Rodrigo Constantino
A nova pesquisa Datafolha mostra que a aprovação da presidente Dilma despencou 27 pontos em apenas 3 semanas. Resultado, evidentemente, das manifestações que tomaram as ruas do país, derrubando a imagem falsa de cenário fantástico que o governo tentava vender aos incautos e adormecidos.
Quando abrimos a pesquisa por região, renda e escolaridade, o efeito do populismo do governo petista salta aos olhos. Enquanto no Nordeste somente 16% consideram o governo ruim ou péssimo, essa proporção quase dobra no Sudeste, indo para 30%. Por outro lado, 40% dos nordestinos entrevistados avaliam o governo como ótimo ou bom, contra apenas 26% no Sudeste.
Sabemos que as esmolas estatais do programa Bolsa Família se concentraram mais no Nordeste, o que sem dúvida explica boa parte dessa diferença gritante. Mas qual partido vai ousar colocar o dedo nessa ferida? Qual político terá coragem de chamar as coisas pelos seus nomes verdadeiros, e condenar essa absurda compra de votos?
Quando analisamos as avaliações por renda familiar, também fica claro que o populismo do governo atrai os mais pobres, como ocorre na Venezuela bolivariana ou na Argentina de Kirchner. Se somente 23% daqueles que ganham até dois salários mínimos consideram o governo ruim ou péssimo, essa proporção chega a 33% na faixa superior a dez salários. Desses mais ricos, apenas 21% avaliam o governo como ótimo ou bom, contra 35% dos que ganham até dois salários. Esses dados corroboram com a análise acima.
Avaliando por escolaridade, 31% dos que possuem nível superior pensam que o governo Dilma é ruim ou péssimo, enquanto apenas 21% consideram que ele é ótimo ou bom. Já para aqueles com curso fundamental, a aprovação sobe para 38%, e a reprovação cai para 22%. Quanto mais estudo formal, menos empolgação com o governo Dilma.
Claro que os populistas do PT podem usar esses dados para, uma vez mais, vender a idéia de que seu governo é uma luta do "povo" contra as "elites", mas quem ainda cai nessa baboseira? O fato é que o PT, como todo partido demagógico, chafurda na miséria e na ignorância, vendendo promessas irreais, distribuindo benesses e comprando votos. Sua forma de governar, como todo populista, é segregar o povo, colocando uns contra os outros.
O resultado disso, na Venezuela, na Argentina, na Bolívia e no Equador, foi catastrófico. Vivemos em tempos onde o que vem dos guetos, das favelas, das "comunidades" deve ser celebrado. Acabou que a Venezuela, líder nesse processo, virou ela toda uma grande favela, com pequenas ilhas de prosperidade, quase sempre de gente ligada ao governo.
Hoje em dia, os mais ricos e educados é que parecem querer copiar os demais, e não o contrário. Vide o modismo com o funk. Uma pena, pois, como fica claro, os mais pobres e com menos estudos são também presas mais fáceis e vítimas dos populistas de plantão, que adoram perpetuar essa miséria e essa ignorância para se preservar no poder.
Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
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sábado, junho 29, 2013
sexta-feira, outubro 19, 2012
A fonte da juventude
Rodrigo
Constantino, para o Instituto Liberal
Deu
no GLOBO: “Senado argentino aprova voto a partir dos 16 anos”. O governo de
Cristina Kirchner, para defender a medida que “amplia” a democracia, citou o
caso brasileiro, que já permite o voto facultativo da garotada entre 16 e 18
anos (acima disso é voto obrigatório mesmo, um paradoxo da nossa democracia). A
oposição acusa o governo de intenções populistas. Claro que a oposição é que
está com a razão.
Qualquer
limite de idade traçado será necessariamente arbitrário, gerando alguns casos
de injustiça. Há marmanjos com 18 anos (ou bem mais) que parecem crianças
imaturas, e há jovens de 16 anos com bastante maturidade. Mas precisamos levar
em conta a média, as características gerais, pois algum corte se faz sempre necessário.
