segunda-feira, outubro 11, 2010

As idéias de um libertário



Revista Época

Livro fala sobre a Escola Austríaca, considerada a mais libertária de todo o pensamento econômico

José Fucs

Entre os grandes economistas da história, o austro-americano Ludwig Von Mises (1881-1973), um dos expoentes da Escola Austríaca, considerada a mais libertária de todo o pensamento econômico, é um dos menos conhecidos no Brasil. Agora, um novo livro – O poder da ideias: a vida, a obra e as lições de Ludwig Von Mises (110 páginas, R$ 30), editado pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), em parceria com o Instituto Mises Brasil – deverá facilitar o acesso a seu legado.

Escrito em linguagem surpreendentemente didática pelo engenheiro e administrador Hélio Beltrão, presidente do Instituto Mises Brasil, pelo economista Rodrigo Constantino e pelo advogado Wagner Lenhart, o livro conta a história da Escola Austríaca e mostra a contribuição de Mises para seu desenvolvimento e para sua difusão no pós-guerra, principalmente nos Estados Unidos.

Fundada na segunda metade do século XIX pelo economista Carl Menger, a Escola Austríaca hoje guarda pouca ou nenhuma relação com a geografia. Assim como a Escola de Chicago, o templo do liberalismo que tinha na figura do Nobel de Economia de 1976, Milton Friedman, seu principal porta-voz, a Escola Austríaca defende o capitalismo de livre mercado como a melhor forma de promover o desenvolvimento. Mas vai além: é contra a existência do Banco Central e o monopólio de emissão de moeda, que considera um fator inflacionário e um convite à gastança pública. Ela também rejeita o ensino da economia por meio de experiências e observações do mundo real. A única lei verdadeira da economia, segundo seus seguidores, está baseada na lógica e parte do princípio de que todos sempre agem para melhorar a situação em que se encontram.

O livro inclui um resumo das obras de Mises, quase todas esgotadas no Brasil, das quais a mais importante foi Ação humana. Nela, ele defende a ideia de que são as escolhas individuais que determinam os fenômenos do mercado – a oferta, a procura, os preços, os padrões de produção e até os lucros e os prejuízos. Traz, ainda, um capítulo sobre a vida pessoal de Mises – de seu nascimento, numa família judaica na cidade de Lemberg (hoje parte da Ucrânia), no antigo império austro-húngaro, até sua morte em Nova York. Foi lá que ele viveu por 43 anos depois de emigrar para os EUA, em 1940, para fugir do nazismo. Por suas ideias liberais, Mises foi recusado para o posto de professor nas universidades da Califórnia e Berkeley. Para sobreviver, dava palestras. Também escreveu editoriais para o jornal The New York Times. Em 1945, passou a trabalhar como professor visitante da Universidade de Nova York, cargo que ocuparia por mais de duas décadas.

Hoje, com a ressurreição das ideias do economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946), centradas na injeção de dinheiro público para estimular a economia em momentos de crise, o liberalismo radical de Mises pode parecer uma heresia. Mas é justamente por desafiar a visão predominante no mercado que o livro ganha força. Um mergulho no pensamento de Mises leva o leitor a fazer uma reflexão providencial sobre os problemas que a intervenção do Estado na economia traz para as finanças públicas, o equilíbrio do mercado e o bem-estar de longo prazo dos indivíduos.

4 comentários:

Anônimo disse...

Rodrigo, gostaria que o sr. comentasse a respeito dos ganhadores do nobel de economia. Obrigado.

Allen Konstanz disse...

Boa noite Rodrigo, onde o livro estará disponível para compra?

Rodrigo Constantino disse...

Não conheço bem os vencedores do Nobel de Economia deste ano para comentar melhor.

Não sei aonde o livro será vendido. Acredito que pelo site do IMB vc encontrará.

Corruptocracia: Roubar é poder! disse...

A aversão à legalidade

Ao participar de cerimônia de lançamento do programa Cinema Perto de Você, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva queixou-se da legislação eleitoral que impede que se assine convênios e faça investimentos a partir do mês do julho.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem a legislação eleitoral que impede a liberação de recursos para prefeituras e estados três meses antes das eleições.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou hoje, os entraves burocráticos para um empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) ser executado, e pediu paciência à população para o começo das obras. "Com tanta lei que tem, com o Tribunal de Contas [da União], com um monte de coisas, às vezes leva quatro, cinco meses, para a gente começar a obra.
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Nesta quinta-feira, numa reunião com seu conselho político, ele disse novamente que o Ibama estava atrapalhando o desenvolvimento nacional, travando o licenciamento ambiental das usinas hidrelétricas Santo Antônio e Jirau, em Rondônia.“Agora não pode por causa do bagre, jogaram o bagre no colo do presidente. O que eu tenho com isso?”, reclamou Lula no encontro, segundo o jornal reportagem de Luciana Nunes Leal publicada em O Estado de São Paulo.
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“Lula não para de dizer besteiras”, lastima Célio Fernando Haddad, coordenador de Ciências Biológicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Onde o narrador viu uma prosaica perereca, corrige Haddad, os cientistas encontraram quatro espécies de anfíbios ameaçadas de extinção. Os levantamentos que precedem o início de obras não existem para atender a caprichos de ambientalistas, mas por exigência da legislação federal, que protege a vida de espécies ameaçadas.