quarta-feira, julho 02, 2008

Carro Blindado para Todos!



Rodrigo Constantino

“É de fundamental importância procurar analisar uma política intervencionista por suas conseqüências como um todo; não apenas por seus efeitos no curto prazo, mas também no longo prazo.” (Mises)

A mentalidade predominante no Brasil é a de total desconfiança em relação a iniciativa privada e, por conseqüência, uma crença tola no governo, que passa a ser encarado como um deus. O empresário é visto como um explorador, fruto do ranço marxista, e os consumidores preferem delegar aos políticos – logo eles! – uma suposta proteção dos seus interesses. É essa postura que explica uma crescente intervenção estatal nos mais diversos assuntos privados, como se a caneta do governo fosse mágica. Os ingênuos acreditam que são os decretos estatais que criam a riqueza e garantem uma vida cada vez mais confortável e segura para a maioria. Nada mais falso.

O mais novo avanço sobre a liberdade dos mercados é o Projeto de Lei 1668/07, do deputado Sandro Matos (PR-RJ), que torna o airbag obrigatório para todos os veículos. De acordo com o projeto, o equipamento deverá ser instalado no painel frontal dos automóveis tanto para o motorista, quanto para o passageiro. As empresas terão três anos para se adaptar. A finalidade é inegavelmente nobre. Afinal, quem seria contra mais segurança para todos? O “pequeno” problema é que segurança não cai do céu, e custa dinheiro. Muitas vezes, custa caro. E a conta tem que ser paga. A grande ilusão é achar que as montadoras irão arcar com os custos extras e ponto final. É evidente que os custos adicionais serão repassados para o preço final do produto, tornando-o mais caro e talvez inacessível para muitos.

O airbag foi inventado por John W. Hetrick nos Estados Unidos, em 1952. Um inventor americano, Allen K. Breed, desenvolveu um componente para o uso automotivo, e sua inovação foi vendida em 1967 para a Chrysler. Um mecanismo similar foi oferecido pela Ford pouco tempo depois. Na década de 1970 o uso do airbag para carros de passeio decolou, salvando muitas vidas. A iniciativa privada havia atendido uma demanda dos seus consumidores por maior segurança. O sistema de freio ABS é um outro exemplo nessa direção. Os próprios produtores vão melhorando seus produtos de acordo com a demanda dos consumidores, que exercem suas preferências diariamente num plebiscito ininterrupto chamado mercado. Para cada gosto e para cada bolso, diferentes opções vão sendo oferecidas. É o maravilhoso sistema que chamamos de capitalismo de livre mercado.

Mas os políticos precisam justificar seus salários elevados, e abusam da ignorância de muitos leigos em relação a este complexo mecanismo de mercado. Eles, então, começam a demandar essas melhorias em todos os produtos, como se o decreto estatal fosse, na verdade, o criador dessa evolução. Se um laboratório em busca do lucro criou um remédio importante, depois de bilhões em investimentos com pesquisa, então todos devem ter acesso ao remédio, através da força da lei. Não importa que isso vá reduzir novos investimentos. Se uma empresa criou um computador que facilita a vida de muitos, então todos devem ter “direito” a este produto importante, e em nome da “igualdade” o governo cria o programa de “inclusão digital”. E claro, se a montadora oferece um novo item de segurança, então todos devem poder desfrutar dessa maior segurança, independente do seu custo. O governo, com o aval de muitos defensores desse modelo de idolatria ao estado, age como uma criança mimada, que observa os bens ao seu redor e acha que possui um “direito natural” sobre eles. Não entende como foram criados e o que permite a sua constante evolução.

Na prática, suas medidas criam inúmeras barreiras para novos avanços. Aquilo que se vê é o que parece um ganho imediato por todos os privilegiados com a imposição estatal. Aquilo que não se vê é o elevado custo dos entraves ao progresso. Sem falar do prejuízo para os que pagam a conta, muitas vezes sem tomar conhecimento. O caso do airbag obrigatório é um bom exemplo disso. O governo resolve que o item é fundamental e, portanto, decide impor sua presença em todos os veículos, inclusive carros populares. Como riqueza não cai do céu, o preço desses carros terá que subir. Se alguém antes podia ter um carro, mesmo que sem o airbag, agora ele pode não ter mais condições de comprá-lo. Vai acabar a pé, graças à maravilhosa intenção do deputado. O que é melhor: ter um carro sem airbag ou não ter carro algum e depender do transporte público nacional? O que é mais seguro? Quem deve decidir isso?

Segundo dados da Câmara dos Deputados, o deputado Sandro Matos, autor do projeto de lei, foi Sócio-Proprietário da Sapataria Pinóquio em 1987, e Sócio-Proprietário da Sapataria Coelho da Rocha em 1992. Será que o deputado acha que os demais deputados sabem melhor do que ele, como empresário, o que deve ser produzido para atender a demanda por calçados dos seus consumidores? Será que deveria ser uma tarefa do governo decidir qual tipo de sola os sapatos devem ter, de acordo com critérios arbitrários de segurança? Será que tamanha tutela estatal é realmente necessária? Se uma empresa que fabrica sapatos na Itália desenvolver um novo tipo de produto mais seguro para os pés, mas que custa bem mais caro, será que o governo deve impor o uso deste novo material a todos os fabricantes nacionais?

O consumidor acaba sempre sendo tratado como um mentecapto incapaz de escolher por conta própria. Ora, alguém realmente acha que a existência do freio num carro é resultado da obrigação legal, caso contrário carros seriam vendidos sem freio por aí? Claro que não! O freio é indispensável, e nenhum consumidor iria escolher um carro sem freio. Pode escolher sem o ABS, isso sim. Mas nunca sem freio algum. O mesmo já não é verdade para o airbag, que pode ser bastante útil, mas depende da escolha e aversão a risco do consumidor. O airbag representa um avanço na questão da segurança, não resta dúvida. Mas seus benefícios devem ser comparados aos seus custos, e a decisão caberá a cada indivíduo, de acordo com suas próprias preferências. O governo não deve se meter nisso. Não cabe ao governo nos proteger de nós mesmos! Devemos ser livres inclusive para correr riscos mortais.

