segunda-feira, junho 03, 2013

Contra a demagogia na escola

Rodrigo Constantino

Importante entrevista nas páginas amarelas de VEJA essa semana, com o matemático Nuno Crato, ministro da Educação e da Ciência em Portugal (favor não comparar seu currículo ao de Aloizio Mercadante, para não humilhar tanto a ex-colônia). Crato tem atacado o “eduquês”, a pedagogia romântica e construtivista nas escolas. Ele está certo! Logo no começo, ele explica melhor o que está condenando:

Minha crítica bate de frente com uma linha muito celebrada nas escolas de hoje. É uma corrente que dá ênfase excessiva às atitudes e à formação cívica do aluno e deixa em segundo plano o conhecimento propriamente dito. Pergunto: como investir em educação cívica se o estudante não consegue nem ler o jornal?

Infelizmente, muitos educadores levaram suas ideologias esquerdistas para dentro da sala de aula. Antigamente, ensinava-se a ler e a escrever, a fazer contas, enquanto hoje se “ensina” que é preciso ter “consciência social”, sem falar de toda a doutrinação ideológica absurda.

Alunos, cada vez mais cedo, são expostos à visão de mundo desses professores, que enfiam goela abaixo desses imberbes indefesos a noção marxista de “opressores e oprimidos”, tão disseminada por Paulo Freire e sua “pedagogia do oprimido”. Pelo visto, “aprender” que o homem branco ocidental era malvado e dominou as pobres minorias é mais importante do que saber ler direito e fazer contas.

Além disso, os métodos tradicionais de ensinar e cobrar dos alunos são atacados por esses pedagogos modernos. Eles partem da premissa de que os alunos não devem ser tão cobrados, que cada um tem seu próprio ritmo, que não é correto instaurar competição em sala de aula por meio de provas e coisas do tipo. Crato responde:

Muitos batem na tecla de que prova faz mal. Acham que ela submete o aluno a um alto grau de stress, sem necessidade. Vão aí na contramão do que afirmam os grandes pesquisadores. Eles já sabem que, ao ser questionada e posta a refletir sobre um conteúdo, a criança consegue absorvê-lo melhor, avançando no conhecimento.  

Mais à frente, ele argumenta que essa visão que, no fundo, parece idealizar a criança e rejeitar qualquer forma de autoridade em sala de aula, acaba produzindo apenas desordem:

Esse grupo de educadores admite que o aluno pode ser no máximo incentivado a respeitar a ordem na sala de aula, mas nunca, sob nenhuma hipótese, ele deve ser forçado a fazer isso. Nesse caso, não é preciso de muita ciência para saber que o resultado final será muita bagunça e pouco aprendizado.

O construtivismo, ou a modalidade atual da idéia de Piaget, é alvo de mais ataques legítimos na entrevista:

Um mestre tem o dever de transmitir a seus alunos os conteúdos nos quais se graduou. E, sim, precisa ter objetivos bem claros e definidos sobre o que vai ensinar. É ingênuo achar que o estudante vai descobrir tudo por si mesmo e ao seu ritmo, quando julgar interessante. Quem de bom-senso tem dúvida de que, se a criança puder esperar a hora que bem lhe apetecer para mergulhar num assunto, talvez isso nunca aconteça?

Nuno Crato ainda defende a memorização, a imposição de leitura, algum grau de decoreba, a importância de excessivos exercícios de matemática para fixar bem a matéria, que é cumulativa, enfim, trata-se de um resgate dos métodos mais tradicionais de ensino, hoje tão rechaçados pela pedagogia moderna. Crato reconhece o obstáculo:

As sociedades hoje frequentemente não valorizam o conhecimento rigoroso, aquele que exige método, empenho e exercício para ser bem sedimentado. Acham que as crianças vão acabar aprendendo matemática por osmose. Mas elas não aprendem. As avaliações costumam ser impiedosas ao escancarar as deficiências.

