segunda-feira, agosto 17, 2009

De quem é a culpa?



Rodrigo Constantino

“Aqueles que desistiriam da liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade, nem segurança.” (Benjamin Franklin)

Alguns brasileiros ficam indignados com o verdadeiro circo montado em Brasília, com escândalos atrás de escândalos. No entanto, não é possível separar totalmente o que se passa na política nacional daquilo que o próprio povo pensa. Afinal, esses políticos envolvidos em infindáveis casos de corrupção foram eleitos, e muitos deles reeleitos várias vezes. Portanto, não dá para negar que Brasília é um reflexo do país. Os políticos não deixam de representar o povo brasileiro. O brocardo diz que cada povo tem o governo que merece. Infelizmente, isso parece verdadeiro.

Seja por ignorância, seja por perfídia, o fato é que os eleitores têm dado um aval aos atos imorais vindos de Brasília, contanto que seus interesses imediatos estejam atendidos. Desde os mais pobres que aceitam se vender em troca das migalhas do Bolsa Família, até os ricos empresários que se vendem por subsídios e protecionismo do governo, quase todos preferem ignorar o aspecto ético e focar somente nas recompensas econômicas de curto prazo. Essas pessoas parecem anestesiadas diante da chuva de escândalos políticos, e tratam tudo como se fosse natural, parte de um “jogo democrático” que passou a ser aceito e tolerado. O “pragmatismo” acabou assassinando a ética.

Nesse sentido, parece inegável que houve uma enorme deterioração no quadro com a reeleição do presidente Lula. Submerso em escândalos da maior gravidade, mas governando durante uma fase econômica mundial favorável, o presidente Lula conseguiu uma espécie de “carta branca” do povo brasileiro com sua reeleição. O recado estava dado: corrupção, “mensalão”, alianças espúrias, nada tinha relevância, contanto que as vantagens econômicas continuassem. Se as verbas para os “movimentos sociais” continuarem aumentando, se as esmolas estatais receberem aumentos constantes, se os privilégios dos funcionários públicos continuarem intocáveis, se as empresas continuarem com bons resultados, então está tudo liberado no campo da ética. As portas para o inferno da imoralidade estavam escancaradas!

Desde então, nada mais parece despertar indignação verdadeira na maioria. Se o presidente beija a mão de um antigo caudilho nordestino, alegando se tratar de uma aula de pós-graduação em ciências políticas, isso é parte do jogo político. Se o presidente passa a ser o maior aliado de José Sarney, sob uma enchente de novas acusações, isso é normal. Até mesmo se o presidente esquece tudo que já disse sobre Fernando Collor, que vira seu mais novo aliado político, então o povo passa a borracha em sua memória também, e bola para frente. Nenhuma dessas bizarrices desperta raiva, indignação ou revolta. Até os estudantes da UNE selecionam seus alvos, mas não com base em algum critério moral objetivo, e sim de acordo com os interesses do momento. Há corrupção na Petrobrás? Não importa. A defesa da estatal é incondicional. Vale tudo pelo poder. Vale tudo por uma teta do governo.

O leitor poderá alegar que jamais votou no PT, que condena essa pouca vergonha em Brasília, e que, portanto, não tem culpa alguma dessa situação lamentável em que o país se encontra. Mas ainda sustento a tese de que muitos são mais culpados do que gostariam de assumir. São os casos daqueles que defendem mais e mais governo, e depois reclamam dos problemas causados justamente pelo excesso de governo. Pessoas com boas intenções até, mas que delegam ao governo o poder de solucionar todos os males da humanidade. Pessoas que demonizam o livre mercado, os empresários, o lucro, achando que um “novo mundo possível” poderá ser criado através de um decreto estatal. Ingênuos que mantêm uma fé tola na via política para acabar com os males do mundo. Todos esses têm culpa no cartório também, ainda que indireta.

