Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
sexta-feira, junho 14, 2013
A escolha pela negação
Rodrigo
Constantino
A
presidente Dilma está de mãos atadas. Os problemas de seu modelo econômico
ficam cada vez mais evidentes, mas ela não acusa o golpe. O mercado,
constituído por milhares de investidores brasileiros e estrangeiros, coloca seu
governo contra a parede, devido aos frágeis fundamentos, mas ela prefere partir
para o ataque, como se este fosse sempre a melhor defesa.
O
grande problema, naturalmente, é que os males econômicos possuem causas
estruturais, altamente ligadas ao “desenvolvimentismo” que a presidente tanto
defende. Para mudar o curso, ela teria que reconhecer tal erro publicamente. Cabeças
teriam que rolar. Além disso, as duas principais medidas que ela deveria tomar
– subir os juros para conter a inflação e reduzir os gastos públicos –
representariam um duro golpe em sua imagem popular, sem falar do custo de curto
prazo.
Sem
convicção ideológica adequada e sem coragem para assumir as péssimas escolhas
passadas, a presidente optou pela covardia dos demagogos: negar que o problema
existe. Ela se esconde atrás da vitimização, como se os críticos – cada vez
mais numerosos – fossem antipatrióticos, torcedores do “quanto pior, melhor”,
pessimistas crônicos, até mesmo “terroristas” (não, Wanda, terroristas são
aqueles que explodem coisas e pessoas em nome da ideologia).
A
ficha caiu para quase todos, menos para a presidente e sua equipe incompetente.
Seu recado está claro: eles vão insistir no erro, pois negam o problema. Acham
que a inflação está sob controle, que a economia vai retomar o acelerado
crescimento, que todas as duras críticas não passam de jogo político. Enquanto
insistirem nessa negação, mais nervosismo vão gerar nos agentes econômicos.
Basta
pensar em um doente, cuja chaga está cada vez mais visível para todos, alegando
que está ótimo de saúde e vai participar da próxima maratona. Qualquer pessoa
com um mínimo de bom senso iria se preparar para a desgraça iminente desse
indivíduo. A postura de negação da realidade é a pior de todas. É uma fuga
acovardada, que produz apenas um agravamento dos problemas.
Muitos
já acordaram para os pilares de areia do modelo econômico do governo Dilma.
Quanto mais tempo ela e sua equipe levarem para fazer o mesmo, mais grave será
o problema e mais doloroso o ajuste necessário à frente. Acreditar que pode
reverter o quadro no “gogó”, com discursos “firmes” produzidos por marqueteiros,
ou pior, com o anúncio de novos programas que vão à contramão da austeridade
demandada, tal como o populista “Minha Casa Melhor”, é acreditar em ilusões
perigosas.
Se
Dilma insistir em sua negação, mais cedo ou mais tarde os brasileiros vão pagar
um alto preço. Espera-se que eles se dêem conta disso até o dia das próximas
eleições. O fisiológico PMDB, pelo visto, já começou a enxergar o tamanho do
problema, e ensaia abandonar o barco furado enquanto há tempo...
Protesto legítimo ou risco de anomia?
Rodrigo
Constantino, para o Instituto Liberal
Sabemos
ao menos duas coisas sobre os “protestos” recentes: eles não são realmente
motivados pelos centavos extras na tarifa de ônibus, e eles não são
espontâneos. Basta ver as pessoas por trás, suas roupas de grife, as bandeiras
partidárias, os gritos de guerra, e a organização claramente centralizada
dessas manifestações repletas de vandalismo.
Portanto,
estamos lidando com algo maior e mais perigoso, e não com gente insatisfeita
reclamando do preço maior do transporte. Se fosse esse o caso, eles estariam
mais abertos ao diálogo, e os liberais poderiam mostrar que os problemas no
transporte público têm forte ligação com a grande presença estatal no setor e
seu elevado grau de intervenção e controle.
Como
não é esse o caso, acredito que a reação das autoridades deve ser muito rigorosa,
impedindo que o caos se instaure como resultado da baderna, alimentada pela
psicologia das massas. A anomia é "uma condição em que tanto a eficácia
social como a moralidade cultural das normas tendem a zero", como disse o sociólogo alemão Ralf Dahrendorf em “A Lei e a Ordem”.
O
"contrato social", entendido aqui como as normas aceitas e mantidas
através de sanções impostas pelas autoridades concernentes, é rasgado, restando
o vácuo em seu lugar. Tudo passa a ser visto como permitido, já que nada mais
parece ser punido. Essa impunidade produz o clima anárquico que leva, por sua
vez, a uma tirania. Não podemos tolerar isso. Ninguém deseja reviver os
nefastos anos de Maio de 68...
quarta-feira, junho 12, 2013
Hoje você quer ser menino ou menina?
