quinta-feira, fevereiro 01, 2007

O Ambientalista Crente



Rodrigo Constantino

“O método do conhecimento científico é o método crítico: o método da busca por erros e da eliminação de erros a serviço da busca da verdade, a serviço da verdade.” (Karl Popper)

Poucos temas atuais são tão dogmáticos como o aquecimento global. Que o planeta está experimentando um aumento na temperatura média, que a causa disso é a ação humana, e que o futuro é catastrófico se nada for feito pelos homens são “verdades” tão absolutas, pelo senso comum, que sequer merecem questionamento sério. Aquele que ousar fazer perguntas, demonstrando algum ceticismo, será logo tachado de herege, como muitos defensores da razão eram na Idade das Trevas, a era onde a superstição dominava o conhecimento racional.

Ocorre que o conhecimento objetivo, como bem nos lembra Karl Popper, evolui justamente pela crítica, pela tentativa de se refutar as teorias. O conhecimento é conjectural, “um ousado trabalho de adivinhar, mas se trata de um adivinhar disciplinado pela crítica racional”. E segundo Popper, “isso torna a luta contra o pensamento dogmático um dever”. Como as conclusões sobre o aquecimento global não parecem abertas às críticas, podemos concluir que se trata de um pensamento dogmático. É um dever lutar contra isso, portanto.

Aqui, não pretendo refutar cientificamente as principais teses dos alarmistas, até porque me falta capacidade para tanto, mas apenas estimular um maior questionamento sobre certas “verdades”, ou melhor, dogmas. Não custa lembrar o quanto os “especialistas” do passado já erraram sobre esses temas. Basta citar que na década de 1970, o pânico do momento era o esfriamento global. Podemos falar da SARS também, que iria dizimar boa parte da população mundial, tal como a peste negra no passado. Creio que podemos afirmar, com elevado grau de certeza, que os especialistas previram umas mil catástrofes das últimas dez. O exagero não é por acaso. Eles vivem disso, e se não há pânico incutido nas pessoas, não há muitas verbas para suas pesquisas.

No recente Fórum de Davos, um dos assuntos centrais foi justamente o aquecimento global. Muitos comemoraram, como se finalmente os economistas tivessem acordado para a relevância do assunto. Há, porém, uma interpretação alternativa: o mundo vive uma fase tão boa e rara de bonança, com forte crescimento econômico por anos seguidos, que as preocupações mais básicas e imediatas, como emprego e renda, cedem espaço para as elucubrações distantes. E um tom escatológico faz-se necessário, pois caso contrário, ninguém irá dar muita atenção – nem verbas. A tese malthusiana de fim do mundo sempre conquistou muitos adeptos, ainda que tenha sido refutada pela experiência.

Os ambientalistas pessimistas partem de um fato – o aumento na temperatura média do planeta – e concluem muitas coisas que não estão, nem de perto, provadas. Podemos estar diante de uma falácia conhecida como non sequitur, onde as premissas são verdadeiras, mas a conclusão não é derivada delas. Não há prova, e para muitos cientistas sequer evidências, de que é a ação humana que causa tal aumento da temperatura. Muitos cientistas renomados, mas ignorados pela mídia e público em geral, afirmam que a temperatura da Terra sempre oscilou, que já foi mais quente que a atual, e que tudo isso é normal. O diretor do Observatório Astronômico de São Petersburgo, Khabibullo Abdusamatov, afirma que a atividade do sol é que causa o aquecimento, e não o “efeito estufa”.

Ele não está sozinho nesse ceticismo. A lista é enorme, na verdade: Dr. Ian Clark, professor da Universidade de Ottawa; Dr. Daniel Schrag, de Harvard; Claude Allegre, um dos mais condecorados geofísicos franceses; Dr. Richard Lindzen, professor de ciências atmosféricas do MIT; Dr. Patrick Michaels da Universidade de Virginia: Dr. Fred Singer; Professor Bob Carter, geologista da James Cook University, Austrália; 85 cientistas e especialistas em climatologia, que assinaram a declaração de Leipzeg, a qual denominou os drásticos controles climáticos de "advertências doentes, sem o devido suporte científico"; 17.000 cientistas e líderes envolvidos em estudos climáticos, que assinaram a petição do Oregon Institute de ciências e medicina, cujo texto afirma a falta de evidência científica comprovando que os gases estufa causam o aquecimento global; e 4.000 cientistas e outros líderes ao redor do mundo, incluindo 70 ganhadores do Prêmio Nobel, que assinaram a Petição de Heidelberg, na qual se referem às teorias do aquecimento global relacionadas aos gases estufa como "teorias científicas altamente duvidosas”. E tem muito mais!

