domingo, fevereiro 11, 2007

O Sermão da Montanha



Rodrigo Constantino

“A moralidade humana, até mesmo a mais elevada e substancial, não é de modo algum dependente da religião, ou necessariamente vinculada a ela.” (Humboldt)

Sei que o tema religião desperta fortes paixões que costumam suprimir a razão – o que posso atestar pela reação de muitos aos meus recentes artigos. Mas não consigo compreender porque não devemos questionar coisas sobre este assunto, se ele gera tanto impacto em nossas vidas. Devemos aceitar sem questionar? Devemos tratar como sagrada as crenças alheias mesmo sem acreditar nelas? Por que o mesmo indivíduo que reconhece objetivamente que Maomé foi humano e guerreiro, não o reconhecendo como profeta de Alá, não aceita que façam perguntas sobre Jesus Cristo? Apenas porque aprendeu a repetir a vida toda que Jesus era Deus em pessoa? E duvidar disso, ou questionar, é pecado? Por quê?

Jesus nunca escreveu nada, assim como Maomé. Outros homens escreveram sobre eles, e isso gerou o livro sagrado dos muçulmanos e o dos cristãos. Como encarar o que ali está escrito, por homens comuns? Devemos tomar literalmente o que foi supostamente dito, como fazem os fundamentalistas? Afinal, trata-se ou não da “revelação” divina? Mas se for a Verdade revelada por palavras ambíguas, que não devem ser analisadas ao pé da letra, como interpretá-la então, já que não há um critério objetivo disponível? Qual seria o objetivo de Deus em evitar falar de forma objetiva? Gerar confusão? Criar grupos que interpretam a mensagem de forma diferente e brigam entre si? Se aquelas palavras escritas por homens e atribuídas a Jesus devem ser filtradas por cada um, então estamos diante de algo bastante subjetivo, e no final das contas será a própria razão humana que irá separar o joio do trigo, que irá determinar o que é para ser seguido e o que é para ser descartado. Logo, estaríamos dependendo da própria capacidade racional humana para entender a mensagem. Ou seja, o homem mesmo é capaz de ler supostas “revelações” e descartar algumas partes, ficando com outras. Isso me parece algo bem humano, e não divino.

Se não for assim, como devemos entender o que teria sido supostamente dito por Jesus no famoso Sermão da Montanha? Vejamos alguns trechos, como este: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo o que olhar uma mulher para cobiçá-la, já adulterou com ela no seu coração. Se o teu olho direito te escandaliza, arranca-o e lança-o fora de ti; porque é melhor que se perca um de teus membros do que todo o teu corpo ser lançado no inferno”. Alguém vive assim? Devemos seguir essa “verdade” sem questionamento?

Ou então: “Ouviste o que foi dito: olho por olho e dente por dente. Eu, porém, te digo que não resistas ao mau; mas se alguém te bater na tua face direita, oferece-lhe também a outra”. O que devemos tirar dessa lição “divina”? Que a lex talionis do Código de Hamurabi deve ser rasgada, e eu seu lugar devemos oferecer amor em troca de violência? Que de fato devemos oferecer outra face para quem nos agrediu? Alguém consegue viver assim? Seria possível um mundo assim, sabendo que o homem é como é? Deveria um pai oferecer o outro filho vivo para os bandidos que acabam de tirar a vida de um de seus filhos? Amar o próprio assassino do seu filho, eis a máxima cristã no sentido literal. Isso é algo bom ou razoável?

Aqui a mensagem é ainda mais radical: “Ouviste o que foi dito: Amarás ao teu próximo e odiarás a teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos têm ódio, e orai pelos que vos perseguem e caluniam, para serdes filhos de vosso Pai que está nos céus”. Como pode um cristão ler essa passagem, teoricamente do seu próprio Deus, e reclamar quando vê cartazes com os dizeres “Jesus ama Osama”? Não é isso que foi ensinado? Não era para os cristãos amarem Bin Laden? Ou devemos ignorar este trecho da mensagem “divina” e ficar com outros? Mas quem decide isso? Os próprios indivíduos? Com base em qual critério? Pois se a própria razão humana é capaz de criar um código de moral e ética – como eu acredito – então por que sequer atribuir caráter divino ao que outros humanos disseram? Não precisamos disso.

Jesus acrescenta no sermão um tom bastante crítico às riquezas também: “Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Ou então: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem guardam nos celeiros; e vosso Pai celestial as sustenta”. E mais adiante: “Não vos aflijais pois, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? Porque os pagãos é que se inquietam por essas coisas”. Algum leitor é cristão e não pagão? Essa mensagem não parece um consolo para os pobres, dando a entender ainda que suas necessidades mais básicas não precisam ser inquietantes, pois irão cair do céu? Depois reclamam quando dizem que a escolha da Igreja Católica é pela pobreza, e não pelos pobres. Como disse Roberto Campos: “O problema com o catolicismo brasileiro é que entende de menos o Mercado e reverencia demais o Estado. Seu desamor aos ricos excede seu amor aos pobres. Gosta de distribuir riquezas mas não se esforça por facilitar a criação delas”. Mas não estaria a Igreja apenas seguindo os mandamentos de Cristo?

Até mesmo o que se pode considerar a grande mensagem de Cristo, sobre amar os outros como a ti mesmo, não foi algo exclusivo de sua autoria. Uns cem anos antes dele, Publilius Syrus, um assírio que foi levado como escravo para a Itália, chegou a dizer que devemos esperar ser tratado pelos outros como temos tratado os outros. Uma mensagem que vai na mesma linha, pregando o respeito aos demais para poder ser tratado com respeito.

