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terça-feira, julho 30, 2013

Dilma é Lula é Dilma

Fonte: O GLOBO
Rodrigo Constantino

Merval Pereira, em sua coluna de hoje no GLOBO, levanta a hipótese de que a polêmica fala da presidente Dilma, ao dizer em entrevista que o "Volta, Lula" não faz sentido pois Lula nunca saiu, pode não ter sido uma barbeiragem política que atesta sua nulidade, mas sim uma "trucada" naqueles "aliados" que atuam nos bastidores por sua substituição. Diz o jornalista:

Mas, durante o dia, conversando com um e com outro, acabei abrindo uma janela na interpretação para aceitar a possibilidade de que o que considerava uma autêntica “barbeiragem” da presidente pudesse ser na verdade audaciosa manobra: e se em vez de uma frase infeliz a presidente tivesse dado, isso sim, uma “trucada” nos que querem vê-la substituída por Lula na campanha eleitoral de 2014?

Ao explicitar a simbiose com o ex-presidente, Dilma esvazia a principal razão de uma eventual substituição sua por Lula. Ao dizer que Lula sempre esteve no governo, Dilma deixa nas entrelinhas a mensagem de que seus acertos e erros têm que ser divididos com o ex-presidente, o responsável final pela sua candidatura e, sobretudo, o parceiro do que tem sido feito no governo, o avalista de sua candidatura à reeleição.

Eu tendo a concordar com Merval Pereira. Por isso mesmo ainda não tinha escrito nada sobre a entrevista da presidente. À primeira vista, fica parecendo uma confissão desastrada de que ela não passa de uma marionete. Mas uma reflexão um pouco mais profunda mostra que ela pode estar deliberadamente se defendendo daqueles que tentam sabotá-la de dentro do próprio partido.

Na verdade, eu concordo com a presidente Dilma! E isso é muito raro. Não faz sentido clamar pelo retorno de Lula, pois o sucesso ou fracasso da gestão Dilma tem as impressões digitais do ex-presidente em todo lugar. Não vamos esquecer que foi o próprio Lula quem disse, na época das eleições, que ele era Dilma, e Dilma era ele. 

Dilma foi importante ministra do governo Lula desde o começo, foi ganhando mais poder no governo, foi escolhida para substitui-lo, e contou com o aval completo do ex-presidente. Não dá para fingir que tudo mudou de uma hora para outra, que ocorreram mudanças radicais. Os erros de Dilma são também os erros de Lula. Ele é responsável por isso.

Não apenas por ter escolhido sua sucessora e garantido seu total apoio a ela, como por ter plantado várias sementes dos problemas atuais. No afã de eleger seu "poste", Lula turbinou o crédito público e expandiu os gastos do governo. A conta chegou durante o governo Dilma, que ainda enfrenta mudança nos ventos externos. Não seria muito diferente se fosse o próprio Lula no governo.

Talvez um pouco menos de intervencionismo arbitrário, um pouco mais de traquejo político, um pouco menos de arrogância na gestão econômica. Mas boa parte dos problemas atuais de nossa economia estaria presente ainda. Estamos falando de uma gestão petista, não apenas de Lula ou Dilma. Estamos lidando com o lulopetismo e o desenvolvimentismo da equipe econômica, lembrando que Guido Mantega foi colocado lá pelo próprio Lula. 

Portanto, a "trucada" de Dilma faz todo sentido: não adianta tentarem separá-la de Lula. Dilma é Lula é Dilma. São ambos ligados de forma simbiótica um no outro. O resultado do governo Dilma é responsabilidade direta de Lula, como ele mesmo afirmou. 

sexta-feira, julho 26, 2013

Os bons na política

Rodrigo Constantino

Merval Pereira resumiu bem o discurso do Papa Francisco sobre a participação de bons cristãos na política, com P maiúsculo. Diz o jornalista:

O Papa Francisco fez ontem, na visita à favela da Varginha, seu discurso mais político, referindo-se às recentes manifestações ocorridas no país de maneira positiva, encorajando a que os jovens permaneçam na sua luta contra a corrupção. Com outras palavras, retomou análises que fizera anteriormente, desde que assumiu, sobre a nobreza da ação política. Para ele, envolver-se na política é a obrigação de um cristão, pois a ação política é “das formas mais altas de caridade”.