Curiosamente, quase ninguém parece interessado a escutar o que esses cientistas têm a dizer. Preferem focar a atenção toda em Al Gore, ignorando que ele é um político e que o uso do eco-terrorismo lhe rende muitos votos. Muitos aderem à religião verde por ideologia também. São socialistas que ficaram órfãos com a queda do muro em 1989, e precisam de algum substituto para atacar o capitalismo e o industrialismo. O ambientalismo vem bem a calhar, posto que prega a concentração de poderes no Estado e condena o capitalismo como grande responsável pelo aquecimento global. Estranho é ignorarem que as nações socialistas sempre foram infinitamente mais poluidoras. Os Estados Unidos, que reponde por cerca de 30% da economia global, tem uma participação semelhante na emissão total de gases. Mas a Rússia, por herança socialista, tem uma economia de apenas 1,5% da global, e emite algo como 17% do total de gases. Como podem pedir mais Estado para resolver o “problema” então? Não é por acaso que são jocosamente chamados de “melancias”: verdes por fora, mas vermelhos por dentro.

Muitos afirmam que “o seguro morreu de velho”, alegando que as conseqüências seriam insuportáveis se as previsões estiverem corretas. Há alguma lógica nisso, mas é preciso ter em mente que os recursos são escassos, e existe um claro trade-off aqui. Bilhões que migram para a causa ambientalista são bilhões que deixam de ir para outros projetos, que poderiam gerar empregos e riqueza. Quando um projeto vai para a gaveta por conta da barreira ambientalista, são empregos que deixam de ser gerados. Tudo isso deve ser levado em conta num debate mais racional e imparcial sobre o tema, deixando as paixões de lado.

Há muito mais o que ser dito sobre o tema, de extrema relevância. Poderíamos mostrar como os furacões e enchentes, agora atrelados ao capitalismo por esses ambientalistas, causaram mais estrago ainda no passado, ou então em países socialistas, como a China. Mas basta um furacão novo surgir que logo acusam o capitalismo. O rigor científico é deixado de lado quando o objetivo não é a busca da verdade, mas a alimentação da crença dogmática. Quando percebemos esse modus operandi em torno do assunto, fica mais fácil entender a celeuma e revolta que causou o livro O Ambientalista Cético, de Bjorn Lomborg, que havia sido inclusive do Greenpeace. Ele começou tentando provar muitos dos alardes, e concluiu que a maioria era pura ladainha. Crentes fanáticos não suportam essa atitude. A Inquisição é necessária para manter a fé cega. Infelizmente, estamos diante de um tipo que não pretende questionar, mas sim pregar seu dogma: o ambientalista crente.

21 comentários:

O Direitista disse...

Tirando a besteira sobre a "idade das trevas" eu concordo com tudo. A ecobobice é a religião da nova era, que vem para substituir essa pedra no sapato que é o cristianismo.

Jabuticabo disse...

Deixa eu falar em uma língua que lhes tem algum apelo: o aquecimento global é,na acepção popperiana do termo, uma observação científica.

Jabuticabo disse...

Ah, sim, o grupo mais representativo dos signatários da tal "Declaração de Leipzig" são apresentadores de previsão do tempo na TV.

http://naturalscience.com/ns/letters/ns_let08.html

Ricardo Froes disse...

Mesmo correndo o risco de parecer uma vaquinha de presépio, mais uma vez concordo com tudo que foi escrito. As variações climáticas na terra são constantes, não sei se cíclicas ou não, e sempre independeram de interferência humana. Senão, como explicar, por exemplo, a Groenlândia (Grønland) ter esse nome? Teria sido uma gozação de Erik, o Vermelho, o viking que a descobriu e a batizou de "terra verde"? Ou teria sido porque no final do primeiro milênio de nossa era o clima na terra era muito mais quente do que agora? Terá sido coincidência o fato das colônias ficarem abandonadas entre 1200DC e 1700DC, justo o período onde houve uma pequena glaciação no planeta?

Esse e tantos outros fatos, mais do que confirmados pela História e pela Ciência, apresentam evidências que a terra sempre teve vida própria independente da participação do homem. É claro que isso não é motivo para se emporcalhar o planeta, no entanto, a reação desses ecochatos é totalmente fora de propósito, a ponto de se dizer, sério, que os flatos dos ruminantes são responsáveis por 20% na destruição da camada de ozônio.

Mas não custa preservar essa gente, os médicos recomendam não contrariar. O que seria de nós se não houvessem as viúvas de Marx e os Greenpíssicos para nos fazer rir?

Mario disse...

