domingo, janeiro 31, 2010

Pela privatização da Infraero



Deu no Estadão: "A Polícia Federal apontou superfaturamento de R$ 991,8 milhões nas obras de dez aeroportos administrados pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) - Corumbá, Congonhas, Guarulhos, Brasília, Goiânia, Cuiabá, Macapá, Uberlândia, Vitória e Santos Dumont. Todas as obras foram contratadas durante o primeiro mandato do governo Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006."

Pergunta: alguém está surpreso? Eis a essência das estatais, por sua própria natureza de incentivos perversos: virar cabide de emprego para aliados políticos; e um antro de corrupção que faz a alegria dos "amigos do rei". Afinal, sem o escrutínio dos donos do capital, preocupados com a lucratividade da empresa, as estatais acabam exploradas por uma cúpula de poderosos. O dinheiro é da "viúva", é de "todos", e aquilo que é de "todos" não é de ninguém - ou melhor, é daqueles que controlam os ativos em nome dos outros.

Alguns ainda vão acusar os corruptores, as construtoras, ignorando a essência do problema. Sim, essas construtoras grandes são um câncer para o país, pois compram todos no governo, perpetuando os problemas. Mas eles estão usando um recurso disponível. É a existência desse recurso que deve acabar. Enquanto houver uma fila de estatais prontas para assinarem cheques bilionários, lá estarão grandes empresas comprando por fora os burocratas poderosos que podem decidir o destino de tanto dinheiro. Por que o mesmo não ocorre - ou ocorre em grau infinitamente menor - no setor privado? Ora, justamente porque nas empresas privadas os seus donos estão de olho no caixa, já que seus lucros dependem disso.

Por fim, os serviços prestados pelas estatais costumam ser precários. Novamente, isso se deve ao próprio modelo de incentivos: enquanto no setor privado o serviço ruim é punido com a redução do lucro ou mesmo falência, nas estatais ele acaba premiado com mais verbas públicas, para tentar melhorar esses serviços. Cada incompetência é vista como resultado da falta de recursos, e mais dinheiro retirado dos impostos acaba jogado na estatal. Qualquer um que viaja bastante e é obrigado a encarar os aeroportos brasileiros sabe disso. Predomina o caos! Se tais aeroportos tivessem donos, se fossem empresas privadas, o foco no consumidor seria necessário, ainda mais se estimulando a concorrência.

Não existem argumentos decentes para se manter a Infraero uma empresa estatal. Resta apenas uma das duas alternativas: cegueira ideológica ou defesa de interesses. Ou estamos falando de uma "viúva de Stalin", que acha que tudo deve ser controlado pelo governo porque odeia a liberdade; ou então de alguém que faz parte da cadeia da felicidade criada com esse desvio bilionário na estatal.

sexta-feira, janeiro 29, 2010

A pretensão do conhecimento



Um dos maiores perigos da modernidade é a crença na sabedoria ímpar das "autoridades" monetárias. "Ah, hoje uma depressão nunca poderia se repetir, pois os economistas do Fed possuem muito mais conhecimento e o fluxo de informação é muito maior!". Será mesmo? Tal postura gera negligência e passividade, o tal "moral hazard" de que falam os economistas. "Ben Bernanke é um profundo conhecedor da Grande Depressão, logo, ela nunca poderia ocorrer novamente...". Tem certeza disso?

Pois bem, após todo o "avanço" da ciência econômica nas últimas décadas, com os modelos econométricos mais complexos já vistos, e um fluxo de informação inigualável, eis o headline dos jornais hoje:

PIB dos EUA teve retração de 2,4% em 2009, a maior queda desde 1946

O pior resultado anual do PIB em mais de SEIS DÉCADAS! E então? Os desagradáveis ciclos econômicos finalmente serão vencidos se concentrarmos ainda mais poder nas mãos desses economistas keynesianos? "Dessa vez é diferente", pois o Fed é composto por sábios?

I don´t think so...

Falta(va) um partido liberal no Brasil



Rodrigo Constantino

A revista britânica The Economist escreveu um artigo afirmando o que todos aqui já sabem: que falta uma opção liberal na política brasileira. Um dos motivos para isso, explica a revista, está no voto obrigatório:

One reason why liberals have been so muted since Brazil became a democracy again is that voting in elections is compulsory. This means that a large number of poor voters, who pay little tax but benefit from government welfare spending, help to push the parties in the direction of a bigger state. If the same system were to be applied to America, the Democrats might well enjoy a permanent majority.

