quarta-feira, outubro 20, 2010

O adubo é nosso!



Rodrigo Constantino

Fertilizantes são insumos fundamentais para uso nos solos cultiváveis, com a meta de torná-los mais produtivos, normalmente reduzindo sua acidez. Os três principais elementos costumam ser nitrogênio, fósforo e potássio, que, misturados em diversas fórmulas, são usados como nutrientes de solos. Em linguagem popular, trata-se do famoso adubo químico usado na agricultura. E não é que os esquerdistas, “contumazes idólatras do fracasso”, como dizia Roberto Campos, também apelaram para o nacional-estatismo neste setor?!

Não será difícil adivinhar quais “argumentos” eles usaram. Claro! O setor era estratégico e precisava ser protegido dos gananciosos capitalistas estrangeiros. A privatização das poucas empresas deste setor não foram tão relevantes em termos de arrecadação para o governo. Entretanto, a venda das cinco subsidiárias da Petrofértil gerou um barulho e tanto. As mesmas figuras de sempre lutaram, de forma bastante organizada, para impedir os leilões. O adubo é nosso!

Roberto Requião, o então governador do Paraná, liderou o processo de combate ideológico à privatização do setor. Em junho de 1993, às vésperas do leilão da Ultrafértil, ele declarou aos jornais: “Se num país agrícola a indústria de fertilizantes não é estratégica, então o governo também não é estratégico”. O presidente da CUT, Jair Meneguelli, acrescentou: “Não se trata nem de discutir se o processo de privatização envolve corrupção, mas principalmente a venda de uma empresa que detém o monopólio da produção de fertilizantes, que não pode ser entregue a grupos privados”. Ele chegou a defender a ocupação da fábrica.

O atual presidente Lula também ajudou a jogar lenha na fogueira ideológica. Agindo como presidente do PT, Lula visitou o acampamento dos funcionários da Ultrafértil que já ocupavam a fábrica de Araucária desde o dia do leilão. O Jornal do Commercio relatou: “Segundo Lula, existe uma grande contradição entre a campanha contra a fome, lançada pelo Governo e, ao mesmo tempo, a privatização do setor de fertilizantes, vital para a produção de alimentos”. Levando a lógica de Lula adiante, só podemos concluir que o setor de produção de alimentos deveria estar todo nas mãos do Estado. Lula, já presidente da República, mostrou sua receita para acabar com a fome: o fracassado programa Fome Zero.

Margaret Thatcher disse, contra a oposição à privatização com base no argumento de setor estratégico, que não conhecia setor mais estratégico que o de alimentos, e que nem por isso as pessoas defendiam sua estatização. Bem, na verdade alguns defenderam, e colocaram em prática. Foram os casos das ditaduras comunistas na União Soviética e na China. O resultado prático foram milhões de mortes por inanição. Mas como certas pessoas nunca aprendem, o argumento que Lula usava para atacar a venda da Ultrafértil era exatamente o do setor estratégico. Alimento é fundamental, e fertilizante é fundamental para produzir alimentos, logo, o Estado deve ser produtor de adubo químico. Fim de papo.

O mais curioso é que não é necessário estudar complexas teorias econômicas para constatar que o governo não precisa se meter na produção de alimentos para que haja abundância. Basta adentrar um supermercado! Nestes estabelecimentos, a qualquer hora, o consumidor encontra uma enorme variedade de alimentos ofertados, para todo tipo de gosto e bolso. São os mais variados tipos de produtos, industrializados, in natura, congelados, cada um deles vindo de um lugar diferente, do interior do país, do exterior. É o exemplo perfeito da “mão invisível” de Adam Smith em ação, possibilitando o acesso a todo tipo de produto. Tudo movido pela busca do lucro, sem interferência alguma do governo. Não há planejamento estatal algum nesse complexo processo, mas o cliente é atendido de forma eficiente.

Apesar das barreiras criadas pelos inimigos da iniciativa privada, o fato é que as empresas de fertilizantes foram privatizadas, rendendo quase meio bilhão de dólares para o governo. Os estatistas foram desmentidos em seus alertas pessimistas pela explosão das atividades agropecuárias no país, nos anos posteriores. Em 1994, quando acabou o processo de privatização do setor, o país consumia menos de 12 milhões de toneladas de adubos. Em 2007, esse volume chegou a quase 25 milhões de toneladas, ou seja, a produção dobrou em relação aos tempos estatais. Se a falta de alimentos for um problema, não vai ser por falta de adubo!

PS: A Vale fez uma oferta no começo do ano pelos ativos de fertilizantes da Bunge no país. A presença da gigante estrangeira não representou ameaça alguma ao setor nos últimos anos. Pelo contrário: a valorização da Fosfértil demonstra como a gestão privada fez bem. A Vale pagou 2,15 bilhões de dólares pela participação de 42,3% detida pela empresa americana no capital da Fosfértil. E isso não incluiu os negócios de varejo e distribuição de fertilizantes da companhia. Em outras palavras, apenas a produção de fertilizantes da Fosfértil foi avaliada em mais de US$ 5 bilhões pela Vale. Que “horror” o resultado da privatização deste setor estratégico!

2 comentários:

Dâniel Fraga disse...

Excelente artigo! Quem sabe um dia os petistas usem mais de um neurônio...

E essa área de economia etc
é a mais propensa a interpretações erradas da esquerda, levando a um sem número de conclusões falaciosas, pois confundem causa com efeito e atribuem soluções ao que efetivamente não soluciona. A esquerda é praticamente religiosa... quer aplicar sua teoria a todo custo na prática, mesmo não funcionando. Se a teoria não corresponde a prática, muda-se a teoria! ;)

Continue informando. Obrigado!

Anônimo disse...

Roodrigo
Você precisa ler o Reinaldo Azevedo sobre a defesa petista com relação a Vale.
Imperdível