Mostrando postagens com marcador JBS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador JBS. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Caixa de boi gordo

Rodrigo Constantino

Nosso "capitalismo de compadres" segue em velocidade máxima sob o governo Dilma. Escrevi para o GLOBO vários artigos apontando para esse problema. Em um deles, uso a metáfora da Caixa de Pandora para explicar o que bancos públicos como a própria Caixa estão fazendo, plantando as sementes da próxima crise. 

Agora a Caixa resolve dar uma de BNDES também, comprando toda a emissão da JBS, empresa que talvez seja o maior ícone desse modelo nefasto de simbiose entre grandes empresas e governo:

A J&F Participações, holding que concentra os investimentos do grupo JBS, fechou uma captação de R$ 500 milhões por meio de uma emissão de debêntures - títulos de dívida de empresas que podem ser adquiridos por investidores no mercado de capitais. Na prática, porém, trata-se de uma operação de empréstimo, já que os papéis foram adquiridos pela Caixa Econômica Federal, banco que coordenou a operação, conforme apurou o Valor.

As debêntures possuem um prazo de vencimento de cinco anos, com prazo de carência de três anos para o pagamento do principal, e não contam com nenhum tipo de garantia para ser executada caso o compromisso não seja honrado. Procurada, a Caixa informou que não comentaria o assunto. Nenhum representante da J&F foi localizado.

A holding pagará juros equivalentes à taxa do depósito interfinanceiro (DI), que acompanha a Selic, mais 1,82% ao ano pelas debêntures. Trata-se de uma taxa inferior à obtida em empréstimos anteriores pela companhia. No balanço do ano passado, as linhas de crédito de longo prazo da J&F possuíam taxa entre 2,26% e 6,80% ao ano, mais a variação da taxa DI.

Até quando vamos tolerar esse capitalismo de estado tão escancarado? Só há uma saída para essa situação: Privatize Já!

sexta-feira, maio 11, 2012

Delta e JBS: Sinergia perfeita


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

Muita gente ficou estupefata com a notícia de que a J&F Holding, controladora da JBS, queria comprar a construtora Delta, de Fernando Cavendish. Automaticamente perguntaram: o que um frigorífico tem em comum com uma construtora? Quais são as possíveis sinergias entre seus negócios?

Falta imaginação para essas pessoas. Claro que há sinergias, e elas são enormes. Os ganhos de escala dos negócios da holding, agora comandada pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, são potencialmente gigantescos. Explico.
Não é que o abate de gado bovino pode eventualmente ser realizado por tratores da construção civil, ou que resíduos de argamassa possam ser utilizados no pasto dos bois. Não é nada disso. É que ambos os negócios cresceram rápido demais, mudando de patamar em pouco tempo, basicamente pelos mesmos motivos. Juntos, o crescimento pode ser ainda maior!
E quais são esses motivos? Ora, a proximidade com o governo, é claro. A Delta deu um salto no faturamento porque conquistou inúmeras obras públicas em leilões, todos extremamente transparentes, como sempre ocorre no Brasil. Tem uma carteira bilionária que depende do governo.

Já a JBS foi comprando várias empresas, e sempre contando com o financiamento subsidiado do BNDES, que aplica critérios apenas técnicos em suas análises de crédito, como todos sabem. O banco estatal colocou tanta grana na empresa que teve de se tornar sócio grande dela, por falta de capacidade de pagamento da dívida, que acabou convertida em ações.
Agora já ficou bem mais evidente qual a sinergia entre ambas. O acionista majoritário da JBS pretende ser político, governador de Goiás. O ex-dono da Delta adora políticos, e até colocava guardanapos na testa em um estranho ritual com os auxiliares do governador do Rio, Sérgio Cabral. Faz todo sentido unir forças para ter mais escala.

JBS e Delta são dois ícones do nosso capitalismo de estado. Elas se merecem. São os brasileiros que não merecem esta fusão...

sexta-feira, maio 20, 2011

Boibrás: A vaca vai pro brejo


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A JBS anunciou que debêntures no valor de quase R$ 3,5 bilhões serão convertidas pelo BNDES, que passará a ter mais de 30% de participação acionária na empresa. O banco estatal já tinha emprestado para a empresa rios de dinheiro. A JBS faturava pouco mais de R$ 4 bilhões em 2006, já em termos consolidados. Com a “mãozinha” do governo, o conglomerado agora fatura quase R$ 60 bilhões!

Mais complicado, porém, tem sido transformar esta montanha de faturamento em lucro. A empresa, que lucrou quase R$ 160 milhões em 2006, apresentou um prejuízo acima de R$ 300 milhões em 2010. Entrementes, a gigante da agropecuária acumulou quase R$ 20 bilhões de dívida líquida no período. O governo, por meio do BNDES, resolveu criar uma “vencedora” no setor, na marra, e concedeu crédito quase ilimitado para este fim. Será que houve algum critério técnico para emprestar tanto dinheiro a uma empresa que não consegue nem lucrar?

O mercado de capitais acusa o golpe. As ações da JBS acumulam queda de quase 30% no ano. Nos últimos 24 meses, enquanto o CDI subiu 20%, a JBS caiu quase 15%. E esta empresa que o governo agora, por meio do BNDES, resolveu ser grande acionista. É a criação da Boibrás, a estatal dos bois. As tetas do governo são fartas para os “amigos do rei”. De tetas o governo entende!

O caso da JBS é escandaloso e sintomático, demonstrando como o BNDES foi transformado pelo PT num veículo promíscuo de “desenvolvimentismo nacionalista”. Roberto Campos, que ajudou a criar o BNDE (antes do S de “social”), ainda em vida chegou a lamentar sua transformação: “Acompanhei, com atenção, ao longo dos anos, a trajetória dessa organização, que ajudara a criar. Graças ao recrutamento por concurso público, o BNDE manteve uma saudável tradição meritocrática, com nível técnico bastante satisfatório. Não escapou, naturalmente, ao vício do burocratismo e complacência com a irrupção do nacional-estatismo”.