O povão, carente das mais básicas necessidades, acaba votando nos políticos que oferecem mais benefícios de curto prazo, ainda que isso apenas produza mais pobreza no longo prazo. Para perceber isso, entretanto, faz-se preciso algum conhecimento de economia, o que muitas vezes falta a essa gente. Dessa forma, o modelo ineficiente de welfare state vai sendo cada vez mais inchado, produzindo mais pobreza relativa, e os pobres acabam demandando, por ignorância, mais governo como solução. Acabamos num círculo vicioso perverso.

A revista cita, como um dos ícones ainda liberais no país, o Fórum da Liberdade, organizado pelo Instituto de Estudos Empresariais em Porto Alegre. Ao contrário do Fórum Social Mundial, o Fórum da Liberdade não conta com verbas milionários do governo. Ainda assim, tem crescido a cada ano, conquistando mais público através de palestras excelentes e debates realmente produtivos. A oposição ideológica, ao contrário do que acontece no FSM, que se diz pluralista, sempre é convidada para expor seu ponto de vista no Fórum da Liberdade. Os liberais não temem este confronto de idéias, pois sabem que estão do lado da razão.

Por fim, resta apenas atualizar a revista, que não teria como saber disso ainda. No Brasil há sim um partido finalmente liberal. Ainda é um projeto novo, mas que surge no horizonte como uma alternativa para aqueles que realmente defendem a liberdade como um pacote completo. Tanto as liberdades civis quanto a liberdade econômica são defendidas com base em princípios sólidos. Visite o site dos Libertários e veja como colaborar com a causa liberal.

Campanha política cansa



Rodrigo Constantino, para o Instituto Liberal

O presidente Lula passou mal quando estava pronto para partir para a Suíça e receber seu prêmio de estadista global em Davos. Ele foi forçado a cancelar seus compromissos e parar por quatro dias. O médico do presidente atribuiu a pressão alta ao estresse e à fadiga. O presidente, segundo o próprio, nunca gostou muito de trabalhar, e até apreciava uma enchente nos tempos de metalúrgico, porque podia assim ficar em casa descansando. Até mesmo ler os jornais não faz bem ao presidente, pois lhe dá azia.

Por isso a pressão de ter que fazer decolar a candidatura da autoritária e antipática Dilma não deve ter sido fácil para o presidente. Além disso, campanha eterna cansa mesmo. Fazer tantas bravatas, no Brasil e no exterior, deve ser mesmo exaustivo. O presidente, desde que assumiu o poder em 2003, já passou 426 dias no exterior (lembram que FHC era acusado de viajar muito para fora do país?). Aquela obsessão com o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU tem custado caro aos pagadores de impostos, e agora cobrou seu preço na saúde do presidente, ao que parece.

Fico chateado pelo fato de o presidente não poder receber em mãos esse novo prêmio criado pelos organizadores de Davos, que ficaram muito frustrados com a ausência de tão ilustre convidado. Afinal, Davos é o ícone do keynesianismo que tem causado tantas bolhas e crises no mundo. E Lula é seu mais novo representante, com suas políticas ‘anticíclicas’ para “fazer a roda da economia continuar girando”. Sei que a massa de ressentidos do Fórum Social Mundial considera Davos o que há de mais capitalista liberal no mundo. Mas o que esperar de pessoas que enaltecem o fanfarrão Chávez e acham que o PSDB é “neoliberal”?

Davos é uma reunião de grandes banqueiros, políticos e economistas que reverenciam Keynes. Não há nada de liberal nisso. Até Clinton virou celebridade no evento! Sarkozy pediu mais controle do governo na economia (mais ainda?). Faltou, de fato, o presidente Lula, para deixar bem claro que Davos não fala em nome dos liberais. Mas o presidente está esgotado. O Ministério da Saúde adverte: excesso de bravata pode causar fadiga.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

A Bajulação Corrompe



Rodrigo Constantino

“A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose; os admiradores corrompem.” (Nelson Rodrigues)

Os principais observadores da natureza humana sempre tiveram receio do estrago que a vaidade pode nos causar. Gostamos de elogios, mesmo os insinceros, enquanto criamos mecanismos de defesa contra as críticas duras. O auto-engano pode ser uma estratégia útil para a sobrevivência, como diz Eduardo Giannetti em seu livro sobre o tema: “o enganador auto-enganado, convencido sinceramente do seu próprio engano, é uma máquina de enganar mais habilidosa e competente em sua arte do que o enganador frio e calculista”. O enganador embarca em suas próprias mentiras, e passa a acreditar nelas com toda a inocência e boa-fé do mundo. Assim fica mais fácil convencer os demais.

