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sexta-feira, agosto 03, 2012

Em (lenta) construção


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O julgamento do século. Eis como muitos têm chamado o julgamento do “mensalão” pelo STF. As expectativas dos brasileiros com a Justiça são tão baixas que mesmo um atraso de sete anos para julgar o maior esquema de corrupção de nossa República já é visto como um avanço. E avanço ele é, de fato. Mas que ritmo lento! Nossas instituições republicanas vão sendo moldadas ao passo de um cágado. Ou talvez de uma tartaruga (manca de três patas). 

O primeiro dia do julgamento foi marcado pelo papelão de Ricardo Lewandowski (um lingüista me garantiu que seu nome em polonês quer dizer “aquele que defende mensaleiros”, mas para mim parece nome de agente soviético mesmo). O ministro claramente tentou ganhar tempo com uma questão já resolvida. Joaquim Barbosa o acusou de “deslealdade”, mas dependendo do ponto de vista, pode ser o contrário: muita lealdade!

Há vários outros problemas. O ministro Dias Toffoli (parentes italianos me garantem que seu nome significa “aquele que advoga para petistas”) participar do julgamento, por exemplo. Algo como Eurico Miranda apitar uma final entre Vasco e Flamengo. Ou então a ausência do “chefe” dos mensaleiros, algo que o advogado de Roberto Jefferson pretende resolver, claramente em vão.

É duro para as pessoas mais esclarecidas e cansadas de tanta impunidade acompanhar a Sociedade Aberta em formação nesta velocidade tão reduzida, sob forte pressão das forças reacionárias do Antigo Regime. Mas não se constrói uma República da noite para o dia. 

Como hoje é sexta, a mensagem deve ser de otimismo: lembremos que a tartaruga venceu a corrida contra a lebre na fábula de Esopo (popularizada por Fontaine). Só há um detalhe: ela era lenta sim, mas consistente na direção certa. Será que podemos esperar isso da nossa tartaruga?