terça-feira, novembro 30, 2010

O tigre celta virou gato

O caso da Irlanda é interessante, pois mostra os riscos do sistema bancário atual. A Irlanda era o patinho feio da Europa, um país bem mais pobre que os demais. Após uma série de reformas liberais, a economia irlandesa cresceu mais de 6% ao ano por uma década, tornando-se um caso de sucesso, com uma das maiores rendas per capita da região (chegou a quase US$ 45.000). Mas... o sistema bancário expandiu o crédito sem limites, colocando todas as conquistas em risco. Alguns oportunistas de esquerda aproveitam para atacar... as reformas liberais, como se estas fossem causa dos problemas. Não são! São o motivo do relativo sucesso, que mesmo após esta crise toda, gerada pelos bancos e pela bolha imobiliária mundial, ainda mantém a Irlanda como uma nação próspera.

O artigo do Mises.org hoje fala justamente do caso irlandês. Vale a pena a leitura. Segue um trecho relevante:

"In some sense Ireland was even too competitive. Ireland has the lowest corporate tax rate in the Economic and Monetary Union (at 12.5 percent). The tax rate attracted banks from all over the world to expand their businesses on the island. As a consequence, Ireland's banking sector expanded substantially. During the boom years, banks earned immense profits through their privilege of credit expansion and their implicit government backing. As a result of the credit expansion, an Irish housing bubble developed. And its burst caused substantial losses and even insolvency for Irish banks.

While banking profits during the boom were private, its losses were socialized on September 30, 2008, when the Irish government guaranteed all Irish bank liabilities. As of late 2010, Ireland has injected about €50 billion into its banking system. The Irish problems were created, not by an excessive welfare system, but by the socialization of the losses of a privileged banking system."

7 comentários:

Anônimo disse...

Parece que o problema bancário na europa também é fruto de um risco moral. Bancos reduzem seus critérios para empréstimos com a esperança que seriam resgatados com dinheiro público caso desse algum problema. Parece que acertaram.

Rodrigo, os keynesianos afiram que não resgatar os bancos causaria um dano muito maior na economia. Você concorda?

G.S.

Marcos Satoru Kawanami disse...

os políticos, querendo voto e dinheiro, pregam o crescimento econômico.

a Economia tem de parar de crescer, a população mundial tem de estabilizar-se em torno de um número.

senão a qualidade de vida ficará cada vez pior para todos, na carência de recursos naturais:

o solo arável já carece de sempre ser adubado quimicamente. os adubos contém produtos da mineração, que há de se esgotar com o crescimento econômico, é só uma questão de tempo.

Anônimo disse...

O que vemos é a crise da social-democracia.

Marc disse...

Rodrigo, que bom que ainda existem vozes racionais e dissonantes neste inferno de opiniões socialistas ERRADAS que confundem muito mais do que explicam alguma coisa

Hoje, após ver que a Bovespa subiu espetacularmente apesar das intromissões e desmandos do Mantega, um amigo definiu o Brasil como uma ferrari que anda com o freio de mão puxado! Achei interessante a comparação. O potencial do Brasil é muito maior do que qualquer Cingapura ou Irlanda jamais terão um dia, mas esses cabeças de bagre nos seguram, puxando o freio de mão.
Abs!

Gabriel Meurer disse...

Marc, discordo. O motivo do crescimento econômico brasileiro também se dá, em boa parte, pelo aumento da oferta monetária e do crédito, principalmente no setor imobiliário. Por tanto tal crescimento não é real, mas apenas artificial. Certamente há outros fatores que nos afetam positivamente, como as reformas liberais que vivemos na era FHC.

No entanto,tal aumento do IBOV que vc cita não se deu por tais reformas. O fato é que o IBOV certamente está entrando em um ciclo de crescimento insustentável, já que tal aumento se dá pelo aumento da oferta do dólar. O Mantega pode tentar controlar a entrada de capitais extrangeiros no nosso mercado, mas ele não conseguirá... em breve virá uma enxurrada de dólar na nossa praia, daí o IBOV... BOOM!!!

O caso irlandês que o Constantino cita também é parecido com o brasileiro. Vivemos uma reforma "liberal" e isso nos deu, sem sombra de dúvida, fôlego para crescer por vários anos seguidos. E tal fato nos deu credibilidade, assim o investimento extrangeiro veio correndo pra cá, já que temos a maior taxa de juros reais do MUNDO.

Porém o nosso crescimento não foi acompanhado de reformas estruturais URGENTES, como a reforma na previdência, a flexibilização das leis trabalhistas, mais algumas privatizações e etc.

Por tanto não somos uma ferrari com o freio de mão puxado, somos um fusca sem freio descendo a ladeira sem controle!:/

Abraços

MARCO MAIA disse...

Rodrigo:

Ao invés de rodear e não chegar a lugar algum, que tal você tentar explicar a você mesmo e aos demais, como o dinheiro é criado, o fato de as moedas não serem mais lastreadas em ouro e que o sistema financeiro é uma grande pirâmide (com um grande olho que tudo vê) - o maior estelionato da história, inevitavelmente fadado a falir. Seria um bom começo.

Daí, um exercício de lógica básica acerca do estadismo e uma pitadinha de arqueologia oculta e pimba, chegaremos na matrix.

Talvez muitos pensem que estou viajando, mas são vocês que se perdem na ilusão de florear a "merda", analisar a latinha em que ela é posta, ss moscas que a rodeiam e/ou os vermes que nela vivem.

E me lembro "do verbo" um dia dizendo: cegos guiando cegos.

Mas não se culpem. A vida é assim. E por incrível que pareça, tudo é como deve ser. Apesar da perfeição nos pertencer, ainda não nos conscientizamos disso.

Burocratoparasita da União disse...

"invés de rodear e não chegar a lugar algum, que tal você tentar explicar a você mesmo e aos demais, como o dinheiro é criado"

Por que não tenta tu, que se acha tão esperto, amigão?