sexta-feira, novembro 06, 2009

Diversidade Racial



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

“No coração da cidade, certos mercados dos bairros populares eram explorados pelos negros. Mais exatamente – uma vez que esse termo não tem muito sentido num país onde a grande diversidade racial, acompanhando-se de pouquíssimos preconceitos, pelo menos no passado, possibilitou misturas de todo tipo –, ali podíamos nos exercitar em diferenciar os ‘mestiços’, cruzas de branco e de negro, os ‘caboclos’, de branco e índio, e os ‘cafuzos’, de índio e negro”. Eis a observação feita pelo etnólogo e antropólogo Claude Lévi-Strauss sobre a cidade de São Paulo, presente em sua obra clássica Tristes Trópicos, publicada originalmente em Paris, 1955, retratando suas experiências da década de 1930 no Brasil.

Com a morte de Lévi-Strauss esta semana, aos cem anos de idade, destaquei esse trecho em sua homenagem por considerar que o tema é de extrema relevância atual. Um grupo organizado de militantes racialistas vem, infelizmente, tentando ignorar justamente esta característica brasileira, a da mestiçagem. Imbuídos da ideologia de “raças humanas”, essas pessoas desejam segregar o povo brasileiro entre raças “puras”, sendo levados a exterminar estatisticamente todos os “pardos”, que são maioria no país. O traço mais marcante de nossa etnia é justamente a incrível diversidade, sendo impossível definir de forma objetiva, alguma linha que coloque “brancos” de um lado, e “negros” do outro, como querem os racialistas.

Se à época em que Lévi-Strauss fez suas observações já era um exercício hercúleo diferenciar os tipos de mistura de “raças” no país, hoje então isso é muito pior, uma vez que os casamentos inter-raciais aumentaram, talvez para o desespero dos defensores de “raças puras”. Mestiços, caboclos e cafuzos procriam entre si também, gerando cada vez mais miscigenação. Essa mestiçagem observada pelo antropólogo vem sendo combatida por aqueles que desejam criar cotas com base no conceito de “raça”, adotando uma postura bipolar de classificação. Se essa gente for bem-sucedida nessa empreitada – e até agora eles têm sido – o estrago causado no tecido social do país será enorme. Como fez o falecido antropólogo, devemos enaltecer a mistura, em vez de tentar dividir a nação em diferentes etnias.

38 comentários:

José Carneiro da Cunha disse...

Como sempre, ótimo post.

att

José Carneiro

Armando disse...

Reaça!!!!!
Bem que teu pai dizia para vc tomar tenencia e deixar de ser maria vai com as outras.
Larga mão de ofender quem tem opinião diversa da tua.
Não adianta chorar e espernear as cotas são constitucionais e estão valendo.

Antonio disse...

Vai começar tudo de novo...

Gabriel disse...

Armando,
Diga-me, qual a forma precisa pra se dizer que uma pessoa é branca ou negra??? Não existe isso!!!

Não sou contra cotas para os mais pobres, mas as cotas deveriam ser medidas secundarias. É fato que o principal deveria ser uma reformulação de todo sistema de educação. Não podemos utilizar esse sistema que além de todos os problemas prioriza o ensino superior. É uma utopia achar que dando um diploma pra um monte de gente iremos resolver nossos problemas. Hoje em dia existe trabalhador técnico faltando no mercado e os que são bem formados chegam a ganhar 10 mil reais trabalhando em plataforma de petróleo, isso sem ensino superior.
Existe uma demanda enorme por profissionais técnincos qualificados mas o foco das ações continua sendo cotas pra ensino superior.
Hoje quem sai do ensino médio normal está 0% preparado pro mercado, o que não deveria acontecer. Nosso ensino é baseado em decobera, não insentiva o empreendedorismo, a geração de idéias.
A discussão deveria ser outra e não cotas.
Enquanto lá fora tem gente inventando TV 3D, Robótica avançada e tal, a gente fica discutindo cota, sendo que o correto deveria ser nós termos uma base forte pra fazer a nossa populção pensar/agir/inovar e não apenas mais do mesmo com doação de vagas em faculdade.
Minha namorada com média 5 décimos acima acima de quem entrou por cotas não conseguiu entrar na faculdade de medicina. Meio injusto não acha?

ntsr disse...

