quarta-feira, janeiro 13, 2010

A Necessidade de Controle



Rodrigo Constantino

"As mudanças climáticas são fenômenos naturais contra os quais o homem pouco pode fazer no seu atual estágio de conhecimento, além de entender melhor a sua dinâmica e se adaptar adequadamente a elas." (Geraldo Luís Lino, geólogo e autor do livro “A Fraude do Aquecimento Global”)

Por que tantas pessoas seguem as mais idiotas superstições? Por exemplo: por que alguém insiste em dar aquelas três batidinhas na madeira quando pretende isolar um pensamento ruim? Por que alguém anda com um pé de coelho na bolsa? Por que alguém só entra no avião com o pé direito? Por que ainda tem gente que recusa sentar-se à mesa com treze pessoas no total? Por trás de todas essas medidas tolas, jaz um desejo demasiado humano de controlar o incontrolável: nosso destino.

Enquanto essas superstições ficarem restritas aos exemplos bobos do cotidiano, o efeito na vida do supersticioso não será dos piores. Ele terá a sensação de que pode controlar eventos exógenos, ainda que isso seja falso. Mas sua vida seguirá sem maiores problemas. Claro que ninguém vai morrer porque treze pessoas sentaram juntas na mesa. Mas tudo que o supersticioso perderá nesse caso é uma agradável refeição. Lógico que o avião não vai cair porque o supersticioso entrou nele com o pé “errado”, mas o máximo que ele irá sofrer é um vôo angustiante até o pouso seguro.

O problema começa mesmo quando essa necessidade de controle extrapola para as áreas mais importantes de nossas vidas. Por exemplo, quando muitas pessoas passam a ignorar a importância de uma ordem espontânea na economia, delegando a um aparato central o controle dos principais fatores econômicos. É difícil admitir que um fenômeno como a economia seja complexo demais para que qualquer grupo seleto de “especialistas” possa compreendê-lo em sua totalidade. Mas essa é a realidade, e ignorá-la é cair na falácia que Hayek chamou de “pretensão do conhecimento”. Tecnocratas com modelos econométricos complexos achando que podem controlar a economia de cima para baixo, eis a receita certa do fracasso.

Como definir o preço “justo” do trigo, por exemplo? Ora, são infinitas variáveis exercendo influência sobre ele, e ninguém seria clarividente o suficiente para poder determinar esse preço. Apenas o livre mercado, com suas trocas voluntárias, pode executar tal função. Mas nesse caso é preciso assumir que ninguém tem o controle sobre os preços dos diversos produtos que consumimos. Isso pode não agradar muito aquelas pessoas mais necessitadas dessa ilusão do controle, como se um decreto de uma cúpula de “sábios” pudesse simplesmente resolver o problema econômico da alocação eficiente de recursos escassos.

Análogo ao problema econômico está a questão ambiental. O clima é um fenômeno complexo também, com infinitas variáveis exercendo impacto no seu resultado final. Mas reconhecer isso exige certa humildade. A arrogância humana costuma preferir colocar o homem como grande responsável por tudo de importante que ocorre no planeta. O clima da Terra vive grandes ciclos desde sempre, com suas eras glaciais e seus ótimos climáticos – a Groelândia recebeu esse nome dos vikings porque era a Terra Verde -, mas o homem escolheu acreditar que ele é o maior agente das mudanças climáticas*. O homem poderá destruir o planeta com seu carro!

O apocalipse iminente sempre vendeu bem, desde a Bíblia. Soma-se a isso o controle humano sobre o fim do mundo, e tem-se a receita certa para uma nova seita. O caos está próximo, o planeta vai derreter (em vários lugares congelar, ao que parece), e a salvação está em nossas mãos. Se cada um pedalar para o trabalho em vez de dirigir carros, e comer menos carne para reduzir a quantidade de vacas e, por tabela, sua flatulência assassina, o planeta poderá ser salvo. O clima deixou de ser um fenômeno complexo. Agora sabemos: são os homens que podem controlá-lo! Amém.

E não se esqueça: além de andar apenas de bicicleta e evitar a carne, bata três vezes na madeira, coloque um pé de coelho na bolsa e ainda cruze os dedos. Todo esforço é louvável nessa cruzada pelo controle do clima. A vida de nossos filhos depende disso.

