segunda-feira, março 26, 2007

Teoria e Prática


Rodrigo Constantino

“No revolution, no matter how justified, and no movement, no matter how popular, has ever succeeded without a political philosophy to guide it, to set its direction and goal.” (Ayn Rand)

Uma reação comum que vejo quando os pilares do liberalismo são apresentados é a aquiescência com toda a teoria, mas a discordância com a prática. Essas pessoas alegam que a teoria liberal faz muito sentido e é justa, mas que não seria possível colocá-la em prática, ainda mais em um país pobre e repleto de ignorantes como o nosso. Pretendo explicar a seguir porque considero esta postura errada e perigosa.

Em primeiro lugar, uma teoria racional deve ser praticável. Se a teoria estiver em confronto direto com a realidade, ela não é válida. Logo, não deveria existir esta dicotomia entre teoria e prática. O poeta Fernando Pessoa explicou bem isso: “Toda teoria deve ser feita para poder ser posta em prática, e toda a prática deve obedecer a uma teoria; só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria”. O poeta conclui: “Na vida superior a teoria e a prática completam-se; foram feitas uma para a outra”. Acredito que Stephen Case capturou bem a essência disso quando disse que “no final, uma visão sem a habilidade para executá-la é provavelmente uma alucinação”.

Portanto, uma teoria sólida deve, necessariamente, estar de acordo com a realidade, ser factível, executável. Isso não quer dizer que deva ser fácil colocá-la em prática. De forma alguma. Mas se estamos diante de uma boa teoria, de uma teoria verdadeira, então ela deve ser também praticável. O grande erro das teorias socialistas foi justamente este. Elas partiam de premissas falsas, de um conceito de homem que não existe de verdade, e assim jamais poderiam se concretizar de fato. A teoria criara Utopus, mas a realidade o jogou num Gulag. A idéia altruísta de que todos iriam acordar dispostos ao sacrifício dos próprios interesses pelo bem geral não encontra respaldo na natureza humana, levando à necessidade do uso de coerção, escravidão e terror para tentar criar o “novo homem”. Muitos conservadores cometem o mesmo erro, e defendem o capitalismo apenas como um meio mais eficiente e prático para o mesmo fim altruísta e coletivista. O capitalismo seria apenas o melhor servo para o tal “bem-geral”, ainda que isso signifique o sacrifício de indivíduos, tratados como simples meios. Não há como não falhar assim, partindo de uma teoria furada.

O pragmatismo virou uma espécie de religião, como se não fosse preciso uma teoria por trás das escolhas racionais dos homens. Segundo Ayn Rand, “uma maioria sem uma ideologia é uma massa indefesa, a ser tomada por qualquer um”. Ser prático não significa ignorar teorias. Pelo contrário, deveria ser justamente buscar incessantemente uma teoria que seja verdadeira e moralmente correta. Os Estados Unidos não foram criados na base do puro pragmatismo, tampouco do desejo aleatório da maioria, mas sim de sólidas teorias liberais, pegando desde Aristóteles até os “pais fundadores”, e passando por John Locke no caminho. A defesa da liberdade individual era o principal pilar sustentando a Revolução Americana. Uma maioria pode formar um exército poderoso, mas para onde este exército aponta seus canhões depende da teoria por trás dos seus membros. “Se um homem não sabe a que porto se dirige, nenhum vento lhe será favorável”, ensinou Sêneca. Os soviéticos resolveram apontar contra a propriedade privada e o individualismo, e acabaram no completo caos e na total miséria. Os americanos apontaram na direção do liberalismo, e prosperaram. A teoria que deu o norte desses povos fez toda a diferença do mundo.

Essa mensagem deveria ser mais bem absorvida por todos aqueles bem intencionados e insatisfeitos com os rumos do país, mas que menosprezam o campo das idéias e teorias, pedindo ações práticas. Concordo que ações imediatas são fundamentais, ainda mais pelo estado caótico em que a nação se encontra. Mas não se muda a direção do país sem alterar a mentalidade do povo. “Não há nada mais forte que uma idéia cuja hora chegou”, disse Victor Hugo. O Brasil precisa de reformas estruturais, de novas instituições, de menos burocracia e impostos. Mas nada disso será possível sem uma mudança da mentalidade do povo. É fantasia esperar que um político apareça por milagre e faça tudo isso, quando a mentalidade predominante no povo é anticapitalista, e todos esperam que o Estado resolva todos os problemas. Para a prática ser outra, a teoria precisa mudar.