Armando se ofende quando ouve falar de mulatos, caboclos, etc, então é melhor andar por aí de olhos fechados, se não vai se ofender bem mais.
Parece que ele quer confirmar que, quando o assunto eh miscigenação, a única 'lógica' que se espera desse povo eh argumentum ad hominem mesmo
1)Só pra constar, ainda estou esperando a resposta, segundo os 'tribunais raciais' de vcs, essa menina foi rejeitada:

http://www.salseiro.com.br/MediaLibrary/Imagens/Tatiana26x22.jpg

Sendo que os ancestrais dela foram escravos do mesmo jeito, ela tem pele escura do mesmo jeito e tal.Então qual eh o critério?
( eu pergunto só pra constar, sei que eles morrem fugindo de comentar esses 'detalhes')

Armando disse...

diz Gabriel:
Diga-me, qual a forma precisa pra se dizer que uma pessoa é branca ou negra??? Não existe isso!!!
Cara pálida. Esta questão é vestibular. Foi superada hace mucho.... Sem dúvida causa reflexões, veja por exemplo:

Márcio Augusto Nascimento

Juiz Federal da 2ª Vara do Juizado Especial Federal Cível de Londrina-PR.

"Talvez a questão mais polêmica do sistema de cotas seja em definir o critério de definição da raça negra. Os movimentos negros defendem o sistema de autodeclaração, pois o preconceito contra os negros seria tão forte que ninguém faria uma declaração falsa de ser negro. Infelizmente, penso que existem pessoas que mentiriam para obter uma vantagem indevida, pois impera no Brasil um individualismo exacerbado que quer levar vantagem em tudo. Acredito que a melhor solução seria criar uma comissão da comunidade, composta de negros e brancos, para julgar os casos duvidosos e definir quem é negro, ou não. Um homem comum sabe perfeitamente distinguir um negro de um branco, de um asiático ou de um indígena. E nos casos em que haja inconformismo do rejeitado, basta utilizar o critério científico, porquanto a ciência dispõe de meios seguros para definição correta da ascendência racial do indivíduo [11], embora o resultado seja mais demorado e caro.

Anoto que para identificar o negro, a meu sentir, o fenótipo afigura ser o critério mais adequado do que o simples exame de sangue, porquanto a discriminação racial se faz pelo visual, pela aparência do indivíduo. Um loiro de olhos azuis, ainda que tenha geneticamente descendência negra, não será discriminado pela cor da sua pele ou outras características aparentes."

ou ainda,

"Any doorman knows who is black and should be sent to the service entrance, just as any cop knows who is black and should be stopped on the street and ordered to produce identification."
from
THE NEW YORK TIMES

Racial Quotas in Brazil
Touch Off Fierce Debate
By LARRY ROHTER

(voltarei ao assunto)

Armando disse...

diz Gabriel:
Não sou contra cotas para os mais pobres, mas as cotas deveriam ser medidas secundarias. É fato que o principal deveria ser uma reformulação de todo sistema de educação.

diz Armando:

As cotas são secundárias e temporárias e a reformulação deveria ser a prioridade.
Quando realizarmos esta reformulação e conseguirmos uma educação pública de qualidade, as cotas sociais, raciais ou quaisquer outras, não serão mais necessárias.

Veja:
Edna Roland
Coordenadora de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial da UNESCO, Relatora Geral da III Conferência Mundial contra o Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata.

No dia 6 de junho de 2003, a Universidade de Brasília (UnB), por decisão do seu Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, decidiu reservar 20% das vagas do vestibular para os negros e um número ainda indefinido para indígenas por um período de 10 anos.
...
A proposta da UnB é bastante cautelosa ao propor a reserva de vagas de 20% e a revisão da experiência após 10 anos. Sabemos que os afrodescendentes, auto-identificados no Censo de 2000 como pretos e pardos, constituem 45% da população brasileira. O alcance de 20% dos universitários negros está longe da proporção a que se deveria chegar, caso não houvesse qualquer forma de discriminação, mas, sem dúvida, já é um bom caminho se compararmos com os minguados 2% atuais. Sabemos também que 10 anos não é tempo suficiente para reverter os efeitos da secular discriminação contra esta parcela da população. É sim um prazo razoável para se avaliar os efeitos das medidas e a necessidade de ampliação do programa, caso ele se mostre insuficiente para promover a efetiva igualdade racial.
(trechos de artigo)

Armando disse...