Se o tema é amargo e gera tanto ressentimento em alguns, para que tocar nele? Em minha opinião, a resposta é porque faz toda a diferença do mundo entendemos que os próprios humanos podem definir um código justo de conduta sem ter que apelar para alguma força sobrenatural. Não é preciso cair no relativismo moral onde qualquer coisa é igualmente válida, logo nada é válido como critério de justiça, ao negarmos uma autoridade divina em nosso código moral. Os homens são capazes de buscar aquilo que parece correto e justo, por conta própria e através de sua razão, como tem sido feito há milênios. Os conceitos foram evoluindo. A escravidão, que foi aceita mesmo durante tantos séculos depois de Cristo, inclusive com o aval da Igreja, é amplamente condenada hoje, por exemplo. Foram os próprios homens que chegaram à conclusão de que era totalmente injusto alguém não ter o direito sequer à propriedade do seu próprio corpo. Não é preciso um livro sagrado para tanto, tampouco alguma “revelação divina”.

O Sermão da Montanha pode ter mensagens bonitas e mensagens absurdas. Mas o importante é que, se não podemos tomar aquelas palavras como uma revelação do próprio Deus literalmente falando, será o próprio homem que terá que julgar. Logo, creio que podemos concluir que a moralidade de nossas ações independe da “divindade”. Os próprios humanos racionais é que deverão obter o código moral adequado para nossa vida neste planeta.

27 comentários:

Aldo disse...

Se o humano é apenas matéria racional com um quantum de vida limitado, para que serve a moral e a ética? Para que fazer uso dela? Vamos usufruir o máximo que pudermos, o que impede o homem de ser imoral? Para que punir aquele que não limita seus desejos. De onde vem esse consenso coletivo de moralidade? Como você explicaria isso Como você explicaria
um animal selvagem ser mais ecológico qoe o humano.
O homem é um ser limitado em suas percepções, necessita dos sentidos para o seu processo cognitivo. Sugiro que vc amplie um pouco mais o seu campo de estudo e retroaja além da era cristã, e descobrirá que já fomos muito mais evoluídos do que somos. A matéria e razão que compõe o humano é quase nada do que na realidade somos. Vc pode algo infinitamente maior do que és.Pense.

Os macacos e as bananas

A experiência no do novo macaco
02.06.2006 - Redação Gambare!

Numa experiência científica, um grupo de cientistas colocou cinco macacos numa jaula. No meio, uma escada e, sobre ela, um cacho de bananas.

Quando um macaco subia na escada para pegar as bananas, os cientistas jogavam um jato de água fria nos que estavam no chão.

Depois de certo tempo, quando um macaco ia subir a escada, os outros o pegavam e batiam muito nele.

Mas um tempo depois, nenhum macaco subia mais a escada, apesar da tentação das bananas.

Então os cientistas substituíram um dos macacos por um novo. A primeira atitude do novo morador foi subir a escada. Mas foi retirado pelos outros, que o surraram.

Depois de algumas surras, o novo integrante do grupo não mais subia a escada.

Um segundo foi substituído e o mesmo ocorreu – tendo o primeiro substituto participado com entusiasmo da surra ao novato.

Um terceiro foi trocado e o mesmo ocorreu. Um quarto e, afinal, o último dos veteranos foi substituído.

Os cientistas, então, ficaram com o grupo de cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado um banho frio, continuavam batendo naquele que tentasse pegar as bananas. Se fosse possível perguntar a algum deles por que eles batiam em quem tentasse subir a escada, com certeza a resposta seria:

“Não sei, mas as coisas sempre foram assim por aqui”.


Se eu fosse uma águia ...

Dizia o poeta Fernão Capello Gaivota: ´If I were not a man, I would like to be a seagle to fly over my dreams´. ´Se eu não fosse um homem, eu queria ser uma águia, para voar acima dos meus sonhos´.

A águia é chamada a rainha das aves, pois é a que voa mais alto; faz inveja às outras.

A propósito, há uma fábula muito interessante sobre a águia. Diz ela que um caçador, nas montanhas, certa vez encontrou um ninho de águia, com alguns ovos. Tomou um deles e levou para sua casa e colocou´o sob uma galinha que chocava. E assim, nasceu um filhote de águia entre os pintinhos. A galinha, com o mesmo cuidado dedicado aos filhotes, criou a aguiazinha. Esta aprendeu a comer a comida dos pintinhos e a fazer tudo o que os ´irmãozinhos´ faziam, como se fosse um pintinho. Foi crescendo e vivendo naquele galinheiro, como se fosse uma galinha, sem suspeitar que tinha tudo para voar nas alturas e dominar os céus. Mas não aprendeu a voar ...

Um belo dia, a nossa ´águia de galinheiro´ viu outra águia voando nas alturas, dona dos céus. Achou aquilo maravilhoso. Chegou à sua mãe e perguntou´lhe: ´Que ave é aquela, que voa tão lindo nas alturas? Como deve ser feliz!´ Ao que a sua mãe respondeu´lhe: ´Minha filha, aquela é uma águia, a ´rainha das aves´, só ela consegue voar tão alto. Isto não é para nós, nós somos apenas galinha! ´

E, assim, conformada, a pobre águia de terreiro, acreditando que fosse apenas uma galinha, viveu toda a sua vida naquele galinheiro, e alí morreu, sem conhecer as alturas.