Afinal, esta mentalidade coletivista, que deposita no governo o poder de um deus, representa uma das principais causas dos problemas atuais. Essas pessoas ignoram que, ao cederem poder suficiente ao governo para criar a tal “justiça social”, elas estão cedendo também poder suficiente para criar o despotismo. Demandar sempre mais governo, e depois condenar os abusos provenientes do próprio governo, parece até mesmo um caso de esquizofrenia. O tamanho absurdo e o grau assustador de interferência na esfera privada que o governo brasileiro possui, nada mais é que um reflexo dessa mentalidade predominante no povo. Os brasileiros temem a liberdade, e entregam seu mais valioso bem em troca de migalhas e da falsa promessa de segurança. Estão trilhando um “caminho da servidão”. E o pior: uma servidão voluntária.

Portanto, quando o leitor desejar buscar culpados pela podridão que vem dominando o país, sugiro que comece a busca pelo próprio espelho. Há uma elevada probabilidade de encontrar ao menos um dos milhões de culpados ali...

29 comentários:

Adamos Smithson disse...

Rodrigo,

Deixe de ser pedante... você pode até não gostar de Governo. Você pode até não gostar de gente que quer mais e mais Governo. Mas o problema de Brasília não é o tamanho do Governo. O problema é corrupção. É gente que se acostumou a se apropriar de bens públicos.

Embora a corrupção esteja em todo lugar, existe países com Governos grandes que são menos corruptos, e países com Governos pequenos que são mais corruptos.

Vale lembrar, que o personagem central da atual crise do Senado é um dos fundadores do DEM, o partido que supostamente está mais a direita no espectro eleitoral Brasileiro.

Rodrigo Constantino disse...

Pedante? Onde o rapaz viu algo que possa levar a esta conclusão???

FAKE, se for começar a xingar, terá as postagens apagadas. Tente focar nos argumentos!

Vc realmente não enxerga nexo causal algum em aumentar o tamanho do governo e a corrupção??? Então faça o seguinte: compare a lista dos países com maior liberdade econômica com o índice de corrupção percebida.

Não é difícil entender a lógica. Até vc consegue!

Quanto mais dinheiro e poder passar pela burocracia, o dinheiro da "viúva", mais a compra de FAVORES se torna rentável. Quanto mais burocracia, mais dificuldades criadas para a compra de facilidades ilegais. Quanto mais a canetada do governo decidir o destino de um setor inteiro, mais lobby e compra de políticos para favorecer determinadas empresas. E por aí vai.

Juro, alguém não entender o nexo causal entre mais governo e mais corrupção, ceteris paribus, em pleno século 21, ainda mais um cara que se diz liberal e usa o nome de Adam Smith, é triste!

Adamos Smithson disse...

Pedante é xingamento?!

Eu concordo plenamente com você que um Estado grande cria mais oportunidades para corrupção. O que é diferente de dizer que não exista corrupção em um Estado pequeno. Veja o caso da África. O Estado é pequeno, quase inexistente, mas muito corrupto.

No caso específico do Brasil, citei um exemplo concreto. O partido com qual o Instituo Millenium - o think tank liberal - se alinha, o DEM, foi fundado pelo mesmíssimo Josef Sarney que está na centro da crise hoje. Será que todos os amigos do Sarney da época da fundação do Partido só descubriram agora quem ele realmente era?!

Dizer que o que está ocorrendo em Brasília hoje é causado por quem vota em Estado grande (quando 90% da população sequer faça idéia do que seja isso e de seus impactos econômicos) é delírio.

O Sarney não é só o fundador do DEM. Embora publicamente o DEM tenha pedido que ele renunciasse, todo mundo sabe que o Coronel do Maranhão e o DEM são irmãos de longa data. As práticas do Sarney são as mesmas, para ficar em um só exemplo, do ACM. O Sarney é o ACM do Maranhão. Ou do Amapá, sei lá.