Quem discorda disso, não deveria ficar limitado ao airbag então. Afinal, se a meta é apenas garantir maior segurança aos motoristas, independente dos custos e efeitos práticos disso, há muito mais o que pode ser imposto pelo governo. Sabemos que o Rio, cidade do deputado Sandro Matos, é um local muito violento. Algumas pessoas perdem a vida por causa de balas perdidas ou assaltos no trânsito. Se é para prometer maravilhas e ignorar os custos disso, vamos logo defender, em nome da “igualdade”, carros populares blindados para todos!

segunda-feira, junho 30, 2008

Inimigos do Progresso



Rodrigo Constantino

“Racionalismo calmo e ambientalismo alarmista não podem coexistir.” (Dra. Dixy Lee Ray)

Muitos movimentos modernos ditos “ambientalistas” se tornaram apenas veículos de alarmismo infundado. O pânico incutido nos leigos varia de tempos em tempos, passando pela chuva ácida, o buraco na camada de ozônio, o lixo atômico, o aquecimento global, e vários outros temas que parecem sempre condenar o progresso industrial e enaltecer uma suposta vida “natural”. As emoções costumam eliminar o uso da razão nesses debates, e o papel da mídia, em busca do sensacionalismo que rende leitores, tampouco ajuda. Para combater essa tendência, a cientista Dra. Dixy Lee Ray escreveu Sucateando o Planeta, em 1992. Alguns medos de então já foram abandonados, em troca de medos novos. Mas a essência do problema permanece a mesma, e o livro da Dra. Ray é um excelente antídoto contra essa doença chamada ecoterrorismo, por estimular um maior ceticismo crítico nas potenciais vítimas.

Parte da explicação para tanta oposição ao progresso industrial, evidente desde os ludistas, é a defesa do status quo, uma tentativa de evitar inovações que aposentam métodos obsoletos e ineficientes. Ou seja, barrar a “destruição criadora” de que Schumpeter falava pode ser um dos motivos por trás desses movimentos “ambientalistas”. Outra explicação estaria no medo do desconhecido, o medo do que pode acontecer e que não necessariamente temos o controle. Logo no começo do livro, a autora questiona o que aconteceu com o saudável ceticismo das pessoas, que parecem cada vez mais crédulas e impressionáveis. A exploração desse medo natural por parte de oportunistas permite a concentração de verbas para as causas ambientalistas, passando por cima de várias alternativas muitas vezes mais urgentes para o uso de recursos escassos. É preciso lembrar que os empregos dos ambientalistas profissionais dependem da continuação da crise ambiental, dos riscos iminentes de desgraças que justificam mais impostos destinados para suas causas.

O livro da Dra. Ray é também um apelo pela maior humildade dos cientistas, lembrando da enorme quantidade de erros do passado. A arrogância daqueles que acham que são capazes de prever com exatidão o futuro deve ser contrastada com os fracassos freqüentes dos cientistas, que anteciparam umas cem crises das últimas dez existentes. A Dra. Ray diz: “Nós não conhecemos as causas das transformações climáticas ocorridas no passado geológico; podemos, porém, estar certos de que estas não se deveram à atividade industrial do homem”. A arrogância humana também está por trás dessa visão de que a ação humana é relevante demais para os eventos naturais, que sempre ocorreram. No fundo, o objetivo parece ser atacar a industrialização, que tornou a vida humana bem mais confortável. O próprio progresso parece ser o alvo de certos “ambientalistas”.

Um mergulho no cotidiano de algumas gerações anteriores demonstra como a idílica visão dos “bons velhos tempos” é falaciosa. Sobreviver era uma tarefa bem mais árdua, diante de uma natureza sempre hostil. A conclusão da autora é direta: “A tecnologia, definida como aplicação do conhecimento científico à solução de problemas práticos, favoreceu a melhoria de vida daqueles que tiveram a felicidade de viver nesse mundo avançado, industrializado e altamente técnico conhecido como civilização ocidental”. Viver no mundo “natural” é algo muito difícil, como todos aqueles que não abraçaram o progresso ocidental podem atestar. Até mesmo algo tão banal hoje, como ter alimentos frescos o ano todo, não era possível antes da introdução da refrigeração generalizada em trens, navios, armazéns e contêineres. As doenças que atualmente são facilmente tratadas eram causa de inúmeras mortes, principalmente de crianças. Essa visão nobre da vida “natural”, herança de Rousseau, é simplesmente falsa. Como a Dra. Ray coloca sobre os dias do passado não tão distante, “a verdade é que foram dias sujos, roídos pelas doenças, e malcheirosos”.

O grande vilão na era da industrialização, o CO2, já foi usado como bode expiatório para muitos problemas diferentes. A Dra. Ray lembra, no entanto, que os cupins emitem, na sua digestão, uma quantidade maior de CO2 que aquela produzida pela combustão dos combustíveis fósseis. Os oceanos contêm uma quantidade bem maior de CO2 que a atmosfera. Os vulcões são outros importantes emissores de CO2. A postura da cientista diante de tantas incertezas é a de humildade: “O fato é que simplesmente não existem dados suficientes sobre a maioria desses processos para que se possa saber com certeza o que está acontecendo nesses enormes, turbulentos, interligados e dinâmicos sistemas que constituem a circulação atmosférica e oceânica”. Ela critica as medidas draconianas sugeridas pelos ambientalistas radicais para a redução de emissão de CO2 pelas indústrias, que poderiam não alcançar os resultados desejados, mas degradar bastante o padrão de vida da humanidade. O uso de mais usinas nucleares seria uma das sugestões mais lógicas dela.

O livro segue tratando de outros temas em maiores detalhes, com inúmeros dados que refutam certas “verdades” alardeadas pelos ambientalistas. O caso do pesticida DDT é um bom exemplo, pois foi alvo dos radicais, sendo que permitiu uma vida melhor para bilhões de habitantes do planeta, além de salvar milhões de vidas. Não obstante isso, ele foi atacado duramente por aqueles que pregam a tal vida “natural”, que ajudaram a criar a mania dos alimentos orgânicos. O DDT foi acusado de ser cancerígeno, mas as doses usadas nos testes com camundongos eram cerca de cem mil vezes maior do que a de qualquer possível resíduo do produto presente nos alimentos que ingerimos. Foi ignorado o conceito de que a dose faz o veneno, e que em quantidades realmente exageradas, até mesmo a água pode matar.*

Esse foi um bom exemplo de como trocar a ciência pela pseudociência alarmista, infelizmente algo muito comum. Por trás disso, encontramos o romantismo tolo que busca um “retorno” ao Jardim do Éden, ou a simples defesa de interesses obscuros contra o progresso. A Dra. Ray tenta resumir algumas características presentes na crença anticapitalista que ataca o progresso: “O fio condutor dessa crença parece ser a idéia malthusiana da finitude dos recursos, dos limites a serem impostos ao crescimento, do controle populacional forçado, da descrença no ser humano, da crença na onipotência do Estado, de sua competência no controle das escolhas individuais e na rejeição da ciência, da tecnologia e da industrialização”. Como antídoto, ela prega mais ceticismo e razão, a demanda por evidências verdadeiras, e nos lembra que os alarmistas dependem da continuação dessa sensação de crise para manter seus empregos. “Um jardim bem cuidado é melhor do que um bosque negligenciado”, ela conclui, enaltecendo a capacidade humana de modificar a natureza em seu próprio benefício.