Talvez, fiquemos inconformados com a estória dessa pobre águia; no entanto, muitos homens; quiçá a maioria, vive nas mesmas condições. Arrastam´se pela vida, infelizes, sem conhecer o valor que têm. Somos filhos de Deus, pelo Batismo. Mas muitos vivem sem saber disso.

Será que pode haver dignidade maior para nós?

Somos ´águias´ de verdade, chamados a viver nas alturas. No entanto, desconhecendo a riqueza que trazemos em nós, vivemos muitas vezes como mendigos infelizes.

Toth disse...

Existe um artigo muito interessante sobre cientificismo escrito por Gustavo Corção aqui:

http://www.permanencia.org.br/gustavocorcao/Artigos/cientificismo.htm

Para expandir mais o extreitos horizontes de alguns. Quem sabe, mas eu sinceramente não conto com isso.

augusto disse...

realmente temos que filtrar várias passagens e discursos da biblía

uma que eu acho legal é essa:

"A Deus o que é de Deus, a César o que é de César"

Jesus não era bobo não hein, o pessoal queria f... com a vida dele esperando que se insurgisse contra o imperador romano

Pois é Constantino, mas com essa passagem Jesus ao mesmo tempo separou o econômico do religioso mas credenciou a cobrança de impostos pelo Estado (na ocasião por Roma)

Anônimo disse...

O problema,Constantino,é o tom apologético,irado,e mesmo de caça às bruxas religiosas em seus textos.Só para dar um exemplo,Max Weber era um racionalista,agnóstico,mas um pesquisador de grande estôfo que não vinha com parti pris diante do fenômeno
religioso.O texto clássico dele sôbre religião tem mais de cem anos,e não perdeu o vigor.
Você tem uma noção estreita de religião
não tem certamente estudos nas áreas de mitos e símbolos,e tenta abarcar o amplíssimo fenômeno da religiosidade com alguns poucos conceitos racionalistas(diferente de racionais).
Se você quer falar sôbre o tema e não ser facilmente contestado,estude-o a fundo e RESPEITE AS CRENÇAS DAS PESSOAS
Você tem uma CRENÇA desmedida no poder da razão e o arroubo típico dos jovens
(concluo pela sua foto),que pensam poder mudar o mundo sem o compreender a fundo e sem perceberem que ele não muda para onde desejaríamos.Você não aceita que as pessoas vejam a vida de forma diferente da sua,coloca-se acima delas(já agi assim na minha juventude),
como se todos devessem se curvar á sua lógica,aqui o problema nem é mais de religião.
Só para terminar,mas acho que você não
vai ler(uso a mesma arma que você usou
no seu texto anterior,onde atacava com fúria,e indiscriminadamente,todas as religiões à partir do furibundo ateu Voltaire,um dos pais "de la terreur" jacobina),religião lida com SÍMBOLOS,
esta é a linguagem do Inconsciente, observe seus sonhos por anos e verá,só
aqueles podem alargar a visão da consciência para uma área inexplorada da existência(nas áreas novas a conciência não tem conceitos para trabalhar).
Quem interpreta a Bíblia,o Alcorão,os Upanishads,o Gîta,os Sermões de Buda, como se fossem textos de jornais,ou é um primitivo ou é burro.No seu texto você chama de idiotas,indiretamente, todos os que crêem em algo além da sua RAZÃO.
P.S.:Você está com textos no Site Parlata,e logo receberá os petardos do Olavo e do Nivaldo se continuar em sua guerra contra o sagrado.Estude mais o assunto.
P.S.(2):Se o meu comentário sair duas vezes,favor cancelar um deles,o blogger
teve uma pane.

Anônimo2 disse...

Constantino, o fundamentalismo não é privilégio só de religiosos, você personifica inexorávelmente um ateu chato, fanático e fundamentalista.Fundamentalismo é nunca ter que admitir os próprios erros e ainda persitir neles.

Waldemar M. Reis disse...

O Aldo propôs pontos que me interessam, assim como o Constantino. Mas a discussão toda me parece um tanto sem rumo preciso, sem a preocupação de comentar o texto de base ponto por ponto (como aliás as discussões em torno aos demais textos do blog). Sou de opinião que um jovem pensador precisa de imensas coragem e humildade para expor seus pensamentos em gestação à matilha que costuma circundá-lo com intenções nada claras. Tenho particular predileção pelo debate e, como o sofista Protágoras, creio que só nos aproximamos da tão alardeada 'Verdade' (se de fato ela existe) por seu intermédio. Mas é preciso haver certa ordem na apresentação dos problemas e sobretudo muita paciência. Não estou certo de o que se segue venha endossar o que acabo de sugerir, mas assim mesmo tento.

Por exemplo: antes de mais nada, no caso do presente artigo, creio ser necessário distinguir ética de moral. É um ponto dificílimo, bastando ir ao Houaiss (que, como bem observou o Fróes noutra página de comentários, costumo ler com prazer, mas sem indigestar: eis porque nisso não vejo mal algum), para ali constatar a incerteza quanto à origem do termo: se veio de éthos (com 'e' aberto), significando moral (ou costumes, 'mores', em latim, em oposição a lei, decreto, que são impositivos) ou se de êthos (com 'e' fechado), denotando caráter, maneira idiossincrática de manifestar-se ou de ser de algo, de um indivíduo (em oposição tanto a hábito ou costume, advindos de acordos entre sujeitos, quanto a lei, decreto). A distinção se faz necessária à observação de que certos acordos entre indivíduos parecem contrários a princípios tidos por eles próprios e pelo grupo de que são partes como corretos e, não obstante persistem os acordados, sem maiores desconfortos, nos termos de seu trato.

