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sexta-feira, dezembro 21, 2012

A saída para o Brasil


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O mundo não acabou. Nada como começar esse comentário em uma sexta-feira com essa boa notícia. Para ficar ainda melhor, lembro que o Natal está chegando e que, com sorte, você pode ganhar um exemplar de “Privatize Já” de presente.

Há ainda boas notícias na área econômica. O governo, finalmente, resolveu privatizar o Galeão em 2013. Ninguém agüenta mais tanta incompetência estatal. O Santos Dumont, por exemplo, virou uma estufa, só que de seres humanos em vez de plantas. Ao calor de 40º do Rio, o aeroporto segue sem ar condicionado há quase uma semana. Ninguém que dependesse do lucro para sobreviver poderia ter tanto desprezo pelo consumidor!

Claro que existem obstáculos ainda, a começar pelo ideológico, pois esse governo acredita tanto no livre mercado quanto eu na Mula sem cabeça. Mas não deixa de ser alvissareira a decisão de retirar da estatal a administração do nosso aeroporto internacional.

Como tudo que é bom dura pouco, eis que o governo, ao anunciar a privatização com uma mão, resolve criar uma nova estatal com a outra. Trata-se da Infraero Serviços. Miriam Leitão escreveu em sua coluna de hoje sobre o assunto. São as “Criaturas do Estado”, que se proliferam como Gremlins e custam caro aos nossos bolsos.

No meu livro, falo dessas estatais bizarras e de como o PT ainda é prisioneiro de seu ranço ideológico. Sim, pressionado pelas leis do mercado, especialmente com Copa do Mundo e Olimpíadas chegando, até o partido que faz terrorismo eleitoral contra as privatizações se viu obrigado a privatizar. Mas pau que nasce torto nunca se endireita. E sabemos que o PT tem inclinação natural forte para o lado esquerdo.

Roberto Campos dizia que as únicas saídas para o Brasil são o Galeão, Cumbica e o liberalismo. O problema é que, sem este, aqueles ficam cada vez mais infernais. Não tem outro jeito: Privatize Já! 

terça-feira, setembro 04, 2012

A esquerda caviar


Rodrigo Constantino, O GLOBO

            O Rio é vítima de uma verdadeira praga: a “esquerda caviar”, formada por parte da elite financeira e cultural do país. Seus membros posam de altruístas enquanto louvam ditadores sanguinários como Fidel Castro. Do conforto de seus apartamentos em Paris, porque ninguém é de ferro.
            Roberto Campos fez um diagnóstico preciso da árvore genealógica da turma, ao afirmar que “trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola”. Somente isso pode explicar a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda, que admiram o socialismo, mas adoram também três coisas que só o capitalismo sabe dar: “Bons cachês em moeda forte, ausência de censura e consumismo burguês”.
            Um cínico poderia dizer que a hipocrisia é útil. Aproximando-se do poder, esses intelectuais conseguem privilégios e mamatas. A Petrobras, por exemplo, destinou a bagatela de R$ 652 milhões para patrocínios culturais entre 2008 e 2011. É uma montanha de dinheiro capaz de testar a integridade até mesmo de um santo!
            Mas não creio ser apenas isso. Acredito que um dos fatores tem ligação com o sentimento de culpa dessa elite. E convenhamos: nada como uma elite culpada tentando expiar seus “pecados”. Com que facilidade ela adere aos discursos mais sensacionalistas e demagógicos. Chega a dar dó. Em um país que culturalmente condena o lucro e enxerga a economia como um jogo de soma zero, onde José, para ficar rico, precisa tirar de João, o sucesso acaba sendo uma “ofensa pessoal”, como disse Tom Jobim. Essa visão é um prato cheio para produzir uma elite culpada e desesperada para pregar aos quatro ventos as “maravilhas” do socialismo.
            Por isso vemos cineastas herdeiros de banco fazendo filmes que enaltecem guerrilheiros comunistas. Por isso vemos filhos de grandes escritores lambendo as botas de tiranetes latino-americanos. Imagem é tudo.
E estas pobres almas acreditam que, ao louvarem a ideologia que quer destruí-los, conquistarão a fama de abnegados e descolados. Como é fácil falar que o capitalismo não presta quando se é milionário!
            Joãozinho Trinta foi no alvo quando disse que os intelectuais é que gostam de miséria, pois os pobres gostam é de luxo. Nada mais natural do que desejar melhorar as condições de vida. E nada melhor para isso do que o trabalho duro em um ambiente de livre mercado. Lucro e trabalho são sócios nesta empreitada. O grande obstáculo é justamente o governo inchado, obeso, que cria burocracia asfixiante e arrecada quase 40% do que é produzido em nome da “justiça social”.
            Quem labuta para criar riqueza e subir na vida não tem tempo para “salvar o planeta” ou construir “um mundo melhor”. Estas são as bandeiras da esquerda festiva, dos artistas que, do conforto de suas mansões, adoram detonar o capitalismo enquanto desfrutam de tudo de bom que só ele pode oferecer.
Sobre a seita ambientalista, aliás, recomendo a leitura do excelente livro “Os Melancias”, de James Delingpole. A máscara dos alarmistas climáticos que fazem ecoterrorismo cai por completo, expondo a verdadeira face vermelha por trás do movimento verde.
Mas divago. Eis o que eu realmente queria dizer: boa parte da elite carioca gosta de defender candidatos socialistas com discursos messiânicos. Entre uma cerveja e outra, essa turma esbraveja contra os ricos capitalistas e repete como sua utopia salvaria a humanidade das garras dos gananciosos e insensíveis. Depois voltam para seu conforto egoísta com a alma lavada. A retórica vale mais que atos concretos. Garçom, mais uma cerveja!
Foi assim que o brizolismo conseguiu prosperar no Rio, com os aplausos de muita gente da zona sul. Foi assim também que Heloísa Helena, do PSOL (o PT de ontem), conseguiu mais votos no Rio do que em qualquer outro lugar. O que esperar de um povo que elegeu Saturnino Braga em vez de Roberto Campos para o Senado? Essa análise toda foi para chegar ao novo queridinho da elite carioca, o personagem de filme de ação, herói que desafia as milícias. Há só um detalhe: seu partido é aquele que prega o socialismo (com um atraso de duas décadas), que pretende escolher até o tema das escolas de samba, que tem deputado que gosta de queimar a bandeira de Israel em praça pública, demonstrando sua intolerância, além de enorme desrespeito ao povo judeu. Leiam “Fascismo de esquerda”, de Jonah Goldberg. Socialismo e liberdade não combinam. Um é o contrário do outro. Todo regime socialista levou à escravidão e à miséria. Até quando os cariocas vão cair na ladainha dos artistas que adoram o socialismo, lá do conforto de Paris?            