Caro Constantino,

Suas críticas são totalmente pertinentes. São os esquerdóides do mundo todo que tentam impor suas teorias, doutrinariamente. Não que, neste caso, não estejam corretos em suas hipóteses causais, mas, NÃO HÁ PROVAS. Se usam argumentos como o peido das vacas, de fato, simplesmente, "esquecem" que a atividade do Sol não é perene e constante e que sempre houve variações na temperatura na Terra ao longo do tempo. Para a era atual há um outro fator que, certamente, deve ser levado em consideração, que é a alteração da inclinação do eixo da Terra (norte magnético), ocorrido na virada do milênio. Este é um fator que jamais deveria ser desprezado, já que realinhou todo o fluxo de energia.

Na minha opinião, se o tal de efeito estufa causa alterações climáticas, só pelo fato de ser uma doutrina dos esquerdas, é motivo para ser questionado.

Daniel Gurjão disse...

Alguém já viu o documentário Mine Your Own Business? Eu quero ver mas ainda não achei em lugar nenhum. O site é www.mineyourownbusiness.org.

Anônimo disse...

Aquecimento global não é de esquerda ou de direita, é um fenômeno natural a ser explicado ou refutado.

Que ele seja aqui tratado de tal forma politicamente e, sobretudo, que política seja usada para refutar achados científicos é, no mínimo, temerário.

Enquanto vocês só conversarem com os seus botões e os botões dos seus amigos dizendo

"nossa, concordo com tudo o que você disse!"

ou ainda

"é, quem não concorda comigo é um esquerdista que não sabe pensar independentemente"

ou mesmo

"é um problema psicológico que não os deixa ver a verdade, estes doutrinados"
...
Quando isto é a resposta para tudo, então talvez esteja na hora de vocês analisarem o que vocês mesmos dizem.

Vocês podem estar transferindo o temor íntimo de estar agindo com fervor e obediência à semelhança de uma religião, ao acusar a qualquer um de sentir-se e pensar como vocês se sentem e pensam.

Esta reação é mais intensa contra aquilo que toca a situação que origina o tal temor, tudo que contraria aquilo que, intimamente, talvez seja apenas um ato de fé seu.

Rodrigo Constantino disse...

Anônimo, falo por mim: não temo nada do que os pessimistas alertam. O que vejo é um enorme progresso, especialmente desde o advento do capitalismo. Temo mesmo é a perda da liberdade, por conta desse pânico todo criado. Isso sim.

Cícero - Porto Alegre disse...

A escolha da figura da melancia para o texto foi muito significativa. Na época da ditadura brasileira esta fruta era o nome dado àqueles patriotas (verdes) que no fundo (ou por dentro) eram comunistas (vermelhos). O cinema nacional, pago com nossa produção de bens muito mais valiosos, explorou demais este jargão. Agora, o autor renova esta imagem de forma bem mais apropriada. Parabéns pela percepção.

Marcos Ludwig disse...

o textou causou polêmica na ciencialist:
http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/60252

quanto ao comentário do 'anônimo': Xingue-os daquilo que você é. típico. :-)

Jabuticabo disse...

Nos anos 70, havia uma enorme de uma histeria sobre a camada de ozônio. Eis que a onda passou, parecia história de maluco.

Até que, em meados dos anos 80, acharam um imenso de um buraco na camada de ozônio ao redor do pólo Sul da Terra.

O fenômeno persiste até hoje. Países do mundo todo ratificaram o protocolo de Montreal, diminuindo drasticamente o uso dos chamados halocarbonos (CFC e outros). Os níveis de ozônio na atmosfera vêm aumentando nos últimos 15 anos, mas só devem voltar a níveis de 1980 dentro de 50 anos.

Neste caso, qual foi o grande mal que as legislações ambientais causaram para a indústria? Alguém já ouviu falar das viúvas do CFC? Alguém acha que a Embraco, no Brasil, quebrou por causa de ecochatos? Rapidamente foram encontradas alternativas para os compostos mais danosos e outros ainda baniram completamente o uso destes produtos, como é o caso do aerosol, hoje à base de butano, normalmente. Detalhe: butano pega fogo.

Jabuticabo disse...

Nos anos 70, havia uma enorme de uma histeria sobre a camada de ozônio. Eis que a onda passou, parecia história de maluco.

Até que, em meados dos anos 80, acharam um imenso de um buraco na camada de ozônio ao redor do pólo Sul da Terra.

O fenômeno persiste até hoje. Países do mundo todo ratificaram o protocolo de Montreal, diminuindo drasticamente o uso dos chamados halocarbonos (CFC e outros). Os níveis de ozônio na atmosfera vêm aumentando nos últimos 15 anos, mas só devem voltar a níveis de 1980 dentro de 50 anos.