Esses princípios, tidos como melhores ou mais corretos do que o acerto dos dois sujeitos, seriam possivelmente instituídos por uma ética, enquanto o acordo mesmo dos dois seria por certo uma moral, um costume. Quando um autor se dá a escrever uma ética, por conseguinte, põe-se distante do legislador, que o mais das vezes age como 'tapa-buracos', e do moralista, cujos preceitos são toleráveis pelo grupamento de que é parte, podendo ser até mesmo execrados por comunidades outras. Um filósofo escrevendo uma ética estaria preocupando-se com a procura do que de comum há entre as diversas morais, do que move o homem a produzi-las etc, antes de com ditar regras contingenciais de comportamento, as quais podem ter duração limitada.

De outro lado, há aqui as proposições crísticas (às quais ele mesmo teria obedecido - ao oferecer, por exemplo, a outra face no processo de sua condenação) que podem ser vistas como a tentativa de dar um passo adiante daquelas formuladas pelo judaísmo, para o qual era suficiente não fazer ao outro o que não se deseja que façam para si próprio. Poderiam os conselhos de Jesus ser considerados como algo mais próximo dos princípios éticos do que as fórmulas judaicas? Observe-se que há muito o judaísmo é encarado por diversos judeus (tenho em mente agora Espinosa e Moisés Mendelssohn) como uma moral em constante aperfeiçoamento ou como ética em elaboração, cuja súmula se encontraria no Decálogo.

A exortação, aliada à práxis, de Jesus pode parecer descabida, paradoxal, se confrontada com a realidade humana, como bem observou o Rodrigo, mas justo por isto, por seu absurdo, pode instigar-nos a ir mais longe em considerações sobre a natureza do mal e do modo eficiente, não obstante assombroso ou intolerável em aparência (reitero), de descartá-lo. Não foi por outra razão que o M. Cajaíba sublinhou em seu comentário (O Túmulo do Fanatismo) as múltiplas contribuições da igreja cristã (esqueceu-se do judaísmo) para o atual estágio da humanidade. (Em particular tenho muitíssimas críticas a fazer ao modo como vivemos, mas tenho de reconhecer que, não fosse o medo insuflado - nos cristãos - pelos sofrimentos eternos, idéias como mercado, liberalismo etc já teriam sucumbido há muito na barbárie).

Não, não sou mais exatamente um cristão, tampouco judeu ou muçulmano, mas costumo buscar nestes e nos demais pensamentos religiosos estímulos para o raciocínio, assim como os busco na filosofia, numa conversa informal, numa paisagem ou num fato. Sou, por natureza, um reformador do mundo (traço forte, aliás, da natureza humana), mas tenho aprendido que é mais produtivo reformar primeiro o meu 'olhar', pois de hábito ia com demasiada sede à fonte, acabando por inutilizá-la. Insisto, perante todos os debatedores e Constantino, na leitura cuidadosa de Preleções sobre A Essência da Religião de Ludwig Feuerbach para a melhor estruturação do diálogo aqui. A mim parece constituir o materialismo justo, embora o século XX e o envolvimento de seu pensamento nas travessuras marxistas (é claro que sem sua autorização) tenham-lhe construído imagem injusta de 'esquerdista' ou de mentor da 'esquerda'. Creio que muitas dúvidas aqui postas serão dirimidas antes de ser atingida a metade da obra.

Por fim, costumo, como é evidente, cometer os meus próprios pensamentos e vertê-los em textos, muitos dos quais disponíveis em páginas cujos endereços podem ser achados, por quem tenha a curiosidade de conhecê-los, ao clicar no meu nome, acima deste comentário. Convido-os a iniciarem outras discussões ou a dar curso às presentes sem, naturalmente, as interrompermos aqui.

Anônimo disse...

"Devemos aceitar sem questionar?",Alguém pediu a você para aceitar alguma coisa? Você sofreu algum estupro religioso? Traz
consigo algum trauma adquirido na PUC(Universidade Católica)?

" Devemos tratar como sagrada as crenças alheias mesmo sem acreditar nelas?"_ Como você trata as mulheres dos seus amigos?
Faça um artigo sobre o passa em seus pensamentos sobre as mulheres dos seus amigos, e veja o resultado.

Cara, os seus traumas com religião estão espetando milhoões de católicos, mulçumanos, judeus e budistas, fundamentalistas ou não, você começou leve e agora está pegando pesado. Você tem direito à liberdade de expressão e os outras à crença, Prezas tanto a razão, use-a.

Rodrigo Constantino disse...

Não sei porque alguns insistem em deixar comentários anônimos. Isso fere de cara um princípio básico de honestidade num debate, ou de falta de coragem.

Não consigo entender porque alguns ainda pensam que sem o TEMOR religioso, não há moral, e todos iriam cheirar cocaína e viver como se não houvesse amanhã. Que besteira! Um ateu não precisa ter medo de deus para saber que é irracional se estragar com drogas e entender que é errado fazer mal aos outros. É bom ser bom. Não é preciso temer punição divina para isso. Acho, inclusive, que quem assim pensa, considerando que somente o MEDO divino é capaz de forçar um comportamento correto, mostra bem o tipo de pessoa que é.

Por fim, não é meu objetivo "espetar" ninguém, mas apenas incentivar um debate que considero interessante e útil, pois não sei a quem pode interessar o "acredite e fique calado". Na verdade, sei sim. Mas não respeito esses.

