terça-feira, março 30, 2010

Google x China

Rodrigo Constantino, O GLOBO

Aqueles que abandonariam a liberdade essencial para comprar um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade, nem segurança.
Benjamin Franklin

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Governo algum gosta da liberdade de imprensa. As críticas, a exposição de fatos incômodos, a investigação, a disseminação de mais informação, tudo isso representa uma ameaça aos governantes. A internet é uma poderosa arma em prol da liberdade de expressão e, por isso, governantes do mundo todo pensam numa forma de controlá-la. Claro que esta tarefa fica bem mais fácil sob uma ditadura.
Em Cuba, a internet é item de luxo para poucos, e corajosos blogueiros se arriscam clandestinamente para mostrar a lamentável realidade da ilha-presídio. Na Venezuela, o caudilho Hugo Chávez já declarou que pretende controlar a internet, após ter calado os jornais, rádios e televisões com o uso da máquina opressora do Estado. Na China não seria diferente, e o Partido Comunista Chinês vem tentando controlar a internet a cada dia. Mas a ditadura finalmente encontrou um obstáculo: a ética do maior site de busca do mundo.
O debate sobre o que fazer em relação à presença na China tem dominado a agenda dos principais executivos do Google, desde que o governo intensificou a censura na internet. Sergey Brin, o jovem bilionário fundador da empresa, resolveu comprar uma briga com o regime. Seus pais tiveram que fugir com ele da União Soviética, justamente por não suportarem mais viver sob uma ditadura comunista. Brin aprendeu com seu pai a valorizar a liberdade de buscar seus “próprios sonhos de empreendimento”. O Google representa uma fantástica ferramenta no auxílio de milhões de pessoas buscando justamente isso. É uma estupenda conquista do empreendedorismo no livre mercado.
Para todos aqueles que insistem em repetir o credo marxista de que o poder está todo no capital, o caso da guerra entre Google e governo chinês é sintomático. O Google é uma empresa com cerca de US$ 180 bilhões de valor de mercado. Entretanto, parece impotente diante do poder do governo chinês. É a luta entre Davi e Golias. Na Rússia, o mais rico dos oligarcas foi esmagado em poucas semanas pelo Kremlin de Putin, quando se mostrou interessado pelo destino da política no país. Quando o governo concentra tanto poder assim, qualquer empresário é um simples refém seu. O alerta deveria ser levado a sério por aqueles que acreditam que podem alimentar o monstro estatal na esperança de controlá-lo depois: acabam sempre devorados pela criatura.
Sergey Brin disse que espera a liberalização da internet na China como solução de longo prazo para o impasse. Todos aqueles que valorizam a liberdade torcem pelo mesmo resultado. Mas a luta será árdua, desigual, e o governo chinês conta com ampla vantagem no momento. Preservar a liberdade é uma tarefa hercúlea neste mundo repleto de autoritarismo. Mas é uma luta que vale a pena. Não desejamos mártires que sacrifiquem tudo por este ideal. Entretanto, não deixa de ser estimulante ver uma empresa deste porte disposta a sacrificar uma fortuna em faturamento, por compreender que ultrapassaram seu “limite de conforto”. Na batalha entre Google e governo chinês, entre capitalismo e socialismo, entre empreendedor e parasita, entre liberdade e tirania, não resta dúvida de qual partido tomar.
Em tempo: o Brasil ainda não está sob uma ditadura, mas o caso serve como alerta, principalmente quando o governo tenta impor nova censura à imprensa, sob o eufemismo de “controle social”. Algumas pessoas sonham até hoje com o modelo cubano.

4 comentários:

Carlos Galileu disse...

Realmente o autoritarismo está em alta no mundo todo. Países considerados grandes ainda respiram o ar da força estatal, sejam pelos aspectos políticos, ou pelos fundamentalistas. Dificilmente alguém associa liberdade ao crescimento e desenvolvimento da sociedade global, os míopes defensores do autoritarismo tem pleno conhecimento de que enquanto os povos são oprimidos dentro de seus territórios os governos dominam e vivem todas as regalias necessárias para uma vida regalada.
Já está na hora de dizermos um basta nesta situação. Chega de goberno em nossas vidas, não aguentamos mais tanta opressão e desrespeito as liberdades individuais.

CALADO disse...

