quinta-feira, novembro 11, 2010

Comissão propõe ajuste fiscal de US$ 3,8 tri nos EUA

Deu no Bloomberg:

Os líderes de uma comissão presidencial dos EUA propuseram ontem um corte de US$ 3,8 trilhões no déficit público, que afetaria a Seguridade Social, elevaria impostos e eliminaria isenções fiscais. O plano ainda precisa ser discutido e aprovado pela Casa Branca e pelo Congresso, e pode ser alterado.

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A idade de aposentadoria seria elevada para 68, por volta de 2050 e para 69, em 2075.

"Esse país está sem dinheiro, e é melhor que comecemos a pensar", disse Erskine Bowles, co-presidente do painel criado pelo presidente Barack Obama para sugerir como equilibrar as contas públicas. Sem "escolhas difíceis", disse Bowles, "estaremos na trilha mais previsível que eu possa imaginar rumo a uma crise econômica".

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O plano já está fazendo vacilar políticos democratas e republicanos que fazem parte da comissão. Enquanto a maioria dos economistas diz que é necessário haver alguma combinação de cortes de gastos e aumentos de impostos, republicanos suspeitam de aumentos de impostos, e os democratas relutam em reduzir gasto social.

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Pelo seu cálculo, aproximadamente 75% das economias viriam de cortes de gastos, e o restante, de aumento de impostos.

As propostas exigem que os gastos facultativos sejam reduzidos em US$ 1,4 trilhão ao longo de 10 anos, enquanto os gastos compulsórios, que incluem a Seguridade Social, Medicare e Medicaid (programas de saúde que beneficiam parte da população), seriam reduzidos em US$ 733 bilhões nesse período. Os impostos seriam elevados em US$ 751 bilhões, incluindo uma alta de 15% no imposto sobre gasolina a partir de 2013.

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Os subsídios agrícolas seriam reduzidos em US$ 3 bilhões ao ano. A proposta também tentaria diminuir o crescimento dos custos dos serviços de saúde pagando menos pelos idosos aos médicos que participam no programa de saúde do Medicare e exigindo a aprovação de uma legislação "abrangente" para reduzir custos com negligência médica.

Os cortes nos gastos facultativos no plano incluem reduzir os orçamentos do Congresso e da Casa Branca em 15%, congelando salários federais e reduzindo a força de trabalho federal em 10%. As reduções facultativas seriam divididas de forma igual entre programas de defesa e domésticos, disse Bowles.

O plano preconiza cortes de US$ 100 bilhões em Defesa, incluindo congelar salários federais e a remuneração de militares não combatentes (nos níveis de 2011) por três anos, e reduzir gastos com pesquisa e desenvolvimento e na manutenção de instalações.

Comento: Trata-se de algo muito preliminar ainda, que vai passar por intensos debates e dificilmente permanecerá desta forma proposta. Mas vale para corroborar com o meu último artigo (abaixo). Pensar que os Estados Unidos vão simplesmente morrer, sem lutar, parece pessimismo infundado. Os Estados Unidos não são o Japão ou a Europa! Sim, o país piorou muito em alguns aspectos, pois parece que muitos americanos abraçaram a ilusão do welfare state, como se fosse possível viver além das posses, tudo com base nos "direitos" garantidos pelo governo. A conta explodiu, e se nada for feito, a nação vai quebrar. Mas os americanos são flexíveis, e ainda desfrutam de uma cultura capitalista. Não considero uma aposta segura achar que os americanos vão simplesmente observar, passivos, a destruição de sua economia. Talvez façam como Mark Twain, ao comentar que os relatos de sua morte tinham sido bastante exagerados.

4 comentários:

Phillip Grillo disse...

Os EUA são comparáveis a um gigante bêbado. Depois que parar a bebedeira e curar a ressaca vão continuar sendo um gigante.

Vitor Roma disse...

Bem, acabar com subsídio agrícola e privatizar estatais inchadas e ineficientes como a Amtrak seriam medidas relativamente simples que não deixariam a maior parte da população raivosa.

Anônimo disse...

Nenhum pessimismo é infundado.

Fernando disse...

Bem,se a gente lembrar que a taxa de imposto de renda nos EUA nos anos 50 era por volta de 90% para os mais ricos, espaço tem pra um aumento hoje em dia.