Rodrigo Constantino
Know thy enemy! Conheça seu inimigo, em linguagem arcaica. O resumo da arte da guerra. Todos que pensam que Jean Wyllys e o movimento gay desejam apenas a liberdade de formar um "lindo" casal, deveriam dedicar mais tempo à leitura de seus projetos de lei.
Esse, por exemplo. O resumo: qualquer um que simplesmente "sente" que está no corpo errado, ou seja, que gostaria de ter outro gênero, pode mudar todos os registros, inclusive apagando qualquer histórico, e se desejar pode fazer cirurgia de mudança de sexo pelo SUS.
Se for menor de idade, precisa pedir autorização aos pais, mas atentai, se ainda assim o adolescente quiser e os pais não deixarem, ele pode recorrer à assistência da Defensoria Pública, onde burocratas ungidos do estado usurparão o direito dos pais de não deixarem seu filho de 13 anos cortar o "bilau" fora porque "sente" que talvez devesse ser menina. Aqui está:
O autor ficou tão empolgado com essa chance de colocar adolescente contra os pais que repetiu no texto a permissão para recorrer à Defensoria. E lembrem-se: o adolescente pode mudar de sexo pois já sabe o que quer, mas se meter uma bala na cabeça de um inocente, então o ECA o protege como inimputável, pois, tadinho!, ele é apenas uma criança indefesa vítima da sociedade.
Outra coisa: não precisa fazer a cirurgia para mudar o sexo. Logo, o "rapaz" casa, com todos os documentos históricos adulterados e o sigilo preservado, e diz que é "old fashion", desejando perder a virgindade só na noite de núpcias. Quando chega lá, surpresa! O "kinder ovo" vem com um penduricalho desconhecido a priori.
Quem acha que é impossível ser enganado por um "traveco", não precisa acreditar que esse foi o caso do Ronaldo "Fenômeno" para mudar de idéia; recomendo que dê uma olhada no concurso que ocorre na Tailândia, cujas fotos circulam pela internet justamente como "pegadinha" para os machões de plantão. Cuidado para não ser reprovado!
Isso, meus caros leitores, minhas prezadas leitoras, chama-se "revolução cultural", que está em curso avançado por aqui. Portanto, busquem conhecer melhor a agenda desse movimento. Isso é fundamental para que não sejam vítimas dos oportunistas e imorais, para que não sejam inocentes úteis de gente com interesses bem estranhos.
Não está convencido ainda? Então explica: por que um "homoafetivo" como Jean Wyllys abraça simultaneamente à causa gayzista as bandeiras do socialismo (que sempre perseguiu os gays) e até mesmo, pasmem!, do islamismo, que costuma enforcar os mais afeminados?! Ganha uma mariola mordida quem acertar.
Eu conto: todos eles têm como denominador comum o ódio ao capitalismo ocidental, calcado em certos valores morais, na tradição e na família, que essa turma abomina. Abram seus olhos, pois cochilou, o cachimbo cai...
Know thy enemy! Conheça seu inimigo, em linguagem arcaica. O resumo da arte da guerra. Todos que pensam que Jean Wyllys e o movimento gay desejam apenas a liberdade de formar um "lindo" casal, deveriam dedicar mais tempo à leitura de seus projetos de lei.
Esse, por exemplo. O resumo: qualquer um que simplesmente "sente" que está no corpo errado, ou seja, que gostaria de ter outro gênero, pode mudar todos os registros, inclusive apagando qualquer histórico, e se desejar pode fazer cirurgia de mudança de sexo pelo SUS.
Se for menor de idade, precisa pedir autorização aos pais, mas atentai, se ainda assim o adolescente quiser e os pais não deixarem, ele pode recorrer à assistência da Defensoria Pública, onde burocratas ungidos do estado usurparão o direito dos pais de não deixarem seu filho de 13 anos cortar o "bilau" fora porque "sente" que talvez devesse ser menina. Aqui está:
§1° Quando, por qualquer razão, seja negado ou não seja possível obter o consentimento de
algum/a dos/as representante/s do Adolescente, ele poderá recorrer ele poderá recorrer (sic) a
assistência da Defensoria Pública para autorização judicial, mediante procedimento
sumaríssimo que deve levar em consideração os princípios de capacidade progressiva e
interesse superior da criança.
O autor ficou tão empolgado com essa chance de colocar adolescente contra os pais que repetiu no texto a permissão para recorrer à Defensoria. E lembrem-se: o adolescente pode mudar de sexo pois já sabe o que quer, mas se meter uma bala na cabeça de um inocente, então o ECA o protege como inimputável, pois, tadinho!, ele é apenas uma criança indefesa vítima da sociedade.