Tem uma frase de Jan van de Snepscheut que considero muito espirituosa: “Na teoria, não existe diferença entre teoria e prática; mas na prática, existe”. Pode ser que sim. Mas a verdade é que não deveria existir esta diferença. Enquanto ela persistir, precisamos ou mudar a prática para ajustá-la à teoria correta, ou questionar as premissas da teoria adotada. E o fato é que no Brasil a prática sempre esteve bem distante da teoria liberal. Esta, que em diferentes graus foi testada com bastante sucesso mundo afora, nunca deu o ar de sua graça por aqui. O Brasil oscila entre o patrimonialismo, o mercantilismo e a social-democracia. Mas jamais abraçou realmente a teoria mais sólida e justa de todas: o liberalismo.

42 comentários:

Mario disse...

"Muitos conservadores cometem o mesmo erro, e defendem o capitalismo apenas como um meio mais eficiente e prático para o mesmo fim altruísta e coletivista. O capitalismo seria apenas o melhor servo para o tal “bem-geral”, ainda que isso signifique o sacrifício de indivíduos, tratados como simples meios. Não há como não falhar assim, partindo de uma teoria furada."

Constantino, de onde viria a prosperidade do capitalismo se não houver o bem geral? Por acaso é possível haver o seu tão defendido "sistema de trocas voluntárias" (no que concordo) e não houver com quem trocar? Desde quando e por que o capitalismo é um fim? Seria "O" fim se não houver consumidor. Portanto, o capitalismo é, sim, APENAS um meio para o bem geral.

De outro lado, você e eu admiramos o sistema capitalista norte-americano, a livre-iniciativa, o empreendedorismo. Entretanto, do ponto de vista da liberdade individual, a coisa não é nada do que você pensa. Veja um exemplo:

http://government-records.com/

É claro que você vai defender a liberdade de poder investigar a vida alheia, entretanto, será que você se sentiria à vontade ao ser investigado?

Vou tentar ser rápido: anos atrás uma amiga minha fez contato com alguém nos EEUU que ficou apaixonado por ela. Ele entrou num site como este e gastou um bocado de dinheiro (quanto mais aprofundada é a pesquisa paga-se mais). Pois bem. Ela descobriu os nomes, endereços e telefones de ex-namoradas dos tempos de colégio, multas de trânsito, pagamento atrasado de impostos, endereços residencias desde o nascimento do cara e até nomes dos cães que ele teve. Isto é liberdade? Como vê, nem tudo é um mar de rosas.

Outro caso: tenho um contato por lá, Bill, que tem um irmão, Ken, que teve um problema muito sério e comum: seu sócio aplicou um golpe e sumiu com o dinheiro (talvez esteja no Brasil hehe, o paraíso de bandidos). Isso aconteceu cerca de 7 anos atrás. Por causa dos impostos não pagos, Ken passou 3 anos na cadeia. Mesmo após sair, a polícia não dá tréguas: não permite que Ken arrume emprego e, muito menos, abrir algum negócio. O próprio Bill, que nada tem com a história, é, freqüentemente, convocado para depor sobre as atividades do irmão, apenas porque, no passado, tiveram um pequeno negócio juntos. Este é o paraíso da liberdade.

Mario disse...

Errata evidente: onde se lê "Ele entrou num site como este (...)", leia-se "Ela entrou num site como este (...)"

Onde se lê "Isso aconteceu cerca de 7 anos atrás.", leia-se "Isso aconteceu há cerca de 7 anos atrás."

Ricardo Froes disse...

Pior a emenda que o soneto, a frase estava certa e o cara resolveu errar. Para uns, a probabilidade de se dizer uma besteira aumenta na razão direta da prolixidade.

Às vezes, também para alguns, é necessária uma maior prática em interpretação de textos para que não se erre também na exegese.

Em suma: tem gente que precisa mesmo é tomar Simancol.

paulo roberto disse...

O capitalismo é fantástico porque os egoismos individuais contribuem para o desenvolvimento da sociedade.Chega-se ao bem comum indiretamente através dos interesses particulares.
É como na natureza,em que a luta pela sobrevivência ocasiona a evolução das espécies.

$ disse...

"O capitalismo é fantástico porque os egoismos individuais contribuem para o desenvolvimento da sociedade.Chega-se ao bem comum indiretamente através dos interesses particulares."

Quase isso, amigo. O "bem comum" não existe, apenas indivíduos existem.

O Capitalismo é um sistema fantástico pois permite que cada indivíduo atinja seu próprio bem, pelo próprio trabalho.

E, como você bem sabe, ao atinjir o próprio bem cada um acaba tornando mais fácil que outros também o façam.

Sei que no fundo é isso que você quis dizer, mas é sempre importante chamar a atenção ao fato de que "bem comum" é um conceito inválido.

iwbqk disse...

Eu não quis dizer bem comum no sentido socialista,ou seja,a socialização dos bens materiais.
Bem comum (talvez o termo seja inapropriado), existe no sentido em que é muito melhor viver numa sociedade desenvolvida,como por exemplo os EUA,do que em Angola.

Ricardo Froes disse...

