sexta-feira, agosto 27, 2010

Verde e Vermelho



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Líder do Maio de 68, Daniel Cohn-Bendit veio ao Brasil apoiar o Partido Verde. Em entrevista ao Globo, aproveitou para atacar o presidente Lula: “[...] a cumplicidade de Lula com Ahmadinejad, Fidel ou Chávez é um problema, porque mostra que não tem sensibilidade sobre o problema do totalitarismo e o tema da democracia”. E ainda acrescentou: “Comparar presos políticos a traficantes é uma coisa de doente”. Ponto para o verde. A imagem de Lula perante a esquerda européia está bastante arranhada.

Daniel condena o simplismo do debate político europeu: “Na França, se você é de esquerda, defende a aposentadoria aos 60; se é de direita acha que deve ser aos 62”. De fato, o debate político – não só na Europa – tem sido dominado por variações bobas dentro do mesmo discurso. O curioso é que o próprio Daniel defende, como medida alternativa, outro paliativo boboca: “Podemos, por exemplo, começar a diminuir a jornada de trabalho a partir dos 55 anos”. Que tal alguém propor uma reforma estrutural que vá ao cerne da questão do rombo previdenciário? Cada um deve poupar em contas individuais para seu próprio futuro! Isso, nem verde, nem vermelho defende.

A aliança entre socialistas e verdes é defendida por Daniel. O líder da revolução socialista do passado aderiu ao movimento verde atual, mas ainda deseja caminhar de mãos dadas com seus antigos camaradas. Isso apenas mostra como o movimento verde acabou sendo um refúgio para socialistas órfãos após a queda do Muro. Talvez com um tom mais suave, e rejeitando os excessos antidemocráticos dos colegas, mas ainda muito parecidos. Tão parecidos que me sinto um daltônico tentando diferenciar os verdes dos vermelhos. Talvez sejam como melancias: verdes por fora, mas vermelhos por dentro.

7 comentários:

RRG disse...

O que rola é que perto do pt,psdb,psb e afins, qualquer social democrata europeu é uma margareth tatcher. Um Gerhard Schröder com uma Agenda 2010 (aplaudida até pela direita alemã, mas quase impossível de ser aplicada num povo viciado em estado) não teria vez aqui, seria um bixo mais exótico do que um PCO da vida.

Lino disse...

Mestre, que tal um texto sobre as recentes matérias da revista The Economist e a bajulação à agricultura brasileira?

Anônimo disse...

VERGILIO said (*)
“Podemos, por exemplo, começar a diminuir a jornada de trabalho a partir dos 55 anos” - Daniel Cohn-Bendit
Prezado Constantino e demais Liberalistas de fato:
Nesse quesito o Brasil é vanguardista, pois por aqui os VERDES, os VERMELHOS e os COLETIVISTAS EM GERAL (que na universidade geralmente são os piores alunos, pois ao invés de estudarem para adquirirem competências para poderem concorrer no livre mercado preferem desde cedo fazerem politicagem para no futuro garantirem a jornada mínima ou de preferência o “Ganhar sem trabalhar”mesmo. Geralmente optam por serem concurseiros para entrarem nas fileiras do governo e assim garantirem o salário e o futuro vitalício sem terem que pagar pelo direito de existirem, ou seja, viverem na mamata e as custas do trabalho e suor alheios.
Obs.: Mas a culpa de tudo isso é nossa mesmo, MEMBROS DA GERAÇÃO “A” ( de ABOBADOS e ACOMODADOS, que somente sabemos ficar reclamando via internet e como um bando de covardes não tomamos nenhuma atitude. Daqui a pouco vão exigir que enviemos nossas declarações de IR em 2 vias, uma para a receita e outra para o partidão. Se continuarmos omissos ignorando o problemas e pensando e esperando o milagre que eles vão se resolver sozinhos, estamos enganados. Que tal fazermos um movimento para pararmos de recolhermos os impostos e não declararmos IR. Pode até ser uma utopia, mas acredito que daí surtiria algum efeito e com certeza teríamos o prazer de vermos esses PUBLICANOS MODERNOS se virando para poderem pagar o almoço e as mordomias.
Está lançada a idéia Professor Constantino e demais Liberalistas de fato, que tal lançá-la a nível nacional aqui no blog e disseminá-la pelos outros blogs liberalistas também?
Obs.: Para ser um herege precisa-se de coragem para fazer e até colocar o pescoço na guilhotina se for preciso e não somente ficar escrevendo e tecendo opiniões e ideologias. Afinal se nós que pagamos pelo nosso direito de existimos e pelos deles também, morrermos, pode ter certeza que logo depois eles morrerão também ou então vão ter que começarem a se virar.
Um grande abraço a todos. Só espero que não me mandem sair sozinho na rua para começar o movimento como já o fez o jornalista Clovis Rossi (aquele da FSP que escreve uma coluna de lamento e reclamação por dia em sua coluna na FSP), em 2005. Vejam o que ele me respondeu quando desafiado a parar somente de escrever u usar a arma poderosa que ele tem nas mãos para mobilizar o povo, que é a mídia:
Clovis Rossi escreveu: “O meu trabalho é fazer o que faço. Se você quer botar o time na rua, faça-o. Com o nível de mobilização da sociedade brasileira, vai sair sozinho. abs. Rossi”.
Edson Vergilio