Outra coisa: não precisa fazer a cirurgia para mudar o sexo. Logo, o "rapaz" casa, com todos os documentos históricos adulterados e o sigilo preservado, e diz que é "old fashion", desejando perder a virgindade só na noite de núpcias. Quando chega lá, surpresa! O "kinder ovo" vem com um penduricalho desconhecido a priori.
Quem acha que é impossível ser enganado por um "traveco", não precisa acreditar que esse foi o caso do Ronaldo "Fenômeno" para mudar de idéia; recomendo que dê uma olhada no concurso que ocorre na Tailândia, cujas fotos circulam pela internet justamente como "pegadinha" para os machões de plantão. Cuidado para não ser reprovado!
Isso, meus caros leitores, minhas prezadas leitoras, chama-se "revolução cultural", que está em curso avançado por aqui. Portanto, busquem conhecer melhor a agenda desse movimento. Isso é fundamental para que não sejam vítimas dos oportunistas e imorais, para que não sejam inocentes úteis de gente com interesses bem estranhos.
Não está convencido ainda? Então explica: por que um "homoafetivo" como Jean Wyllys abraça simultaneamente à causa gayzista as bandeiras do socialismo (que sempre perseguiu os gays) e até mesmo, pasmem!, do islamismo, que costuma enforcar os mais afeminados?! Ganha uma mariola mordida quem acertar.
Eu conto: todos eles têm como denominador comum o ódio ao capitalismo ocidental, calcado em certos valores morais, na tradição e na família, que essa turma abomina. Abram seus olhos, pois cochilou, o cachimbo cai...
terça-feira, junho 11, 2013
A marcha dos oprimidos
No meu artigo de hoje no GLOBO, falo com muita ironia da cansativa "marcha dos oprimidos", essa bandeira oportunista da esquerda coletivista, que só enxerga grupos de vítimas, e jamais o indivíduo de carne e osso.
Leiam Mises!
Rodrigo Constantino
O economista Adolfo Sachsida engrossou o coro daqueles que vêm criticando a postura dogmática e infantil de certos "libertários". Ele escreveu um artigo condenando essa forma de agir e pensar de alguns anarco-capitalistas, que muito se assemelha aos marxistas. Sachsida ficou espantado ao saber que essas pessoas, na maioria dos casos mais jovens (mas há os tais "adolescentes crescidos", que já passaram dos 30), consideram Friedman e Hayek "socialistas". Ele diz:
Na cabeça de alguns seguidores de Von Mises apenas pessoas que defendem TODAS as implicações possíveis dos três itens listados acima são liberais. Por consequência, eles afirmam que Milton Frieman e Friederich Hayek, dois dos maiores pensadores liberais, não eram liberais. Esse tipo de radicalismo, e de tratar a todos que discordam deles de desonestos ou imbecis os aproxima, e muito, da tradição marxista. Pior, ao afastarem pensadores do calibre de Friedman e de Hayek abrem espaço para seguirem pensadores com habilidades no mínimo duvidosas.
Mas é pior! Pela lógica deles, seguindo o critério absurdo de que somente anarquistas defendem a liberdade e todos os demais são socialistas em diferentes graus, até mesmo Mises seria um socialista! E é aqui que discordo um pouco de Sacshida e preciso fazer alguns esclarecimentos, em nome da boa luta liberal. Antes disso, segue mais um trecho do texto de Sacshida importante para fazer meu ponto:
Hoje determinado grupo de seguidores de Von Mises se assemelha muito a grupos de seguidores de Marx, são intolerantes, arrogantes, e o que é pior, na esmagadora maioria das vezes são tecnicamente fracos. Nunca escreveram ou publicaram nada, acreditam honestamente que "Ação Humana" deve ser lida como uma bíblia. Esse grupo realmente se assemelha aos seguidores de Marx que consideram "O Capital" como uma bíblia.
Aqui está! Eu, como liberal, condeno qualquer leitura de um autor como bíblia, pois o liberalismo não é um sistema fechado, dogmático. Mas esses "seguidores" de Mises não lêem Mises como onisciente ou "Ação Humana" como uma bíblia. Seria errado, como disse, e eu mesmo não concordo com Mises em tudo, naturalmente. Mas seria bem menos pior do que fazem! A triste verdade é que eles falam em nome de Mises, mas eles não leram Mises direito, ou se leram, não entenderam, ou se entenderam, não ligam para o fato de que defendem coisas diametralmente opostas ao pensador austríaco.
