By Raghuram Rajan, Financial Times
In the long run we are not dead, we will still be recovering from the Great Recession. We should therefore weigh stimulus policies not just on their immediate effect but on their consequences over time. Sensible Keynesians recognise this. They bet that reviving growth through government spending today outweighs the future loss of growth as the debt taken on to fund current spending is paid back. Consider two circumstances where this may apply.
The first is in a fully fledged panic where demand collapses, banks and companies fail and organisational capital is destroyed. Save, possibly, for Greece, it is hard to argue any industrial country is there today.
The key question then is whether more government spending can make a real difference to the most severe employment problems. Here the case for a general stimulus becomes less compelling. In the US, demand is weakest in communities where a boom and bust in house prices has left an overhang of household debt. Lower local demand has hit employment in industries such as retail and restaurants. A general increase in government spending may be too blunt – greater demand in New York is not going to help families eat out in Las Vegas (and hence create more restaurant jobs there). Targeted household debt write-offs in Las Vegas could be a better use of stimulus dollars.The second is when persistent high unemployment leads the long term unemployed to lose the habits and skills that make them employable. This is probably the more pertinent case in several industrial countries, such as the US and Spain. Increasing employment in a sustainable way today could more than pay for itself if people who would otherwise drop out of the workforce earn incomes.
However, the past build-up of debt in now depressed areas may suggest that demand was too high relative to incomes. If so, demand, without the dangerous stimulant of borrowing, will stay weak. Policy should instead help workers move where there are suitable jobs – for instance, by helping them offload their homes and the associated debt without the stigma of default.
Employment is also lower in states that experienced a housebuilding bust. In these states, unemployment is higher among construction workers and in related jobs such as real estate brokerage. Could big publicly funded infrastructure projects, modelled on those in the 1930s, re-employ them? Possibly not, since today’s built-up US is less in need of infrastructure on that scale. Moreover, it is not clear that a worker used to putting up drywall can move easily to laying fibre-optic cable. Perhaps it would be better policy to support retraining for private jobs.
Japan, which had a huge property boom and bust in the late 1980s, provides a salutary warning of the difficulties of stimulus through infrastructure spending. Even though Japan covered much of the country with concrete, it never fully emerged from the crisis. For the Japanese, the long run has arrived, and they are older, fewer and have the highest government debt in the G7.
The US government can still spend. The UK is more on the margin. With a huge financial sector dependent on the government’s financial standing, it can take fewer chances with its finances. Austerity is painful, which is why austerity tomorrow is not credible. Yet shared tax increases and spending cuts can instil a sense of national purpose to help a country weather tough times.
For Greece, government spending is the problem, not the solution. A responsible government would implement judicious austerity, firing the party hacks who were hired in the go-go years, cutting wages and pensions and restructuring itself to collect taxes and provide useful services, even while retaining transfers to the indigent and elderly. As public sector workers share the private sector’s pain, national solidarity could improve. Also, improved government efficiency and other structural reforms will make it easier for Europe to provide the financing that will prevent even more savage cuts to government functions. And it will make it easier to write down Greek debt further and attract private investment, giving people hope of growth.
Targeted government spending, or reduced austerity, along the lines suggested by sensible Keynesians, might be feasible in some countries and helpful in speeding recovery. But we should examine each policy based on a country’s circumstances. We should be particularly wary of populist Keynesians, who parrot “in the long run we are dead” to justify any short-sighted government action. They do the world a disservice by suggesting there are easy ways out. By misleading people and their leaders, they may well precipitate revolution rather than recovery.
Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
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quarta-feira, maio 23, 2012
quinta-feira, junho 09, 2011
A magia do dinheiro
Raghuram Rajan, Valor Econômico
O crescimento econômico nos Estados Unidos parece ter voltado a se desacelerar. Isso pode ser reflexo de fatores temporários, como o tsunami no Japão, que rompeu cadeias de fornecimento e provocou a interrupção de algumas fábricas. Ou como os preços elevados do petróleo, que impactaram a renda disponível e inibiram o crescimento da demanda dos consumidores. Esses fatores levaram ao aumento dos estoques - e, portanto, a cortes na produção.
As recuperações raramente chegam desacompanhadas de percalços ao longo do caminho, especialmente quando são tão frágeis quanto esta. Independente de os fatores por trás desta última desaceleração serem passageiros ou duradouros, haverá pressões para o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) fazer algo.
