quarta-feira, dezembro 29, 2010

Campo Lula



A área de Tupi teve sua comercialidade declarada nesta quarta-feira pela Petrobras e os sócios Galp e BG. O novo campo será denominado Lula, e tem reservas estimadas em 6,5 bilhões de barris de petróleo e gás recuperáveis. Tupi era o nome provisório da área descoberta. Após a declaração de comercialidade, os campos recebem nomes de formas marinhas.

Comento: O futuro ex-presidente Lula disse que quem fez a maior capitalização em bolsa este ano não foi a Fiat ou a GM, mas "um metalúrgico de São Bernardo do Campo". A confusão entre público e privado chegou ao seu ápice durante o (des)governo Lula. É tudo dele! "O Estado sou eu"! "O povo sou eu"! Lula é dono da Petrobras. Nada mais natural que o gigantesco poço de Tupi mudar de nome para Campo Lula. É triste ver in loco o nascimento de um patético culto à personalidade desses. Que coisa mais atrasada!

terça-feira, dezembro 28, 2010

Mensagem de fim de ano

Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Encarregado de escrever este último “comentário do dia” pelo Instituto Liberal, optei por uma mensagem mais abrangente do que simplesmente analisar alguma notícia de hoje. Ano novo; vida nova: eis o que diz o ditado. Nesta época do ano, todos gostam de rever erros e acertos (mais acertos que erros) e, acima de tudo, planejar metas audaciosas para o novo ano, que infelizmente serão ignoradas na maioria dos casos. Assim é a “natureza humana”.

Do ponto de vista político-econômico, o ano que se encerra combina com o fim da Era Lula no governo. Qualquer liberal, naturalmente, só tem a celebrar este término de um governo incompetente e corrupto. A inflação representa uma ameaça crescente, e o inchaço da máquina pública é a grande “herança maldita” que Lula deixa a sua sucessora. Nenhuma reforma estrutural foi feita nos oito anos de gestão petista. Infelizmente, os liberais nada têm a comemorar neste sentido, pois o poder passa para Dilma Rousseff, cria de Lula e defensora de um Estado controlador ao extremo.

Resta, portanto, focar no âmbito individual. Que cada leitor e leitora possa realizar sonhos particulares em 2011, se os obstáculos naturais e aqueles artificialmente criados pelo governo permitirem. Os percalços no caminho fazem parte de qualquer conquista digna do nome. Em mar calmo todos são bons navegadores. E que os fracassos sirvam de lição, pois eles são inevitáveis. Nossa única certeza na vida é a morte e, como diria um psicanalista, toda busca por certezas acaba sendo um “desejo de morte”. Seitas fechadas, utopias, crenças dogmáticas, panacéias são coisas que trazem conforto – o mesmo conforto de uma pedra sem vida!

Aos homens foi negada a possibilidade de onisciência. Com base neste fato, os liberais reconhecem a relevância da humildade e da tolerância. Os tolos e fanáticos estão sempre “certos” de tudo, enquanto os mais sábios alimentam inúmeras dúvidas. Como disse Darwin, “a ignorância traz muito mais certezas que o conhecimento”. Saibamos, portanto, respeitar ao máximo possível as liberdades individuais, incluindo suas idiossincrasias. O desejo é individual, sempre. As paixões nos tornam humanos, assim como a razão. O difícil é achar o equilíbrio adequado entre ambas.

E que venha o ano novo, com suas surpresas e incertezas, pois a vida sem estas seria insuportável.

O Índice Bovespa e a economia em direções opostas?

Rodrigo Constantino, no Valor Econômico

Boa parte dos investidores olha o Ibovespa como indicador da bolsa brasileira. Quem assim o faz, provavelmente está decepcionado com o desempenho do índice este ano. Enquanto o crescimento do PIB deve passar de 7,5% no ano, o Ibovespa está em território levemente negativo até a gora. Há algumas explicações básicas para esse fenômeno.

Em primeiro lugar, a bolsa e a economia nem sempre andam ‘pari passu’, pois o mercado de ações é um mecanismo antecipatório, ou seja, projeta os resultados futuros das empresas e os traz a valor presente. O mercado já olha para o crescimento esperado em 2011, em patamar bem inferior ao deste ano. Ainda assim, o desempenho do Ibovespa parece insatisfatório, pois os economistas falam em 4,5% de crescimento, o que não é nada mal se comparado ao restante do mundo.