Querer jogar a culpa nos defensores do Estado Grande, enquanto o partido que mais se alinha com Estado Pequeno está tão perto do personagem central da crise não faz muito sentido, faz?

Rodrigo Constantino disse...

AS, o DEM teve que mudar o nome, tirar o LIBERAL do PFL. Por que será? Alckmin teve que vestir bonés de estatais. Por que será? Em 2010, ao que tudo indica, teremos Dilma, Heloísa Helena, Marina Silva e Serra. O mais liberal desses é um autoritário socialista! Por que será? ONDE os liberais estão representados? Vc acha que Sarney alguma vez representou os liberais? Acorda!

O Brasil vive um MONOPÓLIO da esquerda, do coletivismo, da estatolatria. E por isso estamos nesse lixo.

Rodrigo

Adamos Smithson disse...

Em tempo, aliás e a propósito: você pediu "compare a lista dos países com maior liberdade econômica com o índice de corrupção percebida". Você pediu? ADAMOS ENTREGA! Coloquei o resultado aqui: http://imgur.com/vLAzP.png

No eixo X do gráfico está o tamanho do estado (Impostos / PIB). No eixo Y, está o CPI (quanto maior, menor a corrupção percebida). Para não ficar comparando Europa com Japão com África, peguei apenas os países da União Europeia (sem acento).

Nessa amostra de 25 países, existe uma correlação negativa entre tamanho do estado e corrupção percebida. Ou seja: nessa amostra, quanto maior o Estado, menor a corrupção.

Todo mundo que já tenha estudado estatística sabe que correlação não implica causalidade. Entretanto, se Estado Grande por si só criasse corrupação, nós não veríamos a correlação. Correlação não implica causalidade, mas causalidade gera correlação.

Ta aí. Espero que você nunca vá num programa de TV e diga "Estado Grande causa mais corrupção, basta olhar os dados".

Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Corruption_Perceptions_Index
http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_countries_by_tax_revenue_as_percentage_of_GDP

Link alternativo pra imagem: http://img8.imageshack.us/img8/8721/adamos.png

Mateus disse...

Adamos,

Carga Tributária não necessariamente está associada a intervenção estatal. A corrupção surge muito mais nas entranhas do setor privado, quando o estado regula tudo e todos do que quando cobra impostos! É por isso que, na amostra que vc pegou, embora haja países com alta carga tributária, estes mesmos paises estão no grupo de cima da lista de liberdade economica i.e. ausencia do governo na liberdade individual e privada. Alias, foi disso que o Rodrigo falou: verificar a correlação entre currupção e liberdade economica. Impostos é só um dos quesitos!

Abs

Adamos Smithson disse...

Carga Tributária não necessariamente está associada a intervenção estatal.

Hahaha. Essa foi boa. Rodrigo, diz pra ele que ele tá errado, please.

Mateus, você está errado, mas não se desespere. Nessa amostra, de fato existe co-relação negativa entre tamanho do estado e corrupção. Isso não significa, é claro, que a mesma regra se aplique a outras amostras. Também não significa que exista relação de causalidade entre uma coisa e outra. Mas contradiz o que o Rod falou: Vc realmente não enxerga nexo causal algum em aumentar o tamanho do governo e a corrupção??? Então faça o seguinte: compare a lista dos países com maior liberdade econômica com o índice de corrupção percebida. Houvesse nexo causal, ele deveria se manifestar nessa amostra.

Em tempo: entre os cinco países menor percepção de corrupção, existe um (cingapura), com estado muito pequeno, um com estado do tamanho do do Brasil (nova zelândia) e os outros três possuem estados muito grande: dinamarca, suécia (olha ela aí, gente) e finlândia. Ah, a co-relação negativa continua a existir mesmo retirando-se os países nórdicos da amostra.