Alguns americanos veem o presidente do Fed, Ben Bernanke, como um mágico dos dias modernos, capaz de reanimar a economia com um movimento de sua varinha mágica monetária - primeiro, taxas de juros ultrabaixas, depois, flexibilização quantitativa e, então, talvez, impressão de dinheiro. Se a inflação estiver baixa, querem que o Fed use todos os encantos conhecidos para recuperar a economia. Assim como os generais da primeira Guerra Mundial, que reagiam a cada massacre de seus homens enviando ainda mais tropas para as trincheiras na vã tentativa de superar o inimigo, os sujeitos do "dinheiro grátis", quando suas políticas parecem não estar funcionando, reagem bradando: "Mais!".
Mais do que qualquer outra ação política, a política monetária sofre da sensação de que há almoços grátis. As taxas de juros, contudo, são um preço sobre a poupança que é transferido aos gastadores. Quando o Fed reduz esse preço (e alguns economistas contestarão sua capacidade para empurrar qualquer taxa de juros significativa para baixo), tributa os que produzem a poupança e subsidia os que gastam essa poupança.
Uma forma de ver é que os investimentos das empresas são contidos pela rigidez dos mercados de trabalho (os salários estão teimosamente altos). Além disso, benefícios significativos para a sociedade - por exemplo, famílias e comunidades mais coesas - decorrem dos investimentos que criam empregos, então, uma taxa de juros mais baixa dará às empresas o subsídio necessário para investir.
Há, entretanto, evidências escassas de que o verdadeiro problema restringindo os investimentos sejam salários demasiado altos (muitas empresas reduziram as horas extras e os benefícios e até cortaram salários durante a recessão). Além disso, com as taxas de juros para as grandes empresas em seus níveis mais baixos em décadas (em termos reais, as taxas são negativas para as grandes empresas, portanto, os poupadores estão na prática pagando às empresas para captar seu dinheiro), o custo do capital provavelmente não é o principal motivo para não investirem mais nos EUA. Subsídios enormes certamente induziriam as empresas a reconsiderar, mas não deveríamos nos perguntar se há formas mais eficientes de consertar os problemas que vêm limitando as empresas?
Uma segunda forma de ver a questão é que as famílias estão assustadas e poupando em excesso -precisam ser empurradas de volta ao consumo, por meio da redução do retorno que recebem pelo dinheiro poupado. É difícil imaginar, contudo, que estejam poupando demais, uma vez que o índice de poupança do consumidor nos EUA está em cerca de 5% e as famílias continuam profundamente endividadas.
Uma terceira forma é impulsionando o valor dos ativos, como ações, bônus e imóveis residenciais, o que faria as pessoas se sentirem mais ricas - e, portanto, mais propensas a gastar. Para que esse canal seja sustentável, no entanto, os ganhos no patrimônio das pessoas precisam ser permanentes. De outra forma, tudo o que aumentar vai recuar, deixando as famílias ainda mais temerosas dos mercados financeiros.
Por fim, e quanto à própria inflação? Embora a inflação dos salários nos EUA esteja contida, a política monetária mundial provavelmente está excessivamente frouxa - um motivo para os preços dos petróleo terem decolado. O Fed culpa (acertadamente) os bancos centrais estrangeiros de manter as taxas de juros baixas demais, para evitar a valorização de suas moedas em relação ao dólar; mas o Fed não pode guiar suas políticas presumindo que os demais reagirão com o ideal teórico. Os altos preços atuais do petróleo, que agora restringem o crescimento nos EUA, são em parte uma consequência involuntária da política monetária atual.
Há muitas outras coisas que os EUA precisam fazer para criar um crescimento sustentável, incluindo melhorar a qualidade de sua força de trabalho e infraestrutura. Tornar o dinheiro ainda mais fácil não é uma delas.
Raghuram Rajan é professor de Finanças na Booth School of Business, da Universidade de Chicago, e autor de "Fault Lines: How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy". Copyright: Project Syndicate, 2011.
O crescimento econômico nos Estados Unidos parece ter voltado a se desacelerar. Isso pode ser reflexo de fatores temporários, como o tsunami no Japão, que rompeu cadeias de fornecimento e provocou a interrupção de algumas fábricas. Ou como os preços elevados do petróleo, que impactaram a renda disponível e inibiram o crescimento da demanda dos consumidores. Esses fatores levaram ao aumento dos estoques - e, portanto, a cortes na produção.
