quinta-feira, outubro 14, 2010

Nas asas do sucesso



Seguindo a série de artigos antigos sobre privatização, para derrubar a tática eleitoreira do PT, vai um sobre a Embraer, sem dúvida um dos maiores casos de sucesso na história da venda de estatais no país. O artigo mostra que somente a ideologia ultrapassada ou a luta por privilégios podem explicar uma postura contrária à privatização. E Dilma insiste em defender o atraso!

Rodrigo Constantino

“Pretender que a empresa tenha uma 'função social' outra que produzir melhor e mais barato o que os consumidores desejam é não só um paradoxo: é uma farsa.” (Donald Stewart Jr)

Fundada em 1969 por Decreto-Lei, objetivando a construção de dois aviões Bandeirantes por mês através de uns 500 funcionários, a Embraer foi privatizada em dezembro de 1994, quando teve seu controle adquirido por fundos de pensão e a companhia Bozano, Simonsen. Em 1999, a empresa formalizou uma aliança estratégica com um grupo formado por empresas européias do setor aéreo, como a Dassault, que comprou 20% do capital votante da Embraer. Atualmente, a empresa emprega diretamente cerca de 16.500 pessoas, e possui clientes em 58 países. O crescimento e o salto na produtividade da empresa após a privatização foram fantásticos. Vamos aos dados!

Já em mãos privadas e focada no lucro, a Embraer criou em 2000 o Centro de Realidade Virtual, marcando novo estágio tecnológico da empresa. O CRV, como é chamado, possibilitou a redução do prazo de desenvolvimento do avião EMBRAER 170 em 22 meses, quando comparado ao ERJ 145, que levou 60 meses para conclusão do projeto, na era estatal. Neste mesmo ano, a empresa abriu seu capital, lançando ações no Brasil e nos Estados Unidos. As exigências dos investidores contribuem para uma incessante busca por excelência. Um grande foco vem sendo dado aos funcionários também, e foi adotado um programa de remuneração variável, para alinhar os interesses de todos na empresa. O resultado é impressionante, e os números comprovam isso.

A receita líquida da empresa, que estava abaixo dos R$ 300 milhões em 1995, primeiro ano com gestão privada, saltou para R$ 824 milhões já em 1997. Chegou a R$ 5,1 bilhões em 2000, e havia dobrado em 2004, ainda que apresentando alta volatilidade anual, pela natureza do negócio. Isso ocorreu mesmo com um número menor de jatos entregues, já que foram 160 em 2000 e somente 148 em 2004. O setor como um todo passou por alguns solavancos entre 2001 e 2003, prejudicando alguns números da Embraer. Ainda assim, a sustentável melhora dela desde os anos da privatização demonstram o poder de uma gestão comprometida com a lucratividade, exposta a um ambiente competitivo de mercado.

A Embraer era extremamente deficitária nos tempos de estatal, apresentando repetidos prejuízos que afetavam os cofres públicos. Em 1995, fruto de uma “herança maldita” da era estatal, seu prejuízo passou de R$ 200 milhões, e em 1997 a empresa já estava chegando perto do break even point. Em 1999, a empresa já apresentava lucro de quase meio bilhão de reais, sendo que em 2001 o seu lucro passou de um bilhão. Até 1997, a Embraer não tinha imposto de renda a pagar, por conta dos pesados prejuízos, enquanto que entre 2000 e 2004, foram pagos quase dois bilhões de reais ao governo, apenas na forma de I.R. e Contribuição Social. O governo, como acionista, não tinha dividendos a receber enquanto a Embraer era estatal. Em contrapartida, a empresa direcionou R$ 585 milhões para juros sobre capital próprio aos acionistas somente no ano de 2004. As mudanças para melhor são assustadoras!

Tal melhora exponencial foi sentida por inúmeros grupos. Os cofres públicos cresceram com os elevados impostos recolhidos. O balança comercial melhorou, com a Embraer tornando-se a segunda maior exportadora do país. Os acionistas ganharam bastante dinheiro, graças ao foco no bom atendimento aos clientes e lucratividade. Os clientes receberam produtos melhores e inovadores, com preço competitivo vis-à-vis os demais produtores. Os empregados passaram a receber remuneração variável, e até o número de empregos gerados cresceu absurdamente, para atender ao expressivo crescimento da empresa. Eram cerca de 10 mil colaboradores em 2000, e hoje são mais de 16 mil. O valor de mercado da empresa chegou perto de R$ 15 bilhões, recompensando os investidores também. Difícil é achar quem se beneficiava com a Embraer nos tempos de estatal, com exceção de uns poucos políticos e burocratas poderosos.