Como eu já cansei de dizer, Mises eram um ferrenho defensor do liberalismo, ou seja, ele pregava a democracia e o estado de direito. Ele não queria saber de dogmatismo, de direito natural visto como um valor absoluto, de anarquia ou qualquer coisa do tipo. Ao contrário: ele condenava veementemente isso tudo, e abraçava uma postura realmente liberal. O que esse pessoal precisa fazer, portanto, não é deixar de ver "Ação Humana" como uma bíblia, mas sim ler direito esse e todos os demais livros de Mises, um grande defensor da liberdade.
Hayek morria de medo dos "hayekianos", pois viu o que os marxistas fizeram com Marx e os keynesianos com Keynes. É verdade que Marx e Keynes merecem muitas críticas, e liberal que se preza sabe bem disso; mas também é verdade que seus ditos seguidores conseguiram piorar e muito o legado deles. Ao que parece, Mises foi vítima do mesmo destino. Esses jovens, em busca de certezas, lêem muito mais os seguidores de Mises, anarco-capitalistas e alguns bem fanáticos, do que a própria fonte. Minha recomendação é que leiam mais Mises e Hayek, os maiores expoentes da Escola Austríaca.
Alguns acham que essas críticas que eu faço, ou que Sachsida fez, ou que outros, como Claudio Shikida, Flávio Morgenstern e Fabio Barbieri já fizeram, acaba sendo contraproducente. Curiosamente, eles dizem que não é útil essa estratégia. Para quem condena tanto o utilitarismo defendido por Mises, é no mínimo engraçado isso. Mas o ponto é que eu discordo, pela ótica utilitarista mesmo. Eu penso que essa postura dogmática e arrogante desse grupo contamina o liberalismo e afasta gente boa da causa liberal. Por isso, e apenas por isso, eu busco resgatar Mises e seu legado.
A seguir, alguns trechos retirados de vários livros de Mises, para não deixar margem à dúvidas do que ele defendia. Não são passagens isoladas, fora de contexto; são, antes, pilares fundamentais de toda a sua filosofia liberal. Vamos lá:
"O fanatismo impede que os ensinamentos da teoria econômica sejam escutados, a teimosia impossibilita qualquer mudança de opinião e a experiência não serve de base a nada."
"The more recent writers are inclined to assume a contrast between Liberalism and Democracy. They seem to have no clear conceptions of either; above all, their ideas as to the philosophical basis of democratic institutions seem to be derived exlusively from the ideas of natural law."
"Liberalism differs radically from anarchism. It has nothing in common with the absurd illusions of the anarchists. ...Liberalism is not so foolish as to aim at the abolition of the state."
O economista Adolfo Sachsida engrossou o coro daqueles que vêm criticando a postura dogmática e infantil de certos "libertários". Ele escreveu um artigo condenando essa forma de agir e pensar de alguns anarco-capitalistas, que muito se assemelha aos marxistas. Sachsida ficou espantado ao saber que essas pessoas, na maioria dos casos mais jovens (mas há os tais "adolescentes crescidos", que já passaram dos 30), consideram Friedman e Hayek "socialistas". Ele diz:
Na cabeça de alguns seguidores de Von Mises apenas pessoas que defendem TODAS as implicações possíveis dos três itens listados acima são liberais. Por consequência, eles afirmam que Milton Frieman e Friederich Hayek, dois dos maiores pensadores liberais, não eram liberais. Esse tipo de radicalismo, e de tratar a todos que discordam deles de desonestos ou imbecis os aproxima, e muito, da tradição marxista. Pior, ao afastarem pensadores do calibre de Friedman e de Hayek abrem espaço para seguirem pensadores com habilidades no mínimo duvidosas.
Mas é pior! Pela lógica deles, seguindo o critério absurdo de que somente anarquistas defendem a liberdade e todos os demais são socialistas em diferentes graus, até mesmo Mises seria um socialista! E é aqui que discordo um pouco de Sacshida e preciso fazer alguns esclarecimentos, em nome da boa luta liberal. Antes disso, segue mais um trecho do texto de Sacshida importante para fazer meu ponto:
Hoje determinado grupo de seguidores de Von Mises se assemelha muito a grupos de seguidores de Marx, são intolerantes, arrogantes, e o que é pior, na esmagadora maioria das vezes são tecnicamente fracos. Nunca escreveram ou publicaram nada, acreditam honestamente que "Ação Humana" deve ser lida como uma bíblia. Esse grupo realmente se assemelha aos seguidores de Marx que consideram "O Capital" como uma bíblia.
