Idéias de um livre pensador sem medo da polêmica ou da patrulha dos "politicamente corretos".
terça-feira, junho 25, 2013
Indignai-vos nas urnas!
Meu artigo de hoje no GLOBO: De nada adianta rugir feito um leão nas ruas, e depois votar como um burro nas urnas.
segunda-feira, junho 24, 2013
O "gigante" precisa de foco
Minha nova coluna-vídeo no GLOBO, sobre as manifestações que tomaram as ruas brasileiras.
domingo, junho 23, 2013
sábado, junho 22, 2013
A voz das ruas e os toucas-ninja
Percival Puggina
Se as pessoas que estão saindo às ruas nestes dias, em todo o país, votaram na Dilma e há uma década estufam o próprio peito com as fanfarronadas de Lula, o Brasil está salvo. Se são outras pessoas, estamos perdidos. Se as pessoas que estão saindo às ruas são as mesmas que chamavam golpistas quem se dispusesse a escrutinar a péssima biografia dos governos petistas, estamos salvos. Se forem outras, estamos perdidos. Ou seja, se o petismo não estiver perdendo força como religião hegemônica no país, por conversão de antigos fiéis ao até agora minoritário reduto da sensatez, então nada está acontecendo. Os sensatos abriram as portas do clube e saíram à rua, apenas isso. O placar do jogo político permanecerá o mesmo. E Deus se apiede do Brasil. Dilma continuará percorrendo o país para operar prodigiosa multiplicação de inexistentes bilhões, em meio a muita festa e louvação.
Faço estas considerações com absoluto senso prático. A alma brasileira foi envenenada pela propaganda do governo. Milhares de comunicadores, diariamente, compram essa propaganda como coisa boa e reproduzem o ufanismo oficial. É de se ver e eu vi, é de se ouvir e eu ouvi, nestes últimos dias, eminentes formadores de opinião embasbacados ante as mobilizações populares, como que exclamando: "Mas estava tudo tão bem! O Brasil é uma de satisfações cercada pelo oceano das inconformidades! O próprio Lula disse, não disse?". Disse. E quanto e-mail desaforado recebemos, ao longo destes últimos anos, eu e alguns outros, enquanto brandíamos a verdade em nossas passeatas lítero-panfletárias de protesto! Faziam para conosco como os empedernidos cardeais fizeram com Galileu. Recusavam-se a esquadrinhar a realidade através da luneta da verdade: "Noi non vogliamo guardare perché se lo facciamo potremmo cambiare". Não olham porque mudar de opinião pode custar caro. A mentira paga melhor.
Todos os indicadores confirmavam o que dizíamos e os olhos viam: a educação pública é um desastre, vive-se ao completo desabrigo dos aparelhos de segurança pública, temos poltronas nos estádios de futebol e pacientes deitados sobre colchões no chão dos hospitais, a infraestrutura brasileira dá sinais de haver trombado contra um PAC acelerador da destruição, o Erário é rapinado em moto-contínuo pelo arrastão dos corruptos. Mas, como vai o Brasil? Ah, o Brasil é outra coisa. O Brasil vai às mil maravilhas. Foi bafejado pela fortuna. Saiu das mãos de um gênio prodigioso para as de uma testada e competente gestora. Meu Deus!
***
Por fim, três observações. Primeira: passe livre é marotagem; é querer andar de graça com os outros pagando a conta. A segunda é para lembrar que, em Porto Alegre, a mobilização inicial contra o preço das passagens foi empreendida por militantes de partidos de esquerda, notadamente do PSOL. Eles foram para a frente da Prefeitura armados de paus, pedras, latas de tinta, toucas ninja (bem como se tem visto, agora, em toda parte), enfrentaram a polícia e vandalizaram o prédio e seu entorno. Naquele ato não houve "infiltração" alguma! Os malfeitores eram alinhados com partidos que não rejeitam o emprego da violência para fins políticos. Terceira: não parece prudente adotar como coisa certa que os malfeitores "são uns poucos". Não, não são uns poucos, são muitos, muitíssimos, como as próprias imagens mostram à exaustão. "Se a maior violência neste país tiver que vir desses movimentos, que venha", disse num debate na TVCOM certo defensor desse vandalismo. Tampouco parece prudente, então, desconsiderar o risco de que a esplêndida massa de cidadãos retamente intencionados venha a ser apropriada pelo que de pior existe em todos esses movimentos. Saiba, no conjunto do espectro político há quem, com o mesmo e justo discurso que enfeita as ruas e nos traz júbilo ao coração, vista toucas ninja.
