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sexta-feira, julho 12, 2013

Keynesianos sem memória

Rodrigo Constantino

O problema de uma ciência não-exata como a economia é que os economistas que fracassam em suas previsões sempre podem alegar que o problema está em outro lugar. Ou algum fator exógeno, ou em um argumento contrafactual, como a alegação de que foi feito pouco daquilo que ele recomendava, e por isso as medidas não surtiram o efeito desejado.

Penso nisso quando leio, no caderno EU&Fim de Semana do Valor, longo artigo de Luiz Fernando de Paula e André de Melo Modenesi, ambos da Associação Keynesiana Brasileira (AKB). Eles fazem de tudo para isentar seu guru Keynes do fracasso atual da equipe econômica, que até ontem era elogiada e defendida por eles mesmos. Eles dizem:

Sustentamos que a desaceleração econômica recente no Brasil é, em boa medida, resultado de má coordenação de políticas econômicas e de uma estratégia confusa, que não foi devidamente sinalizada aos agentes econômicos. Utilizando o linguajar médico, alguns remédios, ainda que recomendados (como redução de juros), foram insuficientes para combater a doença; outros, entretanto, foram erroneamente prescritos. Assim, cabe entender por que as políticas anticíclicas foram bem-sucedidas para enfrentar o contágio da crise do Lehman Brothers, mas não evitaram o contágio da crise do euro.

Mas eu faço um desafio: mostrem que antes dos problemas atuais, vocês apontavam para isso! Mostrem que eram críticos severos dessa postura do governo, quando ainda não tinham aparecido as consequências das medidas! Será complicado, não é mesmo? Até porque eu sei que estavam aplaudindo o governo.

Participei de um debate com Luiz Fernando de Paula, organizado pelo Ibmec, para discutir Keynes versus Hayek. A minha parte pode ser vista aqui. Meu discurso "chocou" o professor Luiz Fernando, que veio em defesa do governo, dos estímulos, enfim, endossou a política econômica de Dilma. Como ficamos agora? É fácil olhar para trás e fingir que não estava lá, concordando com o que deu errado. Mas estava!

O fato é que o histórico keynesiano é uma coleção de fracassos. Infelizmente, aprendemos com a história que poucos aprendem com ela. Os economistas keynesianos fazem isso com frequência: jogam a culpa de seus erros em ombros alheios, e fingem que não tiveram nada a ver com aqueles resultados lamentáveis, apenas para seguir adiante, com as mesmas receitas fracassadas. Até quando?

segunda-feira, novembro 05, 2012

quarta-feira, setembro 19, 2012

O debate do século


Rodrigo Constantino

Paulinho era um neokeynesiano fanático, defensor incondicional de mais estímulos monetários e fiscais para recuperar a demanda agregada e produzir crescimento econômico e emprego. Já Frederico tinha visão diferente. Ele acreditava que injetar mais do veneno que causara os males iria apenas aumentar o tamanho da crise posterior. Eis o debate que eles travaram em sala de aula:

Paulinho: O banco central tem que manter as taxas de juros nulas até perder de vista, e injetar dezenas de bilhões no mercado para estimular a economia. ‘Compradores de imóveis em potencial se sentirão estimulados pelo prospecto de uma inflação moderadamente mais alta que facilitará o pagamento de suas dívidas; as corporações se sentirão encorajadas pelo prospecto de mais vendas no futuro; as ações subirão, elevando a riqueza, e o dólar vai cair, tornando as exportações americanas mais competitivas’.

Frederico: Como você pode chamar de riqueza a elevação artificial e nominal do preço dos ativos? Isso é transferência de riqueza, dos mais pobres para os mais ricos, que possuem maior quantidade desses bens. No mais, esta política serve apenas para manter as distorções do mercado e evitar ajustes necessários para liquidar os excessos produzidos pela bolha anterior. Não foi você que em 2002 defendeu exatamente o mesmo remédio para curar a recessão causada pelo estouro da bolha do Nasdaq?

Paulinho: Não me lembro bem... Mesmo assim, agora é diferente! Falta demanda agregada, e só o Fed tem bala na agulha para estimular essa demanda por meio do efeito riqueza...

Frederico: Isso foi justamente o argumento que você usou naquela época, eu me lembro bem. Mas o resultado não foi crescimento sustentável, e sim uma bolha imobiliária que estamos tendo que digerir agora. Você não teme a criação de novas bolhas? Desde quando riqueza se cria com impressão de papel moeda? Olha a República de Weimar, o Zimbábue...

Paulinho: Você é um conservador paranóico com a inflação e com bolhas. O importante é observar a inflação corrente e...

Frederico: A inflação corrente é a última que sente os impactos dos estímulos, que antes inflam o preço dos ativos, dando a falsa impressão de maior riqueza. Foi isso que aconteceu entre 2002 e 2007, e sabemos o resultado depois. É como tentar curar a ressaca de um bêbado oferecendo mais bebida ainda para ele. Claro que ele pode postergar a sensação de euforia, mas que médico em sã consciência diria que isso é saudável? O coitado vai acabar com uma cirrose hepática...

Paulinho: Não seja tão negativo. As autoridades precisam colocar a roda para girar, e com mais consumo, haverá mais produção, e com o tempo o endividamento será diluído.

Frederico: Como no Japão, que tem mais de 200% de dívida pública sobre o PIB?

Paulinho: Por que falar de Japão agora? Esquece isso...

Frederico: Creio que você coloca a carroça na frente dos bois, e pensa que o rabo é que balança o cachorro. Para aumentar a produção, os investidores precisam de maior confiança no futuro, e de poupança, claro. Nenhuma dessas coisas melhora com essa intervenção estatal. Pelo contrário. Isso gera mais insegurança, pois eles sabem que não existe almoço grátis. Os investidores acabam virando especuladores de curto prazo e correm para commodities, como o ouro, em busca de proteção. A “relíquia bárbara” já triplicou de preço desde o começo do primeiro afrouxamento monetário.

Paulinho: Quem liga para o preço do ouro? Vivemos na era das moedas fiduciárias sem lastro.

Frederico: Talvez por isso os ciclos econômicos tenham se intensificado e a concentração de riqueza, aumentado. E você ainda se diz defensor dos mais pobres, eleitor empolgado de Obama? Essa política agrada a turma de Wall Street mais que a qualquer outro grupo. Olha o Goldman Sachs (ou seria Government Sachs) aplaudindo efusivamente as loucuras do Bernanke...