Desculpe a pergunta, $, e não há ironia nem brincadeira nela: o que é que você entende por “bem comum”? Eu apenas peço uma definição, porque a única que conheço está no Houaiss, que diz que é uma “conquista social expressa em algo positivo de que todos podem usufruir”.

Sendo assim, o que Paulo disse é perfeito, qualquer coisa como um conhecimento de causa coletivo, adqüirido através de experiências individuais e formatado para o uso pessoal. Um Windows existencial.

$ disse...

Te devolvo a pergunta: o que é "conquista social"? Quem conquista coisas são indivíduos, "a sociedade" não é um ente real - é uma abstração.

Existe "o bem de todos" - significa que cada indivíduo, todos os indivíduos, são beneficiados por alguma coisa.

Não existe "o bem da sociedade" - uma amálgama em que uns se ferram para que outros se "beneficiem" mas que, pela lógica macabra de alguém, no fim é "bom para a sociedade como um todo".

Muitos, ou até todos, os indivíduos podem beneficiar de algo - mas o julgamento de "benefício" e "malefício" só faz sentido ao se tratar de indivíduos.

Rodrigo Constantino disse...

Concordo. Sociedade é ente abstrato. O que existem são indivíduos. Bem-geral só se for bem de todos os indivíduos.

Quem defende o capitalismo como um meio para o tal bem-geral acabará caindo nas garras dos coletivistas também. O capitalismo deve ser defendido porque é o único meio justo para a finalidade desejada, que é a liberdade individual, e não o tal bem-geral.

Rodrigo

Ricardo Froes disse...

Peraí, eu perguntei apenas para saber se há alguma outra definição de “bem comum”, e parece que há. Como frisei, sem ironia. Tampouco considerei sociedade como sendo algo não abstrato. Talvez até tenha me explicado mal, não sei.

Mas o que eu quis dizer é que esse conjunto de experiências individuais que o capitalismo proporciona podem se aglutinar em um conhecimento de uso coletivo ou um “bem comum”. Para não sair do Houaiss, o exemplo que ele cita é que “a justiça é um bem comum da coletividade”.

Há certas coisas que, por mais esforço que se faça, não se consegue individualizar, nem mesmo na mais pura anarquia. O direito individual está ligado ao direito do próximo e assim sucessivamente. Se não houver uma certa consciência coletiva nessa cadeia, é o caos. Isso é um bem comum.

paulo roberto disse...

Mas a economia também é um ente abstrato,porém se manifesta em atividades econômicas bem concretas,e por isso pode ser estudada como uma ciência.
Pensar em termos de entes abstratos não implica em reificá-los,como fazem os idealistas platônicos.

C. Mouro disse...

Vou meter minha colher...

Bem comum seria a idéia de TODOS estarem bem. Ou seja, se todos estão bem, o bem é algo comum a todos. Contudo, o fato de cada um estar bem, essa idéia de bem é subjetiva, cada um subjetivamnete bem.
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Quando alguém se refere a "bem comum" está afirmando uma idéia de bem objetivo generalizado, e para os coletivistas, o bem comum é a idéia de todos estarem +/- usufruindo de uma "amplitude de bem" semelhante, segundo aquilo que o coletivista considera bem objetivo.
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Ou seja, não existe "bem comum" objetivo, mas se cada um de todos sente-se bem, o bem é comum a todos.
Infelizmente a idéia de bem comum está relacionada ao coletivismo e sua idéia de "bem distribuído" segundo sua pretensão de objetividade.
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Ora, um sujeito economicamente bem pode estar mal de saúde e vice-versa, entre muitas outras considerações. Então esse "bem comum", se bem analisado, é algo fantasioso, é uma quimera, que os coletivistas usam para engabelar incautos. Dado que é efetivamente utópico se imaginar que todos podem estar bem em tudo, para que o bem seja comum a cada um o tempo todo. Não dá, eu imagino.
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Ou seja, "bem comum" objetivo é estado de justiça, ou estado de direito, radical, mas nisso podem haver descontentes que subjetivamnte se considerem em mal segundo outros parametros. Daí, eu prefiro defender a idéia de justiça do que a idéia de bem ou "bem comum", essa eu descarto.
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É difícil passar a idéia.... Apreciei as considerações do $, bem na linha do texto "O coletivismo".
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Abraços
C. Mouro

C. Mouro disse...

Ah! O Rodrigo Constantino foi supremo. Perfeito!

Abraços
C. Mouro

Ricardo Froes disse...

Mouro:

Antes de mais nada, obrigado pela visita.

Mas nessa história de “bens”, eu, pelo menos, tratei o termo no sentido de propriedade, não no sentido de oposição a mal. Não sei dos outros.

$ disse...

"esse conjunto de experiências individuais que o capitalismo proporciona podem se aglutinar em um conhecimento de uso coletivo ou um “bem comum”."