Por fim, como não poderia faltar, Nuno defende a meritocracia, repudiada pelos “igualitários” da atualidade. Ele diz:

A utopia do igualitarismo, essa que muitos na educação defendem, só seria possível num único e não desejável cenário – aquele em que todos são medíocres. Esse é ainda um tabu. Dizer que uma criança precisa de um apoio especial não significa que ela será excluída. Num outro espectro, os ótimos alunos também não devem ser escondidos, mas, sim, radicalmente incentivados a seguir em frente. É um fundamento básico da meritocracia, de eficiência provada no setor privado.

Ou, como dizia Thomas Sowell, “Você não pode ensinar a todos no mesmo ritmo, a não ser que esse ritmo seja reduzido para acomodar o menor denominador comum”. Complicado é enfrentar os sindicatos corporativistas, que detestam a idéia da meritocracia em sala de aula e fora dela. Mas é necessário partir para esse enfrentamento, caso contrário, seremos medíocres. E não adianta jogar mais dinheiro público nesse modelo falido, como o próprio Nuno Crato reconhece:

Acho que nossos desafios dependem menos de dinheiro e mais de objetivos claros, ambiciosos e de organização. Para avançarmos, precisamos formar mais e mais engenheiros, médicos e cientistas. As crianças devem ser despertadas desde cedo para o interesse por essas áreas. Não será à base do velho e empolado “eduquês” que conseguiremos dar o grande salto.


Enfim, precisamos de mais engenheiros, médicos e cientistas, e menos gente das “ciências humanas” que adora divulgar ideologias ultrapassadas e igualitárias. Portugal parece ter a pessoa certa para lutar por esse caminho. Espero que consiga. Cá no Brasil, com o PT no poder e Mercadante como ministro da Educação, acredito que teremos de esperar mais um pouco para ao menos sair da direção errada e apontar na correta. O problema é que esse tempo custa caro. Muito caro. 

22 comentários:

Rodrigo Rover disse...

Lamentável alguém formado em Economia reduzir e generalizar as ciências humanas de forma tão grosseira. De resto, excelente.

João Lisboa disse...

Só uma perguntinha: http://lishbuna.blogspot.pt/2013/06/blog-post_3.html

Anon Iman disse...

Resumindo: Se a pedagogia moderna dispensa o mérito; nesta próxima olimpíada, vamos dar medalha de ouro somente para os últimos colocados e ver o que acontece! (Atenção! Pão e circo não fazem parte de meu cardápio, não gosto de olimpíadas, nem de futebol e de nenhum tipo de entretenimento ideológico globalista. Faço apenas uma simples analogia para demonstrar que, onde não há vitória, não há interesse e nem progresso). Anon, SSXXI

Anônimo disse...

Sr Rodrigo Rover aí de cima, calma!
Creio que o senhor esteja desinformado do vai por aí.
Há um plano de se priorizar Ciências Humanas (a bem da verdade, importantes)em detrimento das Exatas.
E é essa "priorização", muito estranha, de que trata o texto. Assunto que já foi bem debatido e combatido, brilhantemente e com excelentes argumentos, por Reinaldo Azevedo.
Ciências Humanas sim, mas não só ela.
Odilon Rocha JP/PB

Anônimo disse...

Concordo plenamente, Rodrigo!
Pelo que vejo, porém, é praticamente impossível os rumos mudarem por aqui. Não é só o governo que pensa assim, as pessoas "inteligentes" (com diria Pondé) também pensam assim.

Rody Cáceres disse...

Concordo com o Anonymous: deve haver equilíbrio, para que o Brasil não saía do delírio para um mundo robotizado e frio.

Como comentei em um post anterior, é raro ver em escolas e universidades algum tipo de referência ao pensamento liberal. Parece que TODA rede de ensino publico é dominada por marxistas, freirianos e derivados. Na FURG, por exemplo, as licenciaturas são dominadas pela esquerda, e praticamente todas as cadeiras de didática e práticas de ensino são voltadas às teorias de Freire. Em parte concordo com Nuno Crato; mas ele está mergulhado no pensamento de sua área, então perdeu-se no vislumbre das humadas, onde Filosofia (pensada como "humana" numa perspectiva escolar), Sociologia, História, Linguística e Literatura formaram tanto o mundo esquerdista quanto os desenvolvidos países liberias.