Paulinho: Que dia bonito de sol hoje, não?

Frederico: Sabe o que mais me impressiona? É que vocês realmente parecem cigarras preocupadas apenas com o curto prazo, e nunca levam em conta os efeitos perversos desses estímulos no longo prazo. Vão acabar implodindo totalmente o sistema monetário, com a completa perda de confiança no dólar...

Paulinho: No longo prazo estaremos todos mortos. Relaxa e goza. Viu a alta do S&P 500 essa semana?

quinta-feira, maio 10, 2012

Stimulus Spending Keeps Failing

Robert Barro, WSJ

The weak economic recovery in the U.S. and the even weaker performance in much of Europe have renewed calls for ending budget austerity and returning to larger fiscal deficits. Curiously, this plea for more fiscal expansion fails to offer any proof that Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) countries that chose more budget stimulus have performed better than those that opted for more austerity. Similarly, in the American context, no evidence is offered that past U.S. budget deficits (averaging 9% of GDP between 2009 and 2011) helped to promote the economic recovery.

Two interesting European cases are Germany and Sweden, each of which moved toward rough budget balance between 2009 and 2011 while sustaining comparatively strong growth—the average growth rate per year of real GDP for 2010 and 2011 was 3.6% for Germany and 4.9% for Sweden. If austerity is so terrible, how come these two countries have done so well?

The OECD countries most clearly in or near renewed recession—Greece, Portugal, Italy, Spain and perhaps Ireland and the Netherlands—are among those with relatively large fiscal deficits. The median of fiscal deficits for these six countries for 2010 and 2011 was 7.9% of GDP. Of course, part of this pattern reflects a positive effect of weak economic growth on deficits, rather than the reverse. But there is nothing in the overall OECD data since 2009 that supports the Keynesian view that fiscal expansion has promoted economic growth.

For the U.S., my view is that the large fiscal deficits had a moderately positive effect on GDP growth in 2009, but this effect faded quickly and most likely became negative for 2011 and 2012. Yet many Keynesian economists look at the weak U.S. recovery and conclude that the problem was that the government lacked sufficient commitment to fiscal expansion; it should have been even larger and pursued over an extended period.





This viewpoint is dangerously unstable. Every time heightened fiscal deficits fail to produce desirable outcomes, the policy advice is to choose still larger deficits. If, as I believe to be true, fiscal deficits have only a short-run expansionary impact on growth and then become negative, the results from following this policy advice are persistently low economic growth and an exploding ratio of public debt to GDP.

The last conclusion is not just academic, because it fits with the behavior of Japan over the past two decades. Once a comparatively low public-debt nation, Japan apparently bought the Keynesian message many years ago. The consequence for today is a ratio of government debt to GDP around 210%—the largest in the world.

This vast fiscal expansion didn't avoid two decades of sluggish GDP growth, which averaged less than 1% per year from 1991 to 2011. No doubt, a committed Keynesian would say that Japanese growth would have been even lower without the extraordinary fiscal stimulus—but a little evidence would be nice.

Despite the lack of evidence, it is remarkable how much allegiance the Keynesian approach receives from policy makers and economists. I think it's because the Keynesian model addresses important macroeconomic policy issues and is pedagogically beautiful, no doubt reflecting the genius of Keynes. The basic model—government steps in to spend when others won't—can be presented readily to one's mother, who is then likely to buy the conclusions.

Keynes worshipers' faith in this model has actually been strengthened by the Great Recession and the associated financial crisis. Yet the empirical support for all this is astonishingly thin. The Keynesian model asks one to turn economic common sense on its head in many ways. For instance, more saving is bad because of the resultant drop in consumer demand, and higher productivity is bad because the increased supply of goods tends to lower the price level, thereby raising the real value of debt. Meanwhile, transfer payments that subsidize unemployment are supposed to lower unemployment, and more government spending is good even if it goes to wasteful projects.

Looking forward, there is a lot to say on economic grounds for strengthening fiscal austerity in OECD countries. From a political perspective, however, the movement toward austerity may be difficult to sustain in some countries, notably in France and Greece where leftists and other anti-austerity groups just won elections.

Consequently, there is likely to be increasing diversity across countries in fiscal policies, and this divergence will likely make it increasingly hard to sustain the euro as a common currency. On the plus side, the differing policies will provide better data to analyze the economic consequences of austerity.

Mr. Barro is a professor of economics at Harvard and a senior fellow at Stanford's Hoover Institution.

quarta-feira, março 28, 2012

Demanda agregada


Rodrigo Constantino*

“As estatísticas são como o biquíni: o que revelam é interessante, mas o que ocultam é essencial.” (Roberto Campos)

Não sei quanto ao leitor, mas eu demandaria um iate, um helicóptero e um jatinho se eu tivesse bilhões de dólares sobrando. Minha demanda tende ao infinito. Se não desfruto de tais bens materiais, isso se deve à falta de recursos, não de demanda. Esta conclusão pode parecer extremamente óbvia, e deveria. Infelizmente, a obviedade é algo em escassez quando se trata da economia keynesiana.
O foco obsessivo dos keynesianos em dados agregados acabou deturpando sua visão de mundo. Em vez de compreenderem que tais agregados servem, no máximo, como modelos simplificadores imperfeitos, esses economistas acabaram aceitando que a abstração era a realidade, gerando muita confusão teórica. O exemplo mais claro desta inversão é o tratamento dado ao PIB. A fórmula conhecida, Y = C + I + G + (X – M), produziu na cabeça dos mais desatentos uma crença absurda, qual seja, a de que o aumento dos gastos públicos é algo positivo para o crescimento econômico.
Como o governo não pode dar nada sem tirar do setor privado, pois suas fontes de recursos são os impostos, a inflação (que não passa de um imposto disfarçado) e o endividamento (que terá de ser pago eventualmente), claro que o aumento dos gastos públicos terá como contrapartida, inevitavelmente, a redução ou dos investimentos privados ou do consumo privado. Mas o foco demasiado no curto prazo, fruto de uma visão míope, faz com que os keynesianos negligenciem esses impactos negativos ao longo do tempo. Se o governo quer estimular o crescimento econômico e, portanto, a criação de empregos, basta ele expandir seus gastos.
Em Os pecados do capital, Robert Murphy dá um exemplo politicamente incorreto de falha no cálculo do PIB. Ele cita o caso de um homem que se casa com sua governanta, e explica: “Antes do casamento, os serviços dela (lavar, aspirar e cozinhar) eram comprados no mercado aberto e, portanto, contribuíam para o PIB oficial. Mas, depois do casamento, a nova dona-de-casa realiza essas mesmas tarefas ‘de graça’, fazendo o PIB oficial diminuir em função de seu salário anual anterior”. Da mesma forma, as operações no mercado negro, enormes em um país burocrático como o Brasil, não são computadas nos números oficiais do PIB. Ao excluir os gastos “intermediários” do cálculo, para evitar dupla contagem, o PIB “minimiza a importância dos capitalistas e exagera o papel dos consumidores finais e os gastos do governo”.
O economista Mark Skousen aponta outro exemplo dessas falhas:

Especialmente durante as festas natalinas, a mídia informa quase diariamente sobre as perspectivas das vendas a varejo, sugerindo que, se as vendas do Natal subirem, a economia está saudável e sólida. Por trás desses relatórios está a noção de que, se as festas natalinas durassem o ano inteiro, a economia poderia se expandir ainda mais

Entre vários problemas no cálculo do PIB, talvez o mais importante seja esse foco excessivo nos gastos, tanto dos consumidores como do governo. Isso passa a ideia de que são os gastos que geram a produção e, portanto, o crescimento econômico.
Keynes argumentava que, em períodos de insuficiente demanda agregada, caberia ao governo compensar esta queda com o aumento dos gastos. É a famosa política anticíclica. Foi a justificativa teórica perfeita para políticos ansiosos para torrar o dinheiro da “viúva” e conquistar votos pelas vias populistas. Claro que, na época da bonança e do forte crescimento econômico, o termo “anticíclico” era ignorado. A política acabava unidirecional, como se feita por economistas manetas. Mas o próprio conceito de demanda agregada insuficiente é falacioso. Parece que o rabo é que balança o cachorro, e não o contrário.
A lógica, de forma simplificada, funciona assim: a crise econômica ocorre como reação a uma queda da demanda agregada, sabe-se lá por qual motivo. Os empreendedores perderam seu “espírito animal” de repente. E cabe ao governo estimular a economia com aumento de gastos. Isso fará a demanda agregada subir, empregos serão criados e o consumo poderá retomar sua trajetória. Com mais consumo, as empresas produzem mais, empregando mais gente. Os salários podem aumentar, gerando um ciclo virtuoso. Parece tão simples que toda a miséria do mundo fica parecendo apenas resultado da falta de “vontade política”.
Claro que isso tudo não passa de uma grande falácia econômica. Os keynesianos trocam a ordem dos fatores, alterando o produto final. Basta pensar em Robinson Crusoé e Sexta-Feira em uma ilha. Seria absurdo supor que é a demanda de algum deles que produz o crescimento econômico. Robinson Crusoé pode demandar uma enorme casa, mas esta só será produzida se houver recursos disponíveis. E estes dependem da poupança e da produtividade. Logo, é a poupança efetiva que permite o investimento produtivo, que, por sua vez, possibilita mais consumo depois. É preciso fazer o bolo para depois comê-lo. Keynesianos pensam que podem ter e comer o bolo ao mesmo tempo.
Se alguém questiona quais fatores permitem o aumento da “renda nacional”, a resposta deverá ser: a melhoria dos equipamentos, das ferramentas e máquinas empregadas na produção, por um lado, e o avanço na utilização dos equipamentos disponíveis para a melhor satisfação possível das demandas individuais, por outro lado. O primeiro caso depende da poupança e da acumulação de capital; o segundo, das habilidades tecnológicas e das atividades empresariais. Se o aumento da renda nacional em termos reais é chamado de progresso, devemos aceitar que este é fruto das conquistas dos poupadores, investidores e empreendedores.
Os gastos do governo costumam desviar recursos destes fins mais produtivos. Keynes chegou no ponto absurdo de defender que seria justificável o governo, durante uma crise, contratar gente para cavar buracos e mais gente para tampá-los. Evidentemente que o fantástico desta proposta não passou despercebido na época. Questionado sobre o efeito de tais medidas no longo prazo, Keynes cunhou sua famosa frase: “No longo prazo estaremos todos mortos”. O longo prazo, porém, inexoravelmente chega, por razões cronológicas. Hoje, nada mais é que o longo prazo de algum tempo atrás. E, para aqueles vivos, o custo desta mentalidade keynesiana costuma ser bastante elevado.
Com esta ferramenta equivocada, os keynesianos conseguiram até mesmo creditar guerras pela recuperação econômica. Paul Krugman, laureado com o Prêmio Nobel de Economia e um dos maiores ícones do keynesianismo moderno, repete o tempo todo que foi a Segunda Guerra Mundial que salvou os Estados Unidos da Grande Depressão. Mais recentemente, ele chegou a defender que gastos públicos para criar um mecanismo de defesa contra a hipotética invasão alienígena seria uma medida sensata para conter a crise. Eis o grau de absurdo que chega à lógica keynesiana. Qualquer reflexão mais atenta mostraria que jamais pode ser favorável para a economia desviar recursos escassos para fins inúteis. Qual o ganho social em utilizar aço e trabalho escasso para produzir navios que serão afundados na guerra? Como dizia Mises, a prosperidade que a guerra traz para a economia é a mesma dos furacões e terremotos.
Na verdade, esta falácia é bem antiga, e já tinha sido refutada por Bastiat em seu exemplo da janela quebrada. Algum vândalo joga uma pedra que estilhaça a janela de uma loja. Em seguida, algumas pessoas tentam consolar o dono da loja alegando que, ao menos, ele estará gerando emprego ao consertar a janela. Afinal, se janelas nunca fossem quebradas, de que iriam viver os reparadores de janelas? Esta linha de raciocínio cai justamente na falácia anteriormente citada, pois ignora aquilo que não se vê de imediato. Sim, o conserto da janela iria propiciar um ganho para o vidraceiro. Mas o que seria feito desse dinheiro gasto caso a janela não tivesse sido quebrada? Eis a pergunta que nem todos fazem, porém crucial para o entendimento da economia.
Existem várias alternativas de uso que o dono da loja poderia dar ao dinheiro. Ele poderia investi-lo para aumentar a produção, poderia poupá-lo ou poderia gastar com qualquer outra coisa. Supondo que ele gastasse a mesma quantia na compra de um terno, o alfaiate teria sido beneficiado, mas agora que o dinheiro foi usado para consertar a janela, esse terno deixou de ser vendido. Isso é aquilo que não se vê, ao menos de imediato. O alfaiate do exemplo é ignorado, é o homem esquecido na análise superficial da coisa. Parece ridículo de tão óbvio este caso, mas o leitor mais leigo ficaria chocado com os demais casos, que são apenas variações dessa mesma falácia.
Como espero ter deixado claro, as recessões econômicas não são resultado de ausência de demanda agregada, pois esta nada mais é que o somatório da demanda de todos os agentes econômicos, que tende ao infinito. O buraco é bem mais embaixo. E quando o governo tenta estimular a economia gastando mais, endividando-se e contratando trabalhadores para tarefas improdutivas, isso apenas agrava o problema estrutural. Os consumidores e empresários sabem que terão de pagar a conta mais cedo ou mais tarde, e isso afeta suas decisões. Consumo estimulado artificialmente produz apenas inflação, se financiado pela emissão de moeda sem lastro. E o tiro keynesiano sai pela culatra, pois os investidores ficam receosos com o futuro aumento de impostos, necessário para honrar os gastos mais elevados do governo.
A hiperatividade do governo durante as crises costuma afetar negativamente a economia, ao contrário do que pensam os keynesianos. Manipular a “demanda agregada” jamais foi ou será uma política sensata de crescimento econômico sustentável. Os keynesianos são como alquimistas modernos, que acreditam poder transformar chumbo em ouro por meio da magia. Como os alquimistas antigos, estão fadados ao fracasso, sempre. Infelizmente, aprendemos com a história que poucos aprendem com a história.
A despeito dos inúmeros fracassos das políticas keynesianas no passado, eles sempre dão um jeito de ignorar as lições históricas e reinterpretar os fatos de forma a jogar a culpa dos erros em ombros alheios. O governo gastou trilhões em estímulos e, ainda assim, a economia ameaça nova recessão? Então, claro que o problema só pode ter sido falta de estímulo! Insanidade, já alertava Einstein, é fazer tudo igual novamente e esperar resultados diferentes. Os insanos estão no poder.