Justamente por conta disso a adulação popular ajuda a criar monstros perigosos. Aqueles que passam a se cercar somente de bajuladores, enquanto concentram mais poder e conquistam as massas, acabam blindados contra todo tipo de crítica. Os conselheiros mais sábios ficam impotentes diante da reverência do povo e, como Cassandras, fazem alertas em vão. De tanto escutar que é uma espécie de messias salvador, o governante populista pode acabar acreditando. Aí reside o maior risco para a sociedade.

Adam Smith, em Teoria dos Sentimentos Morais, fez um alerta desse tipo: “Nas cortes de príncipes, nos salões dos grandes, onde sucesso e privilégios dependem, não da estima de inteligentes e bem informados iguais, mas do favor fantasioso e tolo de presunçosos e arrogantes superiores ignorantes; a adulação e falsidade muito freqüentemente prevalecem sobre mérito e habilidades. Em tais círculos sociais, as habilidades em agradar são mais consideradas do que as habilidades em servir”. Quando o mais importante na vida de alguém é agradar o poderoso governante, a primeira coisa a ser sacrificada será a sinceridade.

Poucos negariam que a situação brasileira se aproxima deste cenário preocupante. A popularidade do presidente Lula está nas alturas, a imprensa parece filtrar todas as notícias através de uma lente benigna em prol dele, os intelectuais o tratam com incrível condescendência, e até mesmo um filme foi feito para o “filho do Brasil”. Como diz o editorial do Estado de São Paulo hoje (28/01/2010), há uma espécie de “salvo-conduto que lhe permite, diante dos mais diversos públicos, trafegar sem restrições pelos mundos da retórica, dizendo uma coisa e o seu contrário, construindo verdades de ocasião e exercendo, como já se apontou, o seu notável talento para a quase-lógica”. O presidente adquiriu uma imunidade que nenhum outro cidadão teria em seu lugar. Qualquer outro seria julgado de forma severa por aquilo que Lula diz sorrindo. Há um “efeito Teflon” quando se trata do presidente, já que nenhuma sujeira gruda em sua pessoa.

O problema é que essa bajulação toda ajuda a despertar a megalomania do presidente, alimentando sua vaidade de forma incrível. O poder corrompe, e o excesso de poder concentrado em alguém vaidoso e popular corrompe ainda mais. Nunca antes na história desse país um presidente contou com tanta indulgência dos críticos. Lula está perdoado por qualquer pecado antes mesmo dele acontecer. Ele pode se aliar aos mais antigos caciques da política, beijar a mão deles, rir enquanto afirma ser aquilo uma aula de como se fazer política, e tudo é perdoado pelo povo. Ele pode aderir às piores práticas da política nacional, passar a mão na cabeça dos réus de formação de quadrilha do seu partido, que poucos terão coragem de subir o tom das críticas. Se se trata de Lula, então é tudo parte do “jogo democrático”. Cristo teria que se aliar a Judas para governar o Brasil, não é mesmo?

“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”, disse Norman Vincent. O antídoto, Schopenhauer já havia dado: “Os amigos se dizem sinceros; os inimigos o são; sendo assim, deveríamos usar a censura destes para nosso autoconhecimento, como se fosse um remédio amargo”. O presidente Lula precisa escutar com mais carinho os seus críticos. Até porque, nesse caso, quem pode ser arruinado não é apenas o presidente, mas todo o povo brasileiro.

O Câncer da Corrupção

Rodrigo Constantino, para a Revista Voto

O Brasil vive tão imerso em escândalos de corrupção que a população parece anestesiada. Os infindáveis casos que vem à tona suscitam reflexões sobre o sistema político totalmente podre no país. Num dos casos mais recentes, o governador José Arruda foi pego num profundo esquema de desvio de dinheiro público. As imagens dos vídeos, ao contrário do que afirmou o presidente Lula, falam por si só. Não há como negar fatos tão escancarados. Ou Arruda era chefe de uma quadrilha, ou fazia parte dela, de forma passiva. A desculpa esfarrapada de que o dinheiro servia para comprar panetones para crianças carentes ofende o bom senso daqueles que ainda o possuem nesse país. O Brasil virou mesmo um grande circo, e os palhaços somos nós!