Eu entendo o que você está tentando expressar perfeitamente, só estou aplicando um pouco de rigor no uso dos conceitos. Eu diria que (parafraseando livremente):

O conjunto de experiências individuais que o capitalismo permite gera produtos que beneficiam todos os indivíduos - e esta é a única definição honesta de “bem comum”.

"Para não sair do Houaiss, o exemplo que ele cita é que “a justiça é um bem comum da coletividade”."

Eu diria que a justiça é um bem para todos os indivíduos de uma sociedade. Ou seja, ela beneficia todos individualmente e não o ente "coletividade", que é uma abstração e portanto incapaz de exercer ou se beneficiar de justiça.

Ricardo Froes disse...

Desculpe, mas estamos nos masturbando mutuamente. Será que eu tenho que repetir suas palavras, ipsis litteris, para definir o tal de “bem comum”? Falamos a mesma coisa por umas três vezes! Rigor tem limites.

Mas tem uma coisinha: se a justiça beneficia todos, como você disse, ela é um bem comum, muito embora possa ser aplicada – e o é, quase sempre – individualmente, sendo ou não a coletividade uma abstração.

paulo roberto disse...

"O Brasil precisa de reformas estruturais, de novas instituições, de menos burocracia e impostos. Mas nada disso será possível sem uma mudança da mentalidade do povo."
Este texto sugere que para um conjunto de individuos,que formam o ente abstrato sociedade,se desenvolva,é necessário que compartilhe uma ética e uma ideologia apropriadas.
Como essa mentalidade compartilhada se compatibiliza com o individualismo radical,defendida pelo liberalismo?Aliás,a própria pregação do liberalismo sugere que uma idéia precisa atingir uma certa massa crítica,para se tornar uma força social transformadora.
Precisa se tornar uma espécie de bem comum,ou não?

Caio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio disse...

Dizer que sociedade é ente abstrato é errar no beabá. Volte a seus livros de quando vc dava os primeiros passos na gramática e reveja a diferença entre substantivos coletivos e abstratos.

Fora que algo ser abstrato não o torna inexistente. Ignorância, por exemplo, é algo abstrato, mas está cheio de pessoas ignorantes por aí das quais se abstrai esse ente. E como está...

Cada uma!

Ricardo Froes disse...

Isso aqui virou uma discussão sobre semântica onde um não sabe o que o outro quer dizer com determinada palavra. Abstrato pode ser inexistente ou apenas não concreto. “Bem comum” então dá quatro combinações como opção. Será que dá para chegar a algum acordo?

helena disse...

Meu amigo Aurélio diz:

sociedade
[Do lat. societate.]
Substantivo feminino.

1.Agrupamento de seres que vivem em estado gregário:
sociedade humana;
sociedade de abelhas.

2.Conjunto de pessoas que vivem em certa faixa de tempo e de espaço, seguindo normas comuns, e que são unidas pelo sentimento de consciência do grupo; corpo social:
a sociedade medieval;
a sociedade moderna.

3.Grupo de indivíduos que vivem por vontade própria sob normas comuns; comunidade:
sociedade cristã;
sociedade de hippies.

4.Meio humano em que o indivíduo se encontra integrado:
A sociedade constitui-se de classes de diferentes níveis.

5.Relação entre pessoas; vida em grupo; participação, convivência, comunicação:
O homem precisa da sociedade dos seus semelhantes.

6.Conjunto de indivíduos que mantêm relações sociais e mundanas:
os prazeres da sociedade;
homem de sociedade.

7.Grupo de pessoas que se submetem a um regulamento a fim de exercer uma atividade comum ou defender interesses comuns; agremiação, centro, grêmio, associação:
Sociedade Brasileira de Autores Teatrais;
Sociedade Protetora dos Animais;
sociedade esportiva;
sociedade secreta.

8.A sede de tais sociedades; clube, grêmio:
Reunimo-nos aos sábados na sociedade.

9.Companhia de pessoas que se agrupam em instituições ou ordens religiosas; companhia.

10.Parceria, associação.

11.Jur. Contrato consensual pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam a reunir esforços ou recursos para a consecução dum fim comum.

12.Sociol. Corpo orgânico estruturado em todos os níveis da vida social, com base na reunião de indivíduos que vivem sob determinado sistema econômico de produção, distribuição e consumo, sob um dado regime político, e obedientes a normas, leis e instituições necessárias à reprodução da sociedade como um todo; coletividade.

$ disse...

Parece semântica mas é essencial. O artifício básico de todo coletivista (seja socialista ou de outra estirpe) é aplicar a coletividades (que são abstrações) as propriedades de indivíduos.

Passa a existir "o bem da sociedade", "a decisão da sociedade", a "conquista social", a "justiça social" e tantos outros anti-conceitos que vocês todos conhecem tão bem.