* Na verdade, não há muita novidade aqui. Povos primitivos costumavam pedir ajuda aos deuses através da dança da chuva, acreditando que dessa maneira teriam melhores colheitas. Os incas chegavam a sacrificar crianças com o mesmo objetivo. A diferença é que Al Gore hoje dança com o dinheiro dos outros, retirado através dos impostos. Trata-se de uma dança muito mais cara. Já o sacrifício de vidas continua, de todos os miseráveis que têm o progresso negado pelas medidas ambientalistas.

14 comentários:

hugofpontes disse...

Ótimo, Rodrigo. A coisa mais simples é constatar a arrogância em meio a isso tudo, como você exemplificou. É uma bizarrice. É uma vergonha.

fejuncor disse...

Além de não ser verdade muitas nem superstição são, mas conjectura. A tua sensatez de sempre separa as superstições do âmbito privado, da vida descontraída de cada um (pouco delicia o ritual de pular as 7 ondas na virada?) daquelas que se autonomizam em formas coercitivas.

Eis o ponto. Se um homem demonstra que não existe no Universo um lugar onde possa haver um "céu", um "paraíso", que diferença faz se ele frequentava um igreja aos domingos com a esposa? Se Darwin descobriu algo, que diferença faz se levou seus filhos ao batismo? Muda a evolução? Confesso que sou cético, não por opção, mas de nascença, mesmo sendo de uma família religiosa nunca consegui encontrar conforto ou explicações para as minhas dúvidas na religião, embora tenha tentado. Agora não teria problema – e provavelmente isso vai acontecer – em casar na Igreja. A sabedoria estará em manter a coerência, o olhar crítico, distinguir as coisas. Não deixar de repreender e emitir as críticas que devem ser feitas ao obscurantismo inerente a esse lado da nossa cultura. Isso é muito importante, porque não são poucos os que ainda hoje não conseguem essa separação; daquilo que meramente deve ser visto como um costume ou uma crendicesinha inofensiva, da realidade.

Eu particularmente vejo essa sede por controle, manifestada no teísmo por exemplo (no teísmo político do Deus Estado tmb), como uma patologia.

fejuncor disse...

Tem gente que até defende que a superstição é socializadora, e que portanto não impede o desenvolvimento humano. Não coaduno com esse "meio campo". As superstições postergaram inúmeras experiências que vieram gerar avanços para a nossa civilização. E continuam atrapalhando. Uma das tarefas mais difíceis da sociologia é identificar e isolar superstições porque enquanto não devidamente desmascaradas elas se parecem com hábitos saudáveis.

samuel disse...

Aquecimento global é a nova bandeira da INTERNACIONAL SOCIALISTA. O propalado FUNDO FINANCEIRO, que está sendo criado, vai servir para financiar eleições de governos socialistas, interferirem na livre escolha das populações nacionais, como, aliás, a INTERNACIONAL SOCIALISTA tem feito, com poucos fundos, desde o após guerra. O clima? Isto tudo é apenas pretexto. O objetivo é poder...
Chávez, Obama, Lula, George Soros e outros, o que todos eles tem em comum? São socialistas. George Soros, além de socialista, almeja gerir o fabuloso fundo a ser criado, a favor da ... humanidade? Qualquer montante que for agregado a esse fundo, é uma derrota para a liberdade no planeta. Uma causa boa... com resultados maléficos. Ë como se costuma encobrir as más intenções.

Lucas disse...

Rodrigo, a respeito do tema Aquecimento Global sugiro assistirem aos videos abaixo do programa Canal Livre veiculado na Band domingo passado. Interessante a postura do meteorologista Luiz Carlos Molion com pós-doutorado na área e 40 anos de experiência. Ele detona todo argumento falacioso em torno do tema que, diga-se de passagem, é a maior mentira desse novo século.

http://videos.band.com.br/v_46320_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_1.htm

http://videos.band.com.br/v_46321_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_2.htm

http://videos.band.com.br/v_46322_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_3.htm

http://videos.band.com.br/v_46324_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_4.htm

http://videos.band.com.br/v_46325_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_5.htm

http://videos.band.com.br/v_46332_os_fatos_e_mitos_da_mudanca_climatica__parte_6.htm

Bruno S disse...

Engraçado... "Mudanças climáticas" é tanto arma dos "comunistas" quanto dos "capitalistas", depende de quem quer se esquivar de responsabilidades.

Dizer que é um fenômeno complexo para depois negar qualquer 'acusação' é muito... estranho.