Afinal,
aceitando o argumento de que reduzir a idade aumenta a democracia, por que não
permitir o voto de um adolescente de 14 anos? Por que não aceitar o voto de uma
criança de 8 anos logo de uma vez? A democracia seria bem mais ampla. Certo?
Fica
claro que o argumento utilizado pela esquerda argentina não se sustenta. Eis o
que devemos, então, perguntar: a garotada de 16 anos, na média, está preparada
para escolher os governantes? A juventude costuma ser reverenciada pelas
esquerdas, mas a verdadeira intenção é menos nobre e mais maquiavélica: é mais
fácil vender ilusões para os jovens. Como resumiu François La Rochefoucauld, "A
juventude é uma longa intoxicação: ela é a razão em estado febril".
Os
jovens sonham mais, de forma idealizada, e são vítimas freqüentes das promessas
utópicas de esquerda. É isso que está
por trás da nova medida na Argentina. Curiosamente, a esquerda, que considera o
jovem de 16 anos preparado para votar, encara-o como uma criança incapaz na
hora de julgar um crime. A esquerda defende a redução da idade para votar, mas
não da maioridade para punição de crimes. Haja incoerência!
Em
suma, a demagógica Cristina dá mais um passo rumo ao populismo, em busca da
fonte da juventude. Não falo do excesso visível de botox, mas da conquista dos
votos da garotada encantada com a retórica sensacionalista de esquerda, que lhe
oferece dogmas e certezas sem qualquer preocupação com a realidade.
terça-feira, novembro 01, 2011
O tango dos hermanos
Rodrigo Constantino, O GLOBO
Cristina Kirchner foi reeleita logo no primeiro turno. A “família K” ocupará a Casa Rosada pelo terceiro mandato seguido. A economia argentina apresenta sinais de recuperação, mas seus pilares são insustentáveis. A inflação real passa de 20% ao ano, enquanto o governo manipula os dados oficiais. A fuga de capitais é crescente. Os investimentos privados recuam de forma acentuada.
A triste história do país vizinho serve como importante alerta aos brasileiros. Afinal, a Argentina já foi um ícone para a região no passado. O período entre 1860 e 1930 compreendeu seus anos dourados. Milhões de imigrantes foram para o país, e Buenos Aires transformou-se em uma grande metrópole, capital cultural da América hispânica. A Argentina era o celeiro do mundo. O valor total das exportações multiplicou-se mais de 13 vezes entre 1865 e 1914. Os investimentos britânicos foram especialmente importantes. O padrão de vida do argentino estava entre os melhores do mundo.
Mas nem tudo que reluz é ouro. Como na obra de Kafka, a Argentina foi dormir bem, e acordou um inseto feioso. A burocracia estatal no país crescia rapidamente. O surgimento de uma retórica nacionalista exigia a intervenção política contra a competição de produtos importados. A Primeira Guerra Mundial, e a Crise de 1929 depois, geraram enormes dificuldades para o país, dependente da exportação de seus recursos naturais. Foram introduzidas tarifas protecionistas, sucessivamente elevadas.
O controle da máquina política tornou-se o elemento-chave para o sucesso nos negócios, incitando a formação de grupos de interesse, suplantando os mecanismos da livre concorrência. Após o golpe de 1943, o intervencionismo estatal rapidamente se expandiu, chegando ao ápice durante a presidência do populista Perón, de 1946 a 1955. Inspirado em Mussolini, Perón buscou o apoio das bases sindicais, e criou inúmeras barreiras protecionistas.
O militar baixou grande número de decretos conferindo vastos benefícios artificiais aos trabalhadores. Como ocorre em ditaduras, houve forte culto à personalidade. Foi posta em marcha uma “peronização” do Estado argentino, com opositores sendo perseguidos. Uma nova Constituição foi adotada em 1949, e a doutrina do “justicialismo”, derivado de “justiça social”, tornou-se o fundamento ideológico da nação. As despesas públicas explodiram, concomitantemente à inflação. Estas e outras medidas demagógicas de Perón e sua esposa Eva lastrearam o declínio espetacular da Argentina, que nunca mais seria a mesma.