* A Dra. Ray fala do conceito de Hormesis, desenvolvido no século XVI por um médico alemão, lembrando justamente que uma substância necessária pode ser tóxica dependendo da dosagem. Ela cita um caso mais recente muito interessante: “Em 1979, na Alemanha, um homem morreu por ter tomado 17 litros de água em um espaço de tempo muito curto. A causa imediata da morte foi um edema cerebral e uma perturbação eletrolítica causada pelo excesso de água”. Dependendo da dosagem, qualquer substância pode ser venenosa para os seres humanos!

sábado, junho 28, 2008

O Governo Bebeu? - Vídeo

Uma crítica a esta nova lei radical que proíbe praticamente qualquer ingestão de bebida alcoólica pelos motoristas. No Brasil, predomina a mentalidade de atacar o sofá para punir o adultério. Os riscos dessa postura preventiva com base em estatísticas são enormes, e justificando quaisquer meios para uma meta utilitária, a liberdade individual fica completamente ameaçada. Na prática, a lei será a alegria dos policiais corruptos. O abuso não deve tolher o uso! Nossa liberdade é atacada porque alguns são irresponsáveis. Nada mais injusto e ineficiente que essa nova lei.

http://www.youtube.com/watch?v=UiebynM5QGQ

sexta-feira, junho 27, 2008

Bomba-Relógio

Jornal O DIA

Rodrigo Constantino

Economista e membro do Instituto Millenium

Rio - O modelo previdenciário brasileiro precisa de reformas urgentes. Para uma população relativamente jovem, o governo gasta demais com aposentadorias. Para se ter uma idéia, somos o espelho dos Estados Unidos: eles têm aproximadamente 12% de idosos na população e consomem 6% do PIB com previdência; nós temos 6% de idosos e gastamos 12% do PIB. A conta não fecha e o rombo é crescente.

O modelo de benefícios definidos não atrelados às contribuições individuais, os privilégios do setor público e a reduzida idade mínima diante do aumento da expectativa de vida estão entre os culpados dessa situação. A indexação das aposentadorias ao salário mínimo também é outro grande vilão.

O Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) calculou em 2006 o efeito acumulado sobre a despesa do INSS, capitalizado pela taxa de juros Selic, dos sucessivos aumentos reais do piso previdenciário desde 1994. O resultado foi de cerca de R$ 250 bilhões, em torno de 12% do PIB. Se o repasse tivesse acompanhado a inflação desde 1994, a economia nos gastos previdenciários em 2006 seria de 1,7% do PIB. É um valor expressivo.

Como a tendência é de mais aumento real do salário mínimo, esse impacto na Previdência é crescente, aumentando o rombo de forma insustentável. Trata-se de uma bomba-relógio, um acidente esperando para acontecer. Não adianta pregar maravilhas e ignorar seus resultados concretos.

No fim, a conta terá que ser paga, e os aposentados descobrirão que acreditaram numa ilusão. É fácil fazer promessas bonitas, mas é difícil cumpri-las. Além disso, não custa lembrar o ditado: de boas intenções, o inferno está cheio!

terça-feira, junho 24, 2008

Zimbábue: Mais uma Desgraça Comunista



Rodrigo Constantino

“O presidente do Zimbábue é tratado como bandido porque ele tira terra dos que não precisam dela para dar aos que precisam dela para viver.” (Hugo Chávez, no sexagésimo aniversário da Food and Agriculture Organization da ONU, em 2005)

O reino de terror do ditador Robert Mugabe devastou totalmente o Zimbábue, que já foi um dos países mais avançados da África e hoje vive o completo caos econômico e social. Os números são chocantes, e o país foi completamente destruído, com hiperinflação que ultrapassa os seis dígitos, desemprego quase total, violência crescente e fome se espalhando rapidamente. O caso do desastre anunciado no Zimbábue é apenas mais um exemplo do que o comunismo causa de estrago onde passa. Agora, com a catástrofe visível demais, alguns comunistas e demais esquerdistas não querem assumir o filho, negando que o regime de Mugabe seja de fato comunista. É sempre assim: eles defendem os meios pregados pelos comunistas, e quando os resultados inevitáveis destes meios aparecem, eles negam que a realidade seja realmente o comunismo. Assim é fácil, já que os fins comunistas jamais irão existir, pois impossíveis. O que importa mesmo é debater os meios, e o desastre do Zimbábue é mais um exemplo do que acontece quando os meios comunistas são seguidos.

Um pouco de história pode refrescar a memória daqueles que negam o filhote comunista. Mugabe virou um líder importante desde a década de 1960, quando assumiu como Secretário Geral a União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU), com uma retórica marxista-leninista. Ele fugiu do país, então Rodésia, em 1976, para lutar em Moçambique, e retornou como um herói, sendo eleito em 1980. Desde então está no poder, adotando medidas claramente autoritárias, controlando a mídia, intimidando a oposição e concentrando poder. Já em 1982, usando milícias treinadas na comunista Coréia do Norte, ele trucidou o braço militar da ZAPU (União do Povo Africano do Zimbábue), que fazia oposição ao seu governo. Em 1987 o cargo de Primeiro Ministro foi abolido, e Mugabe assumiu como presidente, ganhando poder adicional. Foi reeleito em 1990 e 1996, assim como em 2002, através de uma fraude escancarada. Sua política tem sido totalmente tribal, com um discurso racista contra a minoria branca, assim como uma constante retórica anti-imperialista e anti-ocidental. Mugabe bateu de frente com a Igreja Católica também, e perseguiu duramente os homossexuais. Com esses abusos crescentes e atrocidades freqüentes, o ditador foi perdendo apoio de parte da esquerda. Mas é inegável que recebeu amplo suporte no começo, com seu discurso comunista, assim como ainda é aplaudido pelos esquerdistas mais radicais, como fica claro na frase da epígrafe. A dinastia dos irmãos Castro, em Cuba, também apóia o ditador.

Em 2005, no encontro da FAO (Food and Agriculture Organization) em Roma, Mugabe roubou a cena, junto com Chávez, fazendo discursos antiamericanos e recebendo fortes aplausos. Ele comparou Bush e Blair a Hitler e Mussolini, ignorando que justamente a sua própria figura lembra tanto os dois ditadores. Vários presidentes ocidentais foram contra a presença de Mugabe no evento da ONU, que tinha como meta debater soluções para a fome no mundo. Afinal, a ditadura de Mugabe é responsável justamente por uma crescente fome no próprio Zimbábue, que já foi exportador de alimentos antes de sua ditadura. Mas isso não o impediu de fazer um discurso repleto de chavões comunistas, recebendo o apoio do colega Chávez e os aplausos de muitos líderes presentes. Grande parte da mídia ocidental ainda evita chamar de racismo as medidas de Mugabe, que expulsaram os poucos brancos do país, tomando suas propriedades na marra. Até mesmo os grupos de Direitos Humanos evitam o uso da palavra “racismo” quando comentam as atrocidades de Mugabe, como se o ódio contra os brancos “burgueses” não fosse racismo.

