segunda-feira, novembro 08, 2010

Jornada pela Liberdade



Rodrigo Constantino

Acabo de ver um filme imperdível. Trata-se de "Jornada pela Liberdade" (Amazing Grace), baseado em fatos verídicos sobre a luta de Wilberforce e alguns outros amigos pela abolição da escravidão na Inglaterra. O filme é belíssimo, e bastante fiel aos fatos, que eu já conhecia por meio do também imperdível livro "Enterrem as Correntes", de Adam Hochschild. Alguns quackers liderados por Thomas Clarkson, o ex-escravo Equiano, o jovem que se tornou Primeiro Ministro William Pitt, e o incansável William Wilberforce foram indivíduos fundamentais nesta batalha pela liberdade, que colocou finalmente um ponto final nesta nefasta instituição do tráfico de escravos na Inglaterra. Uma vez abolido o comércio na maior potência mundial, foi questão de tempo acabar com a escravidão em praticamente todo o mundo.

Alguns indivíduos, movidos pela paixão pela Justiça, imbuídos de um forte sentimento de ética, abraçaram uma causa que parecia impossível, e que de fato bateu de frente com opositores extremamente poderosos. Mas apesar do desespero e até da falta de esperança em alguns momentos, eles seguiram em frente, para o bem da humanidade. Idéias fazem a diferença. Indivíduos fazem a diferença.

Algumas pessoas, vítimas de ranço marxista, pensam que a abolição da escravidão foi fruto apenas dos interesses comerciais da Inglaterra na época. Nada mais falso! Quando a escravidão foi abolida, sua relevância econômica ainda era grande, e inúmeros grupos de interesse se organizaram para preservar o status quo. Quem derrotou a escravidão foi um ideal, aquele que fazia pouco tempo tinha inflamado o povo americano por sua libertação, qual seja, a crença iluminista de que todos são iguais perante as leis.

Por falar na revolução americana, Benjamin Franklin dizia: "Aquele que é da opinião de que o dinheiro fará qualquer coisa, pode muito bem ser suspeito de fazer qualquer coisa por dinheiro". Bingo! Há mais que dinheiro no mundo, e devemos sempre ter em mente que nossos princípios mais básicos, nossos valores essenciais, estes não podem estar à venda jamais. Aluguem o filme na locadora e aproveitem: tenho certeza de que não vão se arrepender!

8 comentários:

Anônimo disse...

Eu prefiro outra forma da frease do Ben Franklin: "o ladrão pensa que todo mundo rouba".

a3m disse...

A escravidao existiu (e ainda existe) na humanidade desde muito tempo. O termino dos outros modelos de escravidao deve ser analisado para entender o termino da escravidao negra. Será que as outras escravidoes tambem acabaram por ideais? No Brasil, especialmente, precisamos considerar com mais profundidade como a escravidao terminou, examinando com cuidado como aconteceu no Caribe.

Gustavo B disse...

Rodrigo, voce fala sobre o fim da escravidao. Nos anos seguintes ao fim da escravidao o PIB ingles caiu ~25% e nem por isso a Inglaterra desistiu deste ideal - Fato louvavel.

Hoje existe outro tipo de exploracao que é exploracao sexual e discriminacao da mulher. Leia o livro "Half the Sky".

SW disse...

Não importa qual era a intenção dos britânicos na época, o importa é que a escravidão acabou.

Michel Brandoni disse...

Nelson Mandela morreria de rir vendo essas coisas, Rodrigo. Ele ainda está vivinho. Lá em Mamputo houve um pequeno retardo desse nobre ideal inglês.

MARCO MAIA disse...

Assisti ao filme assim que li seu post. Não aluguei nada, porque gastar dinheiro, comprar e alugar "coisas" está completamente fora de moda.

Baixei de graça na web e o filme não é tudo isso não. Poderia ser melhor. Serve pelo conteúdo histórico, apesar de fraquíssimo!

Os tempos são outros. A velocidade é outra. Mas valeu pela dica do filme, melhor que muito lixo holywoordiano que tem por aí. E cultura nunca é demais.

Obrigado.

Anônimo disse...

Marco maia isso é pirataria. E mesmo estando na moda continua sendo errado.

ntsr disse...

É errado mas isso aqui é brasil, se tiver um jeitinho de pegar de graça, pq não? Não tem escrúpulos mesmo...