O Estado não tem nada que ser empresário. Não é seu papel, e sua gestão será sempre menos eficiente que a privada. A lógica explica, e infinitos casos empíricos comprovam. As pressões e interesses políticos impedem um foco no bom atendimento aos clientes e na remuneração do capital investido. Tais conclusões estão evidenciadas desde a experiência inglesa nos tempos de Thatcher. Mas a mentalidade estatólatra dos brasileiros impede a constatação do óbvio. Detestam os empresários e idolatram os burocratas, de forma patológica. Com isso, os pagadores de impostos saem perdendo, assim como todos os consumidores. E enquanto a lógica não atinge os eleitores, o governo Lula vai criando cerca de uma estatal por mês de “governo”. Temos que crer mesmo em milagres para mantermos a esperança viva...

4 comentários:

Corruptocracia: Roubar é poder! disse...

A decadência dos investimentos é tanta, que o portfólio do comércio exterior regrediu, no mínimo, 50 anos. É um desastre histórico. O Brasil voltou a ser um exportador de açúcar grosso, minério, folha de fumo, soja em grão.

Só o quarto colocado na pauta de exportações representa tecnologia e valor agregado: A EMBRAER, fundada pelo governo militar, dilacerada e vandalizada pelo governo Sarney, salva pelo governo Itamar Franco que a privatizou em cima da hora, fatura cerca de 3 por cento da receita externa.

Hoje, no Brasil, não é possível construir com tecnologia própria nem mesmo o mais simples aparelho de telefone. O Brasil regrediu em patentes, em tecnologia, em ciência. O País está inundado de bugiganga formando uma onda de lixo que avança pelo Atlântico adentro.
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Agora veja isso:

Ceitec pede R$ 10 milhões ao BNDES
18/09/2006

Na sexta-feira, 15, os diretores do Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), de Porto Alegre, encaminharam ao BNDES um pedido de financiamento para desenvolver o primeiro “chip” comercial para a TV digital brasileira. O centro busca R$ 10 milhões para elaborar dois modelos de chips para a subsidiária brasileira da multinacional RF Telavo, informa a newletter da revista Amanhã.

E compare com isso:

FRIBOI JÁ LEVOU 7,5 BILHÕES

Concorrentes reclamam de privilégios

Em fevereiro de 2010 o frigorífico brasileiro Friboi colocou à venda um pacote de dois milhões de debêntures no valor de R$ 3,48 bilhões. O mercado financeiro não se interessou, mas a BNDESPar, empresa de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, comprou o encalhe, 99,9% dos papéis. e jogou dinheiro na roda. Os outros acionistas, entre eles a família Batista, dona de 59% do grupo JBS, adquiriram 0,05% da emissão. Restou uma sobrinha de 523 papéis que ninguém quis.

A operação foi feita para pagar a última aventura da companhia nos Estados Unidos: comprar a Pilgrim"s Pride Corporation, que estava quebrada. A entrada no mercado americano foi o passo mais ousado de uma trajetória internacional iniciada em 2005, com a compra da Swift argentina, feita também com dinheiro tirado dos cofres do BNDES.

Ávido por cumprir o objetivo principal do governo Lula, que é mandar dinheiro para o exterior, o BNDES já empatou pelo menos R$ 7,5 bilhões no Friboi - de quem também é acionista, com uma participação de 22,36%. O apoio ao frigorífico supera outras operações emblemáticas, como os R$ 2,6 bilhões para o casamento Oi/Brasil Telecom.

aliancaliberal disse...

acho que vc cansa de elegios mas otimo texto colocando pingos nos i

gil sergio disse...

http://www.youtube.com/watch?v=A-bEEyr_yVw&feature=related

VEJAM NO LINK ACIMA O VERDADEIRO "PROJETO" DE GOVERNO PETISTA

rodrigo disse...

Não seria possível privatizar o Brasil? Colocar nas mão de um bom administrador e mandar prá rua um bocado de gente...