Isto ocorreu, convém lembrar, em um país com ampla classe média, instituições relativamente sólidas e povo educado. Nada disso foi suficiente para impedir o avanço populista no país. A própria “família K”, agora sob o comando da viúva, vem dando continuidade a esta prática nefasta, perseguindo com virulência e abuso da máquina estatal o principal grupo de imprensa do país. Quando o termômetro mostrou a doença econômica, pelo aumento da inflação, o governo resolveu quebrar o termômetro. O modelo argentino aproxima-se rapidamente do venezuelano.
Este tango argentino (está mais para ópera bufa) tem importantes lições a nos oferecer. Muitos brasileiros insistem que a solução para nossos males está na educação, mas poucos se aprofundam a ponto de questionar qual educação. Jogar dinheiro público no setor não é panacéia. Além disso, educação pode ser condição necessária para o progresso, mas está longe de ser suficiente, como prova a Argentina. Sem um modelo de livre mercado, será mais lucrativo investir no suborno de políticos do que na competitividade. Vencem os amigos do rei – ou da rainha.
Outra importante lição diz respeito à oposição. O “peronismo” tomou conta da política argentina, e faltaram alternativas sérias aos eleitores, algum partido com um projeto decente para o país. Basta notar que Cristina Kirchner venceu contra um candidato socialista! A hegemonia esquerdista é total no país. Não há uma oposição firme, e a negligência de hoje é sempre paga com a escravidão de amanhã. Os populistas tiveram o caminho livre para seu projeto de poder por lá.
Não é preciso dizer que o lulopetismo vem tentando seguir a mesma trilha no Brasil. Vários ingredientes estão presentes: culto à personalidade; populismo desmedido; tentativa de perseguir a imprensa; modelo desenvolvimentista; protecionismo comercial; inflação crescente; oposição fraca; e corrupção como meio aceitável para o único fim existente: perpetuar-se no poder. Vamos conseguir evitar o destino trágico dos nossos vizinhos?
Cristina Kirchner foi reeleita logo no primeiro turno. A “família K” ocupará a Casa Rosada pelo terceiro mandato seguido. A economia argentina apresenta sinais de recuperação, mas seus pilares são insustentáveis. A inflação real passa de 20% ao ano, enquanto o governo manipula os dados oficiais. A fuga de capitais é crescente. Os investimentos privados recuam de forma acentuada.
A triste história do país vizinho serve como importante alerta aos brasileiros. Afinal, a Argentina já foi um ícone para a região no passado. O período entre 1860 e 1930 compreendeu seus anos dourados. Milhões de imigrantes foram para o país, e Buenos Aires transformou-se em uma grande metrópole, capital cultural da América hispânica. A Argentina era o celeiro do mundo. O valor total das exportações multiplicou-se mais de 13 vezes entre 1865 e 1914. Os investimentos britânicos foram especialmente importantes. O padrão de vida do argentino estava entre os melhores do mundo.
Mas nem tudo que reluz é ouro. Como na obra de Kafka, a Argentina foi dormir bem, e acordou um inseto feioso. A burocracia estatal no país crescia rapidamente. O surgimento de uma retórica nacionalista exigia a intervenção política contra a competição de produtos importados. A Primeira Guerra Mundial, e a Crise de 1929 depois, geraram enormes dificuldades para o país, dependente da exportação de seus recursos naturais. Foram introduzidas tarifas protecionistas, sucessivamente elevadas.
O controle da máquina política tornou-se o elemento-chave para o sucesso nos negócios, incitando a formação de grupos de interesse, suplantando os mecanismos da livre concorrência. Após o golpe de 1943, o intervencionismo estatal rapidamente se expandiu, chegando ao ápice durante a presidência do populista Perón, de 1946 a 1955. Inspirado em Mussolini, Perón buscou o apoio das bases sindicais, e criou inúmeras barreiras protecionistas.