A segunda explicação para o ano medíocre do Ibovespa está em sua metodologia de cálculo para o peso das ações no índice. A Petrobras representa quase 12% do Ibovespa, enquanto o setor siderúrgico também apresenta peso elevado. Ocorre que tanto Petrobras quanto as siderúrgicas tiveram péssimo desempenho este ano, por motivos distintos. Isso representou quase cinco pontos percentuais a menos no desempenho do índice em 2010.

As ações da Petrobras caíram cerca de 30% este ano, basicamente por conta do maior risco político após a operação de aumento de capital. A questionável precificação dos ativos de pré-sal demonstrou que o real interesse do governo era expandir sua participação à custa dos acionistas minoritários.

Como a Petrobras possui um programa gigantesco de investimento para os próximos anos, os investidores temem, com razão, uma destruição maciça de valor da empresa, caso o governo utilize critérios políticos em vez de econômicos nas suas decisões.

A Petrobras pode ser uma aposta interessante para 2011, até porque o preço do petróleo segue firme acima de US$ 80 por barril; mas isso vai depender de uma mudança na governança da empresa, que precisa rejeitar a tentação populista e focar no retorno financeiro. Se isso não ocorrer, ela vai continuar ignorada pelos investidores.

Já o setor siderúrgico tem sido vítima da forte apreciação do câmbio e seu concomitante impacto nas importações do setor. Tradicionalmente protegidas da concorrência internacional, as siderúrgicas brasileiras operavam com ótimas margens de lucratividade. Esse cenário não existe mais, e a balança comercial do setor praticamente virou. A Gerdau e a Usiminas perderam mais de 20% de seu valor de mercado em 2010, prejudicando o Ibovespa. As perspectivas não são muito animadoras para 2011.

A Vale foi a locomotiva do Ibovespa no ano. Suas ações subiram quase 20%, e com seu peso acima de 15% no Ibovespa, ela anulou o efeito negativo da Petrobras. A Vale tem sido o melhor veículo brasileiro do chamado "China play", a aposta em ativos que capturam o acelerado crescimento chinês e sua insaciável fome por recursos básicos. A crescente pressão inflacionária na China coloca em risco essa aposta, pois o aumento da taxa de juros lá poderá afetar seu crescimento e, por tabela, as importações de commodities.

Os setores de maior destaque foram, sem dúvida, aqueles ligados ao crescimento do varejo e do crédito no país. Várias empresas de consumo, por exemplo, subiram mais de 20% este ano, e algumas chegaram a dobrar de valor. O "valuation" dessas empresas é o ponto fraco: muitas apresentam P/L acima de 20x para 2011, incorporando elevado crescimento nas estimativas de lucro. O risco de decepção não é desprezível.

O setor de construção civil chegou a ganhar mais de 20% no ano, após ter quase triplicado em 2009; mas com a recente pressão inflacionária e seu efeito na expectativa de juros maiores para 2011, ele devolveu boa parte da alta. Para o ano que vem, seu desempenho dependerá muito do impacto dos juros maiores na economia e no crédito. Se o governo não fizer um ajuste fiscal sério, o setor poderá sofrer bastante.

Como fica claro, não há barganhas evidentes na bolsa brasileira atualmente. Apesar do forte crescimento econômico, o Ibovespa ficou praticamente estável no ano, com bons motivos. Seu desempenho em 2011, deixando de lado o cenário internacional, vai depender muito das medidas do governo.

Se este fizer seu dever de casa, cortando gastos e adotando uma gestão mais racional na Petrobras, ainda há espaço para razoável valorização. Caso contrário, a renda fixa poderá ser uma opção mais atraente que a bolsa em termos gerais.