Faço estas considerações com absoluto senso prático. A alma brasileira foi envenenada pela propaganda do governo. Milhares de comunicadores, diariamente, compram essa propaganda como coisa boa e reproduzem o ufanismo oficial. É de se ver e eu vi, é de se ouvir e eu ouvi, nestes últimos dias, eminentes formadores de opinião embasbacados ante as mobilizações populares, como que exclamando: "Mas estava tudo tão bem! O Brasil é uma de satisfações cercada pelo oceano das inconformidades! O próprio Lula disse, não disse?". Disse. E quanto e-mail desaforado recebemos, ao longo destes últimos anos, eu e alguns outros, enquanto brandíamos a verdade em nossas passeatas lítero-panfletárias de protesto! Faziam para conosco como os empedernidos cardeais fizeram com Galileu. Recusavam-se a esquadrinhar a realidade através da luneta da verdade: "Noi non vogliamo guardare perché se lo facciamo potremmo cambiare". Não olham porque mudar de opinião pode custar caro. A mentira paga melhor.
Todos os indicadores confirmavam o que dizíamos e os olhos viam: a educação pública é um desastre, vive-se ao completo desabrigo dos aparelhos de segurança pública, temos poltronas nos estádios de futebol e pacientes deitados sobre colchões no chão dos hospitais, a infraestrutura brasileira dá sinais de haver trombado contra um PAC acelerador da destruição, o Erário é rapinado em moto-contínuo pelo arrastão dos corruptos. Mas, como vai o Brasil? Ah, o Brasil é outra coisa. O Brasil vai às mil maravilhas. Foi bafejado pela fortuna. Saiu das mãos de um gênio prodigioso para as de uma testada e competente gestora. Meu Deus!
***
Por fim, três observações. Primeira: passe livre é marotagem; é querer andar de graça com os outros pagando a conta. A segunda é para lembrar que, em Porto Alegre, a mobilização inicial contra o preço das passagens foi empreendida por militantes de partidos de esquerda, notadamente do PSOL. Eles foram para a frente da Prefeitura armados de paus, pedras, latas de tinta, toucas ninja (bem como se tem visto, agora, em toda parte), enfrentaram a polícia e vandalizaram o prédio e seu entorno. Naquele ato não houve "infiltração" alguma! Os malfeitores eram alinhados com partidos que não rejeitam o emprego da violência para fins políticos. Terceira: não parece prudente adotar como coisa certa que os malfeitores "são uns poucos". Não, não são uns poucos, são muitos, muitíssimos, como as próprias imagens mostram à exaustão. "Se a maior violência neste país tiver que vir desses movimentos, que venha", disse num debate na TVCOM certo defensor desse vandalismo. Tampouco parece prudente, então, desconsiderar o risco de que a esplêndida massa de cidadãos retamente intencionados venha a ser apropriada pelo que de pior existe em todos esses movimentos. Saiba, no conjunto do espectro político há quem, com o mesmo e justo discurso que enfeita as ruas e nos traz júbilo ao coração, vista toucas ninja.
Qual é a pauta?
Rodrigo Constantino
Qual é a pauta? Qual é a demanda? Gritar contra "corrupção" ou contra "tudo isso que está aí" vai produzir exatamente o que, na cabeça dos manifestantes? Quais as exigências concretas, objetivas? É para retirar a Copa do país? Sim ou não? É pelo impeachment da presidente? Por incompetência? Ou por algo mais específico? É para antecipar as eleições e realizar mudanças democráticas? É por mais transparência nos gastos públicos? Ótimo, mas como exatamente? Há propostas? É para o governo vender as arenas e construir alguns hospitais? É para fazer um metrô novo?
