quinta-feira, dezembro 10, 2009

A Novela da APAC



Rodrigo Constantino

A prefeitura do Rio de Janeiro durante a gestão de César Maia concentrou um poder abusivo no setor imobiliário com o Decreto 20.300/01, que criou a APAC (Área de Proteção ao Ambiente Cultural). As construtoras ficaram reféns dos desejos arbitrários do prefeito. Dizem as “más línguas” que César Maia estaria retaliando esses empresários por terem financiado a campanha de seu concorrente, Luiz Paulo Conde. Mas ninguém acredita que logo ele, o prefeito que de forma tão transparente e altruísta tentou dar de “presente” aos cariocas a Cidade da Música, seria capaz de uma coisa dessas. O fato é que o uso do APAC acabou inflando ainda mais os preços dos imóveis em bairros de luxo como o Leblon, enquanto na prática, preserva verdadeiras espeluncas.

Infelizmente, o atual prefeito Eduardo Paes gostou desse poder excessivo, e não pretende abandoná-lo. Utilizando a retórica de luta contra a “especulação imobiliária”, a prefeitura continua barrando a reforma de inúmeros prédios velhos, caquéticos, caindo aos pedaços. Esses prédios, apesar de colocar em risco a segurança dos transeuntes, são fundamentais para “preservar a ambiência que dá identidade ao bairro”, naturalmente. Quem gosta de passear pelo bairro preferido das novelas de Maneco sabe como esses edifícios “apacados” representam perfeitamente a identidade cultural do local. Prédios abandonados, repletos de pichação, dão certo “charme” ao Leblon. Usar o metro quadrado mais valorizado do Rio para erguer prédios mais modernos seria uma agressão à cultura, evidentemente. Ao menos é assim que pensam os governantes.

Sobre a acusação de “especulação imobiliária”, vale comentar que a verdadeira especulação é limitar artificialmente a oferta de novos espaços. Em seu livro sobre a bolha imobiliária americana, o economista Thomas Sowell mostra como medidas desse tipo ajudaram a estimular a alta incontrolável do preço dos imóveis. Estados que criaram leis restringindo a oferta de novos imóveis foram os que mais tiveram bolhas, sofrendo suas conseqüências após o estouro inevitável. Quando o governo municipal afirma que prédios abandonados fazem parte da cultura e não podem ser utilizados para novos lançamentos, ele está prejudicando arbitrariamente os proprietários desses locais e possíveis novos moradores, e beneficiando os atuais moradores dos demais prédios, que observam forte apreciação no preço de seus imóveis. Isso é justo? Com base em qual critério de justiça?

Muitos temem um efeito caótico no trânsito da cidade, já em estado lamentável. Entretanto, essas pessoas ignoram que boa parte desses imóveis poderia ser usada para fins comerciais. Isso permitiria que moradores do Leblon trabalhassem perto de casa, reduzindo o trânsito. Além disso, o problema do trânsito se resolve com transporte coletivo decente, não com restrição da oferta de casas. Mas como o governo é ineficiente em suas funções precípuas, acaba estendendo seus tentáculos para controlar outras coisas que não devia, para tapar o sol com a peneira.

Por fim, muitos temem uma “copacabanização” do Leblon, com a construção desenfreada de “arranha-céus” gigantescos. A preocupação é legítima, mas o veículo pregado para evitar isso é totalmente errado. Para isso já existem os planos diretores municipais. Basta a prefeitura determinar os gabaritos permitidos através dos planos urbanísticos. Pronto. Não há necessidade alguma de APAC para esta meta. Não faz sentido. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Preservar espeluncas não parece uma forma inteligente de evitar a construção de uma nova “selva de pedra” no bairro.

Em resumo, a APAC deve simplesmente ser abolida. Espera-se que o prefeito Eduardo Paes tenha bom senso para enxergar isso. Infelizmente, esse não tem sido o caso até agora. O poder seduz e corrompe. Abrir mão dele de forma voluntária seria uma atitude magnânima. Atos assim são raríssimos na política.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Consenso? Que consenso?