* Artigo inédito do livro "Liberal com orgulho" (Ed. Lacre, 2011)

quinta-feira, fevereiro 16, 2012

Um debate histórico

No blog do Merval, um texto sobre o antigo e renovado debate de Hayek vs Keynes sobre os ciclos econômicos, que conta com minha singela contribuição. Trecho abaixo:

O economista Rodrigo Constantino, fundador do Instituto Millenium e adepto fervoroso de Hayek, diz que Soros sem dúvida defende o lado keynesiano. “Ele quer mais estímulos, mais liquidez artificial, para evitar uma recessão com risco de espiral deflacionária. É um ponto de vista legítimo, ainda que eu discorde”.

Mas Constantino pergunta: quando os keynesianos defendem a austeridade então? “Na época da bonança, silêncio; na época das crises, mais estímulo para evitar recessões”. Sobre a crise atual, ele diz que a postura de Hayek (e dos “austríacos”) seria a de que inundar os mercados com mais liquidez não resolve nada, apenas potencializa os problemas no futuro.

sábado, dezembro 10, 2011

Debate Hayek vs Keynes

Minha palestra no debate Hayek vs Keynes na Academia Brasileira de Letras, organizado pelo IBMEC (Virginia Barbosa), onde explico de forma sucinta a Teoria Austríaca de Ciclos Econômicos (TACE), situando-a na crise econômica atual.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Four Reasons Keynesians Keep Getting It Wrong

By ALLAN H. MELTZER, WSJ

Those who heaped high praise on Keynesian policies have grown silent as government spending has failed to bring an economic recovery. Except for a few diehards who want still more government spending, and those who make the unverifiable claim that the economy would have collapsed without it, most now recognize that more than a trillion dollars of spending by the Bush and Obama administrations has left the economy in a slump and unemployment hovering above 9%.

Why is the economic response to increased government spending so different from the response predicted by Keynesian models? What is missing from the models that makes their forecasts so inaccurate? Those should be the questions asked by both proponents and opponents of more government spending. Allow me to suggest four major omissions from Keynesian models:

First, big increases in spending and government deficits raise the prospect of future tax increases. Many people understand that increased spending must be paid for sooner or later. Meanwhile, President Obama makes certain that many more will reach that conclusion by continuing to demand permanent tax increases. His demands are a deterrent for those who do most of the saving and investing. Concern over future tax rates is one of the main reasons for heightened uncertainty and reduced confidence. Potential investors hold cash and wait.

Second, most of the government spending programs redistribute income from workers to the unemployed. This, Keynesians argue, increases the welfare of many hurt by the recession. What their models ignore, however, is the reduced productivity that follows a shift of resources toward redistribution and away from productive investment. Keynesian theory argues that each dollar of government spending has a larger effect on output than a dollar of tax reduction. But in reality the reverse has proven true. Permanent tax reduction generates more expansion than increased government spending of the same dollars. I believe that the resulting difference in productivity is a main reason for the difference in results.

Third, Keynesian models totally ignore the negative effects of the stream of costly new regulations that pour out of the Obama bureaucracy. Who can guess the size of the cost increases required by these programs? ObamaCare is not the only source of this uncertainty, though it makes a large contribution. We also have an excessively eager group of environmental regulators, protectors of labor unions, and financial regulators. Their decisions raise future costs and increase uncertainty. How can a corporate staff hope to estimate future return on new investment when tax rates and costs are unknowable? Holding cash and waiting for less uncertainty is the principal response. Thus, the recession drags on.

Fourth, U.S. fiscal and monetary policies are mainly directed at getting a near-term result. The estimated cost of new jobs in President Obama's latest jobs bill is at least $200,000 per job, based on administration estimates of the number of jobs and their cost. How can that appeal to the taxpayers who will pay those costs? Once the subsidies end, the jobs disappear—but the bonds that financed them remain and must be serviced. These medium and long-term effects are ignored in Keynesian models. Perhaps that's why estimates of the additional spending generated by Keynesian stimulus—the "multiplier effect"—have failed to live up to expectations.