Rodrigo Constantino é economista e gestor de recursos

A ditadura do politicamente correto

Rodrigo Constantino, O Globo

“A unanimidade é burra.” (Nelson Rodrigues)

Ninguém insiste tanto na conformidade como aqueles que advogam “diversidade”. Sob o manto de um discurso progressista jaz muitas vezes um autoritarismo típico de pessoas que gostariam, no fundo, de um mundo uniforme, onde todos rezam o mesmo credo. A Utopia de More, a Cidade do Sol de Campanella, a República platônica, enfim, “um mundo melhor é possível”. Se ao menos todos abandonassem o egoísmo, a ganância, e se tornassem almas conscientes e engajadas...
Mesmo se for preciso “forçar o indivíduo a ser livre”, como defendeu Rousseau, esse parece um preço aceitável a se pagar pelo sonhado “progresso”. Foi com base nesta mentalidade que milhões de inocentes foram sacrificados no altar de ideologias coletivistas. Atualmente, os “progressistas” buscaram refúgio em novas seitas, mas a meta continua a mesma: “purificar” a humanidade e criar um paraíso terrestre onde todos serão igualmente “felizes” e “saudáveis”.
A obsessão pela saúde e pela felicidade, assim como a ditadura do politicamente correto são claramente sintomas da modernidade. Vivemos na era da covardia, onde poucos têm coragem de se levantar contra o rebanho. Estamos sob o controle dos eufemismos, com a linguagem sendo obliterada para proteger os mais “sensíveis”. Todos são “especiais”, o mesmo que dizer que ninguém o é. Chegamos à era do conformismo: ninguém pode desviar do padrão definido, pois as diferenças incomodam muito. Todos devem adotar a mesma cartilha “livre de preconceitos”.
Até mesmo o Papai Noel já foi vítima desta obtusa mentalidade. A obesidade é um problema de saúde preocupante no mundo. Um dos culpados? Sim, o Papai Noel. Um médico australiano chegou a afirmar que Papai Noel é um “pária da saúde pública”, e seria melhor se ele fosse retratado sem aquela “pança”, sua marca registrada. Afinal, o bom velhinho é um ícone da garotada, e no mundo atual não fica bem um barrigão daqueles influenciando as crianças. Papai Noel “sarado”, eis um típico sinal dos tempos.
Qualquer pessoa com mais de 30 anos deve recordar daqueles cigarros de chocolate que as crianças adoravam no passado. Isso seria impensável hoje em dia. Chocolate, e ainda por cima em forma de cigarro? Seria politicamente incorreto demais para o mundo moderno. Diriam que as crianças vulneráveis seriam fumantes compulsivas, tal como acusam filmes e jogos violentos pela violência.
Pensar na possibilidade de que os próprios pais devem educar seus filhos, impondo limites e dizendo “não”, parece algo estranho demais para os engenheiros sociais da atualidade. As “crianças mimadas”, os adultos modernos, preferem delegar a função ao governo, que será responsável pela “pureza” das propagandas. Quem precisa de liberdade de escolha quando se tem o governo para controlar nossas vidas?
Parte importante da liberdade é o direito de cada um ir para o “inferno” à sua maneira. O alimento de um pode ser o veneno do outro. Esta variabilidade humana nos impõe a necessidade da liberdade individual e da tolerância. Ninguém sabe qual o desejo do outro. Infelizmente, estamos vivendo cada vez mais sob a ditadura da maioria. O paraíso idealizado pelos “progressistas” seria um mundo com tudo reciclado, pessoas vestindo roupas iguais, comendo apenas alimentos orgânicos, e andando de bicicleta para cima e para baixo. Paradoxalmente, os “progressistas” odeiam o progresso!
É neste preocupante contexto que chegamos ao fim de mais uma década. Ao longo do processo, alguns indivíduos ousaram remar contra a maré, mesmo que não passassem de vozes isoladas em meio às multidões. Entre os brasileiros, tivemos figuras como Paulo Francis e Nelson Rodrigues, sempre lutando contra a imposição dos medíocres, derrubando os velhos chavões populistas. Seguindo esta tradição, o filósofo Luiz Felipe Pondé lançou novo livro, “Contra um Mundo Melhor”, que pode ser visto como um antídoto amargo a esta doença moderna.
A frase que abre o primeiro ensaio já dá o tom da obra: “Detesto a vida perfeita”. Pondé liga sua metralhadora giratória contra todas as mais nobres bandeiras politicamente corretas, desnudando-as e expondo sua hipocrisia. Numa época em que o homem é praticamente obrigado a ser “feliz”, ainda que seja à base de Prozac, os ataques mal-humorados de Pondé servem para alertar sobre os enormes perigos desta trajetória, tal como Huxley havia feito com seu “Admirável Mundo Novo”.
Que saibamos desconfiar mais da cruzada moral dos “progressistas” e sua retórica politicamente correta. São meus votos para 2011.