Leiam o artigo Surprise, Surprise, Many Scientists Disagree On Global Warming de John Lott, da FOXNews.com

Segue um trecho:

There is hardly unanimity among scientists about global warming or mankind's role in producing it. But you wouldn't know it if you just listened to the Obama administration.

As the Climate-gate controversy continues to grow, amid charges of hiding and manipulating data, and suppressing research by academics who challenge global warming, there is one oft-repeated defense: other independent data-sets all reach the same conclusions. "I think everybody is clear on the science. I think scientists are clear on the science ... I think that this notion that there's some debate . . . on the science is kind of silly," said President Obama's Press Secretary, Robert Gibbs, when asked about the president's response to the controversy on Monday.

Despite the scandal, Britain's Met, the UK’s National Weather Service, claims: "we remain completely confident in the data. The three independent data sets show a strong correlation is highlighting an increase in global temperatures."
But things are not so clear. It is not just the University of East Anglia data that is at question. There are about 450 academic peer-reviewed journal articles questioning the importance of man-made global warming. The sheer number of scientists rallying against a major intervention to stop carbon dioxide is remarkable. In a petition, more than 30,000 American scientists are urging the U.S. government to reject the Kyoto treaty. Thus, there is hardly the unanimity among scientists about global warming or mankind's role in producing it. But even for the sake of argument, assuming that there is significant man-made global warming, many academics argue that higher temperatures are actually good. Higher temperatures increase the amount of land to grow food, increase biological diversity, and improve people's health. Increased carbon dioxide also promotes plant growth.

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Comentário: há claramente muita histeria e muito alarmismo sobre as questões climáticas, e poucos questionam a quem isso interessa. Não são poucas as viúvas de Stalin que buscaram refúgio no "ambientalismo". São os tais "melancias", verdes por fora, mas vermelhos por dentro. Abraçaram o eco-terrorismo para poder atacar o capitalismo, o progresso material, a criação de riqueza que apenas o sistema capitalista gera. E demandam mais concentração de poder no governo como solução para os "males" causados pelas "mudanças climáticas" (notem como muitos trocaram o "aquecimento global" por esta expressão mais vaga recentemente). A grande imprensa comprou a causa. Todos falam em consenso. Mas que consenso é esse? O artigo acima, assim como o link para os estudos acadêmicos "dissidentes", mostram que isso não é verdade. O gato subiu no telhado!

Clima é um fenômeno complexo, com inúmeras variáveis causando impacto. Nesse aspecto, clima parece economia. Basta lembrar que a expressão "efeito borboleta" surgiu por conta de estudos sobre o clima. Mas a arrogância de alguns não tem limites. A "pretensão do conhecimento", de que falava Hayek, serve tanto para economia como para o clima. Achar que é possível saber com razoável grau de certeza como será o clima daqui a um século parece um tanto arrogante.

Enfim, mais ceticismo diante dessa nova seita verde se faz necessário atualmente. Existem outras prioridades além do clima num mundo com tantos miseráveis e doentes. Preservar a liberdade individual é outra meta crucial, e cada vez mais incompatível com a agenda "ambientalista" autoritária, como mostrou o governo Obama ao ignorar o Congresso recentemente para impor suas medidas desejadas. Muito cuidado com certos "ambientalistas" engajados, eis o recado!

Trogloditas de Esquerda

Rodrigo Constantino, Revista Voto

As eleições presidenciais de 2010 se aproximam, e cada potencial candidato sobe o tom populista dos discursos. Cada um deles luta para ser o mais generoso nas promessas com os recursos alheios extraídos à força pelos impostos. Recentemente, o presidente Lula comemorou o fato de que, pela primeira vez, não haverá nenhum candidato de direita. Antes, segundo o presidente, o nível dos debates era ruim por conta dos “trogloditas de direita”. Não obstante a complicada questão de definir essa tal direita, o presidente está certo num aspecto: há mesmo um monopólio esquerdista nas eleições. Mas, ao contrário do que ele pensa, não há novidade nisso.