The Federal Reserve, too, has long been overly concerned about the next quarter, never more than in the current downturn. Fears of a double-dip recession, fanned by Wall Street, have led to continued easing and seemingly endless near-zero interest rates. Here, too, uncertainty abounds. When will the Fed tell us how and when it is going to sell more than $1 trillion of mortgage-related securities? Will Fannie Mae, for example, have to buy them to hold down mortgage interest rates?

By now even the Fed should understand that we do not have a liquidity shortage. It has done more than enough by adding excess reserves beyond any reasonable amount. Instead of more short-term tinkering, it's time for a coherent program to start gradually reducing excess reserves.

Clearly, a more effective economic policy would aim at restoring the long-term growth rate by reducing uncertainty and restoring investor and consumer confidence. Here are four proposals to help get us there:

First, Congress and the administration should agree on a 10-year program of government spending cuts to reduce the deficit. The Ryan and Simpson-Bowles budget proposals are a constructive start. (Note to Republican presidential candidates: Permanent tax reduction can only be achieved by reducing government spending.)

Second, reduce corporate tax rates and expense capital investment by closing loopholes.

Third, announce a five-year moratorium on new regulations.

Fourth, adopt an enforceable 0%-2% inflation target to allay fears of future high inflation.

Now that the Keynesian euphoria has again faded, perhaps this administration—or more likely the next—will recognize the reasons for the failure and stop asking for more of the same.

Mr. Meltzer, a professor of public policy at the Tepper School, Carnegie Mellon University and a visiting scholar at Stanford University's Hoover Institution, is the author most recently of "Why Capitalism?" forthcoming from Oxford University Press.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Economia e moral

Denis Lerrer Rosenfield, Estadão

As manifestações contra Wall Street, como símbolo do capitalismo contemporâneo em seu aspecto financeiro, expõem ações que permitem lançar uma luz particular sobre a natureza, digamos, "moral" (ou imoral) de determinadas práticas capitalistas atuais. Práticas capitalistas que, convém ressaltar, se voltam contra o próprio espírito do capitalismo.

Na crise de 2008-2009, o que chamou moralmente a atenção foi o fato de os executivos das grandes corporações financeiras e bancárias usufruírem grandes dividendos sob a forma de salários, bônus e vantagens dos mais diferentes tipos. Note-se que não se trata de um argumento contra dividendos e bônus, sempre e quando estejam assentados na responsabilidade. Se um executivo tem mérito, tanto melhor para ele, pois está colhendo os frutos do seu trabalho. O lucro é a recompensa pelo trabalho, não cabendo nenhum argumento ressentido dos que simplesmente invejam os bem-sucedidos. O problema é de outra ordem. Os executivos que levaram seus bancos à falência por operações extremamente arriscadas, utilizando os modernos meios digitais, não têm mérito. Cobraram por aquilo que não entregaram. Ou melhor, entregaram a poucos que lhes pagaram os polpudos rendimentos graças a ações de caráter imediato, porém a longo prazo criando para suas empresas situações pré-falimentares.

A crise econômica atual, de perfil financeiro, tem um forte componente moral. O mecanismo financeiro que levou à insolvência dos créditos, particularmente na bolha imobiliária, estava baseado em concessões várias vezes repetidas de créditos, assentados em avaliações que se tornaram fictícias dos imóveis postos em hipoteca. Enquanto o mecanismo funcionava, empurrando o problema com a barriga, numa ciranda que mais se assemelhava a uma jogatina, certos analistas de mercado e economistas cantavam loas a esse novo mercado.

Acontece, contudo, que esse mercado estava alicerçado num pressuposto, o de que o pagamento dos créditos se faria por novos créditos, criando a ilusão de que os créditos não seriam, na verdade, pagos. Dívidas se pagariam com novas dívidas, num acordo, na verdade, fictício, entre financiadores e os que contraíram empréstimos, numa relação contratual aparentemente correta. O problema está na aparente correção desse tipo de contrato, porque o componente moral é dele evacuado, como se não existisse ou não contasse.

Vejamos. Se um empréstimo é contraído para não ser pago, é porque tanto o credor como o tomador assumem a irresponsabilidade de suas ações. O agente bancário torna-se irresponsável por seu crédito e o tomador, por seu empréstimo, embora o contrato seja perfeitamente legal. Empréstimos são ações que pressupõem, como qualquer forma de ação, responsabilidade. Mas esse tipo de operação financeira está baseado na irresponsabilidade, do credor e do tomador.

No momento, porém, em que sua falha moral irrompe, ambos os contratantes procuram transferir suas respectivas irresponsabilidades ao governo, como se este devesse ser o responsável pelas irresponsabilidades alheias. Do ponto de vista dos bancos, surgem os supostos argumentos de que estes não podem quebrar, ou seja, traduzindo essa formulação em termos morais, os bancos têm todo o direito de ser irresponsáveis. Segundo o princípio da irresponsabilidade, o conjunto dos contribuintes deve se responsabilizar pelos bancos cujos dirigentes e acionistas usufruem os maiores dividendos e bônus.

Os tomadores de empréstimos também pedem socorro ao governo, exigindo, em troca do seu voto, refinanciamento de suas dívidas, ajuda para situações de insolvência, seguro-desemprego, e assim por diante. Políticas sociais são demandadas. Politicamente, ameaçam por uma solução, culpando os bancos por seus infortúnios, enquanto estes culpam aqueles pelas dívidas não pagas. Temos, então, uma situação assaz estranha, pois a irresponsabilidade moral se traduz em exigências políticas dos desfavorecidos, devendo o governo atendê-las.

Ato contínuo, os governos salvam seus bancos e procuram atenuar os efeitos da insolvência, via estímulo da economia, para que o mecanismo financeiro volte a funcionar. O instrumento utilizado é o aumento da dívida pública. Ou seja, para assumir a irresponsabilidade alheia, os governos tornam-se ainda mais irresponsáveis, transferindo uma dívida impagável para as próximas gerações, como se estas, aliás inexistentes nesse momento, devessem ser responsáveis pelo que não fizeram. Nesse contexto, a máxima de Keynes de que "a longo prazo estaremos todos mortos" é um elogio à irresponsabilidade, uma ode à imoralidade. E essa ode à imoralidade é citada por vários economistas como uma forma de sapiência - a sapiência dos irresponsáveis que auferem lucros por sua própria irresponsabilidade.