(*)Obs.: Estou tendo que postar como anônimo porque o sistema de identificação do Google Account sempre acusa que a minha senha está incorreta.

Esperança disse...

FORO_DE_SÃO_PAULO http://www.youtube.com/watch?v=_W0l5tWr4RY

Corruptocracia: Roubar é poder! disse...

Outro dia Marina Silva se equivocou e disse, em público: "Nós, do PT".

Ela foi senadora, pelo PT, durante 12 anos - e nunca fez nada. Foi ministra do governo desastroso de Lula da Silva durante seis anos, e também não fez nada.

Saiu do PT num momento em que era preciso fazer barulho no Senado, porque havia uma série de denúncias contra o presidente da casa, José Sarney. O articulador desta saída do PT e do lançamento de sua candidatura, foi o filho do presidente do Senado, o Sarneysinho do PV.

Lançou-se candiadata à presidência da República por um partido ao qual ela não era nem filiada, afrontando a legislação eleitoral e causando danos à estrutura orgânica do PV. Não teve ética em relação ao partido ao qual queria se filiar.

Se ela tivesse o ideal Verde, ela procuraria influenciar o PT a absorver pelo menos alguns dos princípios verdes. Mas ela não foi capaz, talvez porque não os tenha, distorcida e corrompida que está por uma biografia de burocratoparasitismo na coisa pública, sempre viveu próxima do conchavo, da corrupção e, enfim, da escola de Brasília, que dá um bom dinheiro mas é uma péssima escola.

Burocratoparasita da União disse...

É vero, Corruptocracia,

Entre assumir, e cumprir, o ideal de aprimorar o PT, um grande partido que centraliza importantes forças do pensamento "brasileiro", ela preferiu ir contaminar o Partido Verde com suas noções egocêntricas e obscurantistas, sua inclinação pela anti-ecologia do MST, sua fixação antropoteísta, seus vícios politiqueiros do oportunismo e da obscuridade ideológica.

Na política, as figuras não são como as rochas na beira do mar - são muito mais como as nuvens de uma tarde de verão. Mudam, correm, deslizam, se desfazem. E Marina Lima, ou Silva, é uma nuvem mutante que hoje pode ser antropoteista e amanhã pode adorar Darwin e até São Francisco de Assis.

Ela aproveitou-se do ciclo petista de costas para o Partido Verde e para as causas ambientais do País, mais interessada, ao longo de quase 20 anos de mamata federal no Senado e na Esplanada dos Ministérios, em se manter nas cadeiras.

Anônimo disse...

Alguém aqui já leu o "Manifesto Ecossocialista" elaborado pelo Núcleo dos Ecologistas do PT de Porto Alegre, em 1990?

http://www.ecomunidades.net/br/node/56