O primeiro ponto a ser abordado é o estágio de metástase que o câncer da corrupção chegou no Brasil. Todos os grandes partidos parecem verdadeiras máfias organizadas, com as metas de chegar ao poder, desviar recursos públicos e se perpetuar na mamata. Como explicar milhões gastos em campanhas para receber um salário de poucos milhares? Haja altruísmo! Claro que a realidade é outra: a política virou um negócio muito lucrativo. Gente inescrupulosa é atraída para a política para “se dar bem” à custa dos impostos tomados na marra dos trabalhadores. Eis a verdadeira luta de classes existente no país: de um lado consumidores dos impostos, e do outro os pagadores. Quando as vantagens da vida parasitária são grandes demais, o resultado é cada vez menos hospedeiro pagando a conta.

Os principais partidos estão cada vez mais parecidos. O PT teve seu esquema nacional de “mensalão”, o PSDB teve o seu em Minas Gerais e agora o DEM apresenta sua versão no Distrito Federal. Iludem-se aqueles que sonham com a chegada de um novo partido “diferente de tudo isso que está aí”, formado por santos honestos e preocupados somente com o “bem-geral”. A política é um jogo sujo, e acaba atraindo os piores tipos. Claro que existem exceções, mas esse “jogo democrático” não passa de uma guerra pelo poder, onde os fins justificam quaisquer meios. Alguém realmente acha que o PV de Marina Silva seria tão diferente no poder? Alguém acredita que Ciro Gomes mudaria tudo isso? Não basta “vontade política” quando o sistema de incentivos está podre.

A mudança não vai ocorrer através do próprio meio político, com a tomada de poder pelos “bons revolucionários”. O corporativismo em Brasília é de assustar. Mesmo políticos “concorrentes” ficam receosos nessas horas, tímidos nos ataques, sem demandar medidas drásticas e imediatas, justamente porque sabem que amanhã podem ser eles no vídeo. Todos parecem ter rabo preso. Além disso, parece paradoxal esperar um grande programa de redução do poder político através da conquista do próprio poder político. Não é por aí que vem alguma mudança estrutural. Mas de onde ela virá então?

Eis onde surge a importância da luta no campo das idéias. Somente mudando a mentalidade da maioria das pessoas poderemos mudar essa realidade lamentável. Mas não através do próprio governo, naturalmente. Como esperar educação de boa qualidade, que estimula um olhar crítico, justamente através daquele interessado em manter o povo na completa ignorância? O governo tem interesse em manter o povo refém, reverenciando o próprio governo como uma espécie de deus. Somente quando esta mentalidade mudar haverá menos escândalos de corrupção. Afinal, esta é diretamente proporcional à concentração de poder e recursos no governo. Quando o sucesso de uma empresa depende da canetada de um burocrata, parece lógico que a corrupção será fomentada.

Outra importante causa da corrupção é a impunidade. Uma reforma no Judiciário é fundamental, para reduzir a morosidade dos julgamentos. Acabar com os privilégios dos políticos também é primordial para evitar que tudo acabe em “pizza”. Mas, novamente, isso só será viável através da mudança da mentalidade das pessoas. Enquanto os eleitores votarem nos políticos corruptos porque recebem migalhas em troca, porque estão satisfeitos com a economia, porque conseguiram um emprego, o recado será perverso: a imoralidade não tem custo. É preciso dar um basta a isso, eliminar da vida pública aqueles que, pelo menos, foram pegos roubando. Isso não vai garantir que os novos eleitos sejam honestos, pelos motivos expostos acima. Mas ao menos será um recado um pouco mais duro para os que foram pegos com a boca na botija.

O recado das urnas já é um começo. O povo precisa mostrar indignação diante de escândalos de corrupção. Precisa rejeitar veementemente candidatos ligados a esquemas comprovados ou mesmo suspeitos. Precisa colocar a questão ética acima dos interesses de curto prazo. Em vez de fazer como algumas entidades de esquerda, que apresentam uma indignação bastante seletiva, os eleitores precisam abraçar princípios isonômicos, ou seja, condenar todos os políticos envolvidos em escândalos, independente de seus partidos. É preciso acabar com os dois pesos e duas medidas. É preciso exigir fichas limpas. E, principalmente, faz-se necessário ajudar a mudar a mentalidade do povo brasileiro, que passou a encarar o meio político como panacéia para todos os males que assolam o país. Concentrar poder em Brasília é a receita mais certa para estimular a corrupção.