Neste caso, qual foi o grande mal que as legislações ambientais causaram para a indústria? Alguém já ouviu falar das viúvas do CFC? Alguém acha que a Embraco, no Brasil, quebrou por causa de ecochatos? Rapidamente foram encontradas alternativas para os compostos mais danosos e outros ainda baniram completamente o uso destes produtos, como é o caso do aerosol, hoje à base de butano, normalmente. Detalhe: butano pega fogo.

Mario disse...

Anônimo por anônimo não mereceria resposta, porém, aqui vai a explicação. De fato, o aquecimento global não é de esquerda e nem de direita. Entretanto, nestas ocasiões, os esquerdóides SEMPRE fazem uso político, primeiro, usando como argumentos apenas as causas que lhes interessam. Segundo, criam todo o carnaval objetivando seus interesses ideológicos. Casos típicos são o desarmamento e a liberação do aborto.

C. Mouro disse...

O buraco no polo sul fpoi descoberto antes do CFC.
A molecula do cloro não é apenas do CFC, e nos polos a atm é mais baixa e há muitas correntes capazes de elevar a molecula para quebrar o ozonio. Lá no inico dos anos 80 li uma publicação onde tal fato era muito bem explicado, com boa argumentação. Inclusive a qustão das queimadas e a poluição eram também debatidos com muitas coerencia nos argumentos. Falou-se dos vulcões e outros fatores (se não me falaha a memória houve algumas erupoções calamitosas no periodo). Enfim, quem é da área saberia explicar bem tais questões.
Ocorre que a midia é de uma nota só. Não publica nada que não pautado pelo Poder que a privilegia e corrompe, com leis e verbas.
.
A ecologia é o “fim supremo” do momento.
Hoje mesmo um jornal traz uma “reportagem” onde afirma que “cientistas culpam o homem pelo caos do clima”, alem de afirmar que está comprovado o efeito estufa no aquecimento global, com direito a previsões apocalípticas para a segunda metade do século. Até mesmo os furacões são creditados na conta dos “destruidores da natureza”. Tudo isso em meio ao um MAIS DO QUE CLARO MARKETING IDEOLÓGICO, com a alegação de que “são raros os céticos, que ficam cada vez mais desprestigiados”, além de insuflar contra os EUA (modelo do tal de capitalismo) sem furtar-se a mencionar Bush (um bosta).
Ou seja, investe-se na idéia de cravar na mente dos imbecis que a maioria e todos os “bacanas” pensam assim-assim, e que apenas os bobos e os malvados gananciosos discordam – é clara a indução pela propaganda, que ainda dá como evidência da maldade dos gananciosos a alegação de que foi oferecido dinheiro para que cientistas publicassem artigos pondo em dúvida o relatório da ONU. ...hehehe! sem disfarçar a intenção de por em dúvida a dignidade dos cientistas que discordarem, além de antecipadamente dar o caso como “comprovado cientificamente”.
Ora, a ONU, ou a camarilha que a controla, parece ter a ambição de se tornar o governo mundial, ou no mínimo tentando ser, como a Igreja Católica, uma organização influente nos governos. A ONU será a nova “Igreja” que com suas “ENCÍCLICAS” OU RELATÓRIOS conduzirá os fiéis, e pela força destes também os infiéis, ao bem comum e, quiçá, ao sentido da vida ou a um paraíso qualquer – isso é bastante comum nas ideologias de grande sucesso, cuja ambição de seus líderes e agregados não conhece limite, não raro tentando imporem-se ao mundo para molda-lo às suas conveniências materiais e psicológicas.
.
O desastre ecológico é o “demônio” da vez. De modo que, coincidindo com o de sempre, combate-lo resulta em maior controle do Estado sobre a população – digo, controle da hierarquia de autoridades, sobre os servos subjugados, mental ou fisicamente. Coincidentemente todas as “salvações” preconizadas conduzem sempre a um Poder maior para os governantes e seus agregados; como alardeia o jornal: “Os cientistas alertaram que os governos precisam agir agora se quiserem evitar consequências dramáticas”, ainda insuflando o anti-americanismo, como se os EUA e os americanos fossem o grande mal da humanidade. Em nada diferentes, os jornais nazistas também alertavam para as desgraças que os malvados judeus causavam com sua ganância e blá blá blá.
.
Curiosamente, ou coincidentemente, todas as ideologias resultam em mais Poder para uma classe governante, sempre sob a égide do “bem comum”, ou “fim supremo” que justifica todos os meios em seu nome preconizados.
.
Primeiro descobriu-se a ideologia teológica para justificar o Poder totalitário de uma súcia teocrática que, em nome de um deus qualquer, explorava os governados além de impor seus caprichos e demências a estes, subjugando-os completamente.
Ou seja, a ideologia sempre visa um “fim supremo”, que pode ser a proteção contra os “maus espíritos”, a “grandeza/potência ou superioridade grupal”, a “fartura econômica” ou “concessões divinas” e até mesmo um “paraíso qualquer” após a morte (seja ele repleto de anjinhos assexuados ou até de virgens cheias de amor para dar, em meio a absoluta felicidade). De tal forma que atingir o fim idealizado torna-se um pretenso objetivo supremo, capaz de justificar, ou até fazer verdade, qualquer meio que se diga capaz de realiza-lo. Assim, o principal valor moral para a ideologia será a defesa da consecução do objetivo idealizado que norteia o julgamento das questões apenas segundo sua orientação em relação ao objetivo ideológico: se favorece a ideologia para “fim supremo” idealizado ou se a ela ou a ele se opõe.