Em 1991, o coronel Mengistu fugiu da Etiópia, onde deixou um rastro de sangue, e conseguiu asilo político do seu amigo Mugabe. Em 1994, foi convocado a comparecer, como principal responsável pela tragédia etíope, diante de um tribunal, mas Mugabe recusou a extradição do líder comunista. A rede de cumplicidade entre os diferentes líderes comunistas sempre foi enorme, e todos os membros contribuíram para o avanço internacional desse regime assassino. Mugabe é apenas mais um nome, que merece destaque porque ainda está no poder, causando enorme sofrimento aos inocentes. Suas medidas socializantes lançaram o povo do Zimbábue na completa miséria. A receita foi a mesma de toda nação comunista: ele nacionalizou várias indústrias ao mesmo tempo em que expropriava várias terras dos seus proprietários originais, aumentou os impostos, determinou controle de preços, enfim, foi alastrando o controle estatal sobre os diversos setores da economia, além de limitar drasticamente os demais direitos civis. Em resumo, Mugabe é uma espécie de Fidel Castro africano.

Alguns anos atrás, eu escrevi um artigo chamado A Rota do Zimbábue, onde criticava as novas medidas da reforma agrária de Mugabe, bem nos moldes pregados pelo MST no Brasil. Eu escrevi então: “A reforma agrária de Mugabe representou um total abuso dos direitos individuais, inclusive com o uso de bastante violência, em boa parte perpetrada pela milícia de esquerda, nos moldes do nosso criminoso MST. A expropriação de terras, sob a desculpa da ‘justiça social’, foi enorme, lançando o país na miséria total. A produção despencou, os investimentos sumiram e o caos foi total. Os produtores brasileiros de fumo agradecem, já que o Zimbábue era importante vendedor mundial, e depois da reforma cedeu vasto espaço para a concorrência. Tudo pela ‘igualdade’. Vão culpar depois, pelo mega fracasso, a globalização, é claro, assim como o ‘império’ americano explorador”. Não é preciso ser profeta para prever certas coisas.

A história pode não se repetir, mas com certeza rima. A desgraça do Zimbábue é a desgraça do comunismo, da supressão da propriedade privada e da busca pelo lucro, da concentração de poder no governo. O caso do Zimbábue é apenas mais uma prova de que riqueza não cai do céu nem sobe automaticamente do solo. O país é rico em recursos naturais, mas isso não garante riqueza. Sem o modelo adequado de liberdade econômica, a miséria é inevitável, uma simples questão de tempo. Foi assim na União Soviética, China, Camboja, Cuba, Coréia do Norte e todos os demais países que mergulharam nos caminhos marxistas e socialistas. Hoje, esses poucos países ainda sob o regime comunista representam a escória da humanidade, o “eixo do mal” contra a liberdade. Os safados regozijam-se entre si, e por isso o circense Chávez presta homenagens públicas ao ditador Mugabe, que recebe apoio também dos ditadores iraniano, cubano e norte-coreano.

Infelizmente, ainda existem muitos brasileiros que insistem em idolatrar o fracasso, em admirar o que há de mais nefasto no mundo: o comunismo e seus representantes. Receio que nem mesmo o recente caso de total desgraça do Zimbábue irá sepultar de vez essa utopia assassina. Afinal, já foram tantos outros casos provando o resultado inexorável desse sistema, com mais de cem milhões de cadáveres sacrificados no altar dessa ideologia podre, que só nos resta concluir uma coisa: aquilo que se aprende com a história é que muitos não aprendem com a história.

Havana, Cuba - 1930s

Quase 80 anos depois, vemos que Cuba conseguiu PIORAR MUITO!!!

Para quem acha que o progresso é inevitável e não depende da LIBERDADE, o caso cubano mostra claramente como um povo pode regredir tanto no tempo por conta de um sistema absurdo, o socialismo.

http://www.youtube.com/watch?v=fEMYLkpYxX8

segunda-feira, junho 23, 2008

O Governo Bebeu?



Rodrigo Constantino

“A mais importante mudança que o controle extensivo do governo produz é uma mudança psicológica, uma alteração no caráter das pessoas.” (Hayek)

Em mais uma medida claramente autoritária e arbitrária, o governo brasileiro avança sobre a liberdade individual com a justificativa de cuidar do povo, tratado sempre como um bando de mentecaptos irresponsáveis. Agora qualquer presença de álcool no sangue dos motoristas será punida com multa elevada, de quase mil reais, e perda de vários pontos na carteira. Ataca-se, como de praxe, os efeitos, e nunca as causas. Se há muitos acidentes causados pela ingestão de bebida, então proíbe-se qualquer consumo de bebida alcoólica por parte dos motoristas. Se há assaltos com bandidos na garupa de motos, então veta-se gente na garupa. Se há assaltos em caixas eletrônicos de madrugada, então fecha-se os caixas. Em breve, vejo a possibilidade do governo proibir o dinheiro, já que o alvo dos crimes acaba sendo o “maldito”. No Brasil, predomina a mentalidade de eliminar o sofá para acabar com o adultério. Não por acaso somos recordistas em criminalidade!

Não obstante a enorme dificuldade de colocar uma lei dessas em prática, já que seriam necessários inúmeros “bafômetros” que a polícia nem sequer possui, a medida deve ser condenada por sua natureza injusta. Qual o motivo pelo qual as pessoas estão sendo criminalizadas? Não pela direção perigosa, nem por destruir propriedade ou causar acidentes. Os motoristas não estão sendo colocados na marginalidade por qualquer ato concreto de imprudência no volante. O crime cometido é somente ter certa substância no sangue, mesmo que uma gota de álcool. No entanto, é perfeitamente possível ter essa substância no sangue e não cometer crime algum. De fato, a grande maioria das pessoas que consomem bebida alcoólica não causa acidentes. A expressão jurídica abusus non tollit usum resume bem a questão: o fato de alguns irresponsáveis abusarem de determinada liberdade não é motivo para tolher a liberdade dos demais.