Sou estudante de Letras, estou lendo sobre Liberalismo. Acho que não preciso trocar de área para me adequar ao pensamento liberal, não é?

Voltando ao Brasil: ainda há muito o que se fazer. A primeira coisa seria despertar na nova geração o interesse por leituras liberais.

O resto só com o tempo (e com um presidente liberal).

Anônimo disse...

É muito fácil enrolar nas 'ciências' humanas. Você não tem que provar nada! Não existe o rigor que existe nas ciências 'duras'. Justamente por isso é um terreno conveniente pra todas as besteiras politicamente corretas, e justamente por isso o (des)governo atual as está priorizando.

samuel disse...

O Anonymous das 2:00 SINTETIZOU BRILHANTEMENTE O QUE SE DISCUTE NESTE TEXTO
Esse é o problema com as HUMANAS

Humberto disse...

Concordo, mas acho que a seriedade propugnada pode ser cobrada também das Ciências Humanas para que sejam também parte efetiva de uma grande retomada do Desenvolvimento Humano com D e H maiúsculos. As Ciências Humanas podem ser muito úteis, p. ex., para acomodar o ser humano aos novos patamares tecnológicos cada vez mais espetaculares. Por exemplo, como mudar nossa cabeça para aceitarmos que só precisaríamos trabalhar 5 horas por dia?

Anônimo disse...

Ser uma grande potência econômica sem dominar ciências exatas é uma missão quase impossível. Quando observo o avanço dos asiáticos rumo ao progresso, percebo que exatas é de longe a responsável por tal proeza.

Olavo Carneiro Jr - Consultor em Relações do Trabalho disse...

O Livro "Maquiavel Pedagogo -ou os mistérios da reforma psicológica", de Pascal Bernardin, nos mostra o que está por trás dessa pedagogia tacanha esquerdista via Unesco. Os professores passam pelas UFMS (universidade para formação de mestres)para formarem alunos "cidadãos" em detrimento do ensino cognitivo. A situação é bem mais grave do que parece e não é só no Brasil.

Vanessa Rodrigues disse...

Eu sou de humanas, acadêmica do curso de Serviço Social na Universidade Estadual do Ceará, um antro de intolerância e Marxismo religioso. Posso garantir a você, Rodrigo Rover, que sou (Des)Humanamente formada para não ter uma opinião própria! Sou sufocada em um lugar onde se tem um tremendo discurso ético em defesa da pluralidade, mas, não se sabe respeitar a posição de um colega conservador ou liberal. Nenhuma ciência é neutra, logo, a partir do momento em que TODAS, repito, TODAS as universidades formam seus alunos com base na mesma ideologia escrota, nasce uma um monte de militantes bitolados e o PT tem TUDO a ver com isso!

Anônimo disse...

Resumindo pobre do país que tem 1200 faculdades de Direito e apenas 200 de Engenharia.

Alexandre disse...

Caro Odilon Rocha JP/PB, que plano é este de se "priorizar as Ciências Humanas"? De quem? Fiquei curioso. Decerto não é aquela besteira chamada Ciências sem Fronteiras, que deixou muito claro o desprezo que não apenas o governo tem pelas chamadas "Humanidades" como, acredito, o restante da população brasileira, que abomina visceralmente coisas como História, Filosofia, Literatura, etc. (infelizmente, abomina-as pelas razões erradas). Que as Humanidades sofrem, e muito, com um pensamento "de esquerda", isto é a mais pura verdade. Eu posso dizer isto sem problemas e sem inventar nada, pois sou historiador, com mestrado em história e doutorado em sociologia, tudo em instituições públicas (aos olhos de muitos, sou uma completa inutilidade e gasto desnecessário). Mas foi no curso de história que aprendi que o mundo não é "dominantes x dominados", que Cuba não é o máximo, que marxismo e comunismo não vão salvar ninguém (e aprendi porque não é assim). Foi com a sociologia que adquiri o instrumental para identificar e criticar esta visão imbecil do mundo, perpetrada pelas ideologias de esquerda. Foi com a literatura que obtive uma visão mais aguda do que se desenrola hoje diante de nós (1984, Admirável mundo novo, A revolta de Atlas, Mefisto, etc.)
Lamento, sim, não ter conhecido antes nenhum pensador liberal ou conservador. Estou correndo atrás agora. O que falta, aqui, são Ciências Humanas de qualidade, que não sejam ideológicas, que não queiram servir ninguém (na verdade, elas existem, mas sofrem de dois problemas: não há intenção em divulgá-las; não há quem se interesse em conhecê-las). Já somos um povinho ignorante. Poderíamos ter enormes complexos industriais de alta tecnologia, mas continuaríamos sendo este povo mequetrefe e burro que aceita, sem crítica, qualquer coisa contanto que lhe agrade no momento. Peço desculpas, mas não é tarefa da engenharia (muito menos o direito) mudar este quadro.