O militar baixou grande número de decretos conferindo vastos benefícios artificiais aos trabalhadores. Como ocorre em ditaduras, houve forte culto à personalidade. Foi posta em marcha uma “peronização” do Estado argentino, com opositores sendo perseguidos. Uma nova Constituição foi adotada em 1949, e a doutrina do “justicialismo”, derivado de “justiça social”, tornou-se o fundamento ideológico da nação. As despesas públicas explodiram, concomitantemente à inflação. Estas e outras medidas demagógicas de Perón e sua esposa Eva lastrearam o declínio espetacular da Argentina, que nunca mais seria a mesma.
Isto ocorreu, convém lembrar, em um país com ampla classe média, instituições relativamente sólidas e povo educado. Nada disso foi suficiente para impedir o avanço populista no país. A própria “família K”, agora sob o comando da viúva, vem dando continuidade a esta prática nefasta, perseguindo com virulência e abuso da máquina estatal o principal grupo de imprensa do país. Quando o termômetro mostrou a doença econômica, pelo aumento da inflação, o governo resolveu quebrar o termômetro. O modelo argentino aproxima-se rapidamente do venezuelano.
Este tango argentino (está mais para ópera bufa) tem importantes lições a nos oferecer. Muitos brasileiros insistem que a solução para nossos males está na educação, mas poucos se aprofundam a ponto de questionar qual educação. Jogar dinheiro público no setor não é panacéia. Além disso, educação pode ser condição necessária para o progresso, mas está longe de ser suficiente, como prova a Argentina. Sem um modelo de livre mercado, será mais lucrativo investir no suborno de políticos do que na competitividade. Vencem os amigos do rei – ou da rainha.
Outra importante lição diz respeito à oposição. O “peronismo” tomou conta da política argentina, e faltaram alternativas sérias aos eleitores, algum partido com um projeto decente para o país. Basta notar que Cristina Kirchner venceu contra um candidato socialista! A hegemonia esquerdista é total no país. Não há uma oposição firme, e a negligência de hoje é sempre paga com a escravidão de amanhã. Os populistas tiveram o caminho livre para seu projeto de poder por lá.
Não é preciso dizer que o lulopetismo vem tentando seguir a mesma trilha no Brasil. Vários ingredientes estão presentes: culto à personalidade; populismo desmedido; tentativa de perseguir a imprensa; modelo desenvolvimentista; protecionismo comercial; inflação crescente; oposição fraca; e corrupção como meio aceitável para o único fim existente: perpetuar-se no poder. Vamos conseguir evitar o destino trágico dos nossos vizinhos?
quinta-feira, outubro 20, 2011
Rage against the machine
The Economist
People are right to be angry. But it is also right to be worried about where populism could take politics
FROM Seattle to Sydney, protesters have taken to the streets. Whether they are inspired by the Occupy Wall Street movement in New York or by the indignados in Madrid, they burn with dissatisfaction about the state of the economy, about the unfair way that the poor are paying for the sins of rich bankers, and in some cases about capitalism itself.
In the past it was easy for Western politicians and economic liberals to dismiss such outpourings of fury as a misguided fringe. In Seattle, for instance, the last big protests (against the World Trade Organisation, in 1999) looked mindless. If they had a goal, it was selfish—an attempt to impoverish the emerging world through protectionism. This time too, some things are familiar: the odd bit of violence, a lot of incoherent ranting and plenty of inconsistency (see article). The protesters have different aims in different countries. Higher taxes for the rich and a loathing of financiers is the closest thing to a common denominator, though in America polls show that popular rage against government eclipses that against Wall Street.
Yet even if the protests are small and muddled, it is dangerous to dismiss the broader rage that exists across the West. There are legitimate deep-seated grievances. Young people—and not just those on the streets—are likely to face higher taxes, less generous benefits and longer working lives than their parents. More immediately, houses are expensive, credit hard to get and jobs scarce—not just in old manufacturing industries but in the ritzier services that attract increasingly debt-laden graduates. In America 17.1% of those below 25 are out of work. Across the European Union, youth unemployment averages 20.9%. In Spain it is a staggering 46.2%. Only in Germany, the Netherlands and Austria is the rate in single digits.