O presidente do Mises Institute, Llewellyn Rockwell, questiona sobre medida similar tomada pelo governo Clinton em 2000: “O que fizemos ao permitir que o governo criminalize o conteúdo de nosso sangue em vez de ações concretas?” O governo passa a ter o poder de aplicar uma lei arbitrária, dependente do julgamento de policiais. Sem o “bafômetro”, nem mesmo é possível saber se a lei foi ou não quebrada. Quanto tempo antes de dirigir é preciso ficar sem beber? Como saber se está na ilegalidade ou não? Se o motorista experimentou um gole de determinado vinho, ele é um criminoso pela nova lei. Isso é típico de uma tirania. Rockwell chega a defender a legalização de se dirigir bêbado, punindo apenas as infrações na direção que colocam a vida dos demais em risco. Ou seja, pune-se os atos concretos que demonstram que aquele motorista em particular está dirigindo de forma ameaçadora, mas não se pune ninguém com base em uma probabilidade apenas. Muitos podem achar isso radical demais, mas eu pergunto: não é extremamente radical colocar na criminalidade alguém que bebeu uma taça de vinho com a mulher e voltou para casa dirigindo? Isso sim é radical.

Para Rockwell, o governo de uma sociedade livre não deve lidar com probabilidades, apenas com atos que agridem a propriedade alheia de fato. Ele lembra os perigos dessa postura que pune com base em probabilidades, citando o caso das medidas racistas porque determinado grupo racial ou demográfico apresenta maior taxa de criminalidade. Se há uma maior probabilidade de um negro cometer um roubo, através de estatísticas, isso quer dizer que um negro deve ser punido sem ter feito nada errado, apenas com base numa probabilidade? Como Rockwell lembra, “o governo deveria estar prevenindo e punindo os próprios crimes, não probabilidades e propensões”. No filme Minority Report, com Tom Cruise, a polícia prende as pessoas com base na previsão de crimes feita por “oráculos” clarividentes. Atualmente, as pessoas parecem dispostas a delegar o mesmo poder ao governo, contando com a “clarividência” das estatísticas, mesmo que várias injustiças sejam cometidas enquanto isso.

Existem vários motivos pelos quais as pessoas dirigem mal. Em primeiro lugar, o motorista pode simplesmente ser “barbeiro”. Ou ele pode estar cansado, de mau humor, nervoso por algum motivo qualquer. Pode ainda estar distraído com a música do rádio. Por várias razões distintas, o motorista pode prejudicar sua capacidade de direção. Será que o governo deveria ter a permissão de testar essas características, aplicando testes de sonolência ou humor das pessoas? Quem acha pouco provável que o avanço estatal chegue a tanto, não custa lembrar que o uso do telefone celular já foi vetado. Qualquer policial pode multar um motorista alegando que o viu falando no celular, e mesmo com viva-voz não é permitido! A transferência de tanto poder arbitrário para os policiais, ainda mais os brasileiros, é um atentado contra a liberdade individual. No fundo, acaba que tanta dificuldade criada serve apenas para a venda de facilidades pelos agentes da lei. O suborno cresce na mesma proporção da quantidade de novas regras criadas pelo governo. São tantas coisas que fazem um motorista estar na ilegalidade, que sai muito mais barato dar uma “gorjeta” para o policial.

Sair para tomar uma cerveja com os amigos ou beber um vinho com a namorada vai custar bem mais caro agora. Será preciso computar nos custos o risco de ser parado por uma blitz, que em vez de perseguir bandidos verdadeiros estará achacando motoristas em busca de uma “cervejinha”. Se a lei fosse seguida mesmo, o negócio de bares e restaurantes seria muito prejudicado. Talvez o lobby dos taxistas tenha um dedo nessa lei, pois qualquer um que objetiva beber um gole de álcool não poderá voltar dirigindo para casa. Já não é permitido fumar num bar, propriedade privada. Agora querem dificultar e muito a venda de bebida. Melhor proibir os bares e restaurantes logo de uma vez! Os acidentes devem cair bastante... assim como a liberdade.

Alguém pode alegar que isso é uma insensibilidade, pois um parente ou amigo próximo foi morto num acidente por culpa do álcool. Mas a mentalidade por trás disso é a mesma que culpa as armas pelos crimes, e não os homens que puxam o gatilho. Acham que proibindo a venda de armas vão acabar com os crimes. Não funciona assim. O maior problema não é a liberdade de beber um pouco e dirigir, mas a falta de punição severa para quem causa um acidente por qualquer displicência. O consumo de álcool nesses casos pode muito bem ser tratado como um sério agravante para o culpado. Mas o que estará sendo punido é o ato em si, não uma probabilidade dele ocorrer. Bebeu e bateu, matando algum inocente? Punição severa!

A liberdade individual estará garantida, com a cobrança de sua concomitante responsabilidade. Cada um escolhe se vai beber ou não, se vai dirigir cansado ou não, com sono ou não, nervoso ou não. Mas se causar um acidente por imprudência, será responsabilizado e punido de acordo. Isso é muito mais eficiente e justo, além de tratar adultos como seres responsáveis. A alternativa é a postura adotada sempre nesse país: tratar adultos como crianças irresponsáveis, como verdadeiros mentecaptos que precisam da tutela estatal para tudo. Paradoxalmente, esses mesmos mentecaptos devem ser livres para votar e escolher o governante que irá cuidar deles no detalhe. Uma contradição e tanto! O efeito mais perverso desse excesso de tutela estatal, conforme disse Hayek na frase da epígrafe, é a destruição da responsabilidade individual no longo prazo, uma mudança no caráter das pessoas. O governo não deve nos proteger de nós mesmos!

Antes que alguém afirme que medidas semelhantes foram adotadas em diversos países desenvolvidos, lembro que a tutela estatal não é monopólio brasileiro, apesar de ser uma característica bem mais marcante nos países mais pobres. Os países ricos adotam muitas medidas erradas também, e os Estados Unidos mesmo já adotaram a estúpida Lei Seca, parindo mafiosos como Al Capone. O incrível é essa mania brasileira de copiar apenas aquilo que não presta. A liberdade econômica, a maior abertura comercial, as causas do relativo sucesso desses países não são admiradas ou copiadas por aqui. Mas quando é para justificar algum novo avanço sobre nossas liberdades, aí o exemplo de fora é citado. E eis que nosso governo resolve ser mais radical ainda que os demais, vetando qualquer consumo de bebida alcoólica para motoristas. Resta apenas perguntar: o governo bebeu?

quinta-feira, junho 19, 2008

Sede de Poder



Rodrigo Constantino

“Eu fui agora ao Gabão aprender como é que um presidente consegue ficar 37 anos no poder e ainda se candidatar à reeleição.” (Presidente Lula, flagrado em conversa com o presidente da Costa Rica, Abel Pacheco, na República Dominicana)

Em Camaguey, Fidel Castro prometeu, poucos dias após a vitória de sua revolução, implantar um “sistema civilizado, democrático”. Insistiu que restabeleceria a Constituição de 1940 e prometeu realizar eleições dentro de “quinze meses mais ou menos”. No dia 14 de janeiro de 1959, após a sua chegada à capital cubana, disse que a “Revolução é genuinamente cubana, genuinamente democrática”. Quando colocado contra a parede, Fidel descrevia sua filosofia pessoal como sendo “humanista”. Não é preciso dizer que o pobre povo cubano espera essas eleições até hoje, meio século depois da promessa do líder da Revolução. Foram quinze longos meses! Sem falar, naturalmente, que o “humanismo” de Fidel é aquele que executou milhares de inocentes, mantém a população inteira como escrava e espalhou a total miséria pela nação prisioneira.