sábado, dezembro 25, 2010

Morre Orestes Quércia

"É com pesar que recebo a notícia da morte de Orestes Quércia. São Paulo e o Brasil vão se lembrar dele como um expoente da resistência democrática, um governador de muitas realizações e um defensor do desenvolvimento do país. Em todas as circunstâncias, foi um lutador." (Dilma Rousseff Linhares)

Um país que tem heróis como Quércia, Sarney e Lula está perdido mesmo!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Mensagem de Natal

Como não acredito em deuses faz muito tempo, e sou católico somente por inércia, o sentido do Natal se resume, para mim, em duas coisas apenas: família e presentes. Desejo a todos um excelente momento ao lado de seus entes queridos, pois "this is what it's all about". E, claro, bons presentes, pois a hipocrisia é algo que combato sempre, e quem não gosta de um presente legal?

Aproveito para desejar um ótimo ano novo, que já começa com uma coisa espetacular, que não deve ser ignorada: Lula vai estar fora da presidência! Ao menos oficialmente.

Feliz Natal e um próspero 2011!

FARC são terroristas

Deu no G1: A Câmara de Deputados chilena aprovou na terça-feira um texto que declara a guerrilha colombiana das Farc uma "organização terrorista", anunciou o Legislativo nesta quarta-feira (22).

"Com 39 votos a favor e dois contra, a Câmara de Deputados aprovou um projeto de acordo que declara as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como uma 'organização terrorista' e expressa seu repúdio às ligações que ela tenha com partidos ou grupos sociais de qualquer natureza que existam em nosso país", afirma o comunicado da Câmara.

Comento: Que diferença entre esta postura e a dos governantes brasileiros! Enquanto o PT de Lula insiste em flertar com os terroristas das FARC, que celebraram a vitória de Lula e agora de Dilma, além de terem doado até dinheiro para a campanha, segundo a revista Veja noticiou, os chilenos colocam os pingos nos is e chamam as coisas pelo nome certo. É por isso, e outras coisas, que o Chile é o país mais avançado da América Latina. Está razoavelmente livre do câncer populista que infesta a esquerda latino-americana, dominada por caudilhos como Chávez e companhia. Parabéns, Chile!

Socialismo

Deu no G1: "O Congresso Nacional aprovou nesta quarta-feira (22) o Orçamento de 2011. A receita total da União estimada para o próximo exercício é de R$ 2,073 trilhões. A votação foi concluída às 22h27, perto do prazo limite de meia-noite que o Congresso tinha para votar essa proposta. O texto segue agora para a sanção presidencial."

Comento: Atentai, brasileiros, para o tamanho do Estado em nosso país! O orçamento inclui as estatais, e retrata melhor quanto da economia passa pela mão visível do Leviatã. Nosso PIB está em torno de US$ 2 trilhões, ou algo como R$ 3,4 trilhões por ano. E o governo aprovou um orçamento de... R$ 2 trilhões! É isso mesmo! Quase 60% do PIB brasileiro! E ainda tem gente que chama o Brasil de "neoliberal"...

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Metáfora



Situação da economia brasileira hoje: um Gurgel turbinado a 120 por hora numa estrada toda esburacada, com um bebum no volante prestes a transferir o controle para uma mulher. Apertem os cintos!

terça-feira, dezembro 21, 2010

Meritocracia

Excelente palestra na Graduate School of Business da Stanford University, proferida pelo CEO da InBev, o brasileiro Carlos Brito. Ele fala da importância da meritocracia na empresa, dos sonhos ambiciosos, da cultura corporativa que realmente filtra as melhores pessoas e mantém pressão constante por progresso. (palestra em inglês com 52 min)