Já pegando os países com maior percepção de corrupção: não consegui achar dados sobre a Somalia (o país mais quebrado do mundo), Iraque (em intervenção militar) e Mianmar, que eu não sei o que é. Depois desses, os cinco países com maior percepção de corrupção e o tamanho de seus estados, medido por impostos/pib são:

Haiti - 9.4%
Afeganistão - 6.4%
Sudão - 6.3%
Guinea - 8.2%
Chade - 4.2%

Todos esses são países com Estados MUITO pequenos. O Brasil, por exemplo, está na casa dos 39%, os EUA, 28%.

Portanto, a tese de que maior estado leva a maior corrupção não se sustenta nem analisando os 5 países com menor corrupção, nem analisando-se os 5 com maior corrupção, nem analisando os 25 que formam a união europeia. (o resultado da UE está em http://imgur.com/vLAzP.png)

Só para não parecer que eu sou chato: foi o Rodrigo, o dono do blog, que pediu para eu fazer essa análise. Ta aí. Ta feita.

Seria legal se o Rodrigo respondesse... ele estava tão animado quando falou para eu olhar os dados :)

Rodrigo Constantino disse...

AS, o Mateus está certo, e vc errado. Os impostos são um importante indicador de tamanho do governo, mas não o único. Sugiro que vc dê uma olhada no Heritage Foundation ou Frasier Institute, e veja o cálculo de liberdade econômica deles. Muitos outros fatores entram na análise do tamanho do governo, de sua interferência no livre mercado. Eu mesmo sempre cito em meus artigos impostos, burocracia, regulações, excesso de leis, etc.

Rodrigo

Rodrigo Constantino disse...

AS, o Mateus está certo, e vc errado. Os impostos são um importante indicador de tamanho do governo, mas não o único. Sugiro que vc dê uma olhada no Heritage Foundation ou Frasier Institute, e veja o cálculo de liberdade econômica deles. Muitos outros fatores entram na análise do tamanho do governo, de sua interferência no livre mercado. Eu mesmo sempre cito em meus artigos impostos, burocracia, regulações, excesso de leis, etc.

Rodrigo

Adamos Smithson disse...

Bateu o desespero nas hostes liberais...

O Rodrigo falou que deveria existir nexo causal entre tamanho do Estado e Corrupção Percebida. Eu usei a carga tributária como aproximação do tamanho do Estado. Essa aproximação não é perfeita: é uma aproximação! Mas é a mesma aproximação que TODO MUNDO usa...

Mas tudo bem... vamos lá ao seu Fraser (sem o 'i') Institute. Peguei o relatório Economic Freedom of the World 2008 Annual Report deles (fonte: http://www.freetheworld.com/release.html).

Peguei na tabela 1.3 do Capítulo 1, os valores da coluna "Size of Government" dos 25 países da União Europeia. Nesse caso, quanto menor o número, maior o Estado.

Se o Rodrigo estava interessado em algum nexo causal entre "tamanho do governo e a corrupção", me parece que o Size of Government seja um bom valor pra usar. Todos concordamos nessa?

Bom, vamos aos resultados: http://imgur.com/dy8BE.png

Mais uma vez, os países com menor Estado (esquerda do gráfico) possuem menor corrupção (maior CPI).

Voltando ao Constantino: "não entender o nexo causal entre mais governo e mais corrupção é triste". Desculpe-me, mas os dados não parecem mostrar que mais governo gera mais corrupção. Ao que me parece, mais corruptos geram mais corrupção, mas isso independe do tamanho do Governo.


ps.: eu ia colocar uma foto da Selma Hayek, com seu habitual decote, para representar o lado do Estado Pequeno. Em homenagem ao outro Hayek. Como alguém poderia abrir no trabalho e um chefe mais chato poderia não gostar, troquei pelo A de anarco-capitalismo.

Everardo disse...