Anônimo disse...

Apesar de ser estudante de história, reconheço que as ciências brutas estão acima das humanas. Eu não posso construir casas nem prédios, muito menos administrar uma empresa ou ser prefeito de uma cidade. Não sou engenheiro, nem formado em medicina ou administração. É bom ser humilde e baixar a cabeça, é o que digo para meus colegas. Só as ciências brutas trazem resultados materiais e melhoram nossas vidas.
As humanas tem seu lugar, são importantes até certos pontos, mas só homens, que nada haver tinham com ciências humanas, mudaram o mundo. Ou vai dizer que o Bill Gates era formado em sociologia?

Anônimo disse...

Estimado Rodrigo Constantino, registo a imparcialidade que o senhor deixa transparecer no seu artigo. A mesma que o impede de ver a ignorância e o anacronismo demonstrados por tão ilustre entrevistado sobre as coisas da educação.

Niagara disse...

Interessante o facto de uma entrevista do Ministro da Educação de Portugal ter mais divulgação no Brasil do que em Portugal...
Estudei sempre em escolas Públicas em Portugal. Nos diferentes graus de ensino, encontrei de tudo: Mestres, bons professores, professores medíocres, professores ausentes. Tal como em qualquer outro País, acredito. Há muitos problemas com o sistema de ensino público em Portugal, tal como imagino que aconteça no Brasil. O primeiro é um problema de definição de metas: até onde queremos chegar na igualdade, ou seja, até que grau é que o Estado (todos nós, enquanto sociedade) temos o dever de levar a formação de qualquer um de nós? Qual é o grau mínimo? E o que é que é relevante, em termos de aprendizagem, dentro desse limite? Segundo, a indefinição passa para níveis superiores. Abriu-se o mercado à iniciativa privada, mas sem establecer balizas. Os privados ficaram com os cursos de "quadro e pau de giz", como se costuma dizer - ciências humanas - e coube ao Estado manter, no ensino Público, o grosso das Engenharias, que exigem um investimento muito mais pesado em termos de equipamentos e infraestruturas. Consequência, grande parte da investigação universitária acaba por estar demasiado dependente do financiamento estatal, logo, das boas graças dos partidos no poder.
A todas estas indefinições acresce a falta de um verdadeiro modelo educacional. Os sucessivos ministros da educação anseiam sempre por deixarem (mais) uma reforma estruturante com o seu nome associado, para a História, contudo ninguém conseguiu ainda dar solução à mudança de manuais escolares todos os anos no ensino básico, preparatório e secundário. Curiosamente, no ensino universitário continua-se a estudar pelos manuais do Tom Apostol e do Alonso e Finn. É a consequência dos lobbies do manual escolar no sistema de ensino. O Desporto continua sem ser uma prioridade no nosso sistema de ensino, o que é conveniente porque exigiria gastos com infraestruturas que não são de todo oportunos à luz da mentalidade vigente. O mesmo se passa com o ensino técnico e tecnico-profissional, nos quais tem vindo a ser feito um grande desinvestimento. Aparentemete Portugal não necessita de pedreiros, carpinteiros, serralheiros nem de electricistas: precisa de doutores e engenheiros - mais de doutores do que de engenheiros. O reflexo desta mentalidade no ensino superior é simples: os Politécnicos passam a ser uma coisa mais parecida com Universidades, deixamos de ter formação especializada em engenharia técnica e reduzimos tudo à Engenharia pura e dura. Têm âmbitos diferentes, e a consequência é os Engenheiros sairem para o mercado de trabalho fazer o trabalho de Engenheiros Técnicos (que se tornam escassos) e a ganhar menos do que estes, porque efectivamente não têm preparação para as tarefas que têm que desempenhar.
O sistema actual, tal como o Nuno Crato identifica muito bem, está montado para sustentar o Ministério da Educação e a clique de eternos reformadores acomodados que por lá habitam, mais uns quantos direitos adquiridos de algumas classes profissionais, que garantem a permanência de incompetentes em lugares vitalícios. Vão-se avançando teorias educacionais novas e revolucionárias sem sequer se ter uma idéia da realidade do terreno, das necessidades do País - e como tal, sem um plano definidos com objectivos a longo prazo.