Notem que ou isso tudo ganha uma direção mais clara, ou vira (já virou?) anomia, clima de anarquia, de revolução. E isso, meus caros, só interessa aos golpistas de plantão! Isso pode resultar até em mais estado e menos liberdade, transparência. O tiro pode sair pela culatra. Os protestos são apartidários e sem liderança? E quem vai canalizar isso para propostas concretas dentro do sistema democrático? Qual liderança, qual partido? Ou será que vocês pensam que é desejável abolir esse modelo (imperfeito) e partir para uma espécie de "democracia" direta das ruas? Sério? Onde foi que isso funcionou? Pois é...
Sem objetivos claros e bem definidos, que resultem em pressão legítima para mudanças específicas dentro da democracia representativa, sinto muito lhes dizer, mas o que será colhido dessas manifestações todas, que invariavelmente têm acabado em vandalismo e baderna, não será algo positivo como tantos esperam. Não será um "novo país" sem corrupção e mais próspero. De nada adiantará acordar o gigante se ele permanecer atordoado, confuso, errático, sem saber o que exatamente ele deseja. Pensem nisso...
Meu chute: 90% dos que protestam contra a PEC 37 não sabem o que é isso, e 99,9% não leram o projeto. Mas o gigante acordou! É só que ele é meio preguiçoso para estudar, preferindo partir logo de uma vez para a ação nas ruas. Depois ele entende melhor pelo que lutava...
Se você é um dos que está encantado com esse despertar do gigante e endossa as manifestações com a paixão de um adolescente sonhador, reflita diante do espelho sobre isso e faça uma análise crítica da situação. Qual é a pauta?
Qual é a pauta? Qual é a demanda? Gritar contra "corrupção" ou contra "tudo isso que está aí" vai produzir exatamente o que, na cabeça dos manifestantes? Quais as exigências concretas, objetivas? É para retirar a Copa do país? Sim ou não? É pelo impeachment da presidente? Por incompetência? Ou por algo mais específico? É para antecipar as eleições e realizar mudanças democráticas? É por mais transparência nos gastos públicos? Ótimo, mas como exatamente? Há propostas? É para o governo vender as arenas e construir alguns hospitais? É para fazer um metrô novo?
Notem que ou isso tudo ganha uma direção mais clara, ou vira (já virou?) anomia, clima de anarquia, de revolução. E isso, meus caros, só interessa aos golpistas de plantão! Isso pode resultar até em mais estado e menos liberdade, transparência. O tiro pode sair pela culatra. Os protestos são apartidários e sem liderança? E quem vai canalizar isso para propostas concretas dentro do sistema democrático? Qual liderança, qual partido? Ou será que vocês pensam que é desejável abolir esse modelo (imperfeito) e partir para uma espécie de "democracia" direta das ruas? Sério? Onde foi que isso funcionou? Pois é...
Sem objetivos claros e bem definidos, que resultem em pressão legítima para mudanças específicas dentro da democracia representativa, sinto muito lhes dizer, mas o que será colhido dessas manifestações todas, que invariavelmente têm acabado em vandalismo e baderna, não será algo positivo como tantos esperam. Não será um "novo país" sem corrupção e mais próspero. De nada adiantará acordar o gigante se ele permanecer atordoado, confuso, errático, sem saber o que exatamente ele deseja. Pensem nisso...
Meu chute: 90% dos que protestam contra a PEC 37 não sabem o que é isso, e 99,9% não leram o projeto. Mas o gigante acordou! É só que ele é meio preguiçoso para estudar, preferindo partir logo de uma vez para a ação nas ruas. Depois ele entende melhor pelo que lutava...
Se você é um dos que está encantado com esse despertar do gigante e endossa as manifestações com a paixão de um adolescente sonhador, reflita diante do espelho sobre isso e faça uma análise crítica da situação. Qual é a pauta?
sexta-feira, junho 21, 2013
Alertas republicanos do sábio Tocqueville
Rodrigo Constantino
"A multidão sempre me incomodou e me emudeceu." (Alexis de Tocqueville)
Em clima crescente de anomia, caos, desordem e anarquia, com vândalos "revolucionários" atuando impunemente pelo país todo, tudo isso sob a blindagem de manifestações legítimas, porém difusas e contra "tudo isso que está aí", nada melhor do que manter a serenidade e buscar sabedoria nos antepassados. Eles já passaram por situações semelhantes, por revoluções, por convulsão social, quando a política em si passa a ser vista como o grande inimigo.