Mas "o bem da sociedade" pode exigir que você seja sacrificado. A "decisão da sociedade" pode divergir da sua decisão. A "conquista social" em geral é a conquista de um grupo sobre outro, que também faz parte da sociedade. E a "justiça social" é, em geral, uma puta injustiça contra alguns indivíduos.

O que escrevi não é um comentário sobre gramática nem tem o intuito de fazer picuinha. É só um alerta amigável para que se tome o cuidado de fechar as portas para a deturpação do que se escreve.

helena disse...

Esta discussão me lembrou uns versos do barroco Gregório de Mattos:

"O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,
Não se diga, que é parte, sendo todo"

Caio disse...

Nossa... dizer que a sociedade é uma abstração é de uma idiotice sem igual. Continuar dizendo isso depois que se lhe aponta o ÓBVIO erro é paralisia cerebral.

E não é uma questão de semântica. Foi dito acima, pelo $ e confirmado pelo Rodrigo, que sociedade não EXISTE, que não é um ente real porque é um ente ABSTRATO. Chamar isso de "questão de semântica" já não é nem idiotice e nem paralisia cerebral. É a total "vegetabilidade".

E não me digam que estou sendo desnecessariamente agressivo. É simplesmente absurdo um adulto se dedicar a essas questões e escrever sobre elas sem nem saber o que são.

Sociedade é um ente coletivo - portanto sem os atributos de um ente individual ou abstrato - que pressupõe a cooperação dos entes individuais que a compõem.

paulo roberto disse...

“Um sistema constitui-se de partes interdependentes entre si, que interagem e tranformam-se mutuamente, desse modo o sistema não será definível pela soma de suas partes, mas por uma propriedade que emerge deste seu funcionamento. O estudo em separado de cada parte do sistema não levará ao entendimento do todo, esta lógica se contrapõe ao método cartesiano analítico que postulava justamente ao contrário.
Nesta perspectiva o todo é mais do que a soma das partes. Da organização de um sistema nascem propriedades emergentes que podem retroagir sobre as partes. Por outro lado o todo é também menos que a soma das partes uma vez que tais propriedades emergentes possam também inibir determinadas qualidades das partes.” Wikipédia
Exemplos fantásticos de propriedades emergentes são a vida e a mente,resultantes da união de átomos formando organismos.
Uma questão interessante é se de um ajuntamento de indivíduos,formando uma sociedade,pode ser considerado como um sistema como acima descrito,do qual emergem propriedades que os indivíduos tomados isoladamente não possuem.
Parece-me que a “mão invisível do mercado” poderia ser uma dessas propriedades emergentes.

Tiago Motta disse...

Estou achando a discussão hilária.

Ricardo Froes disse...

Bom, eu nada falei sobre "o bem da sociedade", "a decisão da sociedade", a "conquista social" ou “a justiça social" nem tampouco acho que um “bem comum” tenha que, forçosamente, implicar nessas extensões todas. Mas abstrair sociedade e coletividade, apagar sua participação em qualquer que seja a vertente de um pensamento liberal é forçar uma barra para ignorar o mundo em volta. O egoísmo racional do capitalismo não passa nem perto desse tipo de raciocínio. Aliás, muito pelo contrário: ele é atento a todas as formas de coletividade para poder ser o crítico feroz que é, dos comportamentos comuns. Abstrair tudo isso é negar a vida, negar o mundo.

“No man is an island, entire of itself; every man is a piece of the continent, a part of the main. If a clod be washed away by the sea, Europe is the less, as well as if promontory were, as well as if a manor of thy friend’s or of thine own were. Any man’s death diminishes me, because I am involved in mankind; and therefore never send to know for whom the bell tolls; it tolls for thee”. (John Donne)

Ricardo Froes disse...

Então, Thiago, dê seu palpite sério para ver se melhora o nível.
Mostre-nos toda a sapiência e erudição que permite a você rir dos debatedores. Nós todos, os palhaços da sua gargalhada, clamamos pelo comparecimento da sua seriedade para nos dignificar. Enriqueça-nos com seu vocabulário, envolva-nos com a névoa do seu conhecimento e deleite-nos com seu espicilégio (suponho que tenha um...).

$ disse...

"Sociedade é um ente coletivo - portanto sem os atributos de um ente individual"

Com isso concordo, mas "sociedade" é um ente abstrato.

"que pressupõe a cooperação dos entes individuais que a compõem."

Com isso discordo completamente. Dizer que ela inclui as interações entre as partes que a compõe, OK. Dizer que pressupõe um tipo específico de interação... qualquer conjunto de seres racionais que interagem é uma sociedade - não importa se estão cooperando (para que fim? quem decide?) ou se matando mutuamente.

E é exatamente por incluir interações que "sociedade" é uma abstração - não é apenas o coletivo de "pessoa" mas também o que elas fazem, como se organizam, etc.