Gabriel:
É uma utopia achar que dando um diploma pra um monte de gente iremos resolver nossos problemas.

ARMANDO:
Ninguém está dando DIPLOMA. Não vamos resolver NOSSOS problemas, mas, um certo número dos nossos problemas.

diz Gabriel:
Minha namorada com média 5 décimos acima acima de quem entrou por cotas não conseguiu entrar na faculdade de medicina. Meio injusto não acha?
ARMANDO:
Diz para ela que "hoje em dia existe trabalhador técnico faltando no mercado e os que são bem formados chegam a ganhar 10 mil reais trabalhando em plataforma de petróleo, isso sem ensino superior."
Diz para a tua namorada que ela não entrou pois não se classificou entre seus pares.
Ela não concorreu ao lugar do cotista. Aquela vaga não estaria disponível para ela. Quem perdeu aquela vaga foi outro cotista lá embaixo. Se tivesse estudado mais e namorado menos passaria na frente de outro dos seus pares que agora estaria esperneando, sem razão.

Armando disse...

Quanto à questão do ensino técnico etc, precisaria de muitas laudas para te esclarecer o processo que começou com a ditadura que investiu nesta área e por consequencia acabou causando o estereótipo de querer sufocar a elite intelectual etc.
Isto causou grande defasagem nas últimas décadas e você tem razão em refletir sobre esta reformulação.

Leia o PCN (parâmetros curriculares nacionais) e vai encontrar o empreendedorismo etc.
Não apenas nos PCN, encontrará nas diretrizes propostas pela UNESCO (parâmetros para educação mundial), na Constituição Federal, na LDB e por fim nos PCN.

Armando disse...

ntsr
ninguém te dá atenção??? le pauvre.

A razão é que sua questão é irrelevante. Casos isolados não desmerecem as políticas de ações afirmativas que contribuem para o desenvolvimento de milhões de pessoas no mundo inteiro.
sempre há distorções em qualquer política e servem para o seu aperfeiçoamento.
agora vê se cresce e traz questões de gente grande. Qual a sua idade, meu filho????

Rodrigo Constantino disse...

"Acredito que a melhor solução seria criar uma comissão da comunidade, composta de negros e brancos, para julgar os casos duvidosos e definir quem é negro, ou não."

Uau, o racialista Armando acha que devemos ter um TRIBUBAL RACIAL, um grupo de poderosos que vai dizer quem passa e quem é reprovado... no quesito "raça"! Parabéns, João, vc pode agora ter um privilégio à custa de Pedro, afinal, vc "passou" no teste, sua cor é mais moreninha.

E eu, por abominar esse RACISMO, sou um "reaça", claro!

Que gente estúpida!

ntsr disse...

'Casos isolados não desmerecem as políticas de ações afirmativas'
E quem foi que disse que esse eh um caso isolado?Vc querendo ou nao, os mestiços SÃO a maioria da população aqui.


'E nos casos em que haja inconformismo do rejeitado, basta utilizar o critério científico, porquanto a ciência dispõe de meios seguros para definição correta da ascendência racial do indivíduo [11]'

Ou seja, segundo o Armando a ciência prova que raças existem.
I rest my case.

Adamos Smithson disse...

Eu não gosto da ideia de cotas raciais. Sou contra.

Mas, já que elas existem, espero que sejam implementadas da melhor forma possível. Uma ideia ruim mal implementada é ainda pior que uma ideia ruim bem implementada, eu acho.

Como a grande dúvida referente à implementação é a definição de quem é negro e quem não é, intuitivamente me parece que a melhor solução seria inverter a distinção racial que, na opinião dos pró-cotas, justifica essa política: como as cotas são, no fundo, uma "compensação" pela escravidão, o que me parece intuitivamente justo é que sejam beneficiados pelas cotas aqueles que foram prejudicados pela escravidão.

Não sou historiador, e não sei qual era o critério para definir quem era escravo ou não, mas imagino que esse critério deve ter existido. O mesmo critério que antes determinava quem seria escravo e quem teria direito à liberdade deveria, portanto, ser utilizado.

fejuncor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fejuncor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fejuncor disse...