Resolvi reler vários trechos de Edmund Burke, e publiquei alguns no meu artigo "Brincando de Revolução". Agora foi a vez de revisitar outro gigante, Alexis de Tocqueville. Com percepção extremamente acurada de quem viveu tensões revolucionárias de perto e de dentro do poder, Tocqueville fez o possível para preservar o bom senso e as liberdades básicas do povo. Seu relato consta no imperdível livro Lembranças de 1848. Abaixo, alguns trechos que merecem destaque:
Falo aqui sem amargura; falo-vos, creio eu, até sem espírito de partido; ataco homens contra os quais não tenho cólera, mas, enfim, sou obrigado a dizer a meu país qual é minha convicção profunda e meditada. Pois bem: minha convicção profunda e meditada é que os costumes públicos estão se degradando; é que a degradação dos costumes públicos vos levará, em curto espaço de tempo, brevemente talvez, a novas revoluções. [...] Sim, o perigo é grande! Conjurai-o enquanto ainda é tempo; corrigi o mal por meios eficazes, não atacando seus sintomas mas o próprio mal.
Assim, os principais líderes do partido radical, que acreditavam que uma revolução seria prematura e que ainda não a desejavam em absoluto, sentiram-se obrigados a pronunciar nos banquetes discursos muito revolucionários e a insuflar o fogo das paixões insurrecionais, para se diferenciarem dos seus aliados da oposição dinástica. Por sua vez, a oposição dinástica, que não queria mais banquetes, viu-se forçada a perseverar no mau caminho, para não dar a idéia de que retrocedia diante dos desafios do poder; por fim, a massa dos conservadores, que acreditava na necessidade de grandes concessões e desejava fazê-las, foi forçada, pela violência de seus adversários e pelas paixões de alguns de seus líderes, a negar o direito de reunião em banquetes privados e a recusar ao país mesmo a esperança de uma reforma qualquer. É preciso ter vivido muito tempo em meio aos partidos e no turbilhão mesmo em que se movem para compreender até que ponto os homens impelem-se mutualmente para fora de seus próprios desígnios e como o destino do mundo caminha pelo efeito, mas com freqüência a contrapelo, dos desejos de todos que o produzem, tal como a pipa que se eleva pela ação do vento e da linha.
São os moleques de Paris que costumam empreender insurreições, e em geral alegremente, como escolares que saem em férias.
A verdade, deplorável verdade, é que o gosto pelas funções públicas e o desejo de viver à custa dos impostos não são, entre nós, uma doença particular de um partido; é a grande e permanente enfermidade democrática de nossa sociedade civil e da centralização excessiva de nosso governo; é esse mal secreto que corroeu todos os antigos poderes e corroerá todos os novos.
Se Paris for entregue à anarquia, e todo o reino à confusão, pensam que só o rei sofrerá com isso? Nada consegui e outra coisa não obtive, além desta surpreendente tolice: o governo era o culpado, ele que arcasse com o perigo; não queriam ser mortos defendendo pessoas que haviam conduzido tão mal as coisas. No entanto, lá estava a classe média, cujas cobiças havia dezoito anos eram acariciadas: a corrente da opinião pública tinha acabado por arrastá-la e lançava-a contra os que a haviam lisonjeado até corrompê-la.
[...] é sobretudo em tempos de revoluções que as menores instituições do direito - e mais: os próprios objetos exteriores - adquirem a máxima importância, ao recordar ao espírito do povo a idéia da lei; pois é principalmente em meio à anarquia e ao abalo universais que se sente a necessidade de apego, por um momento, ao menor simulacro de tradição ou aos laivos de autoridade, para salvar o que resta de uma Constituição semidestruída ou para acabar de fazê-la desaparecer completamente.
Embora percebesse que o desenlace da peça seria terrível, nunca pude levar os atores muito a sério; tudo me parecia uma desprezível tragédia representada por histriões de província.
A inquietude natural do espírito do povo, a agitação inevitável de seus desejos e pensamentos, as necessidades, os instintos da multidão formaram, de alguma maneira, o tecido sobre o qual os inovadores desenharam tantas figuras monstruosas e grotescas.