Rodrigo

Pedro disse...

"Alguém pediu a você para aceitar alguma coisa? Você sofreu algum estupro religioso? Traz
consigo algum trauma adquirido na PUC(Universidade Católica)?"

e alguém botou uma 38 na sua cabeça pra você vir ler desse blog? Que saco, o que mais tem é texto de conservadores xingando de tudo o quanto é nome aqueles favoráveis a casamento gay, aborto, legalização, etc -e é claro, "restringindo" sua análise a simplesmente declarar que essas pessoas são 'degeneradas', sem maiores explicações. E eu já li trocentos desses tipos de artigos, sem nunca ir no site de fulano chorar as minhas mágoas. Vira homem!

Anônimo disse...

Rodrigo, você e o Janer Cristaldo deveriam criar um site representando a Direita Libertária!

Parabéns!
Abraço!

José Antonio disse...

Quando fazemos questionamentos deste gênero sobre o cristianismo precisamos de certa prudência para não atingirmos o alvo errado apenas por ignorância. Em seu excelente "O Código Da Vinci", por muitos taxado de livro de tema polêmico para encher o bolso do autor, Dan Brown de certa forma instiga o debate profícuo acerca de uma crença cristã secular. O problema que expõe das fontes sobre a vida de Cristo que nos restam, inclusive a própria Bíblia, relaciona-se a manipulações feitas pelos poderosos, e pela poderosa Igreja, guardiões da "verdade" ao longo desses anos. É perfeitamente plausível que estas manipulações tenham ocorrido dentro de um contexto de disputa de poder, um contexto político que altera uma mensagem original em benefício próprio. Porque não desconfiar delas no momento em que a Bíblia demoniza a imagem femina da Eva pecadora (em culturas anteriores elas eram sagradas pela capacidade de gerar vida)? Ou quando transforma o tridente de Posseidôn no tridente do Diabo? Ou ainda quando associa a palavra vilão, aquele que mora na vila (pagão), a inimigo?
A contestação do cristianismo deve no mínimo incidir sobre a mensagem escrita originalmente embora por homens, o que infelizmente não temos como fazer (não podemos advinhar por onde as maliciosas mãos da Igreja andaram acrescentando, modificando ou omitindo). Então quem sabe nos reste sim ter que selecionar o que pode ser aplicável em nossas vidas de modo consoante com as possibilidades. Não que eu esteja dizendo que a Bíblia original seja incontéstavel, pois também ela, uma vez aceita sem contestação, inflige ao seu adepto uma espécie de "matrix".
Ao que parece, até mesmo Dan Brown teve prudência suficiente para incrustar na fala de um de seus personagens (Sir Leigh Teabing), o trecho que segue:
"A vasta maioria de cristãos educados já conhece a história de sua fé. Jesus foi mesmo um homem grande e poderoso. As ardilosas manobras políticas de Constantino não diminuíram a majestade da vida de Cristo. Ninguém aqui está dizendo que Cristo foi uma fraude, nem negando que Ele tenha passado pela Terra e inspirado milhões de pessoas a levar vidas melhores. Só estamos afirmando que Constantino tirou vantagem da substancial influência e importância de Cristo. E, ao fazer isso, moldou a face da cristandade como a conhecemos hoje em dia." (Dan Brown, O Código Da Vinci - Edição Ilustrada, pg. 213-214)

É, quem sabe se um Contantino não tivesse feito tamanhas manobras há mais de 1600 anos, outro seria o teor do nosso presente debate... e ainda aparece um Contantino pós-moderno para piorar as coisas... Como esse mundo dá voltas hem!

Mario disse...

Caro Constantino,

Pedindo perdão é necessário dizer: seus qüestionamentos e contestações estão no mesmo nível das aulas de catecismo (ou anti-catecismo?) para crianças.

Tudo o que Jesus fez foi ensinar a amar. Para isso fez uso de parábolas e metáforas, o que significa dizer que suas palavras (de Jesus) dependem da interpretação de cada um. E, então, estou de pleno acordo com Waldemar M. Reis e José Antônio (aí acima). Isso sem falar na filtragem feita pelas igrejas ditas cristãs para incluir ou não outros evangelhos.

Todos qüestionam o que é verdade ou não, esquecendo-se que CADA UM tem sua própria verdade e que esta, por sua vez, muda ao longo do tempo (entenda-se, evolução). O que era verdade para mim ontem, pode ter deixado de sê-lo hoje. O erro (grave) está na IMPOSIÇÃO dessa verdade que só pode ser pessoal. Isto explica a existência de tantas e diversas igrejas católicas e evangélicas; afinal, a Bíblia não é mesma para todos? A palavra de Jesus não foi única? São estas diversas interpretações da verdade que conduzem até a guerras mortais, como na Irlanda, entre católicos e protestantes. Dá para entender este absurdo?

Os ensinamentos de Jesus tinham, por único objetivo, ensinar a amar, mas, que ame como quiser (ou puder).

A propósito: o "dar a outra face" significa, simplesmente, perdoar, o que faz mais bem (inclusive para a saúde) a quem perdoa do que ao perdoado. A lei de Talião conduz a situações ridículas, como a do macaco aí acima.

Mario disse...

OPS! Esqueci de comentar: Dan Brown foi extremamente esperto. Queria ganhar muito dinheiro fazendo algo polêmico, pouco importando se era de sua convicção ou não.

Fernando Teixeira disse...