Frase de efeito contra o racismo: "Se minha teoria da relatividade estiver correta, os alemães me chamarão de alemão e os franceses me chamarão de cidadão do mundo. Porém se ela estiver errada, os franceses me chamarão de alemão e os alemães me chamarão de judeu". Preciso dizer que é de Einstein?

Além de não existir, raça é conceito relativo, mesmo a criação imaginária que certos energúmenos ainda tentam ignorando a ciência não é estrita, mas relativa. Preconceito. A ótica pode e costuma variar de pessoa para pessoa - ou não seria preciso os tais tribunais para resolver isso. Como todo preconceito, tmb pode mudar com as circunstâncias, como o cientista alude. Aquele filme Crash acho que pintou bem ao mostrar tal questão latu sensu: preconceito ante árabes, latinos, brancos, negros e mesmo brancos com brancos e negros com negros.

O racismo, esse sim existe (uma variante de preconceito) tem cunho pessoal e o estado nada pode fazer diretamente. Única forma de combatê-lo é justamente coibindo que se julgue de forma preconceituosa / racista. Mas ai criam um tal Ministério da Igualdade Racial. Ué! Raças existem? Voltamos a estaca zero.

fejuncor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
fejuncor disse...

A ambigüidade que dá origem à apropriação multiculturalista de Lévi-Strauss é ensejada por um texto chamado Raça e Cultura, publicado 1/4 de século após Raça e História. Entretanto ele explica que não é possível reduzir todo etnocentrismo ao racismo (como queriam os relativistas) e nem toda “rejeição da cultura do outro” a um narcisismo cultural racista.

(O Olhar Distanciado, ed. 70,p. 16).

Rodrigo Constantino disse...

Alguns racistas insistem em poluir o blog sem argumentos, apenas xingando. Que coisa cansativa!

miltinho disse...

Uma gota de sangue, do Demétrio Magnoli.

Armando disse...

Censurando meus posts.
Muito democrático.
Quem diz o que quer, ouve o que não quer.

Rodrigo Constantino disse...

Armando, não é censura. Esse blog é PROPRIEDADE PRIVADA. Está na hora de vc entender isso. Eu permito qualquer argumento CONTRA mim aqui, pois SOU liberal e tolerante, mas não vou permitir xingamentos chulos.

Eu SEI que o post não era de sua autoria, mas vc o colocou aqui por concordar com ele. Por isso destaquei o trecho, e comentei.

Sem xingamentos, até mesmo um defensor de COTAS RACISTAS pode participar do meu blog, ainda que eu precise de Engov para aturar tanta atrocidade. Mas se xingar, será apagado. Simples assim.

Armando disse...

Liberal nada. Respondi à altura veja o que vc escreveu. "gente estúpida", racistas, não te chamei de facista, de neoracista. Vc falou de meu pai eu só continuei e vc não aguentou.
Não entendeu e continua sem entender.
Te desafio a mostrar o post e dizer onde vc foi injustiçado.
Censura isso sim.
Não sabe brincar, não brinca.

Rodrigo Constantino disse...

Sua primeira participação no tópico:

"Reaça!!!!!
Bem que teu pai dizia para vc tomar tenencia e deixar de ser maria vai com as outras."

Mas talvez a diferença seja essa: para vc, isso tudo é uma grande brincadeira. Para mim, é um risco enorme para a paz, para a Justiça e para a tolerência. Fomentar o RACISMO é algo nefasto, e eis o que os defensores de cotas raciais fazem. Brincadeira? De fato, eu não sei brincar quando tem coisa tão séria em jogo.

Novamente: se xingar, será apagado. Se tentar argumentar, será respeitado, mesmo que defendendo uma atrocidade como as cotas.

Armando disse...

Novamente, muito autoritário.

A tática é desqualificar quem se opõe.
Você acha que quem defende a idéia de cotas (só as cotas para afrodescendentes ou indígenas tb??) é racista. Uma corja, um bando. Isso é agressão.Calúnias.

Sem vitimização:
Eu respondi à altura quando você citou seu pai e disse que o meu ...
(u started)

Vamos finalizar:
A lei: Crime de Racismo.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
É disso que vc me acusa?????