De fato, o Brasil tem sido dominado por políticos que, de forma geral, poderiam ser categorizados no espectro esquerdista da política. Se considerarmos esquerda como a linha ideológica que prega mais “igualdade social”, em contraponto ao liberalismo, então parece evidente que a política nacional é dominada pela esquerda. Não há partido político com bandeiras claramente liberais, defendendo o livre mercado, a propriedade privada e o lucro contra o vago conceito de “justiça social”. Ao contrário, cada partido luta para conquistar a imagem de bastião do “tudo pelo social”.

Os conceitos de esquerda e direita podem gerar muita confusão. Particularmente, prefiro separar os grupos entre coletivistas e individualistas. Os coletivistas colocam algum ente abstrato como fim, e passam a encarar os indivíduos de carne e osso como meios sacrificáveis em nome deste “nobre” fim. Como exemplo, basta pensar nos nacionalistas, socialistas e racistas, cada um desses encarando o coletivo como a finalidade em si, seja a nação, a classe ou a raça. Por outro lado, os individualistas tratam cada indivíduo como um fim em si, que deve ser livre para seguir suas próprias preferências, contanto que não invada a liberdade alheia. Individualistas não aceitam colocar o indivíduo abaixo desses entes coletivos, como peças descartáveis em nome do “bem geral”.

Quando se trata de economia, os coletivistas defendem planejamento central, ou seja, a concentração de poder no governo, enquanto os individualistas pregam a propriedade privada e as trocas voluntárias do livre mercado. Quando se trata de convívio em sociedade, os coletivistas acreditam na engenharia social, enquanto os individualistas acham que cada um deve ser responsável por sua vida, sem ser tratado como um incapaz que necessita da tutela do governo. Ora, partindo da premissa que a esquerda representa melhor a mentalidade coletivista, fica fácil constatar que o Brasil tem predominância esquerdista faz tempo no campo das ideias.

Qual o partido que defende a redução da intervenção estatal na economia? Qual partido prega abertamente as privatizações das estatais que servem como verdadeiros cabides de emprego e moeda de trocas políticas? Qual partido pede menos controle governamental na vida dos cidadãos, deixando-os em paz, inclusive para errar nas suas escolhas? Qual partido rejeita a ideia de que cabe ao governo nos proteger de nós mesmos? Qual partido condena a analogia paternalista de que cabe ao governo cuidar do povo como um pai cuida de um filho? Qual partido entende que devemos ser livres para consumir aquilo que quisermos, assumindo a responsabilidade por nossos atos? Qual partido enaltece o papel do lucro na prosperidade de uma sociedade? Qual partido garante o direito à propriedade privada contra bandoleiros e invasores de terras, chamados eufemisticamente de “movimentos sociais”? Qual partido propõe a flexibilização das leis trabalhistas? Qual partido prega o federalismo, a descentralização do poder hoje concentrado em demasia em Brasília?

A lista de perguntas poderia continuar, mas a conclusão já salta aos olhos: no Brasil, todos os partidos abraçam, em diferentes graus, bandeiras coletivistas. O Índice de Liberdade Econômica, calculado pelo The Heritage Foundation, coloca o Brasil entre os últimos países em grau de liberdade. Os obstáculos criados pelo governo ao livre mercado são gigantescos. A carga tributária é escandinava, e os serviços são africanos. A burocracia é asfixiante. As “conquistas trabalhistas” encarecem o capital humano, que, pela péssima educação, não tem qualificação adequada, reduzindo sua produtividade. O excesso de leis arbitrárias aumenta a insegurança dos negócios. A morosidade do Judiciário prejudica o “império da lei”. A enorme presença do Estado na economia atrapalha o funcionamento do mercado. Em suma, falta liberalismo e sobra intervencionismo estatal no país.