Ressalte-se que banqueiros e altos executivos, após a crise, continuaram usufruindo os mesmos privilégios e apresentaram como argumento que se trata de uma prática privada de mercado. O argumento é hilário. Quando confrontados com uma situação de quebra virtual, o argumento de mercado, no caso, a falência por maus negócios, não valeu. É o Estado, isto é, os contribuintes, que deveria arcar com seus maus negócios. Impostos deveriam ser destinados a eles para se salvarem. O privado, aí, tornou-se público. Nem o que ganharam individualmente foi devolvido. Passada a tormenta, voltam aos mesmos supostos argumentos - surrados, aos olhos da opinião pública - de que o mercado estipula esses valores de bônus e dividendos. O argumento é especialmente vicioso, mostrando, na verdade, o "vício" dos que assim agem. Pervertem o espírito do capitalismo em proveito próprio. Não deveriam, pois, causar estranheza as manifestações contra Wall Street.

sexta-feira, setembro 09, 2011

The Latest Jobs Plan

Editorial do WSJ

If President Obama's economic policies have had a signature flaw, it is the conceit that by pulling this or that policy lever, by spending more on this program or cutting that tax for a year, Washington can manipulate the $15 trillion U.S. economy to grow. With his speech last night to Congress, the President is giving that strategy one more government try.

This is not to say that Mr. Obama hasn't made any intellectual progress across his 32 months in office. He now admits the damage that overregulation can do, though he can't do much to stop it without repealing his own legislative achievements. He now acts as if he believes that taxes matter to investment and hiring, at least for the next year. And he now sees the wisdom of fiscal discipline, albeit starting only in 2013.

Yet the underlying theory and practice of the familiar ideas that the President proposed last night are those of the government conjurer. More targeted, temporary tax cuts; more spending now with promises of restraint later; the fifth (or is it sixth?) plan to reduce housing foreclosures; and more public works spending, though this time we're told the projects really will be shovel-ready.

We'd like to support a plan to spur the economy, which is certainly struggling. Had Mr. Obama proposed a permanent cut in tax rates, or a major tax reform, or a moratorium on all new regulations for three years, he'd have our support. But you have to really, really believe in hope and change to think that another $300-$400 billion in new deficit spending and temporary tax cuts will do any better than the $4 trillion in debt that the Obama years have already piled up.

We've had the biggest Keynesian stimulus in decades. The new argument that the 2009 stimulus wasn't big enough isn't what we heard then. Americans were told it would create 3.5 million new jobs and unemployment would stay below 8% and be falling by 2011. It is now 9.1%. But this stimulus we are told will make all the difference.

Mr. Obama spoke last night as if he is a converted tax-cutter, asking Republicans to expand and extend the payroll tax cut that expires in December for one more year. Along with tax credits for certain businesses that hire new employees, he says this will cut unemployment, and no doubt it will lead to some more hiring.

But what happens in 2013 when those tax rates expire and Mr. Obama pledges to hit thousands of those same small businesses with higher tax rates on income, capital gains and dividends? He seems to think businesses operate only in the present and will ignore the tax burdens coming at them down the road. This is the same reasoning that assumed that postponing ObamaCare's tax and regulatory burdens until 2014 would have no effect on business hiring in the meantime.

The same logic applies to Mr. Obama's claim that everything in his new proposal is "paid for." Yes, but only according to the usual 10-year Washington budget window that pushes all of the hard choices into the future, in this case after the election. So Mr. Obama gets to spend more now while promising to save later. This is also how the Administration claimed that a new $1 trillion health-care entitlement would reduce the deficit. It also means he can put more money in the pockets of dues-paying teachers unions and government workers.

The larger political subtext of Mr. Obama's speech is that if Congress doesn't pass his plan, he'll then campaign against Republicans as obstructionist. Thus his speech mantra that Congress should "pass it right away." This ignores that Mr. Obama has been the least obstructed President since LBJ in 1965 or FDR in 1933, which is how we got here.

He passed $830 billion in stimulus, $3 billion for cash for clunkers, $30 billion in small business loans, $30 billion for mortgage modification, the GM-Chrysler bailouts, ObamaCare, Dodd-Frank, credit card price controls, Build America Bonds, jobless benefits for a record 99 weeks, and more.

The only priorities that a Democratic Congress blocked were cap-and-tax and union card check, and both of those would have further damaged growth and jobs. Even last December, after Republicans had retaken the House, Mr. Obama won his one-year payroll tax cut, more jobless benefits and most of what he wanted.

The unfortunate reality is that even if Republicans gave Mr. Obama everything he wanted, the impact on growth would be modest at best. Washington can most help the economy with serious spending restraint, permanent tax-rate cuts, regulatory relief and repeal of ObamaCare. What won't help growth is more temporary, targeted political conjuring.

quinta-feira, agosto 25, 2011

What Austerity?

Editorial do WSJ

Federal spending will hit a new record this year

With the recovery sputtering, the White House and its allies have been blaming government spending cuts, or what the neo-Keynesians call "fiscal contraction." This is a dubious economic theory even if spending were being cut, but yesterday's mid-year report from the Congressional Budget Office shows definitively that there's been nothing close to contraction in Washington.

That's the real news in the CBO numbers, which show that spending in fiscal 2011 (which ends on September 30) will hit a new high of $3.6 trillion, up $141 billion from 2010. That's higher than the previous record in 2009 of $3.5 trillion, which was supposed to be the peak of the "temporary" stimulus spending.

As the nearby chart shows, that is also nearly $900 billion more spending than in 2007. Total federal outlays will have increased by roughly one third in a mere four years. This hasn't happened since the Great Inflation of the late 1970s.


Give President Obama and the two Pelosi Congresses credit for this much: They said they would spend our way out of recession, and they sure gave it the old Beltway try. The problem is that we got the spending without the promised economic growth.

This is the real cause of our current deficit and debt woes. As a share of the economy, spending will once again come in at nearly 23.8%, up from 20.7% as recently as 2008. Defense spending is expected to increase by only $14 billion to $703 billion in 2011, despite the surge in Afghanistan. The bigger increases are in Medicare, Medicaid, and the usual panoply of entitlements and other payments to individuals.