Rafael Cesar disse...

em primeiro lugar, gostaria de lembrar que a finlândia segue um modelo exatamente oposto ao que prega o senhor nuno e é a primeira colocada mundial em habilidades acadêmicas e cognitivas de crianças e jovens. pouquíssima avaliação, poucas aulas, nenhuma decoreba, maior preocupação com os alunos mais fracos e estímulo a que os melhores contribuam para elevar o nível dos mesmos (estímulo à colaboração, não à competitividade). o ensino é 100% público e descentralizado nos níveis federal, estadual, municipal e "professoral". o mestre decide o currículo e a metodologia (dentro, claro, de parâmetros mínimos). ao contrário do que diz o senhor nuno, segundo os finlandeses a liberdade que as crianças têm de trabalhar é que as torna responsáveis desde cedo pelo próprio progresso. é a mesma lógica liberal: se der pão toda hora pro povo, ele não cria a cultura de produzir o próprio. aliás, não sei de onde o constantino tirou essas pesquisas que indicam o senhor nuno estar correto, porque a finlândia é o modelo do momento.

não sei dizer quanto à distribuição de carga entre exatas e humanas na educação finlandesa.

só que dizer que humanas não servem pra nada é uma redução grosseira. elas são fundamentais no diagnóstico das tendências da sociedade (dos indivíduos a partir de sua cultura, da coletividade a partir das forças políticas e de pensamento presentes etc.) para entendermos os pontos fortes, fracos etc. e isso é muito útil para o progresso material. progresso material não se faz só dando instruções sobre como se levanta prédio. é preciso inovações, empreendimento, conquistar a coletividade para essa lógica que se quer aplicar.

Bruno Taboada disse...

Eu li todos os comentários. Gostei muito dos posts e dos comentários. Vou aproveitar a chance para deixar minha opinião:

Eu não acho que vale a pena discutir qual ciência é responsável pela melhora de um país. Podemos ver nos comentários que ja houve conflitos desnecessários. Concordo com a opinião que foi previamente mencionada aqui, trata-se do equilíbrio. E não precisa ser muito inteligente para perceber que o Brasil realmente esta com déficit na area de exatas, aparentemente não é so o Brasil, e as poucas tentativas que o Brasil tem feito para melhorar tem formado pessoas da area de exatas de baixíssa qualidade. Óbviamente que, nem todo mundo cabe nesse grupo. Discordo da opiniao relacionada a que o Brasil precisa é formação de humanas de qualidade. Na minha opinião nossa formação de humanas deve ser da melhores do mundo. Nossas leis não penso que são das piores. Temos lei para tudo mundo Brasil. Nossa lei tributária é tão avançada que até sistemas de informação que funcionam no mundo todo do jeito que foram fabricados devem ser quase que refeitos para funcionar aqui. A lei do consumidor por exemplo deve ser das mais avançadas. Nossos políticos saber fazer política melhor de qualquer um e de qualquer jeito. Seja ela beneficiando ou não a sociedade. Porém concordo, Socialmente precisamos melhorar muito. Brasileiro não so tem o seu famoso jeitinho mas também brasileiros não sabem respeitar o próximo não existe a consciência onde todos podemos ganhar e viver em paz sem precisar tirar ou roubar do outro. Não respeitamos o próximo. Por fim, não acho que ciências sociais seja o que precisamos mas também não podemos esquecer o seu papel fundamental, ela é sim muito importante. Mas por agora precisamos mesmo é de nossos engenheiros, matemáticos e areas relacionadas.