Aqui está! Eu, como liberal, condeno qualquer leitura de um autor como bíblia, pois o liberalismo não é um sistema fechado, dogmático. Mas esses "seguidores" de Mises não lêem Mises como onisciente ou "Ação Humana" como uma bíblia. Seria errado, como disse, e eu mesmo não concordo com Mises em tudo, naturalmente. Mas seria bem menos pior do que fazem! A triste verdade é que eles falam em nome de Mises, mas eles não leram Mises direito, ou se leram, não entenderam, ou se entenderam, não ligam para o fato de que defendem coisas diametralmente opostas ao pensador austríaco.
Como eu já cansei de dizer, Mises eram um ferrenho defensor do liberalismo, ou seja, ele pregava a democracia e o estado de direito. Ele não queria saber de dogmatismo, de direito natural visto como um valor absoluto, de anarquia ou qualquer coisa do tipo. Ao contrário: ele condenava veementemente isso tudo, e abraçava uma postura realmente liberal. O que esse pessoal precisa fazer, portanto, não é deixar de ver "Ação Humana" como uma bíblia, mas sim ler direito esse e todos os demais livros de Mises, um grande defensor da liberdade.
Hayek morria de medo dos "hayekianos", pois viu o que os marxistas fizeram com Marx e os keynesianos com Keynes. É verdade que Marx e Keynes merecem muitas críticas, e liberal que se preza sabe bem disso; mas também é verdade que seus ditos seguidores conseguiram piorar e muito o legado deles. Ao que parece, Mises foi vítima do mesmo destino. Esses jovens, em busca de certezas, lêem muito mais os seguidores de Mises, anarco-capitalistas e alguns bem fanáticos, do que a própria fonte. Minha recomendação é que leiam mais Mises e Hayek, os maiores expoentes da Escola Austríaca.
Alguns acham que essas críticas que eu faço, ou que Sachsida fez, ou que outros, como Claudio Shikida, Flávio Morgenstern e Fabio Barbieri já fizeram, acaba sendo contraproducente. Curiosamente, eles dizem que não é útil essa estratégia. Para quem condena tanto o utilitarismo defendido por Mises, é no mínimo engraçado isso. Mas o ponto é que eu discordo, pela ótica utilitarista mesmo. Eu penso que essa postura dogmática e arrogante desse grupo contamina o liberalismo e afasta gente boa da causa liberal. Por isso, e apenas por isso, eu busco resgatar Mises e seu legado.
A seguir, alguns trechos retirados de vários livros de Mises, para não deixar margem à dúvidas do que ele defendia. Não são passagens isoladas, fora de contexto; são, antes, pilares fundamentais de toda a sua filosofia liberal. Vamos lá:
"O fanatismo impede que os ensinamentos da teoria econômica sejam escutados, a teimosia impossibilita qualquer mudança de opinião e a experiência não serve de base a nada."
"The more recent writers are inclined to assume a contrast between Liberalism and Democracy. They seem to have no clear conceptions of either; above all, their ideas as to the philosophical basis of democratic institutions seem to be derived exlusively from the ideas of natural law."
"The truth is that the significance of the democratic form of constitution is something quite different from all this. Its funtion is to make peace, to avoid violent revolutions."
"Democracy is not only not revolutionary, but it seeks to extirpate revolution. The cult of revolution, of violent overthrow at any price, which is peculiar to Marxism, has nothing whatever to do with democracy. Liberalism, recognizing that the attainment of the economic aims of man presupposes peace, and seeking therefore to eliminate all causes of strife at home or in foreign politics, desires democracy."
"Always and everywhere Liberalism demands democracy at once, for it believes that the function which it has to fulfil in society permits of no postponement. Without democracy the peaceful development of the state is impossible."
"Even where for an indefinite time to come it may expect to reap only disadvantages from democracy, Liberalism still advocates democracy. Liberalism believes that it cannot maintain itself against the will of the majority."
"As far as the government - the social apparatus of compulsion and oppression - confines the exercise of its violence and the threat of such violence to the suppression and prevention of antisocial action, there prevails what reasonably and meaningfully can be called liberty."
"[...] the teachings of utilitarian philosophy and classical economics have nothing at all to do with the doctrine of natural right. With them the only point that matters is social utility. They recommend popular government, private property, tolerance, and freedom not because they are natural and just, but because they are beneficial. [...] The Utilitarians do not combat arbitrary government and privileges because they are against natural law but because they are detrimental to prosperity."
"It is useless to stand upon an alleged 'natural' right of individuals to own property if other people assert that the foremost 'natural' right is that of income equality. Such disputes can never be settled."
"Government means always coercion and compulsion and is by necessity the opposite of liberty. Government is a guarantor of liberty and is compatible with liberty only if its range is adequately restricted to the preservation of what is called economic freedom."