A política com P maiúsculo, como definiu em outra ocasião, visa o bem comum e “nós cristãos não podemos fingir de Pilatos e lavar as mãos”. Ontem, ele se referiu especialmente aos jovens que “possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio beneficio".

Mas o Papa instou a que “nunca desanimem, não percam a confiança”, insistindo em que a ação política pode mudar a realidade, “o homem pode mudar”. Em palestras anteriores na Itália, logo depois de ser eleito Papa, ele falou mais diretamente sobre a atividade política ao ser perguntado por um estudante jesuíta qual seria a atitude evangélica correta nos dias de hoje.

Eis um grande dilema para liberais: participar ou não do jogo político? Eu mesmo costumo sofrer pressão de leitores, e quando divulgo em meu canal que vem por aí uma grande novidade (vem uma na semana que vem!), muitos pensam que se trata de uma eventual candidatura. Qual deve ser a postura dos liberais, ou das pessoas decentes em geral, em relação a política?

Em minha opinião, elas devem participar, sim. Mas não é para todos. Atuar na política, ainda mais na nossa, demanda um estômago preparado, um grau de ética muito elevado, uma disposição de pagar um alto preço individual. Mas não sejamos ingênuos: não é possível simplesmente chegar lá e mudar "isso tudo que está aí". 

Dito isso, em política não há vácuo. Se as pessoas melhores não participarem, as piores terão o caminho totalmente liberado. Facilitar o acesso a eles é a garantia de que a podridão não só vai se perpetuar, como aumentar. A vida em sociedade exige um espaço político; não podemos sonhar com a ausência dessa via, e adotar uma postura apolítica, ou pior, antipolítica. 

Portanto, tendo a concordar com o Papa Francisco: as pessoas de bem deveriam tentar resgatar, sim, a ideia de nobreza da política, permitindo o retorno de figuras honradas a este importante ofício. Já as tivemos no passado.

Mas faço algumas ressalvas. Não podemos cair na ideia infantil de que seres "incorruptíveis" chegarão lá e, de cima para baixo, irão mexer em tudo e acabar com a sujeira toda. Liberais não podem ser tão ingênuos, pois entendem que o mecanismo de incentivos faz toda a diferença. Ou seja, temos que insistir, mais ainda, na luta no campo das ideias, para que o poder em si seja reduzido e descentralizado.

É preciso lembrar sempre que o poder para fazer o bem é, também, o poder para fazer o mal. E a probabilidade maior é de que esse poder seja tomado não pelos melhores, mas pelos piores, ou por gente que será corrompida pela tentação no processo. O poder deve ser menor. A via política deve ter seu escopo reduzido.

Concluo, então, endossando a fala do Papa Francisco, sobre a importância de se valorizar novamente a política com P maiúsculo, e ao mesmo tempo reforçando a bandeira liberal de que a guerra é cultural, de que o estado não deve ser visto como esse instrumento fantástico para fazer o bem, pois esse é o primeiro passo para instaurar o inferno por aqui.

Aqueles que não se interessam pela política serão governados pelos que se interessam. E tudo que o mal precisa para triunfar é que as pessoas de bem nada façam. Arnold Toynbee e Edmund Burke ou Platão fizeram alertas importantes. 

Pessoas decentes do Brasil todo, uni-vos! 

PS: De minha parte, adianto que não tenho interesse em participar da política por enquanto, pois prefiro atuar no campo das ideias. Mas o Partido Novo conta com meu total apoio, assim como faço novamente um apelo para que invistam em boas ideias; associem-se ao Instituto Liberal, que agora presido.