C. Mouro disse...

Essa discussão é como discutir sobre a cor mais bonita.
Esmiuçar tal questão fica demasiado longo. Não há "bem comum" objetivo, pois que a idéia de bem, seja material ou não, é subjetiva. E, tentar definir um "bem comum" material é tolice, é pretender estabelecer um minimo material para estar "materialmente bem" ...quanto é isso??? Ou então medir esse "materialmente bem" realivamnente, aventando a homogeneidade material como o "bem comum" material.
Isso é uma tolice. A menos que alguém se creia um deus para arbitrar o bem (por definição, deus está sempre certo).
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Voltando ao zero;
o que é o "bem comum"?
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Para um socialista seria uma população homogenea materialmente (excetuando os governantes, autoridades e agregados, claro).
Para um utópico sonhador (um tolo fazendo-se passar por "grande alma"), o "bem comum" seria algo um tanto fantasioso, seria uma sociedade idealizada segundo sua subjetividade(ih!), por exemplo o "comunismo". Para um maníaco religioso, o bem comum é seguir as recomendações divinas, sob a idéia de que deus quer o bem de todos.
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Se alguém adverte que o "bem comum" é apenas no sentido material, então há que se estabelecer qual nível material mínimo para alguém estar bem materialmente. Quem arbitrará isso? ...Bom, nesta questão os socialistas e "comunistas" se dão bem, pois não arbitram, alegando a homogeneidade material como esse "bem comum" e aquilo que produz esse "bem comum" é a realização da "justiça social". ...e nisso vai uma discussão sem fim.
Eu digo que não há "bem comum" objetivo, que isso é uma asneira. Os indivíduos são diferentes e a idéia de bem individual é subjetiva, lógico.
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Ou seja, "bem comum" é subjetivo, é julgado segundo a opinião de cada um.
O que seria "bem comum"?
As respostas vão divergir, sobretudo devido os julgamentos sobre mérito e meios. Uns dirão que atingir o "bem comum" pela força é injusto, e outros dirão que o uso da força para o benefío geral é justo. Difícil mesmo é perceber que se não há acordo sobre o "bem comum" é porque ele é subjetivo.
Assim, eu digo, outra vez, que não me interessa o "bem comum", mas sim a Justiça, o que é justo. Ou seja, eu não julgo o que é bom ou ruim para a convivência, para a sociedade(pif!) ou para todos os indivíduos que compõe o coletivo sociedade (realçando que sociedade não sente, não age, não pensa. É uma referência abstrata, é um ambiente).
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Seria o tal "capitalismo", a liberdade econômica que permite o progresso material generalizado?
Ou seja, a idéia de "bem comum" é um "fim supremo", um "objetivo redentor", assim, passa a justificar tudo que for feito em seu nome. Um socialista defenderá a hegemonia dos planejadores sobre a população, outros defenderão a liberdade econômica e outros defenderão a submissão à religião que, obedecida, levará todos para uma "vida eterna" gloriosa ao lado do "todo poderoso". Cada um com a pretensão de que o seu "bem comum" é bom para todos, sem perceber que outros têm outra visão sobre o que é bem comum.
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No fim das contas, a defesa de um "bem comum" objetivo será sempre uma justificação para os meios propostos para alcança-lo. Ou seja, havendo um "bem comum" objetivo, não há como argumentar contra os meios preconizados para alcança-lo se não com o argumento de que tais meios não o alcançarão. Ou seja, os fins justificarão os meios. Essa idéia de "bem comum" objetivo vai realmente de encontro à "justiça social". Pois tal idéia é exatamente a idéia de "bem comum" valendo-se da objetividade do conceito de justiça: o "bem comum" é justo!
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Claro que, por exemplo, se todos numa comunidade islamica concordam que os procedimentos determinados por um aiatolá conduzirão ao "bem comum", onde todos estarão objetivamente bem, não precisarão ser coagidos a seguir as recomendações religiosas. Afinal, se crêem sinceramnte que os conduzirá ao Paraíso, seguirão espontaneamente ou espontaneamente almejam ser forçados a seguir. Isso é justo, pois que surgido de um acordo. Mas se um discordar, não será justo obriga-lo a seguir.
Ora, se o Paraíso for o objetivo de todos, de forma que a unanimidade subjetiva faça-se objetiva, ninguém poderá dizer injustos os meios que a ele conduzirão, pois que um acordo livre. Mas, se considerarmos que alguém discorda desse "bem comum", ele já não será um bem comum a todos.
.
Por exemplo a Utopia de More, para ele, ela era o "bem comum", mas para mim não seria, pois que, independente de ser idiota, seria injusta. Ou seja, eu não posso dizer que algo é bom para todos se é injusto, a injustiça não pode ser boa. Afinal, justiça é um conceito objetivo (mesmo que eu, subjetivamente, não ache justo o acordo de José e João, para para os envolvidos é justo, e por tal se realiza espontaneamente. Fosse eu uma das partes e não se realizaria).
.
...desisto!