Continuando:
Crime de calúnia:
A calúnia consiste em atribuir , falsamente , à alguém a responsabilidade pela prática de um fato determinado definido como crime . Na jurisprudência temos : “a calúnia pede dolo específico e exige três requisitos : imputação de um fato + qualificado como crime + falsidade da imputação” ( RT 483/371 ) .

Podemos definir no tribunal quem está com a razão.

Rodrigo Constantino disse...

"Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional."

Exatamente o que o regime de cotas faz. Discrimina com base na cor. Racismo puro, embalado de "justiça social".

Armando disse...

AGUARDE.

Rodrigo Constantino disse...

Isso foi uma ameaça???

"The argument from intimidation is a confession of intellectual impotence." (Ayn Rand)

Nossa esquerda não tem jeito mesmo...

José Carneiro da Cunha disse...

Prezado Armando

blá blá blá blá blá blá...

Seus argumentos não merecem mais do que isso como resposta.

Att

José Carneiro

PS: Não fiquei muito feliz em saber que perde noites pensado em mim. Não me agrada a idéia de homens perderem o sono "contando carneiros".

José Carneiro da Cunha disse...

Prezado Armando,

"AGUARDE."

Nossa... mas que medo dá uma ameça dessas, vinda de homem tão culto, tão bem fundamentado, tão educado e coerente...

Mesnos... bem menos.

att

José Carneiro

Everardo disse...

Rodrigo, esse negócio de radicalismo é o que devemos evitar. Se há alguém desejando vencer, esse alguém pressupõe um derrotado, pelo menso. E, nesse nível de debate, lamentavelmente, reduz-se tudo a meras emoções. Passo!!!

joão paulo disse...

Para um jovem estudante, como eu, é triste notar como personagens tão cultos e cheios de títulos (como o Sr.Carneiro faz questão de lembrar)estão comentendo grandes enganos.

"Não existe uma clara distinção entre brancos e negros no Brasil"

"Não existe racismo no Brasil, as cotas é que criam tal sentimento"

"Os defensores das cotas raciais são RACISTAS"

Chega a ser engraçado repetir em voz alta esse tipo de coisa...quem dera que o Brasil fosse como vcs, intelectuais de gabinete, dizem que é...

Ah..chamar alguém de racista é algo complicado...forte demais.

O Rodrigo eu já sabia que era um reaça...mas pelo visto a turminha ta crescendo..já tem até uns gatos pingados que concordam com ele.

Triste.

ntsr disse...

Não sei pq é que é tão difícil entender, raças são um mito, raças não existem.Qualquer argumento que deixe subentendido que existem, ISSO é racismo.
Por exemplo, o texto que o Armando colou, que eu espero que ele tenha coragem de admitir que colou mesmo, fala que a ciência tem como identificar a ascendencia racial do indivíduo.Ora, pra isso ser possível então esse negócio de 'raça' existe mesmo, portanto foi vc Armando, que usou um argumento racista.
Ninguém ta falando que racismo no brasil não existe,o que falam é que combater o racismo com cotas baseadas em raça é combater o racismo com mais racismo

Everardo disse...

NTSR, não está em questão o conceito científico de raça, que é uma das trilhas buscadas pelos racistas. O que está em questão é o racismo. Ora, se há racismo, de onde deriva então esse termo? Ou você acha que não existe racismo, também? Se você pretende negar a existência de raça, admitamos. Mas, racismo, que é o tema...

José Carneiro da Cunha disse...

Prezado João Paulo,

Creio que seria útil o senhor ler a última discussão.

Conforme já declarei algumas vezes, acredito que títulos e coerência não são coisas que andam, necessariamente, juntas. A referência às titulações foi apenas uma resposta ao pobre post escrito por certo “professor” (me refiro ao terceiro post do debate anterior).

Apenas para deixar claro, acredito que a idéia de que títulos são argumentos é algo um tanto RIDÍCULA. Apenas para constar, uma das pessoas mais brilhantes que conheço tem apenas segundo grau, concluído em escola pública. Por sua vez, conheço vários Titulados que passam longe do conceito de “brilhantismo”.

Se há algo que destaquei nos meus argumentos passados é que a afirmação que fez sobre meu ponto de vista está errada.

Sobre os “grandes enganos”, não basta afirmar que são, deve fundamentar o motivos de serem.