De vez em quando é bom lembrar que, apesar do catastrofísmo acerca da corrupção de congressistas (mais sensível aos que preferem um país sem congresso - ou com ele fechado), o trabalho do nosso legislativo é admirável em muitos aspectos. Todas as normas jurídicas desse país, queiramos ou não, saem de lá. A vida da sociedade (que afinal de contas é pacífica) saí de lá. Saõ milhares de projetos de lei arduamente discutidos, debatidos, sentidos, comparados. Não podemos esquecer o lado bom do Congresso...

Rodrigo Constantino disse...

Espanto... o Everardo acha ótimo termos milhares de leis idiotas, estúpidas, autoritárias, invasivas. Ele acha que graças a ISSO temos uma vida em sociedade, e pior!, pacífica!!!

Espanto...

Everardo disse...

Quero dizer também, Rodrigo, que, boas ou más, estúpidas, idiotas, autoritaárias, invasivas, mas são leis que custam trabalho e conhecimento para elaboração. E os juristas sabem disso. O que o Congresso faz é importante, independente do juízo de valor, da ideologia das leis que ele produz. Quero dizer isso.

David disse...

O Everardo disse que "a sociedade é pacífica"...E os crimes? E a violência do trânsito? E a falta de urbanidade que é violência também?
E a falta de solidariedade?
Acho que ele falou de outro lugar, não do Brasil onde se mata à toa, com cifrar e crimes que assustam a todos, menos os políticos (ou, vá lá, legisladores) que se beneficiam desse estado de coisas.

Rodrigo Constantino disse...

Ah, se o ingênuo Everardo soubesse como as leis e as linguiças são feitas...

Everardo disse...

David, a humanidade não é má por natureza. As desigualdades e as carências, os conflitos e os choques de interesse provocam a violência. E quem reponde pelas desigualdades em maior parte são os modelos de produção, o sistema econômico. Basta comparar o que ocorre numa favela extremamente pobre e o que ocorre em comunidades opulentas, educadas. Lá também se registram casos pontuais de violência, que debitam-se muito mais a questões individuais, psicológicas, que aos problemas sociais. Mas o capitalismo se fundamenta num modelo que estimula a violência, pois pressupõe a competição, a disputa pelos melhores lugares. Pressupõe o que chama de "mérito", a vitória do mais bem dotado, a lei do mais forte. Pressupõe o consumo pelo consumo, a obsolescência. E tudo isso está na raiz da violência.

Everardo disse...

Rodrigo, estive pensando no paralelo que voce estabeleceu entre fazer leis e fazer linguiças e posso concluir que, se você encontra alguma semelhança nos processos, é porque não conhece pelo menos um deles. Penso que você conhece o processo de fazer linguiça.

cleber.mira disse...

Olá Rodrigo. Essa discussão sobre a correlação entre o tamanho do estado e corrupção talvez seja a mais interessante e elevada que eu tenha lido no blog. Talvez seja pedir um pouco demais, mas eu gostaria que vocês (Rodrigo e o Adamos) continuassem a discussão avaliando se as variáveis são adequadas ou as características individuais dos países avaliados.

Adamos Smithson disse...

Cleber, na minha opinião não existe qualquer tipo de nexo causal entre tamanho do Estado e corrupção. A teoria, até onde eu saiba não diz nada a respeito (*). Dados práticos não são as melhores fontes para se avaliar causalidade, pois ele só podem mostrar correlação. Nesse caso específico, da União Europeia, parece que tamanho do Estado e corrupção estão negativamente correlacionados.

Sem poder contar nem com a teoria nem com a prática, não entendi a posição do Rodrigo de se dizer assustado com quem não vê nexo causal entre uma coisa e outra. Se a opinião dele fosse referente a liberdade econômica de uma forma mais geral, poderiamos encontrar outros resultados. Entretando, limitando-nos ao tamanho do Estado, conforme definido pelo Fraser Institute, realmente não vejo como a afirmação do Rodrigo se sustenta, e acho uma pena que ele tenha parado de responder.