Bom, pelo visto o artigo rendeu muitos comentarios. Muitos bem nervosos, mas cabe lembrar algo que, apesar de questionado pelos leitores, necessita um pouco mais de atenção.

O fato que cabe er relembrado é o de que as pessoas que seguem os escritos da Bíblia por exemplo não são capazes de interpretar por vontade propria as escrituras. Os Padres são os responsáveis por tal interpretação, pois afinal eles estudam para isso. Mas nesse caso observo algo muito perigoso. O fato de uma pessoa analizar algo, afirmar e as outras serem "obrigadas" a terem essas interepretações como verdades absolutas. Seria como dizer as pessoas o que elas devem ou não fazer, privando-as de sua liberdade individual. Claro que esta liberdade muitas vezes é ignorada pela propria pessoa.
O fato inegável é que as religiões, principalmente as mais representativas, são utilizadas como poder politico e de doutrinação, pois os seus fiéis a seguem, sem questionamentos, tendo como verdades absolutas o que ouvem dos outros, sem ao menos se questionarem a respeito.

Existem outras formas de religião, que são, em sua maioria, condenadas pela igreja católica, que são conhecidas como filosofias de vida. Nessas pelo menos o individuo é o protagonista, em muitas o objetivo não é exaltar e adorar divindades e sim a busca pelo auto-conhecimento. Ou seja, o homem aprendendo a controlar as suas vontades, seus desejos e seu corpo visando seus objetivos...Sem haver necessidade de uma entidade dona da verdade.

Eu realemente acredito que as filosofias levam essa vantagem em cima da religião, pois estas estão sempre abertas a novas descobertas e questionamentos, nelas podemos encontrar varios caminhos para um mesmo objetivo: O de se auto-conhecer, controlar seus instintos e sem esquecer jamais da razão, da sua própria razão!

Ricardo Froes disse...

A grande diferença entre fé e razão está explícita nos textos de Rodrigo e nos comentários. Enquanto uns buscam no conhecimento de causa os subsídios para um debate rico e fundamentado, a maioria limita-se apenas a vociferar achincalhes por verem abalados seus dogmas. Enquanto uns, mesmo contra seus próprios princípios, se lançam ao desprazer de ler livros sagrados em busca de alguma passagem aproveitável, a maioria se contenta em repetir proto-filosofias contidas em textos de religiosos, que nada representam além da incoerência fideísta.

A simples abordagem de um assunto tão delicado como religião já é polêmica por si só, e esquenta na medida em que a lógica e a razão dão o combustível apropriado para transformar crenças em cinzas. No assunto em questão não há o propósito de se ridicularizar quem quer que seja, por venerar Jesus Maomé ou Belzebu, no entanto, a carência argumentativa de alguns se encarrega de expô-los a esse desagradável papel.

Até agora, aqui não se viu nenhuma contestação plausível aos argumentos de Rodrigo. De tergiversações intermináveis, repletas de citações e de pouco conteúdo a simples ofensas pessoais, nada se tirou de aproveitável, a não ser que se queira rir um pouco lendo o texto de Gustavo Corção recomendado por um comentarista.

Os ateus somos 2,7% da população da terra. Não se assustem pois não somos uma ameaça às crenças de quem quer que seja, não cobramos dízimo e nem tampouco queremos arrebatar ovelhas para algum rebanho. Apenas queremos viver em paz com nossas consciências e não ter que reportar nossos atos e pensamentos a nenhum ser superior a não ser nossas próprias mulheres...

Anônimo disse...

Ao Ricardo Froes

Como vc pode dizer que o Rodrigo está querendo argumentar com sinceridade se ele se baseia num livro de Voltaire que a História não toma como sério ?

Não deveria então o Rodrigo se manifestar acerca desta posição ?

Quem agora não está sendo racional ?

Anônimo disse...

É claro que o homem pode e deve saber se conduzir independentemente de crer ou não em DEUS. Contudo, a certeza de que sou amado pelo meu Criador e de que faço a Sua vontade e de que a Sua vontade é o próprio bem, faz com que eu busque a virtude com maior afinco.

Anônimo disse...

Rodrigo,

Antes do Sermão da Montanha já havia os dez mandamentos e o assírio a que vc se refere provavelmente falava por influência da cultura judaica a que ele teve contato.

Mais. O conhecimento da humanidade só surge a partir da revelação abraanica, pois só com o conceito de um Deus monoteista foi possível olhar os objetos e vbuscar compreendê-los. Se não fosse assim, até hj vc estaria olhando para o sol e o idolatrando como um deus. assim o ateismo não é o natral e não propicia o desenvolvimento da humanidade como vcc afirma.

Obs: Vide os exemplos dos regimes ateus do facista e comunista !

Ricardo Froes disse...

Antes de tudo, eu não falei em sinceridade, depois eu gostaria de saber qual a parte da História que não considera Voltaire sério e, em terceiro lugar, responder a anônimos é sempre desagradável.

Daniel Correa disse...

Rodrigo,

tudo deve ser questionado e a Biblia responde a si mesma. Você está corretíssimo em não calar, ignorar é a pior alternativa. A melhor é buscar a iluminação. Já aceitar o que está escrito, é tarefa de cada um individualmente. Veja o que está escrito no livro de Oséias 4:6: "O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento". Portanto, vamos dialogar, conversar, tirar as dúvidas.