Abraços
C. Mouro

Ricardo Froes disse...

Mouro:

Eu acompanho.

Caio disse...

1. Espero que a Helena não quisesse dizer, ao reproduzir a definição do Aurélio, que "sociedade" não é um "substantivo coletivo", e sim um "substantivo feminino".

2. Refleti melhor e cheguei à conclusão que talvez seja mesmo uma "questão de semântica": os que ainda insistem nesse absurdo não sabem o que significam as palavras concreto e abstrato, individual e coletivo;

3. $, qdo vc discorda "completamente" do meu "que pressupõe a cooperação dos entes individuais que a compõem", saiba que vc está discordando de Mises http://www.mises.org/story/2072 , outro idiota que, como eu, pensava que sociedades existem ("Society is cooperation; it is community in action").

4. Quanto ao seu "mas 'sociedade' é um ente abstrato", reproduzo, de "The Trivium. The liberal arts of logic, grammar and rhetoric", página 74:

"A concrete term is one that represents realities as they actually are in the order of being. Examples are animal, fast, smooth, long, near, and warm.

An abstract term is one that represents either substance or accident mentally abstracted from concrete reality and regarded, for the sake of emphasis, as an object of thought; it is symbolized by an abstract substnative. Examples are animality, speed, smoothness, length, nearness, and warmth."

Página 23:

Abstract, or intellectual, knowledge is clear although less vivid than concrete or sense of knowledge. For example, circles and squares of various sizes can be perceived by the senses and can, consequently, be perceived by a pony as well as by a man...

Only a human being (menos o Rodrigo, o $, etc...) however, can derive from these various circles and squares the definition of a circle and of a square. A person can also know by abstraction the porperties of these figures.

Página 75:

A collective term is one that can be applied only toa group as a group but not to the memvers of the group taken singly. Examples are army, jury, cre, group, senate, family, team, flock, swarm and herd. (jane can be a member of the jury, but she cannot be a jury). ...

A distributive term is one that can be applied to individual members of a group taken singly. For example, man is applicable both toe very individual man and to the species [no sentido filosófico, não biológico] man.

5. O foda é vcs, auto-intitulados "defensores da Razão", terem de engolir que acabaram de receber uma aula não de mim, mas de uma freirinha nascida no século XIX. Sister Miriam Joseph.

You're a bunch of naughty kids. Vão ajoelhar no milho e rezar 50 Ave Marias.

José Antonio disse...

Alguns deixam de considerar a existência dos INSTINTOS humanos de socialização ou identificação, aqueles que foram chamados por teóricos como Freud de "eróticos", por tenderem a preservar e unir as pessoas sustentando uma maioria, ao contrário daqueles que tendem a destruir, agressivos.

Já chegou-se até a supor que a tendência a se unir, a se socializar, que se observa desde a família, escola, grupos de amigos etc., biologicamente deriva do próprio caráter multicelular dos animais gregários. É uma extensão dele, como organelas trabalhando mutuamente a fim de formar células, células formando tecidos, tecidos formando órgãos...

Quando grandes gênios dedicaram suas vidas para fazer estudos, descobrir coisas novas como o avião, a cura para doenças mortais, estudos de anatomia humana, a física ou investigar o comportamento humano, eles não estavam meramente satisfazendo os seus egos. Estavam tentando também deixar algo concreto para que seus contemporâneos e futuras gerações pudessem usufruir e lembrar o nome de seu criador. Alguns atingiram a "imortalidade" devido à importância e profundidade de suas mensagens ou inventos, exatamente como desejavam em vida. Outros como Santos Dumont chegaram até a se suicidarem após ver o fim dado ao seus trabalhos. É o trabalho em prol de algo que vai além da esfera privada.

De pouca serventia seria se, por exemplo, o Rodrigo Constantino lesse seus textos todos os dias, pensasse coisas novas todos os dias, e não compartilhasse com outros em um site como este, ou em livros como os que ele lançou. Ao contrário, quando ele compartilha suas idéias, torna-se útil para a sociedade, sobreviverá, graças ao que disse, mesmo após deixar esta vida.

E temos muitos exemplos de personalidades que contribuíram com a "evolução espiritual"* da humanidade: Sócrates, Platão, Aristóteles, Lutero, alguns da Renascença, outros da Ilustração, Freud, Einstein, etc. etc. etc.

(*)- Com o mesmo sentido de Einstein em "Filofia e Religião"

Cordialmente,
José Antonio

José Antonio disse...

Antes de "tipos" como o Mouro me chamarem de "incauto", "coletivista", "socialista" ou coisa assim (mesmo nosso ponto de vista sendo comum em muitas questões), lembro que "chega-se ao bem comum indiretamente através dos interesses particulares", como alguém disse há pouco.