Nada disso é recente. No fundo, a própria ditadura militar foi também bastante intervencionista na economia. Geisel, por exemplo, foi o criador de centenas de estatais, hoje adoradas pelos petistas. Durante o governo Collor, atualmente aliado do governo Lula, alguma mudança ocorreu, principalmente em direção à maior abertura comercial. No entanto, o confisco da poupança não tem nada de liberal. O governo FHC experimentou algumas reformas liberalizantes também, mais por necessidade de caixa que por simpatia ideológica. Mas câmbio fixo, financiamento de ONGs ligadas ao MST e introdução de leis racialistas não têm absolutamente nada de liberal.

Os atuais pré-candidatos mais importantes são todos defensores desse modelo que concentra no governo o poder de controlar a economia e nossas vidas. Nesse aspecto, são todos “conservadores”, pois querem apenas perpetuar o modelo atual, conservar o status quo. O “neoliberalismo” é um fantasma que existe somente na mitologia da esquerda nacional. Na prática, ele nunca nos deu o ar de sua graça. Os liberais simplesmente não estão representados em nenhum candidato para 2010. A política nacional foi totalmente dominada pelos “trogloditas de esquerda”.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Ambientalistas Autoritários



Leiam o editorial do The Wall Street Journal hoje, "An Inconvenient Democracy", sobre a decisão do governo americano de ignorar o Congresso para impor sua agenda ambientalista. Obama resolveu tratar o tema como questão de "saúde pública", e vai passar por cima do Congresso. Os Democratas de lá são assim mesmo: se não conseguem persuadir com argumentos (alguns manipulados, como vimos recentemente), então partem para a canetada poderosa mesmo. A tão propalada democracia vale apenas quando a maioria está do seu lado. Quando o governo, armado com seus "cientistas" engajados, não consegue convencer, parte para a grosseria. Já tem jornalista brasileiro chamando a atitude de Obama de "jogada de mestre".

Só se for do "mestre dos magos", aquele baixinho do "Caverna do Dragão" que parecia um bom velhinho dando conselhos para libertar os garotos, mas que sempre dava um jeito de mantê-los aprisionados naquela dimensão, dependentes eternamente dele.

Eis o alerta que faz o editorial do WSJ, que subscrevo por completo:

"The White House has opened a Pandora's box that will be difficult to close, that is breathtakingly undemocratic, and that the country, if not liberal politicians, will come to regret."

Liberdade de Imprensa

Rodrigo Constantino, O Globo
(08/12/09)