As recuperações raramente chegam desacompanhadas de percalços ao longo do caminho, especialmente quando são tão frágeis quanto esta. Independente de os fatores por trás desta última desaceleração serem passageiros ou duradouros, haverá pressões para o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) fazer algo.
Alguns americanos veem o presidente do Fed, Ben Bernanke, como um mágico dos dias modernos, capaz de reanimar a economia com um movimento de sua varinha mágica monetária - primeiro, taxas de juros ultrabaixas, depois, flexibilização quantitativa e, então, talvez, impressão de dinheiro. Se a inflação estiver baixa, querem que o Fed use todos os encantos conhecidos para recuperar a economia. Assim como os generais da primeira Guerra Mundial, que reagiam a cada massacre de seus homens enviando ainda mais tropas para as trincheiras na vã tentativa de superar o inimigo, os sujeitos do "dinheiro grátis", quando suas políticas parecem não estar funcionando, reagem bradando: "Mais!".
Mais do que qualquer outra ação política, a política monetária sofre da sensação de que há almoços grátis. As taxas de juros, contudo, são um preço sobre a poupança que é transferido aos gastadores. Quando o Fed reduz esse preço (e alguns economistas contestarão sua capacidade para empurrar qualquer taxa de juros significativa para baixo), tributa os que produzem a poupança e subsidia os que gastam essa poupança.
Uma forma de ver é que os investimentos das empresas são contidos pela rigidez dos mercados de trabalho (os salários estão teimosamente altos). Além disso, benefícios significativos para a sociedade - por exemplo, famílias e comunidades mais coesas - decorrem dos investimentos que criam empregos, então, uma taxa de juros mais baixa dará às empresas o subsídio necessário para investir.
Há, entretanto, evidências escassas de que o verdadeiro problema restringindo os investimentos sejam salários demasiado altos (muitas empresas reduziram as horas extras e os benefícios e até cortaram salários durante a recessão). Além disso, com as taxas de juros para as grandes empresas em seus níveis mais baixos em décadas (em termos reais, as taxas são negativas para as grandes empresas, portanto, os poupadores estão na prática pagando às empresas para captar seu dinheiro), o custo do capital provavelmente não é o principal motivo para não investirem mais nos EUA. Subsídios enormes certamente induziriam as empresas a reconsiderar, mas não deveríamos nos perguntar se há formas mais eficientes de consertar os problemas que vêm limitando as empresas?
Uma segunda forma de ver a questão é que as famílias estão assustadas e poupando em excesso -precisam ser empurradas de volta ao consumo, por meio da redução do retorno que recebem pelo dinheiro poupado. É difícil imaginar, contudo, que estejam poupando demais, uma vez que o índice de poupança do consumidor nos EUA está em cerca de 5% e as famílias continuam profundamente endividadas.
Uma terceira forma é impulsionando o valor dos ativos, como ações, bônus e imóveis residenciais, o que faria as pessoas se sentirem mais ricas - e, portanto, mais propensas a gastar. Para que esse canal seja sustentável, no entanto, os ganhos no patrimônio das pessoas precisam ser permanentes. De outra forma, tudo o que aumentar vai recuar, deixando as famílias ainda mais temerosas dos mercados financeiros.
Por fim, e quanto à própria inflação? Embora a inflação dos salários nos EUA esteja contida, a política monetária mundial provavelmente está excessivamente frouxa - um motivo para os preços dos petróleo terem decolado. O Fed culpa (acertadamente) os bancos centrais estrangeiros de manter as taxas de juros baixas demais, para evitar a valorização de suas moedas em relação ao dólar; mas o Fed não pode guiar suas políticas presumindo que os demais reagirão com o ideal teórico. Os altos preços atuais do petróleo, que agora restringem o crescimento nos EUA, são em parte uma consequência involuntária da política monetária atual.
Há muitas outras coisas que os EUA precisam fazer para criar um crescimento sustentável, incluindo melhorar a qualidade de sua força de trabalho e infraestrutura. Tornar o dinheiro ainda mais fácil não é uma delas.
Raghuram Rajan é professor de Finanças na Booth School of Business, da Universidade de Chicago, e autor de "Fault Lines: How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy". Copyright: Project Syndicate, 2011.
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