Fidel Castro, desde muito cedo em sua vida, demonstrou uma insaciável sede por poder. Pessoas com essa característica costumam fazer qualquer coisa para obter o que desejam. Todos os grandes ditadores comunistas apresentavam esse traço macabro, essa vontade indômita de ter poder. E tal fim, em suas mentes, justificava quaisquer meios, inclusive os mais desumanos e cruéis que se pode imaginar. Assim foram Lênin, Stalin, Mao Tse Tung, Pol-Pot, Ceausescu, Kim Jong-il etc. Stalin chegou a afirmar que a morte de uma pessoa é uma tragédia, mas a morte de milhões é apenas estatística. Esses revolucionários comunistas foram os responsáveis pelas páginas mais sangrentas da história da humanidade. O motivo principal foi a sede inesgotável por poder. Lord Acton cunhou a célebre frase de que “o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente”. Se o poder corrompe até mesmo uma pessoa normal, o que dizer daqueles que já eram sedentos pelo poder, de forma patológica?

Com essa introdução, não quero afirmar que o presidente brasileiro é necessariamente como esses ditadores comunistas. Quero apenas lembrar que a possibilidade do desejo de seguir uma trilha parecida não pode ser descartada. Afinal, são vários os indícios que apontam nessa direção. Apenas para refrescar a memória com alguns deles, devemos lembrar que os aliados mais próximos de Lula são ex-guerrilheiros que lutavam justamente pela revolução vitoriosa em Cuba, ou que o seu PT foi um dos fundadores do Foro de São Paulo ao lado do mesmo ditador cubano. Podemos lembrar também das tentativas autoritárias do governo, como o CNJ e a Ancinav, que objetivavam controlar os meios de comunicação, prioridade total nas ditaduras comunistas. O DNA autoritário está presente em boa parcela dos petistas. Isso é um fato comprovado pelo próprio partido, que em seu Terceiro Congresso deixou suas ambições em evidência.

A lista poderia continuar com muitos outros exemplos, como o financiamento ao MST e várias outras provas de que o PT não abandonou suas raízes do passado. Mas creio que isso já está claro para todos aqueles que ainda não perderam o juízo nesse país, ou que não se venderam por migalhas. Afinal, o PT vem adotando essa estratégia de poder também, comprando todos. O “mensalão”, as esmolas para os mais pobres, os subsídios polpudos para os empresários, as indenizações milionárias para “intelectuais”, o aparelhamento do governo, os privilégios aos sindicalistas e vários outros destinos dos recursos dos pagadores de impostos beneficiando algum grupo específico qualquer. Até mesmo no âmbito internacional o governo Lula adotou essa postura, perdoando dívida de países africanos com o Brasil e mandando tropas para o Haiti, enquanto a violência crescia no próprio Brasil, tudo com o objetivo de conquistar o assento no Conselho de Segurança da ONU. Sede de poder, local e internacional. O presidente parece um megalomaníaco, explorando o sacrifício alheio para melhorar sua imagem no mundo e conquistar mais poder. Até mesmo os aplausos ao presidente da ONU o PT “roubou” para usar como propaganda em seu culto à personalidade, como se fossem direcionadas ao presidente Lula.

Recentemente o presidente Lula tem negado o desejo de permanecer no poder, através de um terceiro mandato golpista. Mas alguém realmente ainda confia na palavra de Lula? Nem o ser mais ingênuo da nação poderia. Foram os próprios aliados de Lula que trouxeram o tema de um terceiro mandato à tona. Faz parte do teatro do presidente negar este desejo, mas parece óbvio que ele aceitaria este “fardo” pelo “bem-geral da nação”, se esta fosse a demanda do povo. Isso sem falar do desespero de tantos parasitas receosos de perder as tetas estatais fornecidas pelo governo. “Nunca antes na história desse país” se privatizou tanto o Estado como agora. Alguém acredita que essas bocas todas vão aceitar tranquilamente abandonar as tetas estatais? Parasitas profissionais não costumam virar hospedeiros pacificamente.

Portanto, povo brasileiro: Atentai! Fidel Castro, que, aliás, é bastante admirado pelo presidente Lula, também garantiu que era um “democrata”, e ficou meio século no poder, liderando a mais perversa ditadura da região. Quando estava sem condições físicas de continuar no comando, simplesmente entregou o poder para seu irmão mais novo, como se a ilha fosse sua própria propriedade e o povo não passasse de um bando de escravos. A palavra de comunistas não vale nada! As promessas daqueles que morrem de sede pelo poder são vazias. O que realmente impede a tomada de poder por essa corja são as instituições sólidas de um país, como a independência dos poderes, mídia livre e Forças Armadas respeitáveis, sem falar da mentalidade do povo.

No Brasil, até agora, essas instituições têm se mostrado uma barreira incômoda aos anseios dos que querem concentrar mais poder. Mas todas elas, sem exceção, pioraram durante a gestão Lula. Os poderes parecem menos independentes, com crescente influência do Executivo e uma chuva de Medidas Provisórias dignas de uma ditadura. A mídia é dependente, em grande parte, das verbas governamentais, e o cão não morde a mão que o alimenta. Os militares sofrem constante tentativa de desmoralização, e a mais recente foi o uso do Exército para assistencialismo em favela carioca, objetivando angariar votos para um aliado do governo federal. O abuso populista acabou em desgraça, ferindo gravemente a imagem do Exército. Por fim, a mentalidade do povo não ajuda muito, e o trabalho de banalização da imoralidade tem sido feito com sucesso pelo governo. Os infindáveis escândalos de corrupção são tratados como algo normal, que “todos fazem” e que, portanto, não merecem muita atenção. Talvez isso seja o mais grave de tudo no longo prazo. Um país não pode progredir em liberdade se a imoralidade é vista com naturalidade.