A resposta para a tua pergunta é simples: o único que pode perdoar, dar a outra face, sofrer com alegria etc.. é Jesus Cristo. O homem não é capaz dessas coisas. Se o homem fosse capaz de fazer isso, o próprio Deus não precisaria vir em forma de homem. A tua análise confirma a Bíblia, veja esta passagem na carta de paulo aos Romanos:

Rom 3:10 como está escrito: Não há justo, nem sequer um.
Rom 3:11 Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.


Mas como o homem Não é capaz amar, então Deus veio para unir-se ao homem, mesclar-se com ele. Veja o que o apóstolo Paulo diz em 1 Corintios 6:17:

1Co 6:17 "Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele".

E Paulo também diz aos Gálatas 2:20

"Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; ...".

Repare nisso, não era Paulo que fazia o que Jesus dizia, mas o próprio Cristo em Paulo. Isto se chama na Bíblia de DESCANSO ou SÁBADO ou SÉTIMO DIA. Significa que o homem não tenta mais cumprir a lei de Deus (pois não consegue), mas o homem descansa e Deus cumpre por ele. Não está dizendo que não precisa trabalhar para ganhar dinheiro, não é isso. Está falando que a vida divina guiará o homem em tudo. Isto é algo subjetivo, interior, no coração.
A respeito da interpretação da Biblia, é o proprio Deus que viverá em ti que te revelará a verdade.

Como iniciar este processo? Simples: creia. Crer é escolher. Crer é diferente de fé. Fé é liberada quando se crê. Mas crer é uma escolha pessoal. Tu podes escolher crer confessando isto para Deus, como diz em Romanos 10:9:

"Rom 10:9 Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo; "

Salvação = tornar-se um, mesclar-se com o Espírito de Deus, que é eterno e é a vida, e é capaz de fazer tudo o que Jesus disse e fez.

Experimente!

Como tu mesmo disseste, porque ignorar? Aceite e verás a Glória de Deus. abraço!
Daniel

Ricardo Froes disse...

Vixi! Tem até pregador nas paradas...

Anônimo disse...

Caro Rodrigo constantino

Sou um admirador de seus escritos, por conta disso tenho transcrito seus artigos no www.causaliberal.com.br

Vejo que és um intelectual importante de nosso Páis, escreves com muita lucidez e objetividade alcançando leitores de varias faixas culturais.

No que toca a esse artigo o Sermão da Montanha, é caso de ser meditado e analisado com profundidade.

Tem algumas coisas que precisas conhecer para entender certas passagens bíblicas que estão sujeitas a varias interpretações.

Jesus Cristo usava muito de metáforas e comparações, havia também uma profundidade filosófica em cada palavra que ele dizia.

De lá para cá foi profetizado elo próprio Jesus Cristo que haveria uma apostasia em que os homens iriam misturar filosofia dos homens mescladas com escrituras para enganar a humanidade.

Iria surgir uma grande e abominável igreja a prostituta de toda a terra que pregaria doutrinas falsas e oprimiria os homens.

Deus nos deu o livre arbítrio, mandou nos virar, ele não se mete, não nos protege literalmente, nos dá responsabilidade de decidirmos sobre nosso próprio rumo, como indivíduos ou como sociedade.

Acredito em Deus sim, mas não nos deuses criados pela imaginação do homem, e nem nas doutrinas criadas como fossem de Deus. Por esse motivo não podemos nos atirar em qualquer crença, tudo tem que ser analisado para depois decidir o que fazer.

Abraços
Klauck Soares

Alvaro Augusto disse...

Tudo deve ser colocado dentro do devido contexto histórico. Na época de Jesus, e até muito tempo depois dele, não havia capitalismo e a riqueza estava concentrada em menos de 0,1% da população: reis, príncipes, nobres e sacerdotes. A única maneira de acumular riqueza era tirando-a de outros ou explorando a mão-de-obra escrava em busca de ouro e outras coisas. Daí a riqueza ser associada ao mau.

[ ]s

Alvaro Augusto
http://alvaroaugusto.blogspot.com

Marcos disse...

Na minha defesa de doutorado ocorreu algo inusitado, aqueles que não tinham muito conhecimento específico da minha área criticaram o meu trabalho. Já os dois principais especialistas, que estão entre os principais especialistas do Brasil nesta área, e na verdade um deles é um dos maiores especialistas do mundo, estes reconheceram a profundidade e a qualidade objetiva do meu trabalho de doutorado.

Tende lido vários artigos seus, sei que você escreve bem, mas infelizmente ,ao criticar os escritos da Bíblia, você rapidamente revelou desconhecer o tema.

Como pesquisador, já li a Bíblia muitas vezes e o novo testamento particularmente mais ainda, e assim sendo posso dizer que, apesar de muitos cristãos não serem objetivos, esta não é uma característica da Bíblia. Bem ao contrário, ela é objetiva e didática e não pensa por você, mas o ajuda a pensar. Na verdade ela revela a si própria. Mas só para quem se esforça, como ela própria diz:
"Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração". Bom, a palavra traduzida aqui como buscar significa na verdade "research" ou pesquisar como os pesquisadores fazem.

Por exemplo, você fala: "Jesus acrescenta no sermão um tom bastante crítico às riquezas também: “Não podeis servir a Deus e às riquezas”. Ou então: “Olhai para as aves do céu, que não semeiam, nem colhem, nem guardam nos celeiros; e vosso Pai celestial as sustenta”. E mais adiante: “Não vos aflijais pois, dizendo: Que comeremos ou que beberemos ou com que nos vestiremos? Porque os pagãos é que se inquietam por essas coisas”. E complementa: "Essa mensagem não parece um consolo para os pobres, dando a entender ainda que suas necessidades mais básicas não precisam ser inquietantes, pois irão cair do céu?" A resposta é: claro que não! Afinal de contas, desde quando ansiedade acrescenta ação positiva? Qualquer um sabe que o estado de ansiedade turva os pensamentos, ao ponto de muitos esquecerem tudo o que dominam perfeitamente, só por estarem sob pressão.