[...] mesmo nos mais sangrentos de nossos motins encontra-se sempre uma multidão de gente meio velhaca e meio basbaque, que se leva a sério no espetáculo.
Como sempre acontece nos motins, o ridículo e o terrível misturavam-se.
Opus-me ao parágrafo que declarara Paris em estado de sírio - mais por instinto que por reflexão. Sinto, por natureza, um tal desprezo e um horror tão grande pela tirania militar que, ao ouvir falar do estado de sítio, esses sentimentos sublevaram-se tumultuosamente em meu coração, e dominaram inclusive os sentimentos que o perigo fazia nascer. Com isso, cometi um erro que, afortunadamente, teve bem poucos imitadores.
[...] as grandes massas humanas movem-se em virtude de causas quase tão desconhecidas à humanidade quanto as que regem os movimentos do mar; nos dois casos, as razões do fenômeno ocultam-se e perdem-se, de alguma maneira, em sua imensidão.
Art. 137 da CF de 1988: "O Presidente da República pode, ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: I - comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa".
"A multidão sempre me incomodou e me emudeceu." (Alexis de Tocqueville)
Em clima crescente de anomia, caos, desordem e anarquia, com vândalos "revolucionários" atuando impunemente pelo país todo, tudo isso sob a blindagem de manifestações legítimas, porém difusas e contra "tudo isso que está aí", nada melhor do que manter a serenidade e buscar sabedoria nos antepassados. Eles já passaram por situações semelhantes, por revoluções, por convulsão social, quando a política em si passa a ser vista como o grande inimigo.
Resolvi reler vários trechos de Edmund Burke, e publiquei alguns no meu artigo "Brincando de Revolução". Agora foi a vez de revisitar outro gigante, Alexis de Tocqueville. Com percepção extremamente acurada de quem viveu tensões revolucionárias de perto e de dentro do poder, Tocqueville fez o possível para preservar o bom senso e as liberdades básicas do povo. Seu relato consta no imperdível livro Lembranças de 1848. Abaixo, alguns trechos que merecem destaque:
Falo aqui sem amargura; falo-vos, creio eu, até sem espírito de partido; ataco homens contra os quais não tenho cólera, mas, enfim, sou obrigado a dizer a meu país qual é minha convicção profunda e meditada. Pois bem: minha convicção profunda e meditada é que os costumes públicos estão se degradando; é que a degradação dos costumes públicos vos levará, em curto espaço de tempo, brevemente talvez, a novas revoluções. [...] Sim, o perigo é grande! Conjurai-o enquanto ainda é tempo; corrigi o mal por meios eficazes, não atacando seus sintomas mas o próprio mal.
São alertas importantes no momento atual. Precisamos de muita calma nessa hora, não de paixões revolucionárias atiçadas por agitadores. Vejamos o que diz nossa Constituição:
Estão criando, com boas intenções na maioria dos casos, um ambiente que pode justificar uma ditadura militar sob um governo de esquerda! E o pior: vai contar com o apoio de muita gente da classe média, cansada da baderna toda, da insegurança, da impossibilidade de ir e vir. Não queremos isso! Escutemos as palavras de Tocqueville, e reflitamos com calma sobre tudo isso.
Como Transformar um Movimento Apartidário em Mudança
Rodrigo Adão *
Nos últimos dias tem ganhado força entre os cientistas políticos de Esquerda uma tese de que o movimento popular se aproxima do Fascismo simplesmente por se mostrar apartidário. Não permitir que partidos políticos e seus braços em movimentos sociais participem das manifestações não é Fascismo! Falar isso é perder o principal ponto das manifestações: quem saiu à rua mostrou sua indignação com a incapacidade do Estado em exercer seus diversos papéis constitucionais e esse Estado se encontra personificado nos partidos políticos que o geriram nos últimos 25 anos. Parece-me que todos são bem-vindos para compartilhar esta indignação nas manifestações, seja qual for a sua orientação política. Entretanto, a própria natureza da manifestação não permite que se tente mostrar apoio aos partidos que controlam o Estado – justamente o principal alvo de indignação. Apartidarismo era sim uma característica do Fascismo, mas está longe de ser uma condição suficiente.