"Taxation is a matter of the market economy. It is one of the characteristic features of the market economy that the government does not interfere with the market phenomena and that its technical apparatus is so small that its maintenance absorbs only a modest fraction of the total sum of the individual citizen's incomes. Then taxes are an appropriate vehicle for providing the funds needed by the government."
"There is, however, no such thing as a perennial standard of what is just and what is unjust. Nature is alien to the idea of right and wrong.… The notion of right and wrong is a human device."
"All moral rules and human laws are means for the realization of definite ends. There is no method available for the appreciation of their goodness or badness other than to scrutinize their usefulness for the attainment of the ends chosen and aimed at."
"It is a fact that almost all men agree in aiming at certain ends, at those pleasures which ivory-tower moralists disdain as base and shabby. But it is no less a fact that even the most sublime ends cannot be sought by people who have not first satisfied the wants of their animal body. The loftiest exploits of philosophy, art, and literature would never have been performed by men living outside of society."
"Que o governo e a polícia se encarreguem de proteger os cidadãos, e entre eles os homens de negócio e, evidentemente, seus empregados, contra ataques de bandidos nacionais ou do exterior, é efetivamente uma expectativa normal e necessária, algo a se esperar de qualquer governo. Essa proteção não constitui uma intervenção, pois a única função legitima do governo é, precisamente, produzir segurança."
Como fica claro (cristalino, na verdade), Mises era um liberal clássico, defensor da democracia (com todas as suas imperfeições), do utilitarismo (ele estava muito mais preocupado com o resultado de suas idéias em vez do gozo de ser o detentor da única Verdade em uma Torre de Marfim), que rechaçava a anarquia revolucionária, o conceito dogmático de direito natural que acabou levando seus seguidores a constatarem que existe um e somente um princípio importante e absoluto para a vida em sociedade: o de não-agressão. A coisa é muito mais complexa e o buraco é muito mais embaixo.
Enfim, considero saudável o debate e fico contente que Adolfo Sachsida tenha aderido ao front de batalha. Ela é necessária para separar o joio do trigo e ajudar a esclarecer melhor alguns que, no fundo, leram pouco ou nada do próprio Mises. Fica minha sugestão: leiam Mises!
segunda-feira, junho 10, 2013
Visão da Semana
Teórica Investimentos
Visão da Semana (de 3 de junho a 10 de
junho).
O
potencial início da redução dos volumes mensalmente injetados na economia,
através do programa de afrouxamento quantitativo ou QE, por parte do Federal
Reserve, continua sendo o foco do debate de curto prazo dos mercados. Contudo,
temos a visão que os participantes de mercado estão analisando as árvores e
esquecendo de olhar a floresta como um todo. Nesse sentido, acreditamos que a
economia global pode estar entrando num novo ciclo de crescimento e o mercado
acionário pode estar perto de entrar num raro momento de forte alta.
Fundamentos mais sólidos das economias
norte-americana e europeia vêm causando elevação nas curvas de juros globais,
assustando os demais mercados de risco ao redor do mundo, que estavam
acostumados com um mercado artificial de juros zero e alta liquidez. O pano de
fundo desse processo é um movimento de normalização do ambiente de
investimento, com uma volta da regência dos mercados pelos fundamentos
econômicos.
Os dados dos EUA divulgados na semana passada
mostraram um mercado de trabalho consistente com nosso cenário base de melhora
firme, porém gradual. Assim como o resto da economia norte-americana, o mercado
de trabalho segue consistente processo de cicatrização. Todavia, numa
velocidade baixa, o que não justificaria uma rápida retirada dos estímulos,
ainda mais com o ajuste fiscal em curso. Porém, vemos como positivo o debate
sobre o início da estratégia de saída do Fed, dado que isso faz com que o
próprio processo de saída seja mais suave. A antecipação pelos mercados e, com
isso, a elevação da curva de juros, vista por nós como uma normalização do
mercado, é altamente positiva para a economia e para os mercados no médio
prazo.
Na China, a série de dados continuam
mostrando uma economia com crescimento estrutural sólido, confirmando a meta do
governo de 7,5%. O momento segue de implementação de reformas estruturais,
executando de forma suave a transição do perfil de crescimento, mantendo uma
taxa de expansão relativamente alta, porém evitando bolhas nos mercados imobiliário
e de crédito. No lado doméstico, segue a reprecificação no mercado de juros,
após elevação mais forte da Selic pelo Banco Central e um movimento global de
elevação dos juros. A moeda também atravessa momento de reprecificação,
seguindo movimento das moedas de commmodities correspondentes e com a
deterioração da credibilidade do governo atual. Apenas um choque de
credibilidade teria potencial para alteração da visão negativa do governo,
como, por exemplo, a mudança da equipe e política econômica.