(*) a teoria mostra, sem dúvida, que quando o Estado atinge seu tamanho ótimo, novos aumentos passam a comprometer o crescimento do PIB. Nisso eu e o Rodrigo concordamos (talvez discordemos de qual é esse tamanho ótimo, mas concordamos que ele existe).

Rodrigo Constantino disse...

"Cleber, na minha opinião não existe qualquer tipo de nexo causal entre tamanho do Estado e corrupção. A teoria, até onde eu saiba não diz nada a respeito"

Falso, tanto a teoria como a lógica mostram que há nexo causal em tamanho do governo (burocracia inclusive) e corrupção. E é bem fácil entender o motivo!

Dinheiro da viúva, falta de "accountability", ausência dos incentivos adequados de punição e premiação existentes no livre mercado, poder concentrado, rentabilidade de troca de favores pelo lobby político (rent seeking), etc.

Enfim, quanto mais poder concentrado em burocratas, mais tende a ter corrupção, tudo mais constante.

Rodrigo

Rodrigo Constantino disse...

"a teoria mostra, sem dúvida, que quando o Estado atinge seu tamanho ótimo, novos aumentos passam a comprometer o crescimento do PIB. Nisso eu e o Rodrigo concordamos (talvez discordemos de qual é esse tamanho ótimo, mas concordamos que ele existe)."

O "tamanho ótimo" do Estado, que é a força, a escravidão, é ZERO!

Adamos Smithson disse...

Eu pensei em colocar que na sua opinião o tamanho ótimo do Estado seria zero, mas achei que mesmo você defendia que algum Estado deveria existir, para garantir a lei, o direito de propriedade, a defesa das fronteiras, etc. Enfim, concordamos que Estado maior que o tamanho ótimo gera impactos negativos no crescimento do PIB, ainda que esse tamanho ótimo possa vir a ser zero. (o que não é a opinião do Adam Smith, nem do Milton Friedman e nem mesmo do Instituto Liberal, mas vá lá)

Mas não é isso que estamos discutindo, não é mesmo? Você diz que a teoria mostra que o crescimento do Estado gera, tudo o mais sendo constante, crescimento na corrupção. Eu sei que tem muita gente que DIZ isso, mas não conheço nenhum tipo de demonstração teórica que MOSTRE isso. Mesmo que tal teoria existisse, seria o caso de confronta-la com a realidade: os dados mostram haver correlação negativa entre tamanho do estado e corrupção percebida. Se supostamente existe nexo causal entre uma coisa e outra, nós não só não deveríamos perceber essa correlação negativa, como deveríamos observar uma correlação POSITIVA, pois correlação não implica causalidade mas o contrário acontece: causalidade gera correlação.

Por que você não diz onde esta essa teoria que mostra que o aumento do Estado gera corrupção? E por que você não explica a contradição entre essa suposta teoria e a prática?

Rodrigo Constantino disse...

As estatísticas podem ser a arte de torturar números até que eles confessem qualquer coisa, AS.

Eu tenho artigo mostrando isso.

Cuidado com o excesso de "empirismo" em ciências sociais. Leia Mises sobre o tema. Conheça a praxeologia. Entenda que economia é uma ciência que necessita da lógica, que é apriorística.

Eu te explico com argumentos claramente racionais PORQUE mais governo aumenta o risco de corrupção. A tendência é essa. E ela é clara!

Quanto à prática, ou ilustração, existem aos montes! Em países isolados vc poderá analisar o aumento do governo e da corrupção, mesmo na Dinamarca da vida.

O que vc ignora no seu único "argumento", que é a correlação dos países com a carga tributária, é o "tudo mais constante". Vc não tem como dizer que a Suécia seria MENOS corrupta se o governo fosse menor. Eu te digo: seria sim! Mantendo o restante constante. Como eu sei? Lógica!