Dito isso, compartilho de algumas das opiniões divulgadas por diversos cientistas políticos. Acho que sou tradicional nesse ponto, mas considero que a indignação com o Estado só vai se tornar mudança efetiva caso uma liderança seja capaz de transformar as reivindicações em uma agenda de reformas do Estado. Mais, esta agenda de reformas tem que considerar os custos e benefícios de cada medida. Não adianta clamar por educação, saúde e redução da corrupção sem propor medidas específicas. Por exemplo, mais recursos para educação básica poderiam ser obtidos com uma redução dos gastos em universidades federais, atingindo, em cheio, um benefício da classe média urbana. Ou ainda, poderiam ser obtidos com uma redução dos incentivos ao cinema e à música nacionais, atingindo a classe artística nacional que adora um lobby. Outro exemplo, melhor saúde passaria por reformar o sistema médico que permite que profissionais faltem plantões e suspendam consultas sem sofrer nenhuma punição efetiva. Só para completar, acabar com os benefícios esdrúxulos de diversas carreiras do judiciário não só ajudaria a tornar a justiça mais ágil (reduzindo corrupção), como liberaria recursos pra gastos sociais. Quero ver algum concurseiro de plantão concordar com essa última medida. A multidão nas ruas mostra sua insatisfação, uma liderança de qualidade concretiza suas demandas.
Para terminar me permito mandar dois recados. Aos manifestantes, eu digo: não existe almoço grátis. Qualquer mudança efetiva vai afetar benefícios de grupos específicos, sendo que alguns destes grupos estavam na rua nos últimos dias. Aos partidos atuais, eu digo: entendam a manifestação nas ruas e se conformem que não existe espaço para políticos tradicionais capturarem a sua liderança. Caso alguma liderança política seja capaz de emergir desde movimento, ela não vai sair dos partidos que estão no poder desde a democratização. Apesar disso, uma liderança que atue dentro do sistema politico atual será necessária para que o movimento não se perca no ar.
* Mestre em Economia pela PUC-Rio e estudante de PhD em Economia no MIT. As opiniões são do autor, não dessas instituições.
A volta de Meirelles
Rodrigo
Constantino, para o Instituto Liberal
Circulam
rumores de que Henrique Meirelles seria chamado de volta para o governo, dessa
vez para o lugar de Guido Mantega. O Ibovespa chegou a cair 4% nesta
quinta-feira, e depois reverteu a forte queda e terminou em território positivo,
basicamente por conta desses boatos. Faz sentido? Muda alguma coisa?
Em
primeiro lugar, deve-se ter em mente que nossos problemas são estruturais. O
modelo desenvolvimentista, que a própria presidente Dilma defende, esgotou-se. Como
sempre acontece, aliás, pois ele é insustentável. O governo foi negligente com
a inflação, o crédito, principalmente dos bancos públicos, cresceu demais, as
contas públicas se deterioraram muito, e a fatura desses erros todos chegou.
Demitir
Mantega e colocar alguém como Meirelles em seu lugar, que goza de credibilidade
nos mercados, sem dúvida seria uma importante sinalização de que, ao menos, a
presidente acordou para a realidade. Só mesmo no setor público tanta
incompetência, como a dessa equipe econômica, pode continuar impune. Mas a
pergunta relevante é: Meirelles poderia agir de forma independente?
Afinal,
entre as medidas necessárias no curto prazo, estão um choque na taxa de juros,
para conter a inflação e ancorar novamente as expectativas, e fechar os cofres
públicos, realizando um forte aperto fiscal. Alta de juros e corte de gastos,
em véspera (antecipada) de eleições? A presidente banca o risco? Com milhares
nas ruas protestando contra “tudo que está aí”, sentindo os efeitos dos erros
do governo?
Complicado.
O mais provável, pelo visto, é o governo tentar ganhar tempo até as eleições,
administrando seu fracasso. Resta saber se ele chega até lá...
quinta-feira, junho 20, 2013
Poder de mobilização
Por Dr. Milton Pires
Prefeitos e governadores
cancelaram o aumento das passagens. A PEC 37 está com sua votação
adiada..ninguém mais ignora o que está acontecendo..já “deu” no New York
Times..já aconteceu, já faz “parte da história”..E agora, Brasil do B?