Eduardo Santana disse...

O que estraga é a excessiva centralização do sistema educacional pelo MEC. Tanto esse como vários outros ministérios deveriam ser extintos, não contribuem com nada no tocante ao desenvolvimento da educação e da cultura no nosso país. Os melhores projetos educacionais saem das escolas e universidades quando estas têm a liberdade de pô-los em prática. Os projetos culturais idem. Quanto mais o governo se envolve, pior. O ENEM é uma vergonha, está acabando com a autonomia das universidades. Com toda essa ideologia, somente a USP figura entre as 100 melhores universidades do mundo, então há algo de errado. O governo não tem projeto a longo prazo, a não ser projeto de poder.

Heidrum Josiel F. Andrade disse...

Excelente artigo !
Fala-se da opressão dos países desenvolvidos capitalistas, mas os alunos não são capazes de mostrar no mapa um país subdesenvolvido. África é um país ???
Decorar a capital de um país hoje é crime...
O correto é apenas criticar o capitalismo, responsável por todas as mazelas, mesmo que as mazelas já existissem antes do capitalismo !

Rafael disse...

Perdoem qualquer generalização, minha implicância aqui não vai com ninguém tão diretamente, mas sobretudo contra uma ideia que aparece no texto e nos comentários.

Se estudassem um pouquinho mais de humanas, blogueiro e alguns comentaristas não cairiam no erro de considerar ideologia apenas o que é de esquerda, ou diferente do que pensam. Da forma como colocam, parece que vocês não têm ideologia, apenas trilham o caminho certo e natural das coisas - quando, na verdade, é obviamente fruto de uma escolha.

Não existem seres ou posturas anti-ideológicos ou apolíticos. Todos, com ações ou omissões, fazemos alguma opção ideológica ou política. Assim, se estirpamos essa doutrinação ideológica esquerdoide que infesta as universidades públicas, principalmente os cursos de humanas, necessariamente uma outra será posta no lugar. Quando ela é coadunada com o status quo, ela não aparece, é silenciosa. Dessa forma, se só ensinamos a fazer conta e a ler, como defendeu o Rodrigo, sem um questionamento do entorno, isso significa estarmos de acordo com ele e com a ideologia que o molda.

O próprio ler já é imbuído de ideologias. Por exemplo, por quê, conforme comumente se ouve, ler somente clássicos europeus em sala é anti-ideológico, simplesmente natural, mas ler um autor africano que fale da luta pela descolonização e que valorize a cultura negra é doutrinação? Em ambos os casos, o que se tem é ideologia: no primeiro caso, doutrinação para manter hegemônicos a identidade, valores e modelos ocidentais como construção cultural na educação; no segundo, um questionamento a tal modelo e proposição de outro, ou de relativização do primeiro.

O mesmo para o ensinar exatas mais do que humanas. A priorização das exatas carrega consigo a ideologia de que devemos preparar o indivíduo sobretudo para o progresso material, o único ou o que realmente importa. Isto É uma ideologia, não é algo puro, solto no universo, imparcial. É uma escolha, uma opção de modelo.

E no contexto contemporâneo, de forte economia chamada por alguns e pós-industrial, é um erro acreditar na supremacia pura do conhecimento técnico, sem a avaliação e percepção dos desejos e tendências. Ciência não se faz ensinando somente exatas. É preciso ensinar e muito história, linguagens etc. para que da ciência floresçam modelos originais e que se apliquem melhor à nossa própria realidade. Sem apreender o entorno, a realidade social, as demandas, sem o exercício da sensibilidade, vai por terra a criatividade e a inovação, que são chaves para esse sucesso. Especialmente hoje em dia, com demandas tão múltiplas, com soluções possíveis tão diferentes para cada contexto.
Só aprender cálculo faz do indivíduo um bom martelo, mas não um bom martelador - ou alguém que crie uma nova ferramenta. Que coisa antiga essa separação radical entre exatas e humanas, minhas gente!

Voltando à ideologia, ela é como espinafre no dente: a gente só vê no dos outros.