Contra esse câncer chamado corrupção, que tanto estrago causa no país, só mesmo extraindo os dois tumores malignos: o excesso de governo e a impunidade.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Novos melhores amigos



Rodrigo Constantino

"O Cabral é a ausência total em toda a região metropolitana e o interior", disse Lindberg Farias sobre o governo de Sérgio Cabral. "Aqui no Rio, o PT tem que lançar uma candidatura que defenda os interesses do povo trabalhador, que tem sofrido com as políticas elitistas do governo Cabral", declarou também o prefeito de Nova Iguaçu.

Só que isso tudo foi antes de o presidente Lula avisar que Lindberg, agora, era o "novo melhor amigo" de Cabral, como este mesmo o reconheceu. Depois do comando do dono, o cãozinho adestrado, uma "metamorfose ambulante", mudou o discurso e veio abanando o rabinho para o governador do Estado. Assim são os políticos de forma geral, e os petistas em grau mais escancarados: atores que não possuem princípios, apenas interesses imediatos; que não têm amigos, apenas comparsas.

O "pragmatismo" dessa gente é mesmo asqueroso. Num dia, Collor pode ser o mais safado de todos os ladrões, e no dia seguinte, se for interessante para o tal "jogo democrático", o mesmo Collor pode ser um grande sujeito, "amigo do peito". Para digerir os nossos políticos, só mesmo com o auxílio de um Engov...

A Trégua de Chávez



Rodrigo Constantino

“A História se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa.” (Karl Marx)

Após a crise no governo de Hugo Chávez se intensificar com a renúncia de dois ministros, sendo um deles seu vice-presidente, e também do presidente do Banco da Venezuela, o caudilho resolveu que investimentos estrangeiros no setor de petróleo, a locomotiva do país, são desejáveis. "O investimento e a experiência de firmas de petróleo estrangeiras são necessárias na Venezuela", disse Chávez. "Precisamos disso". Após estatizar o que restava de empresas estrangeiras atuando no setor, Chávez reconhece o óbvio: um monopólio estatal a serviço do governo é sinônimo de ineficiência garantida.

Mas nem mesmo aqui Chávez consegue ser original. Lênin, após verificar o caos que havia criado na economia russa com suas estatizações, resolveu apelar para um recuo tático. Ele lançou em 1921 a NPE (Nova Política Econômica). Os camponeses passavam a desfrutar de maior grau de liberdade para vender o excedente da produção no mercado aberto. O governo também autorizou uma quantidade limitada de comércio e manufatura privada de bens de consumo. A recuperação com a NPE foi imediata. Por volta de 1928, a produção de grãos da Rússia alcançou níveis nunca vistos desde 1913. Bastou retirar alguns obstáculos criados pelo governo, e deixar o mercado funcionar um pouco mais livre, para ter um resultado espantoso.

Só que o sonho durou pouco. Richard Pipes, em seu livro sobre o comunismo, explica: “Muitos, dentro e fora da Rússia, acreditaram que a NPE assinalara o abandono do comunismo. Falava-se de um ‘Termidor Russo’, com referência aos eventos na França em 1794, que haviam levado à queda e execução de líderes jacobinos. Mas a analogia era inadequada: primeiro, os jacobinos russos permaneceram firmes no controle; segundo, eles viam suas concessões como meramente uma trégua. E assim se revelaram”. Quem confiou no governo socialista de Lênin, quebrou a cara: vendeu ao regime a corda que seria usada para enforcá-lo.

Agora Chávez pede a sua trégua aos investidores privados e estrangeiros, desesperado com o agravamento da situação econômica na Venezuela, fruto das medidas socializantes de seu governo. Quem vai apostar suas fichas numa mudança estrutural do regime chavista? Quem vai dar um voto de confiança ao fanfarrão que vem destruindo a Venezuela com sua “revolução bolivariana”? Sinceramente, quem o fizer, vai merecer quebrar a cara depois, quando o Chapolin Colorado novamente avançar sobre a propriedade privada deles e gritar: “Não contavam com minha astúcia!”. Ingenuidade tem limite!

terça-feira, janeiro 26, 2010

1º Seminário de Economia Austríaca no Brasil



Pela primeira vez na história, o Brasil terá um seminário exclusivo sobre a Escola Austríaca de Economia. De 11 a 12 de abril de 2010, no Hotel Sheraton, Porto Alegre receberá estudantes e profissionais de todo o país para discutirem os desafios da Ciência Econômica no século XXI.