Esse tipo de manipulação mental, através de ideologias, penetrando nos interesses materiais e psicológicos dos indivíduos inseguros, inconformados consigo ou com ambições e manias exageradas, acaba por prejudicar-lhes imensamente a capacidade de discernimento. Pois que a busca desesperada por justificativas para seus anseios, visando combater os conflitos mentais – que chamo de “GPFs mentais” – os leva a abominar a lógica e mesmo os fatos da realidade, buscando no consenso grupal forjar uma “realidade” conveniente, comprovada apenas pela anuência grupal. Como se a natureza pudesse ser dominada pelos consensos: se todos acreditarem numa mesma coisa, essa coisa torna-se realidade.
Joseph Goebbels, jornalista que chegou a ministro da propaganda nazista, chegou mesmo a discursar afirmando algo assim: “um sonho sonhado por todos torna-se realidade”. É uma bela frase de efeito, mas não significa nada, é apenas uma idiotice para comover estúpidos ansiosos por se encantarem com palavrório inútil; pois por serem incapazes de julgar o nexo das palavras encantam-se com a sonoridade fantasiosa destas, da mesma forma que encantam-se com ideologias fantasiosas sem perceber-lhes as contradições e fraudes. Ou seja, trata-se da vontade de crer no que convém, e não da vontade de conhecer a verdade. Portanto, é inútil usar a razão, argumentos, lógica, fatos e etc. numa discussão com alguém que acredita em algo por que o deseja verdadeiro, e não por reconhecer-lhe verdade, é completamente inútil, por mais gritantes que sejam os fatos e argumentos apresentados; já que aquele que é capturado por uma ideologia não a adotou por reconhecer-lhe a realidade, mas sim deseja ardentemente reconhecer-lhe realidade por tela adotado convenientemente. Por isso, adeptos de ideologias em quase sua totalidade nem mesmo as conhecem minimamente os pretensos fundamentos da ideologia que adota, e tão pouco deseja conhecer aquilo que lhe enfraquecerá a confortável crença. Assim, se faz cego e surdo para aquilo que não lhe interessa, apresentando enorme dificuldade para entender o que lhe é apresentado tanto quanto lhe é difícil o nexo naquilo que afirma. Ou seja, isso talvez seja apenas o organismo se defendendo, procurando neutralizar a informação que angustia através da confusão mental.

Enfim, as ideologias não podem ser combatidas com a razão, pois não são decorrentes da razão. E qualquer coisa que perceba favorável à ideologia será aceito com bastanet facilidade. Assim, pacifistas podiam reclamar da guerra do Vietnan e depois se calarem ante os assassinatos em massa, praticados pelos líderes socialistas combatidos para que não o fizessem. Podiam chamar os EUA de imperialistas e louvar a finada URSS que dominava vários países (império soviético); podiam clamar contra a frouxa dita dura BR e ao mesmo tempo louvar a ditadura cubana; Podiam condenar tropas e bases americanas em outros países sem faze-lo para a URSS, podem fazer comoventes manifestações contra o assassinato de uma freira que insuflava ânimos e nada dizer sobre a tortura e assassinato de um soldado na mesma época; podem clamar contra o “massacre do eldorado” onde 19 indivíduos avançaram armados contra os policiais e nada dizerem sobre o massacre de 29 garimpeiros por índios. ...e etc. etc. etc. etc.

Abraços
C. Mouro

Jabuticabo disse...

Aquecimento global no dos outros é refresco ...

... quando países com tanto em comum quanto EUA e Irã mantêm, ambos, um plano nacional de diminuição do uso de CFC, é claro que o comunismo internacional deve estar envolvido...

... é claro que é possível que um lobby de ecologistas de esquerda com vontade de aparecer tenha conseguido eliminar o uso dos CFCs em aerossóis (em bom português, sprays) em mais de 100 países, contando aí todas as Américas, a União Européia, Japão, a ponto de ter trocado o componente químico usado em metade das geladeiras do mundo,


tudo isso usando como desculpa algo que umas erupções vulcânicas calamitosas causaram, como o monte Pinatubo, por volta de 1991, a maior erupção vulcânica do século.