E daí que os modelos e as previsões tem se confirmado? É tudo complexo demais gente!

Ingenuidade também é achar que o homem não é capaz de mudar a natureza a sua volta, com cada vez mais poder de alcance. E "ingenuidade" muitas vezes só está presente para esconder outros interesses, como tiranias, inclusive.

Sabe o que parece religião? O maniqueismo "Capitalismo vs. Comunismo", que fede a guerra fria. Essas "duas forças primárias que se enfrentam desde tempos imemoriáveis, amém!"

João Bosco disse...

Rodrigo,

KKKKKKKKKKK...entra ano, sai ano, e vc continua o mesmo sofista hilário - baluarte do pensamento econômico caduco dos primórdios do século 20.
Isso aqui é a própria festa da naftalina onde as viúvas de Hayek tentam sodomizar as viúvas de Marx.

Sua claque secundarista há de perceber, um dia, que seus argumentos sobre a complexidade são inócuos porque servem tanto para os ambientalistas, quanto para os antiambientalistas.

Ao tentar tratar o clima e a economia como ciências ocultas vc deve estar tentando instaurar uma nova era medieval do pensamento para impor seus dogmas anarco-capitalistas como verdades incontestes. A INGENUIDADE dos leitores deve ter algum limite!

Tão idiota quanto CRER que o homem pode influenciar o clima com suas emissões de carbono é CRER que ele NÃO pode influenciar o clima com suas emissões de carbono. Há entretanto, um detalhe lógico que desfavorece a sua linha de raciocínio: Quando ignoramos um fenômeno, é mais prudente agir preventivamente porque não precisaremos lidar com a eventualidade de uma reação adversa. E é justamente aí que os ambientalistas tentam pregar a inação como medida plausível. Os desenvolvimentistas é que devem agarrar-se à tese do conhecimento científico como elemento otimizador dos processos produtivos para defender o crescimento econômico.

Você, diante de uma substância complexa, cuja composição vc desconhece, certamente não irá ingeri-la. PODE SER VENENO!

O campo de batalha REAL, o VERDADEIRO desafio do pensamento científico está justamente no âmbito da complexidade. Em identificar quais são as variáveis relevantes e descobrir quais modelos econométricos – se houver algum –, aproximam melhor os fenômenos observados. E isso meu caro, está muito além da escola austríaca. Eu também gostaria que a solução fosse simples como vc quer fazer o leitor acreditar. Que a simples livre interação dos agentes do mercado pode alocar os recursos de maneira ótima em TODOS os casos.

Ocorre que a atmosfera do planeta e as condições climáticas vinculadas são EXTERNALIDADES GLOBAIS e não há, ainda, instrumentos financeiros entre os agentes econômicos que permitam precificar o uso destes recursos. É DISTO QUE SE TRATA O PROBLEMA.ENTENDEU???

Se não, nem será preciso desenhar, apenas releia a citação sobre mudanças climáticas no caput do seu artigo: “(...)entender melhor a sua dinâmica(sic) e se adaptar adequadamente a elas.”

Excluído daí o erro de concordância, resta uma idéia muito boa que aponta para o centro relevante da discussão: descobrir o que o homem pode fazer para adaptar-se às mudanças climáticas. E é claro que lavar as mãos com o detergente da ignorância não é uma solução.

Rogério PC disse...

Rodrigo, o seu argumento volta-se contra si próprio. Se o clima é tão complexo a ponto de ser impossível afirmar que o impacto do ser humano é que está causando o aquecimento global então também é impossível afirmar que o aquecimento global não é causado pelo fator humano, concorda?

Extrapolando seu argumento, nem sequer podemos afirmar com certeza que está acontecendo um aquecimento global (independente das causas) nem que não está acontecendo um aquecimento global.

Seus textos sempre primam pela coesão lógica em defesa do seu ponto de vista, mas desta a vez a lógica te traiu um pouco. Apenas um pouco, pois ainda assim te dá uma boa base, mas você precisa mudar a argumentação. Em vez de causas humanas x causas naturais para explicar o aquecimento global (supondo que este realmente exista), você deve partir para o princípio da precaução x desperdício de recursos que poderiam estar servindo ao ser humano.