Não acredito que haja no Brasil o tipo de divisão clara entre brancos em negros como há em alguns outros países. Também não acho que nosso país seja livre do preconceito, mas creio ser ele muito mais ligado à classe social do que a cor. Até onde sei, esse é um tema extremamente polêmico, sem que haja evidência francamente favorável aos que, como você, acreditam na “cisão” racial ou os que, como eu, não acreditam nela.

Eu sou neto de um homem moreno, que era filho de um homem negro que, por sua vez, era bisneto de uma escrava. Tenho muito orgulho dessa minha ascendência, mas também tenho dos meus bisavós espanhóis, da minha avó húngara e do meu avô nordestino. Eu vim dessa combinação de culturas, quanto às raças... bem, para mim elas são todas iguais. Em boa parte, o brasileiro médio tem uma história parecida com a minha. Se sou loiro ou moreno; mameluco ou cafuzo, não passa de um acidente genético.

Concordo com você que a idéia de que defensores das cotas são racistas é equivocada. De fato, pela minha experiência, essa é uma acusação tipicamente usada por alguns defensores das cotas contra aqueles que questionam as cotas. Algo do tipo “-você só é contra por ser racista”.

Sobre a idéia de que cotas podem criar racismo, creio que, da forma com estão estruturadas elas já são, em si, racistas. Veja, há todo um discurso sobre exclusão histórica para fundamentá-las, mas na hora do vamos ver, pouco importa sua origem de fato, mas sim a cor da sua pele. Não são raros os exemplos de filhos dos mesmos pais onde um tem direito à cota e outro, por ser mais “clarinho”, não.

Acredito que a Roberta Kaufmann, procuradora do DF que questiona a constitucionalidade das cotas, fez um bom levantamento histórico sobre o assunto e encontrou vários exemplos que corroboram essa possibilidade. De fato, não é necessário que se concorde com a conclusão dela, mas é temerário descartá-la sem ao menos lê-la.

Bem, sinto se ficou decepcionado com os “erros” cometidos pelos “titulados”, mas talvez esses “erros” não sejam tão errados assim. O mesmo vale para os “acertos”. Com relação às titulações, reafirmo que se equivocou quanto à minha posição, não sou eu, mas o outro “professor” que as valoriza, creio que quem estudou mais deve provar isso com argumentos, não papéis que podem ser, simplesmente, folhas rabiscadas.

Infelizmente, à medida que estude mais, principalmente se for curioso e buscar a literatura original que defende o ponto de vista do qual discorda, aprenderá que essa não é uma decepção que tende a diminuir. Na verdade, acabará por descobrir que muitos poucos são os sabem aquilo que falam. Aprenderá, também, que dentre aqueles que você admira sem criticar, pois falam coisas que lhe agradam, estarão vários que na verdade sabem muito pouco sobre o que pregam e criticam (há vasto exemplo disso no presente debate).

(continua)

José Carneiro da Cunha disse...

Sobre sua afirmação de “O Rodrigo eu já sabia que era um reaça...mas pelo visto a turminha ta crescendo..já tem até uns gatos pingados que concordam com ele.”

Sinta-se a vontade para destacar quais foram minhas colocação que pretende rebater. Ficarei feliz em eliminar quaisquer dúvidas sobre meus pontos. Apenas se dê ao trabalho de efetivamente lê-las, diferente do que acaba de fazer.

A respeito daquilo que afirma sobre o Rodrigo, discordo de você. Nem sempre concordo com tudo que ele diz, mas é inegável que ele tem ótima formação e opiniões muito bem fundamentas.

Como jovem estudante, sua afirmação “...era um reaça...mas pelo visto a turminha...” deveria deixá-lo decepcionado consigo mesmo.

Por fim, não me lembro de quem é a frase, mas é sempre bom lembrar que o debate com outras idéias e fundamental, principalmente para separarmos “aquilo que sabemos, daquilo que achamos que sabemos”.

Att

José Carneiro

ntsr disse...

'NTSR, não está em questão o conceito científico de raça, que é uma das trilhas buscadas pelos racistas. O que está em questão é o racismo. Ora, se há racismo, de onde deriva então esse termo?'

Da crença de que existem raças entre os seres humanos, coisa que o projeto genoma, por ex, já mostrou que é mito

Everardo disse...

Pronto, ntsr. O projeto genoma decretou que o racismo é um truque ilusionista!