O I Seminário de Economia Austríaca é um evento realizado pelo Instituto Ludwig von Mises Brasil, associação voltada à produção e à disseminação de estudos econômicos e de ciências sociais que promovam os princípios de livre mercado e de uma sociedade livre. O seminário reunirá, pela primeira vez na história do Brasil, os principais nomes da corrente econômica de livre mercado conhecida como Escola Austríaca ("EA").

Entre os palestrantes estarão alguns dos principais nomes da Escola Austríaca, como Lew Rockwell, Joseph Salerno, Mark Thornton, Tom Woods e Walter Block. Entre os nomes nacionais, Ubiratan Iorio, Rodrigo Constantino, Fábio Barbieri e Antony Muller. Eles irão conversar com uma plateia de 300 pessoas composta por jovens profissionais, estudantes e interessados em economia e liberdade.


Os debates englobarão os princípios da EA aplicados aos principais temas econômicos da atualidade. O papel do Federal Reserve na atual crise econômica, os problemas gerados em decorrência das constantes intervenções de governos na economia, o cálculo econômico socialista, a privatização de ruas e estradas e a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos (TACE), são alguns dos assuntos que serão discutidos durante o I Seminário de Economia Austríaca.

Não perca essa oportunidadede de interagir com os maiores nomes da Escola Austríaca de Economia!

Para maiores informações e inscrição, click neste link.

Chávez: o começo do fim



Rodrigo Constantino

A crise no governo de Hugo Chávez atinge novos patamares, com o pedido de demissão de seu vice-presidente e ministro da Defesa, Rámon Carrizáles, e sua mulher, ministra do Meio-Ambiente. A economia afunda rapidamente, porque as leis econômicas não podem ser revogadas por decretos estatais. O país enfrenta o racionamento de energia, mesmo sendo exportador do "ouro negro", que existe em abundância no local. A inflação é galopante, e a recente maxidesvalorização da moeda vai apenas jogar mais lenha na fogueira.

Para compensar o fracasso econômico, Chávez intensifica a opressão política. Novos canais de TV foram fechados, despertando a revolta do povo. Houve confronto nas ruas, e dois jovens morreram, além de dezenas que ficaram feridos. O experimento socialista do século XXI está produzindo os mesmíssimos resultados dos experimentos socialistas do século XX: miséria, terror e escravidão. Não há nada de novo aqui. Qualquer liberal já sabia como as coisas seriam na Venezuela.

Já os esquerdistas não. Esses, ou boa parte deles, mostraram enorme empolgação com o "socialismo bolivariano" de Chávez. Eram otimistas quanto aos possíveis resultados "sociais" na Venezuela. Defenderam Chávez, e alguns ainda insistem na estupidez. São cegos por ideologia. No próprio governo não são poucos aqueles que admiram a "revolução bolivariana", e tentam inclusive replicá-la no Brasil. O PNDH-3, assinado pelo presidente Lula, é um esboço nesse sentido. Não dá para mudar os fatos: boa parte da nossa esquerda aplaudiu as medidas de Hugo Chávez.

Mas alguém tem dúvida de que agora, com o declínio acelerado do caudilho venezuelano, a esquerda irá se afastar desse experimento fracassado? Oportunista e hipócrita que só ela, nossa esquerda radical vai fingir que nunca defendeu com unhas e dentes o modelo de Chávez. Vai afirmar que aquilo não era socialismo coisa alguma. No máximo, "socialismo real", ou, melhor ainda, "capitalismo de Estado". Tentará apagar o rastro sujo de apoio ao regime chavista. Vai reescrever a história, como sempre fez. União Soviética? Ora, não era socialista! Afinal, o socialismo que eles pregam é uma Utopia que jamais vai existir. Sempre que os mesmos meios pregados para tal fim forem utilizados, gerando apenas desgraça, eles poderão jogar a culpa para ombros alheios, e alegar que aquilo não era socialismo.

Mas era! Socialismo é justamente isso enquanto meio: a concentração de poder no governo, a estatização da economia e da vida dos cidadãos. Chávez fez exatamente aquilo que os socialistas do governo Lula gostariam de fazer no Brasil, com seu PNDH-3. Reclamar que tais meios levaram a um fim diferente do socialismo idealizado não vale. O fim sempre será esse quando os meios usados forem aqueles defendidos pelos socialistas. Teremos apenas miséria, terror e escravidão. Isso é socialismo na prática! O resto é sonho de idiota útil, massa de manobra dos oportunistas de plantão.