terça-feira, outubro 11, 2011

Dez anos da morte de Roberto Campos

Dia 9 de outubro completou um decênio do falecimento do ilustre Roberto Campos (ou Bob Fields para os "íntimos" de esquerda). Foi, sem dúvida, uma das grandes figuras públicas do Brasil, e das poucas vozes racionais em nossa política. Segue um artigo meu de 2007 sobre ele, em homenagem a esta data.

sexta-feira, maio 20, 2011

Boibrás: A vaca vai pro brejo


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A JBS anunciou que debêntures no valor de quase R$ 3,5 bilhões serão convertidas pelo BNDES, que passará a ter mais de 30% de participação acionária na empresa. O banco estatal já tinha emprestado para a empresa rios de dinheiro. A JBS faturava pouco mais de R$ 4 bilhões em 2006, já em termos consolidados. Com a “mãozinha” do governo, o conglomerado agora fatura quase R$ 60 bilhões!

Mais complicado, porém, tem sido transformar esta montanha de faturamento em lucro. A empresa, que lucrou quase R$ 160 milhões em 2006, apresentou um prejuízo acima de R$ 300 milhões em 2010. Entrementes, a gigante da agropecuária acumulou quase R$ 20 bilhões de dívida líquida no período. O governo, por meio do BNDES, resolveu criar uma “vencedora” no setor, na marra, e concedeu crédito quase ilimitado para este fim. Será que houve algum critério técnico para emprestar tanto dinheiro a uma empresa que não consegue nem lucrar?

O mercado de capitais acusa o golpe. As ações da JBS acumulam queda de quase 30% no ano. Nos últimos 24 meses, enquanto o CDI subiu 20%, a JBS caiu quase 15%. E esta empresa que o governo agora, por meio do BNDES, resolveu ser grande acionista. É a criação da Boibrás, a estatal dos bois. As tetas do governo são fartas para os “amigos do rei”. De tetas o governo entende!

O caso da JBS é escandaloso e sintomático, demonstrando como o BNDES foi transformado pelo PT num veículo promíscuo de “desenvolvimentismo nacionalista”. Roberto Campos, que ajudou a criar o BNDE (antes do S de “social”), ainda em vida chegou a lamentar sua transformação: “Acompanhei, com atenção, ao longo dos anos, a trajetória dessa organização, que ajudara a criar. Graças ao recrutamento por concurso público, o BNDE manteve uma saudável tradição meritocrática, com nível técnico bastante satisfatório. Não escapou, naturalmente, ao vício do burocratismo e complacência com a irrupção do nacional-estatismo”.