Tão forte que mudou a cor dos pores do sol no mundo inteiro

Tão calamitosa que causou o buraco da camada de ozônio, 3 ANOS NO PASSADO, POR VOLTA DE 1988!


... é interessante que este debate ocorra aqui, "neste país" que ainda não conseguiu banir o amianto da fabricação de caixas d'água.

... é claro que, ainda bem, este tipo de debate está fadado à irrelevância completa. Isto é um papinho que eu não escuto mais nem de mauricinho de mesa de operações.

Mario disse...

O Reinaldo Azevedo desenterrou uma matéria de 1974, do Estadão:

"A Terra caminha para nova era glacial"

Vejam detalhes (há muitos!): http://veja.abril.com.br/blogs/reinaldo/

C. Mouro disse...

Se baniram o CFC e tal, isso nada significa. Afinal, o socialismo também foi banido nos locais onde se instalou do jeito que quis... ...mas mesmo assim ainda tem tipos que o defendem como panacéia, como algo científico. ...hehehe!

Ademais, consensos nada provam sobre coisa alguma, e tão pouco produzem realidade. Além do que o fato de não sei quantos bilhões de pessoas acreditarem num determinado deus ou num deus qualquer, isso não demonstra nem prova que exista um deus. Ou seja, esse tipo de argumento é conhecido como FALÁCIA: consenso e quantidade não provam nada. Mas curiosamente jamais se colocou em debate (com os dois lados apresentando argumentos) a questão, mas apenas uma doutrinação regada a verbas públicas e privilégios de toda sorte para defensores de interesses variados, e até da pura estupidez.

Agora eu não sabia que vulcões causassem buraco na camada de ozonio. Essa informação eu desconhecia, tanto quanto desconheço que alguém a tenha dito. Pois os vulcões se relacionam com a poluição e não com o ozônio, mas se aguém disse isso seria viavel ler a explicação.

O que acontece é que a mídia cria "verdades" ao repetir insistentemente aquilo que lhe interessa. Há dois tipos de ambição e a política sabe manobra-las com maestria, sabe comprar consciências com dinheiro ou valores ideológicos, tanto quanto inventar inimigos para fazer amigos. Apenas provando o amor a um lado através da demonstração de ódio ao outro, com ataques ao outro, afinal fazer o mal aos que induzem contra eles o ódio, é muito mais fácil que criar benmefício para os que pretende aliados.

O mesmo aconteceu com o sim e não ao "desarmamento"... não havia debate e se publicvavas pesquisas onde o SIM tinha mais de 80% ...qunado o outro lado se manifestou, e até um tanto timidamente (podia ter sido mais duro), o confronto de idéias espostas resultou em mais de 60% para o NÃO. O marketing safado do sim se esfarelou como bosta ao sol.
Mas as ideologias abominam o confronto de idéias, e aquilo que de alguma forma interessa ao Poder estatal, a caprichos ou idiotice mesmo, dos que estão no Poder, tende fazercalar ou neutralizar toda argumentação contrária de forma não racional, até pelo berreiro ostensivo, a repetição até a visibilidade que ofusque qualquer oposição com argumentos.
Funesto que seja, a tendência é, como Hitler bem o sabia, se dar mais crédito ao mais visível e não ao mais coerente.
Ou seja, oposição a teoria do CFC e do aquecimento não chega aos cidadãos, não lhes é passada a explicaçção do outro lado; é só berreiro de um lado só, para simular verdade pela quantidade e visibilidade.

Abraços
C. Mouro

Granvile Alencar disse...

Ambiente:
Um outro lado da história, o esfriamento global
Tito Drago

Madri, 30/01/2007(IPS) - A Terra está à beira de uma nova era glacial, que congelará sua superfície quase completamente, afirma, com base em estudos científicos, o livro “Calor glacial”, que será apresentado nesta terça-feira na capital espanhola pelo jornalista Luis Carlos Campos.

O autor, especializado em mudança climática, fundamenta sua afirmação com pesquisas de milhares de cientistas, conferências e antecedentes precisos. Entretanto, ele se contrapõe ao que afirma o Painel Intergovernamental de Mudança Climática (IPCC), organismo criado pela Organização das Nações Unidas com a participação de 2.500 cientistas de 131 países, que está reunido esta semana em Paris.

O IPCC afirma que o aumento do dióxido de carbono (CO²), originado pelo consumo exagerado de combustíveis fósseis, está esquentando a terra e que, entre outras coisas, isso leva ao degelo nos pólos, o que causaria uma elevação do nível do mar e com isso a inundação de grandes áreas costeiras. Campos, ao contrário, afirma que a fase interglacial atual, que já tem 11.500 anos de existência, está em sua etapa final e seria sucedida por uma nova era do gelo. A esse respeito cita Niger Calder, ex-editor da revista New Scientist, que disse que “a ameaça de uma nova era glacial deve ser agora, junto com a guerra nuclear, a fonte mais provável de morte global e miséria para a humanidade”.