O filósofo escocês David Hume já havia notado que raramente se perde toda a liberdade de uma só vez. Normalmente, ela vai sendo perdida gradualmente. Os homens, como sapos colocados em panelas com água fria que vai aquecendo aos poucos, não notam claramente a mudança e podem acabar escaldados. O brasileiro vai vivendo em um ambiente cada vez mais controlado pelo governo, com carga tributária sempre crescente, mas vai se acostumando à situação de forma passiva. Essa passividade, somada à mentalidade predominante que deposita no governo um papel de messias salvador, é extremamente perigosa para a liberdade. É nesse contexto que os sedentos por poder prosperam. E cada vez que essa sede de poder é parcialmente saciada, mais poder é necessário para os sedentos. O governo Lula não vai, por conta própria, abrir mão facilmente do poder e respeitar as instituições democráticas se seus pilares forem de areia. Contar com a boa vontade dessa gente é pedir para se dar mal. O que é preciso fazer é fortalecer as instituições para garantir que, mesmo a despeito da sede pelo poder, o PT tenha que abandonar o osso. Caso contrário, estaremos diante de uma servidão voluntária, onde a estupidez e a miopia do povo poderão parir uma nova ditadura, ainda que velada, como a da Venezuela de Chávez, camarada de Lula. Se Lula não é uma espécie de Chávez ou Fidel, não parece ser por falta de vontade própria. Que isso fique claro!

terça-feira, junho 17, 2008

A Batalha das Idéias



Rodrigo Constantino

“Mude as idéias, e você poderá mudar o curso da história”. (Edmund Burke)

As crenças marxistas, tanto de um determinismo histórico como de um excesso de materialismo, como se tudo no mundo se resumisse a uma luta de interesses entre classes, prejudicaram bastante o avanço da civilização onde exerceram forte influência. Paradoxalmente, isso mostra justamente o poder das idéias, para o bem ou para o mal, no curso da história. Ou seja, nega a própria crença determinista. Os seres humanos são dotados de livre-arbítrio, e nem tudo se resume aos interesses materiais imediatos. Quem acredita nisso está dando uma confissão e tanto sobre seu caráter, como bem colocou Benjamin Franklin: “Aquele que é da opinião de que dinheiro fará qualquer coisa pode muito bem ser suspeito de fazer qualquer coisa por dinheiro”. Há muito mais do que dinheiro na vida. No final do dia, serão as idéias que determinarão os rumos das coisas.

Vários pensadores de diferentes vertentes chegaram a esta conclusão. O poeta alemão Heine afirmou que “os conceitos filosóficos nutridos na quietude do escritório de um professor poderiam destruir uma civilização”. Victor Hugo escreveu que “nada neste mundo é tão poderoso como uma idéia cuja hora é chegada”. O grande economista Ludwig von Mises constatou que “idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão”. A filósofa Ayn Rand destacou que “o homem não pode fugir da necessidade de uma filosofia; sua única alternativa é se a filosofia o guiando será escolhida por sua mente ou por acaso”. A lista de pensadores importantes que depositaram enorme relevância no poder das idéias é gigantesca.

O escritor José Ingenieros escreveu: “Quando colocamos a proa visionária na direção de uma estrela qualquer e nos voltamos às magnitudes inalcançáveis, no afã de perfeição e rebeldes à mediocridade, levamos dentro de nós, nesta viagem, a força misteriosa de um ideal”. Quem deixa essa força se apagar, ficando simplesmente inerte, não passa “da mais gelada bazófia humana”. O autor conclui: “O ideal é um gesto do espírito em direção a alguma perfeição”. O culto ao “homem prático”, como se um arcabouço de idéias devidamente refletidas não fosse importante, representa uma ameaça ao progresso humano. “Uma vida não examinada não vale a pena ser vivida”, teria concluído o filósofo grego Sócrates. A máxima de simplesmente “deixar a vida levar”, sem um devido processamento de idéias, costuma levar ao precipício. Até mesmo essa decisão, de viver fugindo de uma reflexão mais profunda, é fruto de uma idéia: a de que não importa muito pensar e ter idéias.

O economista John M. Keynes foi outro que percebeu a relevância das idéias no curso dos acontecimentos. Ele escreveu em sua Teoria Geral: “As idéias de economistas e filósofos políticos, tanto quando estão certas como quando estão erradas, são mais poderosas do que é normalmente compreendido. De fato o mundo é governado por pouco mais. Loucos na autoridade, que escutam vozes no ar, estão destilando seu frenesi de algum rabisco acadêmico de poucos anos antes. Estou certo de que o poder dos direitos adquiridos é muito exagerado comparado à gradual invasão de idéias. Não, de fato, imediatamente, mas depois de certo intervalo; pois no campo da economia e filosofia política não existem muitos que são influenciados por novas teorias depois que estão com vinte e cinco ou trinta anos de idade, logo as idéias que os servidores públicos e políticos e mesmo agitadores aplicam provavelmente não serão as mais novas. Mas, cedo ou tarde, são as idéias, não os direitos adquiridos, que são perigosas para o bem e para o mal”. No caso de Keynes, infelizmente, foram para o mal, para o crescimento do governo e conseqüente redução das liberdades individuais.

A força dos canhões é fundamental, mas a direção para onde eles apontarão depende basicamente das idéias disseminadas. O que permitiu a criação da nação mais livre do mundo foi justamente o poder das idéias Iluministas, bastante influenciadas por John Locke e pelos “founding fathers” da América. Por outro lado, o que permitiu o terror, a escravidão, o genocídio e a total miséria soviética também foi o poder das idéias, dessa vez as socialistas e marxistas. Da mesma forma, aquilo que garante o atraso de muitos países islâmicos, assim como o terrorismo dos fanáticos, é justamente o poder das idéias.

Idéias têm conseqüências. Infelizmente, graves conseqüências muitas vezes. E exatamente para evitar isso é que devemos combater essas idéias erradas com outras idéias. A batalha deve ser travada no campo das idéias. O mundo será um lugar mais livre apenas se os liberais vencerem o debate, não através da força, mas dos argumentos. “O argumento pela intimidação é uma confissão de impotência intelectual”, disse Ayn Rand. Cabe aos defensores da liberdade mostrarem ao mundo quem tem argumentos sólidos, e quem tenta apenas impor suas vontades pela força, por completa impotência intelectual. Somente quando tal distinção estiver mais clara para a maioria, poderemos usufruir de um mundo realmente mais livre. Um mundo onde as boas idéias predominam.

domingo, junho 15, 2008

Um Jab na Dinastia Castro



Rodrigo Constantino

“Amar a Humanidade é fácil; Difícil é amar o próximo.” (Nelson Rodrigues)

O pugilista cubano Erislandy Lara, que havia sido devolvido para a ditadura dos irmãos Castro pelo governo brasileiro, depois de desertar de sua delegação durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, conseguiu fugir da ilha-presídio e está na Alemanha, onde lutará profissionalmente. O boxeador fugiu de Cuba num barco, deixando mulher e filhos para trás. O esportista teria dito que os meses seguintes do seu retorno forçado, possível pela “mãozinha” que o governo Lula deu ao camarada Fidel, foram “perseguição pura”. Ele e seus outros companheiros desertores perderam tudo que tinham quando voltaram, e ainda foram proibidos de ter um emprego. Lara terá que ficar longe de sua família, sem saber ao certo seu destino, pois a ditadura cubana não permite a mais básica liberdade de “ir e vir”, e uma fuga seria muito arriscada para os filhos pequenos. Trata-se de “apenas” mais uma família separada pelo muro comunista, que mantém mais de 10 milhões de prisioneiros no cárcere caribenho.