All of this means the deficit will roll in at nearly $1.3 trillion, or 8.5% of GDP this year. That's down a mere $10 billion from fiscal 2010, and we suppose taxpayers should be grateful for small fiscal favors.

The reason for this small deficit dip is that total tax revenues will climb in fiscal 2011 by about $150 billion. Individual income tax receipts will increase this year by about 21%, or $190 billion, though tax rates have stayed the same. Even with this good news, revenues will still come in at only 15.3% of GDP, which is far below the modern historical average of more than 18%.

Revenues would have been about $115 billion higher without the temporary payroll tax cut pressed by President Obama. But that tax cut hasn't provided any economic lift, and overall growth simply isn't fast enough to get revenues back to normal. Merely returning to an average economic expansion would reduce the deficit by 3% of GDP a year, or hundreds of billions of dollars.

Looking forward, CBO forecasts a sunnier fiscal picture, but it is based on assumptions that will never come true. The deficit is projected to fall to $973 billion in fiscal 2012, then fall again to $510 billion in 2013, and to a mere $265 billion in 2014.

But this assumes that federal spending will grow by only $12 billion in 2012, a level of spending control that even Ronald Reagan never achieved. President Obama wants much more spending next year and so does the Senate. Oh, and Medicare payments to doctors will fall by nearly 30% starting in 2012. Congress has been promising this cut in payments since 1997, but it never happens and would hurt medical care if it did.

The rest of CBO's fantasy forecast comes from what it says will be "the sharp increases in revenues that will occur when provisions of [the Bush era tax cuts extended last year] expire." So CBO estimates that federal taxes as a share of GDP will leap to 19% in 2013 and 20.2% in 2014 from 15.3% today. And we are supposed to believe that economic growth will soar to 4.4% and 5% in 2014 and 2015 after huge tax increases on capital gains, dividends, small businesses and workers in 2013. Beam us up, Scotty.

With these optimistic assumptions, CBO is able to forecast that federal debt held by the public will rise only to a peak of 73% in 2013 before falling to 67% in 2016. We think economist David Malpass is closer to the truth when he predicts a debt to GDP ratio closer to 85% in 2016 and 100% in 2021 without significant reform.

The real story told by the CBO report is that the federal government is still pursuing a very loose fiscal policy, despite lamentations from Democrats and the Keynesian economists who populate Wall Street. The best that House Republicans have been able to do so far is to battle Mr. Obama and Senate Democrats to a draw, delaying tax increases until 2013 and preventing even larger spending increases. To really control Washington's appetites, the voters are going to have to back up their message in 2010 with reinforcements in 2012.

quarta-feira, agosto 24, 2011

Keynesian Economics vs. Regular Economics

By ROBERT J. BARRO, WSJ

Keynesian economics—the go-to theory for those who like government at the controls of the economy—is in the forefront of the ongoing debate on fiscal-stimulus packages. For example, in true Keynesian spirit, Agriculture Secretary Tom Vilsack said recently that food stamps were an "economic stimulus" and that "every dollar of benefits generates $1.84 in the economy in terms of economic activity." Many observers may see how this idea—that one can magically get back more than one puts in—conflicts with what I will call "regular economics." What few know is that there is no meaningful theoretical or empirical support for the Keynesian position.

The overall prediction from regular economics is that an expansion of transfers, such as food stamps, decreases employment and, hence, gross domestic product (GDP). In regular economics, the central ideas involve incentives as the drivers of economic activity. Additional transfers to people with earnings below designated levels motivate less work effort by reducing the reward from working.

In addition, the financing of a transfer program requires more taxes—today or in the future in the case of deficit financing. These added levies likely further reduce work effort—in this instance by taxpayers expected to finance the transfer—and also lower investment because the return after taxes is diminished.

This result does not mean that food stamps and other transfers are necessarily bad ideas in the world of regular economics. But there is an acknowledged trade-off: Greater provision of social insurance and redistribution of income reduces the overall GDP pie.

Yet Keynesian economics argues that incentives and other forces in regular economics are overwhelmed, at least in recessions, by effects involving "aggregate demand." Recipients of food stamps use their transfers to consume more. Compared to this urge, the negative effects on consumption and investment by taxpayers are viewed as weaker in magnitude, particularly when the transfers are deficit-financed.

Thus, the aggregate demand for goods rises, and businesses respond by selling more goods and then by raising production and employment. The additional wage and profit income leads to further expansions of demand and, hence, to more production and employment. As per Mr. Vilsack, the administration believes that the cumulative effect is a multiplier around two.

If valid, this result would be truly miraculous. The recipients of food stamps get, say, $1 billion but they are not the only ones who benefit. Another $1 billion appears that can make the rest of society better off. Unlike the trade-off in regular economics, that extra $1 billion is the ultimate free lunch.

How can it be right? Where was the market failure that allowed the government to improve things just by borrowing money and giving it to people? Keynes, in his "General Theory" (1936), was not so good at explaining why this worked, and subsequent generations of Keynesian economists (including my own youthful efforts) have not been more successful.

Theorizing aside, Keynesian policy conclusions, such as the wisdom of additional stimulus geared to money transfers, should come down to empirical evidence. And there is zero evidence that deficit-financed transfers raise GDP and employment—not to mention evidence for a multiplier of two.

Gathering evidence is challenging. In the data, transfers are higher than normal during recessions but mainly because of the automatic increases in welfare programs, such as food stamps and unemployment benefits. To figure out the economic effects of transfers one needs "experiments" in which the government changes transfers in an unusual way—while other factors stay the same—but these events are rare.

Ironically, the administration created one informative data point by dramatically raising unemployment insurance eligibility to 99 weeks in 2009—a much bigger expansion than in previous recessions. Interestingly, the fraction of the unemployed who are long term (more than 26 weeks) has jumped since 2009—to over 44% today, whereas the previous peak had been only 26% during the 1982-83 recession. This pattern suggests that the dramatically longer unemployment-insurance eligibility period adversely affected the labor market. All we need now to get reliable estimates are a hundred more of these experiments.

The administration found the evidence it wanted—multipliers around two—by consulting some large-scale macro-econometric models, which substitute assumptions for identification. These models were undoubtedly the source of Mr. Vilsack's claim that a dollar more of food stamps led to an extra $1.84 of GDP. This multiplier is nonsense, but one has to admire the precision in the number.

