem tambem controlar a taxa de cambio. Com a taxa de cambio FIXA existe a necessidade de se gerar superavits comerciais para se evitar ataques especulativos.

Grande abraco,
Adolfo

Veríssimo disse...

Caro Constantino ,

Parabéns ,ótimo blog .

Quando você vai comentar sobre os candidatos a presidencia dos EUA?

Anônimo disse...

Ei Constie, você não vai comentar a intervenção estatal de US$ 300 bi do governo americano que foi aplaudida por ambos candidatos republicano e democrata?

Acho que os liberais defendem a não intervenção estatal quando o negócio está dando lucro, mas na hora do aperto eles querem socializar os prejuízos.

Anônimo disse...

Pra tentar tumultuar o debate, o desonesto lança premissas falsas na esperança que as pessoas engulam suas mentiras, e então com dedinho em riste, proclama suas conclusões emotivas dando o veredicto esquerdopata.
É que o que o tipo chama de “liberal” é obra de ficção. O “seu” conceito de liberal, é torto, porque afinal, esse anônimo é incapaz de apresentar um argumento sem oferecer alguma desonestidade ou falácia. Pra ele, só existe um liberal pela metade, e faz todo o sentido vir num blog liberal, pedir satisfações a um autor liberal, a respeito de alguma crise causada pela má atuação governamental.
É uma questão emocional, o sujeito olha no jornal as palavras: EUA, Dólares, Empréstimos, Lucros... Pronto, já fica todo assanhando! Pra ele, toda e qualquer questão econômica pode ser reduzida à pavorosa cultura do lucro. E a ação natural é vir encher o saco de gente que ele considera partidária dessa cultura do lucro.

C. Mouro disse...

Este ultimo anonimo continua poupandoo meu trabalho. Sua ajuda é de grande valor para mim que já não estou com tanta disposição. ...hehehe!

Continue estudando com dedicação, muita leitura, mas lembre-se:
Uma lavadeira com um prumo e uma colher de pedreiro nas mãos continuarásendo uma lavadeira, capaz apenas de fazer um amontoadode tijolos sujos, mas não uma parece.

"Com tijolose massa se faz uma parede, mas um amontoado de tijolos sujos não é uma parede." ...hehehe!

Muito bom, muito bom.

Abração do
C. Mouro

Valeu, meu camarada!