O ministro Tarso Genro, simpático ao regime cubano, ainda tentou justificar a truculência do ato de mandar de volta como prisioneiros os atletas que apenas desejavam respirar ares mais livres, alegando que eles estariam com “saudade” de seu país. Os petistas sempre foram mestres na arte da mentira deslavada, e a fuga do boxeador é um soco na cara-de-pau desse governo conivente e até admirador dos genocidas Fidel e Raúl Castro. Quem é que sente saudade daquele inferno? Ainda tem idiota o suficiente para crer nas manifestações públicas de apoio ao regime monárquico da família Castro, ignorando as pressões e ameaças que levam muitos às ruas. Não obstante as décadas de doutrinação ideológica, culto à personalidade e intensa propaganda enganosa, marcas registradas de todo regime comunista, a verdade é que não há apoio maciço ao regime opressor e assassino dos irmãos Castro. Basta refletir sobre um único dado: a saída de Cuba não é permitida ao povo. O motivo é óbvio demais para qualquer um que não foi totalmente imbecilizado pela ideologia comunista: se for permitido sair daquele lixo miserável, não fica um para contar histórias!

A existência de muitos brasileiros que ainda conseguem defender o regime cruel cubano é algo espantoso e assustador. Infelizmente, muitos desses estão no governo, o que é ainda pior. Outros são intelectuais, arquitetos famosos, cronistas simpáticos, freis ou músicos renomados, todos contribuindo para a deformação da opinião pública. A verdade nua e crua é que a ignorância cada vez explica menos a defesa de algo tão indefensável e abominável como a ditadura cubana, que já matou dezenas de milhares de inocentes, mantendo o restante do povo na completa miséria e escravidão. Seria como tentar justificar a defesa do nazismo através da ignorância. Não cola! Resta como a única opção viável a falta de caráter mesmo, um grave distúrbio psicológico de pessoas que amam a “humanidade”, mas não conseguem desenvolver empatia alguma por humanos de carne e osso. A covardia diante da ditadura do politicamente correto faz com que muitos discordem da forma direta de chamar as coisas pelos seus nomes reais nesse país. Sejamos menos covardes e mais sinceros: quem ainda defende o regime castrista e nutre admiração por Fidel Castro, não pode ser coisa que preste como ser humano. Mesmo que seja um grande arquiteto! Ou alguém diria que um admirador de Hitler pode ser ao mesmo tempo um grande ser humano?

Quem tem curiosidade de conhecer melhor o passado e o perfil do ditador Fidel Castro e seu irmão mais novo, que assumiu o poder como se a ilha fosse um feudo particular da família, deve ler o livro Cuba Sem Fidel, do ex-agente da CIA Brian Latell. No livro, fica claro que Fidel Castro apresentava um pendor pela violência desde cedo, e viveu no submundo do crime desde a adolescência. O autor fez profundas pesquisas e entrevistou várias pessoas que foram próximas dos irmãos Castro para conhecer melhor seu passado. Filhos ilegítimos de um pai simples, mas que ficou rico, eles tiveram uma infância repleta de ressentimentos e amarguras. Não vem ao caso aqui tentar fazer um retrato psicológico dos dois, apenas destacar que o gosto pela violência sempre fez parte de suas personalidades. Fidel era vaidoso ao extremo, e sonhava apenas com “glória e fama”. A sede pelo poder era forte, e seus heróis eram os revolucionários e grandes conquistadores, como Alexandre ou Napoleão.

Outra característica que surge nos relatos de pessoas próximas é justamente a falta de empatia em relação ao próximo. Uma das irmãs do ditador, Juanita Castro, disse ao autor em Miami que Fidel nunca se importou com o sofrimento experimentado pelos empregados da família, e que se lembra inclusive dele criticando o pai por ser “excessivamente generoso com os funcionários”. Segundo o relato de universitários próximos de Fidel, ele “não acalentava qualquer pensamento altruísta sobre quem se beneficiaria de seu projeto de sucesso político, excetuando-se o próprio Fidel”. Latell conclui que Fidel “já era vaidoso, mimado e narcisista quando na universidade”. Fidel lia com atenção discursos e textos de Mussolini, e teria mostrado interesse por textos de Hitler também, além de simpatia por Franco. Seus fins revolucionários justificavam quaisquer meios. O jovem Fidel logo se tornou uma figura ameaçadora, “ligando-se a homicidas e criminosos realmente violentos e pertencentes aos grupos de ação mafiosos da universidade”. Já com 20 anos de idade, Fidel Castro “considerava a prática de assassinatos e a provocação de situações caóticas meios justificáveis e aceitáveis para ver materializados seus interesses pessoais”.

O livro relata vários outros casos que deixam evidente o viés sociopata de Fidel desde cedo. O ditador tinha uma verdadeira compulsão pela violência, e mostrava total indiferença em relação ao sofrimento alheio. Seu irmão mais novo, Raúl, não ficava muito atrás. Na verdade, Raúl, como comandante de guerrilha, seria o maior arquiteto das execuções de civis acusados de colaborarem com o inimigo. Na autobiografia do embaixador americano em Havana, Philip Bonsal, consta que os prisioneiros eram mortos indiscriminadamente a mando de Raúl e enterrados em valas abertas por tratores, sem que se realizasse nada que mesmo lembrasse um julgamento. Com essas características de personalidade, os irmãos Castro criaram a mais longa ditadura da região, e também a mais cruel e assassina.

Como alguém consegue defender tanta barbaridade em nome de uma ideologia é algo que foge à compreensão de qualquer pessoa normal. É preciso ter traços semelhantes de falta de empatia com os seres humanos para idolatrar um crápula assassino como Fidel Castro. E com isso em mente, todos aqueles que não compartilham desse grave desvio de caráter comemoraram a fuga do boxeador, que representa um jab de direita na cara dos defensores da ditadura comunista. Como ele, milhares já fugiram ou tentaram fugir, muitas vezes morrendo na tentativa de ser livre. Mas quando um atleta importante para a propaganda do regime no exterior consegue fugir, isso mostra ainda melhor como é terrível a vida dos cubanos comuns na ilha miserável. Ele era, afinal, parte de uma casta repleta de regalias e privilégios, já que no comunismo todos são iguais, mas uns são bem mais iguais que os outros. A grande comemoração só poderá ocorrer no dia em que o regime comunista sofrer um verdadeiro knock-out, e os irmãos genocidas pagarem por tudo aquilo que fizeram com os pobres cubanos.