There are two ways to view Keynesian stimulus through transfer programs. It's either a divine miracle—where one gets back more than one puts in—or else it's the macroeconomic equivalent of bloodletting. Obviously, I lean toward the latter position, but I am still hoping for more empirical evidence.

Mr. Barro is an economics professor at Harvard and a senior fellow at Stanford's Hoover Institution.

sexta-feira, agosto 19, 2011

Why Americans Hate Economics

By STEPHEN MOORE, WSJ

Christina Romer, the University of California at Berkeley economics professor and President Obama's first chief economist, once relayed the old joke that "there are two kinds of students: those who hate economics and those who really hate economics." She doesn't believe that, but it's true. I'm surprised how many students tell me economics is their least favorite subject. Why? Because too often economic theories defy common sense. Alas, the policies of this administration haven't boosted the profession's reputation.

Consider what happened last week when Laura Meckler of this newspaper dared to ask White House Press Secretary Jay Carney how increasing unemployment insurance "creates jobs." She received this slap down: "I would expect a reporter from The Wall Street Journal would know this as part of the entrance exam just to get on the paper."

Mr. Carney explained that unemployment insurance "is one of the most direct ways to infuse money into the economy because people who are unemployed and obviously aren't earning a paycheck are going to spend the money that they get . . . and that creates growth and income for businesses that then lead them to making decisions about jobs—more hiring."

That's a perfect Keynesian answer, and also perfectly nonsensical. What the White House is telling us is that the more unemployed people we can pay for not working, the more people will work. Only someone with a Ph.D. in economics from an elite university would believe this.

I have two teenage sons. One worked all summer and the other sat on his duff. To stimulate the economy, the White House wants to take more money from the son who works and give it to the one who doesn't work. I can say with 100% certainty as a parent that in the Moore household this will lead to less work.

Economic bimboism is rampant in Washington. The Center for American Progress held a forum earlier this summer arguing that raising the minimum wage would create more jobs. For this to be true, you have to believe that the more it costs a business to hire a worker, the more workers companies will want to hire.

A few months ago Mr. Obama blamed high unemployment on businesses becoming "more efficient with a lot fewer workers," and he mentioned ATMs and airport kiosks. The Luddites are back raging against the machine. If Mr. Obama really wants to get to full employment, why not ban farm equipment?

Or consider the biggest whopper: Mr. Obama's thoroughly discredited $830 billion stimulus bill. We were promised $1.50 or even up to $3 of economic benefit—the mythical "multiplier"—from every dollar the government spent. There was never any acknowledgment that for the government to spend a dollar, it has to take it from the private economy that is then supposed to create jobs. The multiplier theory only works if you believe there's a fairy passing out free dollars.

How did modern economics fly off the rails? The answer is that the "invisible hand" of the free enterprise system, first explained in 1776 by Adam Smith, got tossed aside for the new "macroeconomics," a witchcraft that began to flourish in the 1930s during the rise of Keynes. Macroeconomics simply took basic laws of economics we know to be true for the firm or family—i.e., that demand curves are downward sloping; that when you tax something, you get less of it; that debts have to be repaid—and turned them on their head as national policy.

As Donald Boudreaux, professor of economics at George Mason University and author of the invaluable blog Cafe Hayek, puts it: "Macroeconomics was nothing more than a dismissal of the rules of economics." Over the years, this has led to some horrific blunders, such as the New Deal decision to pay farmers to burn crops and slaughter livestock to keep food prices high: To encourage food production, destroy it.

The grand pursuit of economics is to overcome scarcity and increase the production of goods and services. Keynesians believe that the economic problem is abundance: too much production and goods on the shelf and too few consumers. Consumers lined up for blocks to buy things in empty stores in communist Russia, but that never sparked production. In macroeconomics today, there is a fatal disregard for the heroes of the economy: the entrepreneur, the risk-taker, the one who innovates and creates the things we want to buy. "All economic problems are about removing impediments to supply, not demand," Arthur Laffer reminds us.

So here we are, three years of mostly impotent stimulus experiments and the economy still hobbled. Keynesians would be expected to be second-guessing the wisdom of their theories. Instead, Prof. Romer recently complained that the political system will not allow Mr. Obama to "go back and ask for more" stimulus.

And that is why Americans hate economics.

Mr. Moore is a member of the Journal's editorial board.

Termômetro dourado


Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

A crise está de volta com força total. Na verdade, trata-se da mesma crise de 2008, apenas em capítulos diferentes. Se antes o maior problema estava na alavancagem do setor privado, agora o abacaxi foi transferido para o setor público, que já vinha apresentando números muito ruins. O estouro da bolha de crédito, somado à irresponsabilidade dos governos, fez com que o quadro fiscal, tanto dos EUA quanto da Europa, ficasse assustador.

Não há solução fácil, e aquilo que deveria ser feito tem custo político elevado demais. Cortar a droga de um toxicômano não costuma ser uma cena tranqüila. Há desespero, ranger de dentes, ameaças e revolta. É preciso pulso firme, liderança, postura de estadista. Mas ninguém pode pensar que, por ser difícil, a solução é injetar mais droga ainda para manter a falsa euforia.

Bem, alguns pensam. Os keynesianos acham que toda crise desta natureza se deve à falta de “demanda agregada”, e defendem como solução mais estímulos fiscais e monetários. Como os alquimistas ainda não descobriram um jeito de transformar chumbo em ouro, os investidores fogem do chumbo e correm para o ouro, negando-se a aceitar que são idênticos. Os keynesianos ficam perplexos e, em vez de admitirem que possam estar errados, preferem atacar o termômetro. O ouro é uma “relíquia bárbara”, como dizia o pai da horda, Mr. Keynes.

Enquanto os cães ladram, a caravana passa. Os mais alucinados entre os keynesianos pedem mais estímulos, mais gastos públicos, mais “quantitative easing”. A reação do mercado? Correr para a “relíquia bárbara”, moeda sólida há milênios, sem a contraparte de bancos centrais com licença para imprimir à vontade uma oferta ilimitada de moeda. O ouro já subiu mais de 50% em relação ao dólar nos últimos 12 meses. Desde o começo da crise em 2008, o termômetro dourado já se valorizou 175% frente ao dólar. Ele expõe com precisão a febre do viciado.