Apesar das reações iniciais negativas dos
agentes de mercado em função da elevação das curvas de juros globais,
acreditamos que os fundamentos da economia global são mais sólidos e que os
preços dos ativos não precificam tal cenário. O fato de o médico diminuir a
dose do remédio, do paciente sair da UTI e começar a viver um dia-a-dia mais
normal deveria ser lido como positivo pelos mercados. Entendemos o movimento
inicial negativo como sendo um medo de uma retirada prematura dos suportes da
economia e seus possíveis impactos negativos. Todavia, dado o perfil do
presidente e dos diretores do Fed, acreditamos que o risco maior seja de erro
para deixar por mais tempo os estímulos do que errar para menos tempo. Nessa
direção, acreditamos que o momento seja de grande e rara oportunidade de
investimentos em ações para o longo prazo.
Avaaz ser comuna assim em Cuba!
Rodrigo Constantino
A Avaaz, ONG petista que faz petições bem seletivas, atacou novamente. Dessa vez ela quer "justiça social" por mais impostos, de forma bem sensacionalista. Eis o que diz a propaganda da nova petição:
Em seguida, o caso da Apple é trazido à tona para convencer o desavisado leitor: "A Apple, uma das empresas mais ricas do mundo, pagou basicamente 0 de imposto, dos 78 bilhões de dólares que eles ganharam nos últimos anos, por meio da criação de empresas de fachada em países com uma carga de imposto leve e enviando os lucros para o exterior. Esse tipo de sonegação de impostos em escala global dá às firmas multinacionais uma grande vantagem sobre as empresas nacionais. Isso é ruim para a saúde do mercado econômico, para a democracia e para a estabilidade financeira mundial." Depois vem mais desinformação, nutrida pela ideologia de esquerda da turma:
Não! Não se trata de sonegação fiscal ou corrupção coisa alguma! O que a Apple fez chama-se "planejamento tributário" dentro da legalidade. Sim, é verdade que as grandes empresas se beneficiam mais dessas brechas, pois podem pagar pelos melhores tributaristas e possuem escala global. Mas isso é justamente um dos efeitos nefastos do "welfare state": ele pune as menores empresas e favorece a vida dos grandes grupos.
O problema está, como o senador Rand Paul disse, na magnitude desses impostos. Claro que as empresas vão fazer de tudo para pagar menos impostos. Isso é absolutamente legítimo! Os políticos fazem o mesmo, os artistas e intelectuais da esquerda caviar idem. Ninguém gosta de pagar mais impostos! Isso é balela de esquerdista, essa coisa de "comprar cidadania", de "contribuinte", como se pagar impostos fosse a coisa mais linda do mundo.
O imposto é um mal necessário para manter a própria liberdade e garantir a proteção da propriedade privada, ou seja, para o governo executar suas funções precípuas. A carga tributária já está em patamares muito acima desse limite razoável há décadas, no mundo todo, especialmente nos países com pesado estado de bem-estar social. Aí os governos resolvem atacar o sintoma, quando as empresas buscam se proteger dessa sanha arrecadatória em paraísos fiscais. Errado!
É preciso atacar a raiz do problema, qual seja, a elevadíssima tributação, muitas vezes complexa, o que novamente prejudica ainda mais as menores empresas. Precisamos de menos impostos, e impostos mais simples, como o "flat tax". Dessa forma, ninguém precisaria partir em busca de paraísos fiscais. Mas não esperem esta bandeira sendo defendida em alguma petição da Avaaz. Fosse por essa ONG, o mundo todo seria uma enorme Cuba!
A Avaaz, ONG petista que faz petições bem seletivas, atacou novamente. Dessa vez ela quer "justiça social" por mais impostos, de forma bem sensacionalista. Eis o que diz a propaganda da nova petição:
Neste final de semana, os governos do mundo vão discutir sobre a possibilidade de tapar um buraco gigantesco de 1 trilhão de dólares anuais em evasão de impostos por grandes empresas. É dinheiro suficiente para acabar com a pobreza, colocar todas as crianças do mundo em escolas e duplicar os investimentos em tecnologias verdes! A maioria dos governos quer que as multinacionais poderosas paguem estes impostos, mas os EUA e o Canadá estão em cima do muro. Para conseguirmos um acordo, precisamos garantir que eles sintam a nossa pressão.
1 trilhão de dólares é mais do que todos os países do mundo gastam com forças armadas. É um valor maior que o orçamento de 176 nações. São 1.000 dólares para cada família que habita neste planeta. E, acreditem ou não, é a quantidade de dinheiro que as maiores empresas e as pessoas mais ricas do mundo sonegam anualmente.