It is not just the young who feel squeezed. The middle-aged face falling real wages and diminished pension rights. And the elderly are seeing inflation eat away the value of their savings; in Britain prices are rising by 5.2% but bank deposits yield less than 1%. In the meantime, bankers are back to huge bonuses.
History, misery and protest
To the man-in-the-street, all this smacks of a system that has failed. Neither of the main Western models has much political credit at the moment. European social democracy promised voters benefits that societies can no longer afford. The Anglo-Saxon model claimed that free markets would create prosperity; many voters feel instead that they got a series of debt-fuelled asset bubbles and an economy that was rigged in favour of a financial elite, who took all the proceeds in the good times and then left everybody else with no alternative other than to bail them out. To use one of the protesters’ better slogans, the 1% have gained at the expense of the 99%.
If the grievances are more legitimate and broader than previous rages against the machine, then the dangers are also greater. Populist anger, especially if it has no coherent agenda, can go anywhere in times of want. The 1930s provided the most terrifying example. A more recent (and less frightening) case study is the tea party. The justified fury of America’s striving middle classes against a cumbersome state has in practice translated into a form of obstructive nihilism: nothing to do with taxes can get through Washington, including tax reform.
Worryingly, politicians are already in something of a funk. The Republicans first denounced the occupiers of Wall Street, then cuddled up to them. Across Europe social democratic parties have tended to lose elections if they move too far from the centre ground, but leaders, like Ed Miliband in Britain and François Hollande in France (see article), still find the anti-banker rhetoric enticing. Why not opt for a gesture—tariffs, a supertax on the rich—that may only make matters worse? A struggling Barack Obama, who has already flirted with class warfare and business-bashing, might well consider dragging China and its currency into the fray. And it will get worse: austerity and protest have always gone together (see article).
Tackle the causes, not the symptoms
Braver politicians would focus on two things. The first is tackling the causes of the rage speedily. Above all that means doing more to get their economies moving again. A credible solution to the euro crisis would be a huge start. More generally, focus on policies that boost economic growth: trade less austerity in the short term for medium-term adjustments, such as a higher retirement age. Make sure the rich pay their share, but in a way that makes economic sense: you can boost the tax take from the wealthy by eliminating loopholes while simultaneously lowering marginal rates. Reform finance vigorously. “Move to Basel 3 and higher capital requirements” is not a catchy slogan, but it would do far more to shrink bonuses on Wall Street than most of the ideas echoing across from Zuccotti Park.
The second is telling the truth—especially about what went wrong. The biggest danger is that legitimate criticisms of the excesses of finance risk turning into an unwarranted assault on the whole of globalisation. It is worth remembering that the epicentre of the 2008 disaster was American property, hardly a free market undistorted by government. For all the financiers’ faults (“too big to fail”, the excessive use of derivatives and the rest of it), the huge hole in most governments’ finances stems less from bank bail-outs than from politicians spending too much in the boom and making promises to do with pensions and health care they never could keep. Look behind much of the current misery—from high food prices to the lack of jobs for young Spaniards—and it has less to do with the rise of the emerging world than with state interference.
Global integration has its costs. It will put ever more pressure on Westerners, skilled as well as unskilled. But by any measure the benefits enormously outweigh those costs, and virtually all the ways to create jobs come from opening up economies, not following the protesters’ instincts. Western governments have failed their citizens once; building more barriers to stop goods, ideas, capital and people crossing borders would be a far greater mistake. To the extent that the protests are the first blast in a much longer, broader battle, this newspaper is firmly on the side of openness and freedom.
terça-feira, outubro 11, 2011
Doutor Lula
Ricardo Vélez Rodrígues, Estadão
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
Lula, como Brizola, é um grande comunicador. Mas, como Brizola também, é um grande populista.
