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segunda-feira, julho 08, 2013

Coisa fina chamada funk

Fonte: G1
Rodrigo Constantino

O funkeiro MC Daleste morreu com um tiro durante show, despertando a revolta de vários colegas de profissão. Confesso que até então nunca tinha ouvido falar do cantor. É que realmente funk não é bem minha praia. 

Há quem diga que entre funk e música clássica, tudo é apenas questão de gosto. E ai quem ouse afirmar que existe uma mínima hierarquia objetiva nesse embate! Mozart ou Daleste? Pura questão de escolha pessoal, e quem diz o contrário é um preconceituoso elitista.

Vivemos na era do relativismo exacerbado, da suspensão de qualquer julgamento estético ou mesmo ético. Tudo é igual, e negar isso é remar contra a maré do politicamente correto. Aderindo ao zeitgeist pela primeira vez neste blog, vou me abster de julgar qualquer coisa que seja. Vou somente divulgar, em homenagem ao falecido "músico", uma de suas canções. O leitor que faça seu próprio julgamento, se quiser. Lá vai:


“Matar os policia é a nossa meta
Fala pra nois quem é o poder
Mente criminosa coração bandido
Sou fruto de guerras e rebelioes
Comecei menor ja no 157 hoje meu
Vicio e roubar profissão perigo
Especialista formado na faculdade criminosa
Armamento pesado ataque sovietico e que esse
É o bonde do mk porque quem manda aqui
É o 1 p e 2 c fala pra nois que e o poder
Se tu quer ouvir apologia eu te apresento nosso
Arsenal ataque só na glock , g3 , mini-use
762 funrador parafal , a r15, A.R baby, magno macs , fuzil
Holandes , mp5 762 semi automatica m16 a colt
Pente 90, galac torrents , meiota e 50 especialista
Em assaultos bancarios formado na faculdade criminosa
Sub use , aim check , flatclonos ponto 40 tipo guerrilha
Sao paulo sp a grande capital e toda nossa meu nome voce
Quer saber pra me denunciar pros verme da ... quer me
Rastrear e toma la daca bate de frente faz sua parte
E nois que soma e nois que ta forma de expressão pra mim
Nao interessa tamo embraçado na mesma missão matar os policia
É a nossa meta se tu quer ouvir apologia eu te apresento
Nosso arsenal (ham) esse é o kit do mal
Fala pra nois quem é o poder matar os policia e a nossa meta
Fala pra nois quem é o poder
Mente criminosa coração bandido
Sou fruto de guerras e rebelioes
Comecei menor ja no 157 hoje meu
Vicio e roubar profissão perigo
Especialista formado na faculdade criminosa
Armamento pesado ataque sovietico e que esse
É o bonde do mk porque quem manda aqui
É o 1 p e 2 c fala pra nois que e o poder
Fala pra nois quem é o poder (2x)
Se tu quer ouvir apologia eu te apresento nosso
Arsenal ataque só na glock , g3 , mini-use
762 fundador parafal , a r15, A.R baby, magno macs , fuzil
Olandes, mp5 762 semi automatica m16 a colt
190 galac torrents , meiota e 50 especialista
Em assaultos bancarios formado na faculdade criminosa
Sub use , aim check , flatclonos ponto 40 tipo guerrilha
Sao paulo sp a grande capital e toda nossa meu nome voce
Quer saber pra me denunciar pros verme da ... quer me
Rastrear e toma la daca bate de frente faz sua parte
E nois que soma e nois que ta forma de expressão pra mim
Nao interessa tamo embraçado na mesma missão matar os policia
É a nossa meta se tu quer ouvir apologia eu te apresento
Nosso arsenal (ham) esse é o kit do mal”
PS: Apenas para caráter informativo, o clip da música no YouTube tem mais de 1,4 milhão de views, e um terço a mais de gente que curtiu em relação a quem não curtiu.