Nessa linha também apresenta opiniões de Fred Hoyle (1915-2001), o astrofísico britânico que detratou e chamou ironicamente de “Big Bang” (grande explosão) o modelo dentro da teoria da relatividade geral que descreve o desenvolvimento do Universo e de sua forma, e de seu companheiro o astrônomo Chandra Wickramsinghe, da Universidade de Cardiff, no País de Gales. A nova era glacial é “inevitável” e ela deixará “inoperantes grande parte das áreas cultivadas (...), o que levará inevitavelmente à extinção da maior parte da humanidade”, segundo estes cientistas responsáveis pela teoria da Panspermia, a qual afirma que a vida não surgiu na Terra, tendo chegado em cometas capazes de dispersar o mesmo tipo de vida.

Outro cientista, Zbigniew Jaworowski, do Laboratório Central para a Proteção Radioativa de Varsóvia e assessor do governo dos Estados Unidos, diz que florestas, lagos, animais, cidades e toda infra-estrutura da civilização moderna “serão varridos pelo avanço do gelo (...) e será incomparavelmente mais calamitoso do que todas as profecias apocalípticas dos que sustentam a hipótese do aquecimento global”. Os motores da mudança climática – diz Campos – não seriam nem o CO² nem o buraco na camada de ozônio, nem os aerossóis contaminantes que o provocam, mas a influência dos raios solares e cósmicos, que são fluxos de partículas carregados de alta energia, o que documenta com um escrito assinado por 17.800 cientistas.

Campos explicou que a Antártida é considerada pelos especialistas em clima como o barômetro do clima mundial. “Os dados indicam que há cerca de 35 anos grandes áreas da Antártica esfriaram, enquanto uma pequena parte da península Antártida (fora do círculo polar) derrete à velocidade vertiginosa”, afirmou. Em sua opinião, isso indica que o aquecimento não é global “e que os cientistas, ecologistas e jornalista até há poucos anos manejavam dados equivocados ou incompletos”, por exemplo, “confundindo a península antártica com o continente antártico”.

A teoria do buraco de ozônio, que indica que as grandes emissões de CO² estão reduzindo esse gás e com isso aumentando o calor na Terra, o jornalista qualifica como “bobagem” e afirma que é “o maior erro científico da história”. Campos fundamenta essa afirmação, entre outras pesquisas, em um estudo de 2005 de John Pyle e outros cientistas da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha, os quais concluíram que a redução do ozônio está aumentando e se deve ao incremento de nuvens estratosféricas, e não pela contaminação.

O climatologista Antón Uriarte, professor de Geografia Física da Universidade do País Basco, disse à IPS que “contra os que nos mentem, a tendência linear da temperatura na maior parte da Europa e da (região russa) Sibéria durante os meses de inverno (dezembro, janeiro, fevereiro) diminuiu nos últimos 15 anos”. Uriarte também acredita que haverá uma era glacial e, embora a interglacial que estamos vivendo já tenha 11.500 anos diante da anterior de apenas 10 mil, “A insolação não e a mesma agora, e por isso as condições não são tão ruins”.

Por isso, disse que apostaria que ela não chegará agora, mas que pode esperar milhares de anos sem apresentar-se. Mas, quando chegar, acredita que toda a Europa se converterá em uma Sibéria e será a região mais afetada do mundo. Perguntado como os cientistas fazem para medir o tempo falando em milhares de anos, respondeu que se faz isso estudando os gelos com sondas, já que até sua cor muda de acordo com as camadas e o oxigênio do gelo indica se houve mais calor ou frio.

Domingo Jiménez Beltrán, ex-diretor-geral de Meio Ambiente da União Européia e atual diretor da Tribuna da Água, disse à IPS que “a mudança é inquestionável, assim como o norte da Europa esfriará e que, sem dúvida, a atividade humana afeta o clima, o faz sem sentido, por exploração irracional de combustíveis fósseis que deveríamos deixar de consumir”. Também explicou que haverá mudanças, mas que não apóia a tese de Campos, mas a do aquecimento global descrito pelo IPCC.

Entretanto, campos insiste, citando o presidente da Fundação Argentina de Ecologia Científica, Eduardo Ferreyra, que escreveu que o ozônio não serve como escudo da Terra contra os raios solares ultravioletas porque carece da energia quântica necessária para absorve-lo, como fazem o oxigênio e o nitrogênio. Ferreyra afirma que “o oxigênio e o nitrogênio são os verdadeiros escudos e representam 99% da atmosfera, enquanto o ozônio representa apenas três milionésimo por cento”. Campos também se soma à opinião de Victoria Tafuri, do Observatório Nacional de Villa Ortúzar, Argentina. “Não observamos nenhuma variação nos níveis da camada de ozônio nos últimos 25 anos”, afirma.