Nenhum governo gosta da liberdade de imprensa. Afinal, a imprensa investiga fatos, sendo importante fator de contenção do avanço do poder estatal sobre nossas liberdades. Governos com viés autoritário toleram ainda menos esta liberdade de investigar e criticar. Não por acaso, todas as ditaduras tentam controlar a imprensa, vista como inimigo prioritário em seus projetos de poder absoluto.
Na América Latina, a liberdade de imprensa está cada vez mais ameaçada. Cuba representa a situação extrema, onde a distopia “1984”, de George Orwell, tornou-se realidade. Somente o governo divulga as “notícias”, enquanto a blogueira Yoani Sanchez sofre um ataque brutal apenas por tentar relatar o cotidiano da ilha. A Venezuela de Chávez caminha a passos largos nessa direção. Na Argentina, o casal K vem desferindo duros golpes aos principais veículos de imprensa. E no Brasil, desde a tentativa fracassada de controle através do Conselho Nacional de Jornalismo, o governo não desistiu do sonho de amordaçar a imprensa.
Eis o contexto da Conferência Nacional de Comunicações (Confecom), que será realizada no próximo dia 14 em Brasília. Sob o manto da “democratização” da imprensa, o governo pretende estender seus tentáculos por todo o setor, asfixiando sua liberdade. A resolução estratégica lançada pelo PT para o evento pode ser resumida em uma única palavra: censura. Aquilo que o partido chama de “controle social” nada mais é do que os antigos conselhos comunistas. A palavra final fica com o governo, o novo censor disfarçado de “fiscal” da transparência. Eufemismos, no entanto, não podem ocultar a natureza da coisa.
Existem diversas formas de o governo tentar manipular a imprensa. A mais óbvia é através de suas polpudas verbas de propaganda, incluindo as estatais. Num país com enorme presença do governo na economia, este fator merece destaque. O cão não morde a mão que o alimenta. Além disso, o governo decide sobre as concessões, mantendo as empresas como reféns. Essa tem sido a arma preferida do caudilho Chávez. Por fim, num país com excesso de leis e burocracia, onde o custo da legalidade plena é praticamente proibitivo, o governo sempre pode ameaçar as empresas com o achaque dos fiscais. Cristina Kirchner usou essa tática contra o “Clárin”.
O arsenal de munições do governo é vasto. Até mesmo uma herança da ditadura Vargas sobrevive, a “Hora do Brasil”, que invade as rádios do país todo na hora do “rush”. Um canal “chapa-branca” de televisão também foi criado, mas felizmente o público o ignora por completo. O custo acaba sendo “apenas” os impostos cobrados para sustentar a máquina de proselitismo. Agora o governo tenta uma vez mais controlar a imprensa.
Em “Areopagítica”, publicada em 1644, John Milton defendia que cada um pudesse julgar por conta própria o que é bom ou ruim: “Todo homem maduro pode e deve exercer seu próprio critério”. Para ele, a censura “obstrui e retarda a importação da nossa mais rica mercadoria, a verdade”. Thomas Jefferson, influenciado por tais idéias, afirmou que escolheria uma imprensa sem governo no lugar de um governo sem imprensa, se tivesse que decidir. Por outro lado, Trotsky e Lênin consideravam a imprensa uma arma perigosa, e desejavam proibir a circulação de jornais “burgueses”. A História mostrou os riscos dessa mentalidade.
Nós não precisamos do filtro do governo na imprensa. O que precisamos é de mais liberdade ainda. Se alguns grupos concentram muito poder por conta de seu tamanho, então a solução é mais competição, não mais governo.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

"The Economist": incoerência da postura diplomática brasileira



No editorial sobre Honduras, a revista britânica "The Economist" aponta a contradição gritante da postura diplomática do governo Lula:

"Brazil also did badly. It allowed its embassy to become Mr Zelaya’s campaign headquarters, but failed to achieve his reinstatement. So much for Brazil’s claim never to intervene in the internal affairs of others. This was different, say Brazilian diplomats, because it was a coup. Yet Brazil has snuggled up to Cuba and Iran, stayed silent when Nicaragua’s Daniel Ortega stole a municipal election last year, and kept mum as Mr Chávez has neutered the institutions of Venezuelan democracy."

Ou seja, o velho "dois pesos e duas medidas", que nosso governo atual adora usar. Além disso, a revista aponta o verdadeiro risco à democracia na região, que não vem de golpes militares, mas de golpes dentro da própria "democracia", como faz Chávez na Venezuela:

"[...] contrary to Brazil’s claim, the biggest threat to Latin American democracy today is—happily—not coups: it is elected presidents who themselves corrode democracy as, to an extent, Mr Zelaya did. Mr Lobo’s election provides one answer to that, but the way it came about was ugly, damaging and ought not to be repeated."

Aos poucos, a máscara do governo Lula vai cair lá fora também, deixando transparecer a realidade por trás da imagem criada: uma cambada de hipócritas!

sexta-feira, dezembro 04, 2009

A Esquizofrenia de Krugman



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O economista Paul Krugman advertiu que uma bolha pode estar em gestação no Brasil. Ele disse: “O Brasil está indo bem, mas isso não quer dizer que vá se tornar uma superpotência econômica no ano que vem. Os mercados, porém, estão agindo como se isso fosse ocorrer”. Krugman disse ainda que pretende colocar seu dinheiro onde está sua boca, ou seja, vender ativos brasileiros que possui em seu portfólio. Para o Prêmio Nobel, “os mercados estão perdendo o contato com a realidade”.