A característica fundamental desse tipo de líder é, como escreve o professor Pierre-André Taguieff (A Ilusão Populista - Ensaio sobre as Demagogias da era Democrática, Paris, Flammarion, 2002), que se trata de um demagogo cínico. Demagogo - no sentido aristotélico do termo - porque chefia uma versão de democracia deformada, aquela em que as massas seguem o líder em razão de seu carisma, em que pese o fato de essa liderança conduzir o povo à sua destruição. O cinismo do líder populista já fica por conta da duplicidade que ele vive, entre uma promessa de esperança (e como Lula sabe fazer isso: "Os jovens devem ter esperança porque são o futuro da Nação", "o pré-sal é a salvação do brasileiro", e por aí vai), de um lado, e, de outro, a nua e crua realidade que ele ajudou a construir, ou melhor, a desconstruir, com a falência das instituições que garantiriam a esse povo chegar lá, à utopia prometida...
Lula acelerou o processo de desconstrução das instituições que balizam o Estado brasileiro. Desconstruiu acintosamente a representação, mediante a deslavada compra sistemática de votos, alegando ulteriormente que se tratava de mais uma prática de "caixa 2" exercida por todos os partidos (seguindo, nessa alegação, "parecer" do jurista Márcio Thomas Bastos) e proclamando, em alto e bom som, que o "mensalão nunca existiu". Sob a sua influência, acelerou-se o processo de subserviência do Judiciário aos ditames do Executivo (fator que nos ciclos autoritários da História republicana se acirrou, mas que sob o PT voltou a ter uma periclitante revivescência, haja vista a dificuldade que a Suprema Corte brasileira tem para julgar os responsáveis pelo mensalão ou a censura odiosa que pesa sobre importante jornal há mais de dois anos, para salvar um membro de conhecido clã favorável ao ex-mandatário petista).
Lula desconstruiu, de forma sistemática, a tradição de seriedade da diplomacia brasileira, aliando-se a tudo quanto é ditador e patife pelo mundo afora, com a finalidade de mostrar novidades nessa empreitada, brandindo a consigna de um "Brasil grande" que é independente dos odiados norte-americanos, mas, certamente, está nos causando mais prejuízos do que benefícios no complicado xadrez global: o País não conseguiu emplacar, com essa maluca diplomacia de palanque, nem a direção da Unesco, nem a presidência da Organização Mundial do Comércio (OMC), nem a entrada permanente do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.
Lula, com a desfaçatez em que é mestre, conseguiu derrubar a Lei de Responsabilidade Fiscal, abrindo as torneiras do Orçamento da União para municípios governados por aliados que não fizeram o dever de casa, fenômeno que se repete no governo Dilma. De outro lado, isentou da vigilância dos órgãos competentes (Tribunal de Contas da União, notadamente) as organizações sindicais, que passaram a chafurdar nas águas do Orçamento sem fiscalização de ninguém. Esse mesmo "liberou geral" valeu também para os ditos "movimentos sociais" (MST e quejandos), que receberam luz verde para continuar pleiteando de forma truculenta mais recursos da Nação para suas finalidades políticas de clã. Os desmandos do seu governo foram, para o ex-líder sindical, invenções da imprensa marrom a serviço dos poderosos.
A política social do programa Bolsa-Família converteu-se numa faca de dois gumes, que, se bem distribuiu renda entre os mais pobres, levou à dependência do favor estatal milhões de brasileiros, que largaram os seus empregos para ganhar os benefícios concedidos sem contrapartida nem fiscalização. Enquanto ocorria isso, o Fisco, sob o consulado lulista, tornou-se mais rigoroso com os produtores de riqueza, os empresários. "Nunca antes na História deste país" se tributou tanto como sob os mandatos petistas, impedindo, assim, que a livre-iniciativa fizesse crescer o mercado de trabalho em bases firmes, não inflacionárias.
Isso sem falar nas trapalhadas educacionais, com universidades abertas do norte ao sul do País, sem provisão de mestres e sem contar com os recursos suficientes para funcionarem. Nem lembrar as inépcias do Inep, que frustraram milhões de jovens em concursos vestibulares que não funcionaram a contento. Nem trazer à tona as desgraças da saúde, com uma administração estupidamente centralizada em Brasília, que ignora o que se passa nos municípios onde os cidadãos morrem na fila do SUS.