Você disse também:"... Mas se for a Verdade revelada por palavras ambíguas [ambíguas por falta de esforço em entendê-las], que não devem ser analisadas ao pé da letra [devem ser analisadas sim, dentro do contexto], como interpretá-la então, já que não há um critério objetivo disponível?" Quero deixar registrado que há um terrível engano nesta sua frase, pois há sim critérios objetivos disponíveis. Um ótimo exemplo é a parábola do semeador, que para quem se esforça é auto interpretativa, mas os discípulos não haviam compreendido o seu significado.


Que Deus te abençoe.
P.S. Abençoar significa revestir com poder (capacidade, habilidade) para o sucesso e prosperidade!

José Roberto Barreto disse...

Rodrigo,
Se o ser humano é capaz de criar um código moral separado das religiões. Por que isso nunca foi realizado de maneira eficaz?
Posso estar enganado mas as tentativas que mais se aproximaram de criar uma nova sociedade foram o Nazismo e o Socialismo.
É interessante notar que o Evangelho não é religião. Quem segue REALMENTE o evangelho não é religioso.
A Bíblia não é um livro de história. É um livro que mostra como o homem pode se relacionar com Deus. Só isso.
Religião é outra coisa. Aliás uma coisa bem pobre.
Interessante notar que todas as críticas se centram na Igreja Católica, mas a Igreja Católica NÃO SEGUE a Bíblia. Inúmeras passagens da Bíblia contradizem ensinamentos católicos. Esse foi o porquê do surgimento do protestantismo. Essas teses "economicistas" do surgimento do Protestantismo são muito fracas, típicas de pessoas que nunca leram a Bíblia ou nunca entenderam o movimento de Lutero.
Voltando ao código moral. Tem pessoas que acham perfeitamente normal transar com uma criança. Que garantia teríamos que um Código Moral feito fora da religião não consideraria isso normal também? Você pode argumentar que é contra. Mas a sociedade caminha para a depravação total.
Mas fique tranquilo. Eu sigo o evangelho e estou contra a maré. O mundo inteiro caminha para um lado e eu (bobo ou mal informado não é mesmo?) caminho para o outro lado.
Abraço e que Deus te abençõe!

Rafael Borba disse...

Rodrigo,

Lamentável a tua falta de informação e de formação. Pareces ignorar por completo a existência do chamado Direito Natural, que se sobrepõe às normas positivadas pelos homens.

Ter somente os homens buscar, sem qualquer critério de Direito Natural (e portanto, de Deus), um código para regrar a vida em sociedade foi o que permitiu regimes como o Nazismo. Mas não me admiro, pois, sem dúvida, nutres uma profunda admiração pelo regime, já que pareces endossar toda sorte de comentários racistas e absurdos sobre os judeus.

Parabéns. És um verdadeiro produto pervertido de nossos tempos.

Nem te apoquenta, a propósito, com a questão da tua idade. Nem daqui a 50 anos vais conseguir ser alguém.

Abraço
Rafael

Anônimo disse...

Meu caro amigo, não tenho muito para falar para você de mim mesmo, porque até pela sua formação você já deve ter até as suas experiência. Mas espero que o Senhor Jesus Cristo possa lhe alcançar sem muita demora, muitos já fizeram o que você esta fazendo e onde estão eles, não estou fazendo critica a você porque a própria palavra de Deus, no livro de "Eclesiastes capitulo 3", fala que tem tempo para tudo, espero que o seu tempo chegue logo, que não passe deste tempo, porque que a própria palavra de Deus nos avisa que ela é loucura para muitos, eu até os meus 38 anos de idade não tinha idéia do que era Deus e o que foi Jesus Cristo, mas graças a Deus ele me alcançou e para mim mudou tudo. Nós seres humanos temos a idéia de crer sempre naquilo que vemos ou podemos alcançar, se alguém bem sucedido dá alguma dica de como chegar ao sucesso vamos atrás sem pensar, no mínimo acreditamos fielmente naquilo que essa pessoal esta falando, porque nele vemos tudo aquilo que o homem natural quer. Só que um dia tudo isso acaba será que o homem natural construiu tudo o que ele precisa construir mesmo, será que ele sabe onde ele vai, nos fazemos seguro de carro, plano de assistência médica etc..., é não sabemos se o carro vai ser roubado ou se vai se acidentar, ou talvez se adoentar para precisar do plano de assistência médica, tudo isso foi planejado, será que existe uma vida com Deus depois dessa e se tiver como fica a vida daquele que não se preparou para tal vida onde vai ficar, será que é o outro caminho que o homem finge também dizer que não existe.

Obs: meu amigo me desculpa por algumas palavras erradas entre outras, não quero lhe dar nenhum sermão nem tão pouco ter um confronto com você porque a intenção não é essa, uma coisa eu posso lhe falar, pare um dia com o coração sincero diante de Deus e peça a ele para entender isso tudo o que você não acredita. Eu poderia lhe falar muitos versículos bíblicos mais, eu fui movido a escrever isto não sei nem porque.

Um abraço, A paz do Senhor Jesus Cristo, que reina e vive para Sempre.

roberto@riocoura.com.br