Eu tendo a concordar com o diagnóstico. Já escrevi para o jornal Valor Econômico alguns artigos alertando para o risco de uma bolha nos ativos brasileiros, com claros sinais de espuma. Mas não deixo de ficar perplexo com a origem desse diagnóstico: ninguém menos que o maior defensor de suas causas! Krugman é talvez o mais ativo proponente dos estímulos fiscais e monetários do governo americano. Ele acha que o governo foi muito tímido em sua maciça injeção de liquidez nos mercados e aumento astronômico de gastos. Para ele, o governo deveria ter feito muito mais!

Ora, mas essa política de juros artificialmente reduzidos a zero e expansão de gastos públicos foi justamente a principal causa da corrida desesperada por ativos estrangeiros, entre eles os brasileiros. Sem chance de retorno em casa, os investidores partiram para o “carry trade” com o dólar: tomam dívida nessa moeda e compram qualquer coisa fora. Boa parte da alta na bolsa brasileira e da valorização do real pode ser explicada por essas medidas pregadas pelo próprio Krugman, que agora se faz de desentendido diante de suas conseqüências inevitáveis. Primeiro Krugman pede uma bolha para curar os efeitos da outra que estourou, e depois reclama que temos uma nova bolha?

Estou preocupado com a saúde mental do economista preferido do New York Times e de muitos esquerdistas, que enxergam em suas teorias keynesianas justificativas para aumentar o tamanho do governo na economia. Seria o caso de uma esquizofrenia?

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Deu no Valor Eonômico

Palavra do gestor:
Onde está a estratégia de retirada dos estímulos?

Rodrigo Constantino
03/12/2009

Alguns dados já mostram que as economias reagem positivamente aos estímulos fiscais e monetários dos governos do mundo todo e as bolsas disparam de forma ainda mais espetacular. O clima de euforia está de volta. Se Greenspan teve sua parcela de culpa na bolha anterior por manter a taxa de juros artificialmente reduzida por tempo demais, parece que isso já foi esquecido. Bernanke deseja repetir o feito: uma nova bolha para "curar" os males causados pela anterior.

Politicamente, a inação diante de um "credit crunch" causado por excesso de crédito fácil pode ser fatal. Os governantes são impelidos a agir, evitando o sofrimento da fase de ajustes. Tal como um organismo exposto por tempo demais à euforia gerada pelo excesso de bebida, a economia precisa enfrentar uma fase de ressaca para eliminar os excessos da bolha. Mas ressaca nunca é algo popular, e todo político luta para postergar sua chegada. Na última crise, não foi diferente e o grau de injeção de liquidez foi impressionante.

O Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) assumiu o papel dos bancos comerciais em dificuldade, estendendo seu balanço de forma assustadora. Sua independência em relação ao governo americano encontra-se ameaçada. Além disso, o próprio governo vem expandindo seus gastos de forma insustentável, com um déficit acima de US$ 2 trilhões este ano. E para piorar a situação, o governo americano não está sozinho nessa empreitada.

O governo chinês, por exemplo, vem mantendo um crescimento da base monetária próximo de 25% ao ano. O Banco Central Europeu mantém uma política agressiva de juros baixos. O Banco da Inglaterra idem. Em suma, todos os governos e seus braços monetários estão inundando os mercados financeiros com moeda de papel na esperança de reativar o crescimento econômico. Porém, este depende de investimentos produtivos, resultante de mais poupança. Não é possível manter de forma sustentável um crescimento dependente da injeção de moeda pelos bancos centrais ou de gastos públicos. Cedo ou tarde, a conta terá de ser paga pelo aumento dos juros ou dos impostos.