Diante de tudo isso, e levando em consideração que o Brasil cresceu na última década menos que seus vizinhos latino-americanos, o título de doutor honoris causa concedido a Lula, recentemente, pela prestigiosa casa de estudos Sciences Po, em Paris, é ou uma boa piada ou fruto de tremenda ignorância do que se passa no nosso país. Os doutores franceses deveriam olhar para a nossa inflação crescente, para a corrupção desenfreada, fruto da era lulista, para o desmonte das instituições republicanas promovido pelo líder carismático e para as nuvens que, ameaçadoras, se desenham no horizonte de um agravamento da crise financeira mundial, que certamente nos encontrará com menos recursos do que outrora. Ao que tudo indica, os docentes da Sciences Po ficaram encantados com essa flor de "la pensée sauvage", o filho de dona Lindu que conseguiu fazer tamanho estrago sem perder a pose. Sempre o mito do "bon sauvage" a encantar os franceses!
O líder prestigiado pelo centro de estudos falou, no final do seu discurso, uma verdade: a homenagem ele entendia ter sido feita ao povo brasileiro - que paga agora, com acréscimos, a conta da festança demagógica de Lula e enfrenta com minguada esperança a luta de cada dia.
quarta-feira, setembro 21, 2011
O pacote de Obama
Rodrigo Constantino
Para o leitor com acesso apenas à imprensa nacional, fica a nítida impressão de que o presidente Obama é um sujeito sério que tanta aprovar reformas duras, mas sofre a pressão populista e eleitoreira dos Republicanos, mais especificamente do Tea Party. Nada mais falso! A verdade é que Obama é o grande populista irresponsável, que só pensa nas eleições de 2012 e em seu modelo socializante no setor de saúde, mesmo que tais programas "sociais" sejam insustentáveis. Obama adoraria transformar os EUA na Europa, mesmo agora que ficou claro o que este modelo de welfare state pode causar de estrago na economia.
Segue abaixo parte do relatório do Banco JPMorgan sobre o "pacote" de Obama. Muita fanfarra na hora de anunciar o corte proposto de $ 4,4 trilhões no déficit fiscal, mas não passa de ilusionismo. Quase metade deste valor já era previsto e já estava programado, como no caso da retirada de tropas. Do restante, 75% vem de aumento de impostos! E, a despeito de toda a retórica populista de Obama, com o auxílio do cara-de-pau Warren Buffett, a verdade é que obviamente o aumento de imposto não será sobre os milionários, mas sim sobre a classe média (como sempre). Infelizmente, a imprensa brasileira, mesmo a mais séria, ainda não se deu conta de quem é Obama. A ficha ainda não caiu para o fato de que ele é apenas um demagogo esquerdista, nada mais.
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JPMorgan: A larger-than-expected deficit reduction plan could be bullish for US P/E multiples. At first read, the President’s proposal seemed to be exactly that: $4.4 trillion in deficit reduction over 10 years. However, two caveats. First, the $4.4 trillion headline number includes $1.2 trillion from spending caps already passed during Phase 1 of the Budget Control Act. Second, another $1.1 trillion is based on projected troop withdrawals, savings determined as much by circumstance and exogenous forces as by the Congress. As a result, tangible incremental proposed legislative changes amount to $2.1 trillion (not $4.4 trillion), 75% of which are tax increases rather than spending cuts; and only 10% of the overall deficit reduction plan is entitlement reform.
The details. The rhetoric behind the President’s proposed tax reform refers to raising taxes by $1.5 trillion on “millionaires and billionaires”. Upon closer review, “hundred-thousandaires” seems more accurate. The foundations of the President’s proposed reform are an end to the Bush tax cuts on taxpayers earning more than $200,000-$250,000 per year (which raises $800 billion over 10 years), and limitations on itemized deductions and exclusions applied to this same demographic (which raises $400 billion). […] raising taxes on income and reducing deductions will fall at least as hard, if not harder, on those earning $200k-$1 million as on those earning more than $1 million. Is this really what Buffett had in mind?
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