Agora, se vc compara apenas a carga tributária da Suécia e do Brasil, a corrupção, e acha que com isso vc provou que mais governo NÃO leva ao aumento da corrupção, então vc não sabe nada de lógica, economia, e mesmo de estatística!

Rodrigo

Adamos Smithson disse...

Rodrigo, foi VOCÊ que falou para eu olhar as tabelas de corrupção percebida. Foi você que sugeriu que eu comparasse com os valores do Fraser Institute. Foi isso que eu fiz, sem qualquer tipo de alteração nos números.

Veja: quando alguém diz, da forma como você disse, "compare os números e você vai ver que mais Estado gera mais corrupção", o leitor imagina que você já tenha feita essa comparação, ou que pelo menos você tenha lido o artigo de alguém que a tenha feito. Ledo engano. Você ACHA, baseado na lógica, que mais estado gera mais corrupção. Isso é palpite, não é ciência. Torna-se ainda mais palpite quando você formula a sua teoria de uma forma intencionalmente intestável. Economistas não podem se dar ao luxo de fazer experimentos com tudo o mais constante, ou ceteris paribus para mostra óh como sou rebuscado.

O Rodrigo que diz que analisar os números não é valido devido às diferenças entre os países contradiz o que me pediu para comparar os países. O que dizia que a teoria mostra nexo causal entre tamanho do Estado e corrupção contradiz o que agora explica essa causalidade baseado na "lógica". Se sua lógica está correta, por que os dados a contradizem?

Ao menos admita que quando você disse que eu deveria olhar os números, você mesmo nunca o tinha feito, não achava que eu fosse fazê-lo e honestamente achava que o resultado seria diferente, pois foi isso que os que te influenciam sempre te disseram.

ps.; não fiz só a análise de carga tributária. Usei a medição de tamanho do Estado do Fraser Institute, por sugestão sua!

Everardo disse...

Talvez a questão sobre o nexo entre tamanho do estado e corrupção fosse entendida assim: se não existisse estado a corrupção "do estado" seria zero. Ou, seja, para um estado zero, corrupção estatal zero, é isso, Rodrigo? Nesse raciocínio, você teria razão. Mas, quem garante que essa regra não é válida apenas para o "estado zero"? Quem garante que, a partir de um determinado tamanho a corrupção, inversamente, diminuiria? A Rússia é indicada como país de topo na corrupção. Mas, não haveia medição disso no tempo da URSS. Melhorou, ou piorou?

fejuncor disse...

Herança da Bula Intercetera. Hoje temos a República Federativa das Capitanias de Tordesilhas.

A União é uma trambicagem. Ela sobrevive de explorar os estados. Esta crença do povo analfabeto político num "governo milagreiro" é obscurantismo político.

Não há razão para manter a União. Ela se tornou um foco de atraso, criminalidade e incompetência. Sou pela emancipação de todos os estados e pelo fim da União Federativa.

Everardo disse...

fejuncor, a afirmação de que a Uniâo tornou-se foco de atraso, criminalidade e incompetência é puramente emocional. Não há qualquer indício de que seja essa afirmação aceita por quem quer que seja. Ela é abolutamente infundada.
Imagine-se o Estado do Amazonas com a amazônia, autônomo, soberano, mas sem o respaldo institucional do Brasil...Seria ladrilhado e repartido no dia seguinte...

Rodrigo Constantino disse...

"a afirmação de que a Uniâo tornou-se foco de atraso, criminalidade e incompetência é puramente emocional. Não há qualquer indício de que seja essa afirmação aceita por quem quer que seja. Ela é abolutamente infundada."

hehehehehehehe

Everardo disse...

Digo mais, Rodrigo: a idéia de União, como instrumento de cooperação juridicamente ordenada, está se aperfeiçoando e se expandindo. Veja que blocos de estados soberanos estão se formando a partir de tratados e depois consolidando-se com finalidades semelhantes a de um estado. Essa tendência munidal indica que essa é a mão da história.