Rodrigo
Constantino, para o Instituto Liberal
Sabemos
ao menos duas coisas sobre os “protestos” recentes: eles não são realmente
motivados pelos centavos extras na tarifa de ônibus, e eles não são
espontâneos. Basta ver as pessoas por trás, suas roupas de grife, as bandeiras
partidárias, os gritos de guerra, e a organização claramente centralizada
dessas manifestações repletas de vandalismo.
Portanto,
estamos lidando com algo maior e mais perigoso, e não com gente insatisfeita
reclamando do preço maior do transporte. Se fosse esse o caso, eles estariam
mais abertos ao diálogo, e os liberais poderiam mostrar que os problemas no
transporte público têm forte ligação com a grande presença estatal no setor e
seu elevado grau de intervenção e controle.
Como
não é esse o caso, acredito que a reação das autoridades deve ser muito rigorosa,
impedindo que o caos se instaure como resultado da baderna, alimentada pela
psicologia das massas. A anomia é "uma condição em que tanto a eficácia
social como a moralidade cultural das normas tendem a zero", como disse o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf em “A Lei e a Ordem”.
O
"contrato social", entendido aqui como as normas aceitas e mantidas
através de sanções impostas pelas autoridades concernentes, é rasgado, restando
o vácuo em seu lugar. Tudo passa a ser visto como permitido, já que nada mais
parece ser punido. Essa impunidade produz o clima anárquico que leva, por sua
vez, a uma tirania. Não podemos tolerar isso. Ninguém deseja reviver os
nefastos anos de Maio de 68...