É inegável que em muitos casos, o trabalho verdadeiramente comprometido em prol dos outros (não aquelas hipocrisias que muitas vezes vemos), surge como CONSEQÜÊNCIA do desenvolvimento da pessoa (que presta a ajuda) em diversos níveis: da educação, do auto-conhecimento, do amor a si próprio, da conquista de suas metas etc.

Não é difícil encontrarmos em países desenvolvidos, pessoas formadas, com bons empregos, bom nível cultural, que, tendo conquistado tudo isso, terminam voluntariamente se dedicando aos pobres e necessitados. Alguns, como vi há pouco tempo um norueguês, chegam a abandonar o que tinham para manter projetos sociais em países como o Brasil (no caso que citei do norueguês, ele tem um projeto social lá em Salvador). É quando a vida enclausurada no "castelo" se torna monótona.

Ninguém deve ser obrigado a tirar do seu "suado" salário para ajudar outrem. Esta ação, se tiver que ocorrer, deve ser espontânea. Finalmente, isto só é concebível dentro de uma perspectiva de liberdade.

Uma vez mais,
José Antonio

helena disse...

1. Espero que a Helena não quisesse dizer, ao reproduzir a definição do Aurélio, que "sociedade" não é um "substantivo coletivo", e sim um "substantivo feminino".

Caio,

uma coisa não exclui a outra. Um substantivo coletivo pode ser feminino ou masculino quanto ao gênero. Povo, por exemplo, é coletivo, mas também masculino.

Até,
Helena

$ disse...

caio,

Agora vai lá e traz para mim três "fast", dois "smooth", um "long" e um "near" meia dúzia de "warm" e põe na minha mesa.

Afinal, são entes concretos, para você. Características, como as listadas acima, são conceitos identificados a partir da percepção e diferenciação entre coisas, estas sim com existência concreta.

Existem carros, existem guepardos, existem corredores olímpicos. Mas não existe "rápido" nem "velocidade", exceto como abstração.

Mas achei linda sua epistemologia de segunda mão. É sempre bom saber o nível de seu interlocutor.

Mouro,

Gostei de sua identificação de que qualquer conceito de "bem comum" conflita com o conceito - este sim objetivo - de justiça.

Caio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Caio disse...

"Agora vai lá e traz para mim três "fast", dois "smooth", um "long" e um "near" meia dúzia de "warm" e põe na minha mesa."

$, vc está confundindo substancialidade (de substância, a 1ª das categorais de Aristóteles) com concretude. É-se rápido no mundo concreto. Rapidez, no entanto, é uma abstração do acidente "rápído".

E isso não é epistemologia (nem de segunda mão, anta). É ontologia.

Que nível...

C. Mouro disse...

Carleial,
perfeita sua percepção do eu escrevi.
Efetivamente a idéia de "bem comum" irá tender a se sobrepor à idéia de justiça. Isso é uma velha tese minha, a de que a bondade destrói a honestidade. E pode-se bem conceber a vontade de "bem comum" decorrente da bondade, mais emocional que racional, e por tal isenta de reflexão racional sobre justiça. (+/- bondade>>emoção; justiça>>razão)... Dá uma boa tese.
.
É uma reflexão longa, mas é fácil.
A bondade como máximo valor moral, tende a louvar a tolerância e a generosidade, pois tal atitude a ostenta, algo assim: "que virtude há em amar os amigos? até os maus o fazem. Mas amar os maus é que demonstra a virtude".
Ora, tolerância e generosidade nada têm em comum com justiça, com decisão justa. Ou seja, ao ser tolerante ou genoros não se está sendo justo.... e por aí vai uma saborosa reflexão.
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Enfim, o bem nem sempre é resultado justo, mas o justo sempre será um bem objetivo.
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Dá uma saborosa "viagem"....
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Abraços
C. Mouro
Isso acaba exatamente

$ disse...

caio,

Acho que estive usando o conceito "concreto" de maneira diferente da sua e, possivelmente, fora de seu significado clássico.

Com certeza "substancialidade" descreve melhor o que eu estava pensando. Valeu a correção e desculpe o mal entendido.

Caio disse...

òtimo. Agora, $, repense a questão da sociedade, uma vez que ela não pode ser mais para vc um abstração.

$ disse...

Não muda nada. A sociedade continua sendo um ente incapaz de pensar, julgar, decidir, ser beneficiada ou prejudicada.

Ela não é um "existente", ou seja, algo concreto e substancial, não é uma "característica ou propriedade de um existente" ou seja, algo concreto embora não substancial.

"Sociedade", vista como um conjunto de indivíduos e a maneira como se organizam e interagem, é sim um ente abstrato pois só existe como agrupamento mental de um grupo de existentes, ações e princípios (estes últimos abstratos também).