AG. REUTERS, SUCURSAL DO PARAÍSO - Depois da bem sucedida missão ao
Oriente Médio, onde conseguiu estabelecer uma paz duradoura entre judeus e
palestinos, Lula declarou que intercederá junto a Deus Pai para que Ele nos
perdoe de uma vez por todas pelo pecado original. A caminho de Barcelona, onde
pretende resolver a questão basca, Lula disse que é preciso chamar o
Misericordioso para o diálogo. "Chega de tratar o Supremo Arquiteto como um
ente distante e poderoso. Durante muito tempo vivemos com esse complexo de
vira-lata em relação a Ele. Está na hora de acabar com isso e conversar de
homem para Deus", disse Lula, enquanto negociava um acordo entre os armênios e
os turcos. Segundo os termos da proposta, em troca do perdão o Verbo Encarnado
receberá três bolsas-família pelo resto da eternidade. "Não faz sentido a gente
discutir se é verdade ou não essa história da Santíssima Trindade. Perdoou,
recebeu por três", explicou o presidente. Lula deixou claro que não negociará
com o Arcanjo Gabriel nem com São Pedro, como sugeriram algumas agências de
notícia. "Só falo com o Bem Absoluto. É uma questão de protocolo." Para o
presidente, o Arcanjo Gabriel não passa de um sub do sub, e São Pedro, apesar
de simpático, no fundo seria apenas um porteiro qualificado. "Não tenho tempo a
perder", explicou Lula, que até o fim da tarde pretende anunciar um armistício
entre Suzana Vieira e todos os seus ex-maridos. Aproveitando a ocasião, a
ministra Dilma Rousseff confirmou que proporá a criação de uma estatal para
explorar o mel e o maná que emanam do céu. Rousseff acrescentou que não
procedem as notícias de que José Dirceu fará a indicação do diretor responsável
pelo fundo de pensão da nova empresa. Em notícia paralela, após longas conversas
com a serpente, o assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia concluiu que o
réptil não passa de uma vítima da imprensa burguesa.

fejuncor disse...

Dizem que o Chávez vai acabar com o Google e implantar no seu lugar o venezuelano EL GOGÓ! Fará o maior sucesso. O seu sócio aqui deve estar roxo de inveja.

Sinn-Klyss disse...

CHINA & GOOGLE - O Dilema da Liberdade de Expressão.
Entre dois átomos de Hidrogênio inscrevi uma senóide, que é a curva típica do Código de Sinin (famosa e mundialmente conhecido como o símbolo do TAO-Chinês); fiz propositadamente isso para divulgar com proteção condizente (à âmbitos nevrálgicos da Ciência), uma trajetória curvilínea que flagra spins compondo o orbital da molécula H2O. O que isso me acarretou? A espreitação da crença (catolicismo primeiro, depois protestantismo em geral, espíritas e até budistas) passou do desdém à perseguição político-religiosa, incorrendo em queima de arquivos, humilhação de estudantes, etc, etc. O que os "caras" não atinam é que não há hoje como adestrar psicologicamente o homem como no horrível e pavoroso momento medievo que já antes vivenciamos, como estão aí hoje bastidores político-religiosos intentando a qualquer custo fazer. Ironicamente, num fenômeno quase despercebido, os próprios jogos com ênfase em assassínios, jogados canalhamente em massa aos infantes -- os computadores cedidos pelo Bill Gates foram pra quem e pra quê? --aprontam personagens muito mais poderosos e terríveis do que o Deus, ou as trincas deles; tornando a invenção das crenças em pecinhas pré-infantis, que não assustam mais a ninguém (a não ser as crianças, quando os monstros vestidos com respeito e moral as cercam dentro das grades psicológicas das igrejas e das grades impostas nas escolas – em que os portões com seguranças se tornam o último lugar por onde fugir; porque as balas também vêm dali pra quem tenta em desespero sair). Ergamos as mãos aos desgraçadores que, andando dentro do âmbito do nosso viver, protegidos sob o parasitismo que nos impingem, se dizem possessos, e continuam livres; enquanto damos a eles tudo, desde nossos impostos aos nossos tenros filhos, e até o direito de cercear o Conhecimento que, de fato, é o valor que tem-nos feito TODAS as melhorias civis. Estamos mais que sabendo como Civilização que, às vezes só nos resta de tantas outras antes da nossa -- vide National Geographic Society -- que esses encabrestadores da vida civil destruíram, são somente vestígios aqui e ali, resquícios do que a estupidez da “esperteza” cerceadora massacrou e tornou quando muito em símbolos que taxaram como sagrados, pela incompreensão do que um dia de fato foram: alcances e expressão de estágios excelentes de consciência. Assim fazem agora com o Google, cerceiam-no, incutidos de que temos de viver em clausura civil, em calabouços, em que vemos já ir ficando mal e mau os frisos de claridade e liberdade advindas da Ciência e do Conhecimento. Se a China ousa vislumbrar-se como uma Nação de brilhante futuro decerto deve se proteger, mas não do valor do Conhecer (porque como todos os povos sabem: o muito espremer escorre pelos dedos), e sim, do podar inescrupulosamente uma Nação de sua autonomia; porque não caberá à China ver-se como hoje se desespera afundado em crenças os EUA, ou envôlta em escuridão como a Inglaterra, ou miseravelmente descambando em misticismo como o Brasil imitando o nababo sórdido que embrulha o povo indiano. Que a Terra tenha a honra de ver a China altaneira com seus conceitos levados até à evolução da dignidade e hombridade do Capitalismo Meritocrático.