Não há o que discutir! Para aumentar nossas finanças públicas em uma era de cortes dolorosos e dívidas, tudo o que precisamos fazer é garantir que todos paguem seus devidos impostos. Mas grandes empresas dos EUA estão fazendo um forte lobby para proteger suas práticas suspeitas. Uma enorme campanha pública vai ajudar a identificar e responsabilizar Obama e Harper, primeiro ministro canadense, que consideram se aliar com a corrupção ao invés de dar esse gigante passo para o avanço do planeta. Vamos unir 1 milhão de vozes -- então a Avaaz entregará nosso apelo aos líderes de governo e à imprensa presente no local das negociações:
Em seguida, o caso da Apple é trazido à tona para convencer o desavisado leitor: "A Apple, uma das empresas mais ricas do mundo, pagou basicamente 0 de imposto, dos 78 bilhões de dólares que eles ganharam nos últimos anos, por meio da criação de empresas de fachada em países com uma carga de imposto leve e enviando os lucros para o exterior. Esse tipo de sonegação de impostos em escala global dá às firmas multinacionais uma grande vantagem sobre as empresas nacionais. Isso é ruim para a saúde do mercado econômico, para a democracia e para a estabilidade financeira mundial." Depois vem mais desinformação, nutrida pela ideologia de esquerda da turma:
Mas, em questão de dias, os governos vão considerar um plano que poderá tornar mais difícil para empresas e indivíduos sonegarem impostos usando paraísos fiscais ou "abrigos fiscais", onde a carga de impostos é mais baixa. O plano exigiria que países compartilhassem informações para expor onde o dinheiro está escondido e que as empresas "falsas" revelassem quem realmente está por trás delas. Se as negociações correrem bem nesta semana, o G8 pode chegar a um acordo sobre o tema até o final do mês.
Em tempos difíceis, quando governos de todas as partes do mundo estão cortando os gastos com prioridades sociais vitais, é bastante revoltante que os mais ricos tenham passe livre para não pagar os seus impostos. (Ainda mais quando os tempos difíceis foram causados por enormes repasses financeiros para resgatar os bancos, cujos donos são essas mesmas pessoas que sonegam impostos). Os governos finalmente estão levando a sério a opção de tapar esses buracos existentes em nossas finanças, mas os EUA e o Canadá estão caindo nas mãos dos poderosos lobistas do mundo dos negócios.
Uma petição pública com uma cobertura gigante da mídia vai ajudar a dar destaque aos países que estão bloqueando o acordo, e transformar isso em uma questão política para Obama e Harper. Um forte clamor de pessoas de todos os cantos do mundo em busca de melhores condições de vida em nosso planeta, ao invés da manutenção de brechas de corrupção, também vai ajudar estes líderes a consultar suas consciências e chegar ao bom senso. Não podemos deixar que os lobistas nos derrotem! Vamos chamar a atenção da opinião pública para essa decisão que pode mudar o rumo do nosso planeta.
Não! Não se trata de sonegação fiscal ou corrupção coisa alguma! O que a Apple fez chama-se "planejamento tributário" dentro da legalidade. Sim, é verdade que as grandes empresas se beneficiam mais dessas brechas, pois podem pagar pelos melhores tributaristas e possuem escala global. Mas isso é justamente um dos efeitos nefastos do "welfare state": ele pune as menores empresas e favorece a vida dos grandes grupos.
O problema está, como o senador Rand Paul disse, na magnitude desses impostos. Claro que as empresas vão fazer de tudo para pagar menos impostos. Isso é absolutamente legítimo! Os políticos fazem o mesmo, os artistas e intelectuais da esquerda caviar idem. Ninguém gosta de pagar mais impostos! Isso é balela de esquerdista, essa coisa de "comprar cidadania", de "contribuinte", como se pagar impostos fosse a coisa mais linda do mundo.
O imposto é um mal necessário para manter a própria liberdade e garantir a proteção da propriedade privada, ou seja, para o governo executar suas funções precípuas. A carga tributária já está em patamares muito acima desse limite razoável há décadas, no mundo todo, especialmente nos países com pesado estado de bem-estar social. Aí os governos resolvem atacar o sintoma, quando as empresas buscam se proteger dessa sanha arrecadatória em paraísos fiscais. Errado!
É preciso atacar a raiz do problema, qual seja, a elevadíssima tributação, muitas vezes complexa, o que novamente prejudica ainda mais as menores empresas. Precisamos de menos impostos, e impostos mais simples, como o "flat tax". Dessa forma, ninguém precisaria partir em busca de paraísos fiscais. Mas não esperem esta bandeira sendo defendida em alguma petição da Avaaz. Fosse por essa ONG, o mundo todo seria uma enorme Cuba!
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