quinta-feira, agosto 06, 2009

Aniversário do Instituto Millenium



Rodrigo Constantino

Há quatro anos, nascia o Instituto Millenium, do qual sou orgulhosamente um dos fundadores. Algumas pessoas imbuídas de um sentimento de esperança, e com uma forte crença no poder das idéias, resolveram concretizar o sonho de ter no Brasil um “think tank” capaz de divulgar os principais valores liberais: Estado de Direito, democracia e economia de mercado. São estes os pilares de todos os países desenvolvidos, que infelizmente ainda são muito escassos por aqui.

O avanço do governo sobre as liberdades individuais é uma triste realidade na América Latina. Em alguns campos este avanço foi razoavelmente contido, mas em outros ele aumentou. Sendo o preço da liberdade a eterna vigilância, faz-se necessário participar da luta, no campo das idéias, contra este avanço estatal e pela liberdade. Se as pessoas de bem nada fizerem, o triunfo do mal – no caso a escravidão gradual dos cidadãos – será inevitável.

Muitos brasileiros compartilham desses valores defendidos pelo Instituto Millenium, mas não acreditam tanto assim na força das idéias para alterar a trajetória atual. Essa falta de esperança é um grande aliado do inimigo, que se aproveita da passividade das pessoas para avançar ainda mais rumo ao “caminho da escravidão”. Entendo o desânimo que o circo armado em Brasília costuma gerar nas pessoas mais esclarecidas, mas não devemos jogar a toalha. Se não quisermos virar uma grande Venezuela, devemos fazer algo, combater o populismo demagógico com argumentos racionais, mostrando que há uma alternativa.

Cada um pode ajudar de alguma forma. Existem diversas maneiras de colaborar. Os empresários e trabalhadores podem continuar focando em suas importantes tarefas, ajudando a criar riqueza para o país, e ao mesmo tempo colaborar financeiramente com o instituto. Os mais jovens podem tentar divulgar os valores liberais entre seus colegas. Os intelectuais podem escrever artigos ajudando a expor argumentos na defesa desses valores. Todos podem contribuir um pouco, dedicando uma parte de sua energia e tempo à importante causa da liberdade. Como diz uma propaganda: “se não puder fazer tudo, faça tudo que puder”.

O fundamental é compreender que algo deve ser feito, e cada vez com mais urgência. A liberdade não cai do céu. Ela é uma conquista que vem com muito esforço, pois conta com vários inimigos. E normalmente, as pessoas só valorizam mesmo a liberdade quando já a perderam quase completamente. Como sapos escaldados, vamos nos acostumando com sua perda gradual, sem sentir que a situação já está quase fatal. De repente, sem saber bem como, notamos que somos apenas súditos, e não mais cidadãos livres. Evitar este triste destino é a meta do Instituto Millenium. Espero que ele possa fazer ainda mais por esta nobre causa nos próximos anos. E isso depende também de você, prezado leitor. O que você ainda está esperando para ajudar, da forma que for possível?

http://www.imil.org.br/

9 comentários:

Adam Smith disse...

Parabéns para você e para a equipe do IMil.

Já pensei em fazer uma doação, mas fiquei desmotivado ao tomar conhecimento, via o Blog do Janer Cristaldo, que o Instituto tem compromissos "ocultos", além do liberalismo.

Segundo o email postado no blog do Janer, as regras editoriais do Instituto são: "ideais liberais, exceto o que ofender a Igreja Católica".

Por um momento pareceu fazer sentido, já que em um think tank de economia não faz muito sentido ficar discutindo aborto ou células-tronco, que até têm suas ligações com o respeito às liberdades individuais mas não se resumem à economia.

Entretanto, o que me assustou é que as regras são específicas. Elas não dizem, por exemplo, que não se deve publicar um texto sobre futebol, que também não tem nada a ver com liberalismo. As únicas proibições citadas nas regras são os assuntos proibidos pela Igreja Catolica.

Visto que a Igreja é um dos bastiões do coletivismo, essa proximidade com um think tank supostamente liberal é no mínimo preocupante.

samuel disse...

Estou aprendendo a conhecer o imil por meio do pensamento de Rodrigo Constantino. Gosto do que leio. Me ajuda a achar equilíbrio nessa algazarra de interesses no noticiário geral. É um pensamento firme sem titubeios com um norte lógico, bem definido.
Não tem a Petrobrás para financiar seu pensamento. Se o tivesse não nos serviria. Necessita de nossa contribuição e os terão...

livemusic disse...

Estou esperando eles lançarem umas camisas mais bacanas pra eu fazer minha doação. :)

Georges disse...

Rodrigo, qual a diferença entre o Instituto Millenium e outros institutos como o IL e o Ethos?

Um abraço,
Georges Lacombe

Rodrigo Constantino disse...

Georges, o Ethos eu não conheço tão bem para falar, mas como sou diretor do Instituto Liberal, afirmo que a maior diferença que vejo é público alvo. O IL foca em produzir conteúdo para formador de opinião, e o IM é mais uma espécie de divulgador das idéias liberais. Mas há coisas em comum, naturalmente. E como liberais, não vamos reclamar de um pouco de concorrência... hehehe

ABEL AQUINO disse...

Rodrigo, você vai responder se existe o tal "compromisso com a igreja católica" apontado pelo primeiro comentarista?

http://coisapolemica.blogspot.com

Rodrigo Constantino disse...

Não há nada disso. O que há é uma decisão do IM de não se meter no assunto religião. É bem diferente.

Eu mesmo sou ateu e escrevo para outros sites sobre religião. Mas o IM não quer se meter nisso.

O Janer está enganado nesse aspecto.

Rodrigo

Adamos Smithson disse...

O aborto não é um tema religioso. É um tema referente à liberdade individual e uma questão de saúde. É verdade que a Igreja Católica tem opinião contrária ao aborto, mas isso não transforma a questão em assunto religioso. Assunto religioso é a concepção imaculada ou o fenômeno da transubstanciação. Se o fato de a IC ter opinião sobre um assunto faz com que ele se torne tema religioso, então o MST também é tema religioso, pois a IC tem opinião (favorável) sobre o assunto.

A proibição de duscutir o aborto não se deve à suposta "religiosidade" do tema, visto que o tema não é, em si, religioso. Portanto, a proibição só se justifica como um compromisso de não ofender as crenças católicas, ainda que a custo de certas liberdades individuais.

Gabriel disse...

Um instituto que tem entre seus membros um senhor da opus dei, não merece respeito.