Outra coisa: na sua argumentação você acaba mirando em dois alvos que são contraditórios. Ora você defende que não está ocorrendo um aquecimento global, usando como prova as nevascas recordes em vários pontos do planeta, ora você defende a ideia que o aquecimento global é uma fenômeno natural não causado pelo fator humano e cíclico, visto que já ocorreu em outras eras, usando como prova o nome da Groelândia, a terra do verde. Veja, se você defende que o aquecimento global é causado por causas naturais, então você está aceitando que realmente está acontecendo um aquecimento global. E da forma como você coloca nos seus textos fica parecendo que você está meio perdido, atirando para todo lado, o que só enfraquece sua credibilidade e sua força de convencimento. Acho que se você sistematizar melhor, deixando bem claro que são duas vertentes, ambas possíveis e que nenhuma delas podem ser descartadas, você ganhará força na sua argumentação.

samuel disse...

Rodrigo,
os Smith Smithson mudaram de nome. Agora se chamam Joao Bosco (?) e Rogerio PC (partido comunista?): estão perfazendo a mesma função a de embralhar sua linha de raciocínio que é sempre límpida, clara, concisa, lógica.

Rogério PC disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rogério PC disse...

Samuel,

Concordo contigo. O Rodrigo tem uma linha de raciocínio límpida, clara, concisa e lógica. Por isso que gosto de ler o blog dele. Essas qualidades são muito raras e difícil de encontrar, mas desta vez ele se perdeu um pouco. Mantenho minha crítica, que julgo construtiva, a esse post do Rodrigo. E se o faço é apenas para auxiliá-lo a melhorar cada vez mais e com isso ganhar maior poder de argumentação. Se ele aproveitará ou não minhas sugestões aí é só com ele mesmo.

Mas Samuel, por favor, não ligue o partido comunista ao meu nick. PC são apenas as iniciais dos meus dois sobrenomes. Sou apartidário, mas se for para escolher um partido, eu fico com o PSDB, que é muito ruim também, mas acho que é o menos pior.

Aprendiz disse...

As pessoas que argumentam segundo o "princípio da precaução", em relação ao CO2, não fizeram uma pré-análise do caso.

1. Não é inócuo, ou quase inócuo, seguir o que foi proposto para combater esse "mal". Seria quase inócuo, por exemplo, pintar grande parte das construções de branco, e segundo uma pesquisa publicada, seria eficaz. Mas o que se propõe, pode colocar o mundo numa espiral de miséria e totalitarismo.

2. O CO2 não é uma "substância misteriosa" que "talvez seja veneno". É uma gás natural, essencial à vida, do qual o homem (todas as atividades produtivas humanas, inclusive queimar carvão, petróleo e gás) produz só cerca de 3%. Sua proporção, na atmosfera, variou amplamente, durante toda a história da terra, sem jamais ter causado nenhuma tragédia. Estima-se que o CO2 cause 3,6% do "efeito estufa" (um nome bastante ruim, visto que toda a radiação absorvida pelo CO2 é reemitada em frequncias mais baixas, e cerca de metade dela, diretamente para o espaço, e grande parte do resto, também é refletida logo para o espaço, sem chegar a causar aumento de tempertura). Mas voltando às contas: Num cálculo BURRO, poderiamos supor que se o homem diminuisse pela metade sua produção de CO2 (o que, com o atual nível tecnológico, causaria uma miséria sem precedentes), haveria uma diminuição de APROXIMADAMENTE 3% x 3,6% = 0,1%. Mas na verdade, é muito menos que isso. Uma pequena quantidade de CO2, bem menor do que aquela que existe NATURALMENTE, já absorveria tanta radiação NAS EXTREITAS FREQUENCIAS ONDE O CO2 ABSORVE, que todo CO2 extra absorve bem menos. Uma diminuição pela metade da produção humana de CO2 (Kyoto propõe uma diminuição muito mais discreta), afetaria o efeito estufa não na ordem dos mílésimo, mas na ordem dos centésimos mílésimos, ou milionésimos. Como muitos críticos já vem dizendo há anos, aplicar as propostas dos aquecimentistas, não nos tornaria mais frescos. Mas, nos tornaria, com certeza, miseráveis. E escravos.

Aprendiz disse...

Corrigindo

Leia-se:

... estreitas raias de freqüência...

às vezes publico meus comentários sem fazer nenhuma revisão. Desculpem a falha.

Aprendiz disse...

Outra correção:

Diminuindo pela metade nossa produção de CO2 (naquele cálculo burro), teríamos uma diminuição de 1,5% x 3,6% = 0,05%.