A manutenção da camada de ozônio, acrescenta campos, se deve a interesses de grandes companhias multinacionais, com a química norte-americana Dupont, e até da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (Nasa), que desse modo “justifica os 870 milhões de euros (US$ 1,125 bilhão) que gastou em um satélite para investigar o monstro que não existe”. Sobre isto, o cientista britânico Derek Barton (1918-1998), ganhador do Nobel de Química em 1969, havia dito que “há tanta propaganda na mídia em relação ao buraco que as pessoas ficam cépticas. Há 580 milhões de anos, o CO² era de 120 mil partes por milhão devido às explosões vulcânicas, 350 vezes superior ao nível atual, e há cerca de 438 milhões de anos era 16 maior do que agora!”.

Em declarações exclusivas a Campos, Jaworowski afirmou que “Washington usa o assunto climático como uma arma psicológica nos dois casos, tanto com o aquecimento quanto com o resfriamento, pois são uma desculpa conveniente para que os militares demandem mais dinheiro para defender sua doce terra de liberdade de todo tipo de mal”. (IPS/Envolverde) (FIN/2007)

Alvaro Augusto disse...

Uma maneira simples, embora dispendiosa, de verificar se o aquecimento global se deve à atividade humana seria desligar todas as termelétricas convencionais (gás, carvão, óleo e biomassa) durante 30 anos, substituindo-as por termelétricas nucleares. Mas, êpa! Os ambientalistas também são contra as nucleares!

[ ]s

Alvaro Augusto
http://alvaroaugusto.blogspot.com

Waldemar M. Reis disse...

Imagino ser inútil, a esta altura, comentar este texto já 'velho' em seu blog, mas não posso abster-me de tal.

Um ponto me intriga há muito: sendo, como é, um maravilhoso sistema de distribuição de trabalho e riquezas geradas por ele, como pode o capitalismo suscitar, desde os seus primórdios, tantas e tão fervorosas oposições? Seria por mera 'inveja'? Por ser mesmo tão bom que os remanescentes de sistemas pregressos e os inventores de sistemas utópicos, por despeito pelo insucesso do que defendem ou criaram, decidiram destilar sua bile inútil sobre um sistema assim perfeito?

Então eu me pergunto: até que ponto um capitalista convicto não é como qualquer outro crente imbuído dos dogmas de sua religião? Qual a crítica sincera, qual o grau de verificação, no sentido popperiano, dos resultados oferecidos pelo sistema capitalista tem sido feita por um capitalista convicto? Detalhe: procuro não confundir o engenho e a indústria humanos com o sistema que lhe deu suporte apenas em função do lucro e que por causa do lucro é capaz de corromper a capacidade criativa, inventiva da humanidade.

Se todo esse progresso se fez tendo em vista o ganho hiperbólico de uns em detrimento de outros, posso, a despeito de desfrutar de parte considerável de tal progresso, classificá-lo como pernicioso. Não seria ele possível sem o estímulo do lucro?

Por outro lado observo: sendo quem sou, como sou, desfruto de certa liberdade, mas apenas dessa liberdade, justo por não sublinhar tudo quando dizem os detentores de algum poder. Queira eu possuir mais (esse signo indefectível de progresso para os aditos do capital), e devo endossar à letra tudo quanto professam os donos do poder. Do contrário, deixam-me livre, mas num estado relativamente inócuo para os seus propósitos. Também posso submeter-me a eles, de 'livre vontade' e ter de obedecer ad aeternum às cláusulas de seu trato de leão.

Em minha opinião o adepto desse tipo de liberalismo atrelado ao capitalismo (que não é senão uma técnica rapinante de produzir, a partir de uma matéria prima, no caso, o dinheiro, a mesma matéria prima) é um tolo - se tem consciência de que será um assalariado 'second or third class' por toda a vida - ou um mal intencionado - caso nutra o desejo de algun dia lograr a exploração da boa-fé alheia. Como são muito raros os tolos...

Leandro O. disse...

Olá Constantino,

Muito fácil colocar todo mundo no mesmo balaio. O mundo não é tão exato assim como declarado: ambientalista comunista bitolado e capitalista malevolente. Habitam no mundo todas as combinações de ideologias, ou o que for.

Usei trechos e comentei seu post no nosso blog (http://smalldemand.blogspot.com), inclusive coloquei o link do post lá.

Se quiser que eu retire o link é só pedir.

Obrigado.