O foco dos bancos centrais nos índices de inflação pode ofuscar a visão da realidade. Com capacidade ociosa na economia, desemprego elevado e bancos ainda relutantes em aumentar o crédito novamente, os estímulos fiscais e monetários demoram a bater nos preços finais de bens e serviços. Um tipo diferente de inflação ocorre: a do preço dos ativos. Em outras palavras, uma nova bolha especulativa acaba sendo estimulada e muitos passam a confundi-la com uma recuperação econômica verdadeira. Mas faltam os alicerces básicos para uma retomada econômica sustentável. Quando as doses de injeção de liquidez forem reduzidas ou revertidas, o impacto poderá ser brutal. Os mercados, como um viciado, necessitam de cada vez mais doses apenas para manter o clima de euforia.

Surge a importante questão: onde está a estratégia de retirada dos estímulos? Paul Volcker, o ex-chairman do Fed, teve coragem de subir drasticamente as taxas de juros na década de 1980 para debelar a inflação galopante. Mas Jimmy Carter era um presidente fraco e o banco central conseguiu atuar com independência política. Reagan, que assumiu depois, nutria simpatia pelo livre mercado e apoiou as medidas impopulares do Fed. Será que Bernanke teria a mesma coragem de Volcker, sendo ele um defensor da política de jogar dólares do helicóptero para evitar uma depressão? Será que Obama está disposto a encarar uma recessão dura para evitar uma inflação descontrolada?

Com custos políticos elevados demais, parece razoável supor que o Fed ficará atrás da curva: vai aguardar uma confirmação plena da recuperação econômica antes de subir os juros. A inflação será uma preocupação secundária ante o foco no crescimento econômico. Mas, postergando a retirada dos estímulos, o governo estará também ampliando sua necessidade no futuro. Os vigilantes dos títulos do governo americano parecem ignorar este risco por enquanto.

Mas o dólar já acusa o golpe. Como a Geni da música, a moeda americana vem apanhando de todo mundo. A aposta do momento tem sido o "carry trade" com o dólar, ou seja, assumir passivo nesta moeda e investir em qualquer outro ativo estrangeiro. O euro já chegou a US$ 1,50 e o ouro disparou para US$ 1.200 a onça. Afinal, nenhum banco central pode imprimir ouro. O fato é que o dólar está em xeque. E se o governo americano não tiver uma estratégia decente de saída para essa sinuca de bico atual? Até quando os credores em dólares vão suportar esta situação?

Rodrigo Constantino é economista e gestor de recursos

quarta-feira, dezembro 02, 2009

terça-feira, dezembro 01, 2009

O ‘mensalão’ do DEM



Rodrigo Constantino

Os novos escândalos em Brasília suscitam reflexões sobre o sistema político totalmente podre no país. O governador José Arruda foi pego num profundo esquema de corrupção. As imagens dos vídeos, ao contrário do que afirma o presidente Lula, falam por si só. Não há como negar fatos tão escancarados. Ou Arruda era chefe de uma quadrilha, ou fazia parte dela, de forma passiva. A desculpa esfarrapada de que o dinheiro servia para comprar panetones para crianças carentes ofende o bom senso daqueles que ainda o possuem nesse país. O Brasil virou mesmo um grande circo, e os palhaços somos nós!

O primeiro ponto a ser abordado é o estágio de metástase que o câncer da corrupção chegou no Brasil. Todos os grandes partidos parecem verdadeiras máfias organizadas, com as metas de chegar ao poder, desviar recursos públicos e se perpetuar na mamata. Como explicar milhões gastos em campanhas para receber um salário de poucos milhares? Haja altruísmo! Claro que a realidade é outra: a política virou um negócio lucrativo para mafiosos. Gente inescrupulosa é atraída para a política para “se dar bem” à custa dos nossos impostos. Eis a verdadeira luta de classes existente no país: de um lado consumidores dos impostos, e do outro os pagadores. Quando as vantagens de ser um parasita são grandes demais, o resultado é cada vez menos hospedeiro pagando a conta.