Alguém pode me dizer o que vai
acontecer agora? Qual é o objetivo agora? Cancelar a Copa do Mundo? Algum
terrorista de smartphone e tênis Nike pode me dizer?
O que vocês, manifestantes, não
tem coragem para dizer é que amanhã de manhã vão se reunir em silencio
palaciano com pessoas que vão dizer aquilo que devem fazer! Vocês vão ouvir o
PSOL, vocês vão procurar essa imundície chamada UNE, vocês vão escutar
intermediários do Gilberto Carvalho, para saber o que fazer...graças a vocês
ninguém fala mais na Rose, né?
Graças a vocês esqueceram-se os
mortos de Santa Maria...graças a vocês passou batida a questão dos médicos
cubanos, não passou?..Graças a vocês, seus corruptores da juventude, seus
traficantes de esperança, seus revolucionários do Johnnie Walker Blue Label - o José Dirceu tem mais um dia de liberdade!
Vocês, seus profetas do óbvio e
apóstolos do lugar comum, são aqueles que fazem o Brasil sair do sono eterno e
entrar em coma por traumatismo cranioencefálico! Dia após dia a Petrobras
sangra e agoniza aparelhada pela canalhada que vocês colocaram lá, né? Graças a
vocês o CNPQ do B financia esses bobalhões que agora vemos apoiando, lá no
exterior, esses vândalos aqui no país, não financia? Graças a vocês a única coisa
que se ensina na Universidade Pública é que “todos tem direito a entrar nela”,
não é?? São vocês que tiraram dinheiro
dos hospitais, das delegacias e das escolas brasileiras para perdoar a dívida
da Bolívia e reformar o porto da Havana, seus canalhas!
Por que, me expliquem, por
que..não vi nenhum de vocês com cartaz “Fora Dilma” na mão, hein? Foi ordem do
Lula? Quantos de vocês carregavam alguma faixa escrita “Onde está Rose”, hein?
Expliquem! Onde está a vontade de vocês mudarem o país? Vocês pensam que
patriotismo é aquilo que existe entre cantar o hino nacional e queimar ônibus?
Vocês pensam que a Rede Globo é a CNN, petralhas?
Que tristeza tenho eu de ser
brasileiro como vocês..vocês não tem, mesmo reunidos aos milhões um décimo da
coragem do povo do Oriente Médio..O pai filosófico de vocês é o relativismo e a
mãe é o lugar comum..Sabem, por que esse movimento não vai terminar em nada de
bom? Por que vocês não tem um líder de verdade, vocês não tem uma causa e vocês
não tem coragem..
Uma revolução de verdade,
bobalhões, se faz com fé, não com o Facebook. Vocês não tem fé, por que ela começou a morrer com Waldomiro Diniz e
foi sepultada com Marcos Valério.
“Apesar de
vocês, amanhã há de ser outro dia”..O sol vai raiar, petralhas, e vocês não vão
saber o que fazer com a luz..Ainda vai levar uma década, talvez leve um século,
para surgir algo em que acreditar e em nome disso mudar o país..Até lá, são
vocês, só vocês..não interessa se num acampamento do MST ou escondendo dólares
em algum hotel de Brasília, que vão dar as cartas..
O que vocês tem agora nas mãos
seus bandidos, e óbvio que vocês sabem
mas quem está me lendo não tem obrigação de saber, chama-se poder de
mobilização...vamos ver quais são as ordens de Lula sobre o que devem fazer
com ele..
Comento: O desabafo do Dr. Milton Pires tem sentido, principalmente quando pensamos nos idiotas do Movimento Passe Livre e demais radicais de esquerda que tentam se apropriar das manifestações. Mas penso que elas saíram um pouco do controle deles, tanto que o PT tenta, hoje mesmo, convocar seus discípulos amestrados (e pagos) para as ruas. Há de tudo ali, e a mobilização não é mais monopólio do PT. Ainda que eu continue achando que, nesta seara, os esquerdistas sempre levarão vantagem sobre os liberais...
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