quinta-feira, setembro 08, 2011

Homens de classe

JOÃO PEREIRA COUTINHO, Folha de SP

Esquerda, direita: há coisas mais importantes na vida. Vamos lendo, vamos vivendo. E então percebemos que a distinção fundamental não é entre esquerda e direita. Até porque existem várias esquerdas e várias direitas.
A diferença resume-se em duas palavras: liberdade individual. Ou estamos dispostos a ceder essa liberdade a um poder político único e centralizado; ou, simplesmente, não estamos.
Deve ser por isso que George Orwell tem lugar eterno na minha estante. Evelyn Waugh também. E, ao lado deles, prometo colocar um livro notável sobre ambos: "O Mesmo Homem" (Difel), de David Lebedoff. Chegou com três anos de atraso ao Brasil. Chegou a tempo. Lebedoff foi sagaz. Partiu de uma coincidência biográfica -o esquerdista Orwell e o conservador Waugh nasceram em 1 903- para mostrar como ambos foram, na verdade, "o mesmo homem". Confrontaram-se com os mesmos problemas da modernidade. Responderam a eles alicerçados na mesma posição moral.
Mas, antes dos problemas modernos, convém visitar um problema especificamente britânico. Anos atrás, em Oxford, um velho professor dizia-me que não havia nada mais cruel do que ter nascido na classe média antes da Segunda Guerra Mundial. Era o caso dele. Numa sociedade rigidamente estratificada, como a inglesa, habitar o meio da tabela era levar por tabela. Era viver na angústia de poder cair no fundo da ladeira. Era viver na angústia de desejar subir até ao topo.
Orwell e Waugh, produtos do meio, experimentaram pressões dos extremos. Responderam a eles como Disraeli e Marx, numa interpretação de Isaiah Berlin, responderam ao seu judaísmo um século antes: procurando suplantar o "defeito" de origem pela identificação com os de cima (aristocracia) e os de baixo (proletariado).
Para Orwell, os anos de terror na "escola pública" ("pública", na Inglaterra, significa "privada") imprimiram-lhe um sentido inapagável de marginalização e injustiça que definiu um percurso: o percurso descendente de quem prefere descer a escala social para lhe roubar todos os seus terrores. O estoicismo de Orwell; a sua pobreza autoimposta; o seu recuo estratégico para as favelas de Paris ou Londres são marcas de uma opção. A opção pela queda.
Evelyn Waugh optou pela ascensão: se existia o mesmo "pecado de classe", era necessário redimi-lo casando bem e vivendo melhor. Waugh agiu em conformidade e, ainda antes dos 40, era a encarnação perfeita, alguns dirão caricatural, do "squire" inglês. David Lebedoff narra com mestria a história desses percursos. Mas o melhor do livro está nas aproximações entre eles: na forma como Orwell, a partir de baixo, e Waugh, a partir de cima, foram respondendo aos desafios sombrios do tempo.
E respondendo de igual forma: não apenas elegendo a literatura, e a clareza inegociável da língua inglesa, como instrumento de reflexão e transformação social. Mas vislumbrando na modernidade a presença insidiosa do relativismo moral -uma sombra de irracionalismo que, ao viciar o pensamento (e até a linguagem), permitia o abandono de um sentido primordial de decência comum e abria as portas para os totalitarismos do século 20.
George Orwell acabaria por morrer em 1950. Tinha 46 anos. E, meses antes do fim, receberia no hospital a visita de Evelyn Waugh. Sabemos pouco sobre o conteúdo dessa visita -e Lebedoff não acrescenta muito. Daria o meu dedo mindinho para recuar no tempo e ser uma mosca no quarto daquele hospital de Londres.
Mas sabemos que ela foi antecedida por cartas de admiração mútua. Verdade: o católico Waugh nunca entendeu como era possível a um ateu, como Orwell, defender posições morais absolutas.
Mas o mistério talvez se possa resolver com uma suprema ironia: o fato de Orwell e Waugh terem abandonado a "classe média" não significa que a "classe média" os tenha abandonado a eles.
No gosto de ambos pela moderação e pela prudência; e na defesa "burguesa" da liberdade individual face aos autoritarismos dos extremos, Orwell e Waugh não foram apenas "o mesmo homem"; foram também esse homem que, depois de todas as viagens, nunca realmente saiu do mesmo lugar.