Os principais partidos estão cada vez mais parecidos. O PT teve seu esquema nacional de “mensalão”, o PSDB teve o seu em Minas Gerais e agora o DEM apresenta sua versão no Distrito Federal. Iludem-se aqueles que sonham com a chegada de um novo partido “diferente de tudo isso que está aí”, formado por santos honestos e preocupados somente com o “bem-geral”. A política é um jogo sujo, e acaba atraindo os piores tipos. Claro que existem exceções, mas esse “jogo democrático” não passa de uma guerra pelo poder, onde os fins justificam quaisquer meios. Alguém realmente acha que o PV de Marina Silva seria tão diferente no poder? Alguém acredita que Ciro Gomes mudaria tudo isso?

A mudança não vai ocorrer através do próprio meio político, com a tomada de poder pelos “bons revolucionários”. O corporativismo dessa gente é de assustar. Mesmo políticos “concorrentes” ficam receosos nessas horas, tímidos nos ataques, sem demandar medidas drásticas e imediatas, justamente porque sabem que amanhã podem ser eles no vídeo. Todos têm rabo preso. Além disso, parece paradoxal esperar um grande programa de redução do poder político através da conquista do próprio poder político. Não é por aí que vem alguma mudança estrutural. Mas de onde ela virá então?

Eis onde surge a importância da luta no campo das idéias. Somente mudando a mentalidade da maioria das pessoas poderemos mudar essa realidade lamentável. Educando as massas, enfim! Mas não através do próprio governo, naturalmente. Como esperar educação liberal, de boa qualidade, que estimula um olhar crítico, justamente através daquele interessado em manter o povo na completa ignorância? O governo tem interesse em manter o povo refém, reverenciando o próprio governo como uma espécie de deus. Somente quando esta mentalidade mudar haverá menos escândalos de corrupção. Afinal, esta é diretamente proporcional à concentração de poder e recursos no governo. Quando o sucesso de uma empresa depende da canetada de um burocrata, parece lógico que a corrupção será fomentada. É preciso retirar o governo da economia!

Outra causa importante da corrupção é a impunidade. Uma reforma no Judiciário é fundamental, para reduzir a morosidade dos julgamentos. Acabar com os privilégios dos políticos também é primordial para evitar que tudo acabe em “pizza”. Mas, novamente, isso só será viável através da mudança da mentalidade das pessoas. Enquanto os eleitores votarem nos políticos corruptos porque recebem migalhas em troca, porque estão satisfeitos com a economia etc., o recado será perverso: a imoralidade não tem custo. É preciso dar um basta a isso, eliminar da vida pública aqueles que, pelo menos, foram pegos roubando. Isso não vai garantir que os novos eleitos sejam honestos, pelos motivos expostos acima. Mas ao menos será um recado um pouco mais duro para os que foram pegos com a boca na botija. O recado das urnas já é um começo.

Por fim, os liberais só têm a agradecer pelo fato de o PFL ter mudado de nome para DEM. Nessas horas fica mais claro porque o movimento liberal deve ser apartidário, lutando principalmente no campo das idéias. Um partido como o DEM não deve mesmo usar o termo “liberal” em sua sigla. O que César Maia tem de liberal, por exemplo? Qual o programa do DEM que realmente defende valores liberais? Nós, liberais, não queremos ligações com fisiologistas de “direita”, que pregam concentração de poder no governo.

Claro, o DEM pode abrigar algumas pessoas sérias e até com genuíno viés liberal. Até torço para que essas pessoas consigam expulsar os velhos caciques do partido e mudar sua cara. Mas qual a probabilidade real disso? A esperança é a grande falsária da verdade! Não parece mais provável que essas pessoas sérias é que serão eliminadas do partido? Infelizmente, sim. Por isso, quando me perguntam por que não entro para a política, respondo que não toleraria o seu jogo sujo, e por conseqüência não sobreviveria por muito tempo nela (ou literalmente). Prefiro tentar mudar alguma coisa através de artigos como esse. É mais saudável para minha saúde física e mental.